Poemas sobre Esperança de Vida

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LUMINESCÊNCIA DE MÃE
(O despertar de dois mundos após a tempestade.)


Janela para a vida que se abre. A cortina de voal parece acenar; o passarinho no poste de luz canta uma sinfonia. O dia amanhece.
A noite agitada em mente confusa, dispersa num autismo que agora relaxa e adormece, fica para trás. Olho para o sol que sorri e peço, em silêncio: que sua luz traga o meu mundo e o de meu filho para o lado de fora.


Lu Lena / 2026

LIMITES DO DESEJO
(A resiliência como marcador da alma)

Às vezes a vida oferece aquilo que podemos suportar. E, por isso, os desejos são filtrados.

Lu Lena / 2026

O ENCAIXE DO IMPOSSÍVEL
(peças desencontradas)

O que me desconecta da vida
é ter um enigma sem solução;
pois, na ausência de saída,
resta o esforço de se encaixar
dentro e fora dele, em um
mundo formado, literalmente,
por umquebra-cabeça.

Lu Lena / 2026

ALMA DE PLUMA
(A arte de se tornar leve para ser conduzido pela vida)

Refunda tua alma nesse barro chamado Terra, em formato de uma pluma, para que tenha leveza e possa flutuar no céu e Deus soprar aos ventos o teu nome quando a tempestade for anunciada...

Lu Lena / 2026

GRAMÁTICA DO CAOS
(Quando a vida ignora as regras da sintaxe)

O passado virou futuro num pretérito que se fez presentepontuadopor reticências e ponto de interrogação, esperando oavaldo ponto final, nessa jornada da vida semnexoelógicaverbal, o que resta é exclamação!

Lu Lena / 2026

LINHA DA VIDA...

A vida não é mole, mas também não é dura…
é apenas uma linha que temos que passar
pelo buraco da agulha…

Quero ser um diamante em tua vida a ser
lapidado…
e não cacos de vidro em teu coração
colado…

A vida é como uma novela, dependendo de como se acorda sempre vamos interpretar no nosso dia a dia um personagem diferente (da gente).
Por quê?
- Ficção é mais fácil de interpretar do que a nossa própria realidade.

COSTURANDO A VIDA...

Nesse nosso presente entre um alinhavo e outro, a gente vai remendando os acertos e erros do passado, cerzindo sentimentos e emoções num futuro incerto numa colcha de retalhos…

​O HORIZONTE DA INÉRCIA
(Entre o bater de asas e o silêncio da gaiola)

​A vida é tão complexa e, ao mesmo tempo, simples e natural como o pássaro que voa... O diferencial é que o pássaro pode não ser mais visto, ou pode ficar preso na gaiola por não saber voar, condicionado a essa prisão.
​Assim como as circunstâncias de nossa existência, que não se explicam: a gente observa e as deixa apenas voar, ou elas ficam aprisionadas por nosso comodismo.

​Lu Lena / 2026
​

METÁFORA DA EXISTÊNCIA
​
​A vida é a linha que tem que passar pelo buraco da Agulha.

Lu Lena /2026

​METAMORFOSE DA VIDA
​(O bater de asas entre a memória e o agora)

​O que mais dói na maturidade não é a dor física, mas a saudade da essência que ficou para trás. Nessa transição, somos como borboletas em constante metamorfose: ora asas que se abrem para a vida, ora casulos que se fecham, introspectivos, para ela.

​Lu Lena / 2026

CONTROVÉRSIA DA LUCIDEZ
(​À deriva no tempo)

​Estamos lúcidos quanto à vida que nos foi destinada, mas a aceitação da mesma perdeu-se de tal forma que, às vezes, não sabemos o caminho de volta. Ficamos estagnados no tempo, como se lançássemos a âncora em alto-mar, sem saber em que solo ela irá prender.

​Lu Lena / 2026

O RASCUNHO DEFINITIVO
(A ilusão de que podemos passar a vida a limpo)

Quando nascemos, trazemos conosco um bloquinho de notas, um lápis e uma borracha.
Ao longo dos dias, vamos anotando nossa história. Algumas vezes corrigimos o que foi feito; outras, apagamos. Muitas vezes, arrancamos uma folhinha inteira para refazer o caminho, e assim o bloquinho vai diminuindo.
Chega um momento em que decidimos comprar um caderno bonito, bem encadernado e com muitas folhas, com a intenção de passar tudo a limpo. É aí que nos damos conta: o lápis já está gasto e sem ponta de tanto usar, e a borracha já nem existe mais...
Por quê?
Porque tudo já estava escrito!

Lu Lena / 2026

NADA É ABSOLUTO, TUDO É TRANSFORMAÇÃO.


​A vida nos desafia constantemente a aceitar a transitoriedade. Quaisquer que sejam as circunstâncias, cabe a nós assumir a responsabilidade pelas nossas próprias interpretações do mundo.


​É preciso silenciar a busca por certezas definitiva, que muitas vezes nunca virão, em favor de uma existência em constante transformação. A intenção está no fluxo, na coragem de mudar e na liberdade de ser novo a cada dia.




Lu Lena / 2026
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​MÃE ESPECIAL

​Ela não pode viver a vida do filho neurodivergente, mas é a extensão dela.

​Lu Lena / 2026

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​NADA É ABSOLUTO
(Tudo é transformação)

​A vida nos desafia, constantemente, a aceitar a transitoriedade. Quaisquer que sejam as circunstâncias, cabe a nós a responsabilidade pelas nossas interpretações do mundo. É preciso silenciar a busca por certezas definitivas — que, muitas vezes, não virão — em favor de uma existência em constante transformação. A intenção reside no fluxo, na coragem de mudar e na liberdade de ser novo a cada dia.
​Nesse caminho, avistamos duas setas: uma aponta para a Vida, a outra para a Frente. Decifrar esse enigma da bifurcação é o grande desafio que confunde nossa mente, pois o compromisso com o destino é, inegavelmente, seguir adiante. Viver o aqui e o agora é a certeza da evolução da alma; é refletir sobre o espaço que ocupamos neste tempo oscilante, feito de erros, acertos e virtudes. Afinal, se não ficarmos atentos, a vida passa num instante.

​Lu Lena / 2026

⁠todo dia você faz
tudo pela última vez —
e o que se repete
é uma prorrogação que
a vida te concede.

⁠Folhas da Vida


As pessoas só vão realmente te conhecer quando você morrer. Claro que não serão todas do mundo, mas algumas com quem você se relacionou, ou até mesmo aquelas em quem você apenas esbarrou pela vida e talvez nunca mais viu.
Quando esse dia chegar, falarão bem ou mal de você, dependendo da sua conduta. Irão refletir sobre quem você foi, e algumas talvez se lembrarão dos momentos que viveram ao seu lado.
A vida da gente é como as folhas: algumas são arrancadas dos galhos, outras caem naturalmente, secam com o sol e com o tempo, depois voam para longe e viram adubo que fortalece a terra.
Assim também são as nossas histórias de vida: exemplos únicos que servem para fortalecer o nosso ser e toda a nossa jornada na Terra.


— Mara Ferly

É duro descobrir que não somos exatamente quem passamos a vida acreditando ser. Existe uma dor silenciosa em cobrar da vida respostas, até perceber que talvez sejamos nós os únicos responsáveis por oferecê-las. E então vem o choque mais frio de todos, o mundo não nos deve absolutamente nada. Nem compreensão, nem absolvição, nem a chance de voltar atrás.

Também é difícil olhar para si de outro ângulo e enxergar, sem máscaras, tudo aquilo que nos falta, perceber o quanto somos vulneráveis, contraditórios, frágeis e, às vezes, assustadoramente rasos. A consciência tem esse poder cruel de arrancar as justificativas bonitas que criamos para sobreviver, deixando apenas aquilo que realmente somos quando ninguém mais está olhando.

Talvez uma das piores coisas seja ouvir algo que atinge exatamente o lugar que tentamos esconder de nós mesmos. Eu gostaria de nunca ter sido chamado de covarde sem ter uma resposta imediata para negar aquilo. Gostaria de ter encontrado indignação, revolta, qualquer defesa convincente. Mas existem momentos em que o silêncio dói justamente porque, no fundo, não há resposta alguma. Porque, às vezes, tudo o que conseguimos enxergar em nós mesmos é exatamente isso.