Poemas sobre Cavalos
Padrinhos
Ainda na minha cidade natal,
As visitas aos dindos eram ritual.
De cavalo eu ia, mas ele, ligeiro,
Pegava embalo, virava no pampeiro,
E eu, pobrezinho, só via o terreiro!
Na piscina, afogava e ria,
Meio nadava, meio bebia.
E certa noite, na sala a deitar,
Uma aranha gigante parou pra me olhar.
Corri pro berço, fiz-me bebê,
Na falta de cama, o que mais ia ser?
De manhã, a cena ilustre:
Eu espremido, perna pra fora,
Torto, embolado, num baita sufoco!
Os dindos riam: “Isso é maria mole ou menino?”
FELICIDADE POR LINHAS TORTAS
Minha carruagem quebrou, meu cavalo branco morreu. Pra onde foi nosso amor, que da escuridão não padeceu? Nem fada madrinha dá jeito quando a gente vacila no amor. O ódio toma conta do pensamento e do coração toma conta o rancor.
É sangue nos olhos de quem é enganado. A faca nos dentes pela traição. É pura cólera. É uma fúria de titãs. O desejo de vingança quebra o último fio de esperança de reatar o laço.
Devemos pensar bem antes de ferir um sentimento. Colocar-se no lugar do outro antes de agir por impulso. Compaixão e empatia. Um vaso quando quebrado, nós podemos até colar, mas não como o imaginado, igual nunca ficará.
A raiva do outro é aceitável e se redimir começa com a desculpa, um real arrependimento para que viva de novo um amor sem impedimento.
Se o perdão de seu amor fora concedido, comece de novo, construa uma nova carruagem e desta vez deixe que o amor guie seu caminho.
Talvez esse erro faça o romance amadurecer, crescer e dar um novo passo para o futuro que, juntos, criarão um elo forte, uma aliança compacta, um amor que mesmo complexo, com altitudes onde já foi difícil de respirar, deu a volta por cima em prol de amar.
Às vezes a felicidade vem por linhas tortas, demora a chegar, faz o caminho mais difícil, passa por vários testes, mas ela sempre vem e não importa pra quem. Pense antes de fazer o errado. Você pode não ter duas chances.
Poema Infantil
O Cavalo Caramelo.
Félix di Láscio.
Um cavalo
Foi resgatado,
Tinha a mão branca
E era manca.
O Cavalo Caramelo
Viveu o tempo,
Sem chinelo.
Divido as chuvas
Muitas pessoas
Ficaram desabrigadas,
Essa é parte malvada.
Coitado!
O Cavalo Caramelo
Passou horas
No telhado .
Um cavalo no telhado
Um cavalo no telhado
Imagem marcante
Desconcertante
Intrigante
Como a pobre criatura ali foi parar?
Instinto de todo animal querendo se salvar!
Um cavalo no telhado
Em terras do Rio Grande alagado
Inusitado
Ilhado
Desolado
Em meio à tempestade
Será este um dos sinais do fim dos tempos
Ou nosso tempo dando sinais
De que estamos degradando demais?
Um cavalo no telhado
E as águas que afogam um estado
Cobrindo casas e plantas
Destruindo os Pampas
Inundando
Isolando
Afundando
Matando.
Um cavalo no telhado
Depois de dezenas de horas
Sendo salvo diante das telas
Mexendo com uma nação
Comoção
Emoção
Transformação
De um anônimo animal
Em símbolo de resistência
Por sua vontade e paciência
Fez de um velho telhado
Um castelo
Ganhou até um nome:
Caramelo.
Um cavalo no telhado
Nos fará pensar?
Quanto dessa tragédia
É fruto da nossa negligência
E quando tudo passar
Mudaremos a mentalidade
Ou o CEP da localidade?
____Pedro Trajano_
" ANELO "
Ao longe vês, o amor, chegando a ti
em seu cavalo branco, então, montado,
e o riso teu se põe emoldurado
nos grossos lábios teus cor de rubi!...
O coração palpita acelerado
como a querer fugir mesmo, de si,
num galopar, qual o corcel, ali,
de encontro ao peito teu enamorado.
Percebes que chegou o fim da espera
tal como a cartomante te dissera
que, um dia, ele viria ao teu castelo…
Chegando vês, de longe vindo, o amor
para atender, de vez, ao teu clamor
e saciar ao que te foi o anelo!...
Esporei o cavalo do destino
A procura de alguém leve e singela
O achado deixou grande sequela
Me fazendo de novo um clandestino
Eu pensava não ser mais um menino
Porque tudo na vida eu aprendia
Mas a aula que me falta fazia
Recebi como um chute na canela
Que a pior solidão é sempre aquela
Que vivemos em falsa companhia.
O primeiro cantar do galo
chama o vaqueiro que vem
varando o mato a cavalo
pelas arestas que tem
valorizar cada calo
é ter nordeste no talo
sem arregar pra ninguém.
Como a vida era mais tranquila.
Antes a única locomoção era o cavalo, podíamos caminhar horas, dias e até meses para chegar a um destino.
Do início do percurso até o fim, tínhamos longas histórias e belas paisagens.
Então um dia chegou a locomotiva, as semanas se tornaram dias, mas mesmo assim podíamos aproveitar as belas paisagens e pequenas histórias eram formadas.
Então chegou os automóveis. Tudo se tornou perto, os dias se tornaram horas. As histórias ficaram mais curtas e já não percebemos a paisagem.
Por fim veio o avião e tudo estava a minutos de distância. Paramos de conversar no preciso e não temos mais histórias.
Pensando assim podemos dizer que tudo ficou mais rápido.
Da infância ao caixão não temos mais taas histórias. As pessoas estão sempre com pressa, e não existe mais o bom dia. Por fim tudo termina tão rápido.
Desacelere um pouco, observe mais o mundo e sempre de bom dia.
O tempo pode não parar, mas suas histórias serão mais bonitas
Dizem que quem fala demais dá bom dia a cavalo.
Sem prudência e moderação, é melhor ficar calado.
Quero silêncio quando falo e se alguém fala, me calo.
O peixe morre pela boca e ele nem fala,
coitado.
No galope do cavalo, a alma perdida,
Um coração embriagado, amor que terminou.
Sobre a trilha do sertão, saudade vivida,
Perdeu o amor da sua vida, tão amado e louvado.
Passos solitários na terra árida e seca,
Apegado às lembranças que o peito abraça,
Nos versos da cachaça, histórias da vida preta,
Chorando o amor que partiu, sem promessa que faça.
Cavalga o cavaleiro com dor e saudade,
A noite é cúmplice do lamento sentido,
Pelas veredas do coração, a eterna jornada,
Vai chorar de saudade o amor já esquecido.
No sertão, o cavalo é seu fiel companheiro,
Enquanto a saudade tece a teia da memória,
Entre goles e versos, o coração prisioneiro,
A dor do amor perdido, transformada em história.
Lamento do oficial por seu cavalo morto
Nós merecemos a morte,
porque somos humanos
e a guerra é feita pelas nossas mãos,
pela nossa cabeça embrulhada em séculos de sombra,
por nosso sangue estranho e instável, pelas ordens
que trazemos por dentro, e ficam sem explicação.
Criamos o fogo, a velocidade, a nova alquimia,
os cálculos do gesto,
embora sabendo que somos irmãos.
Temos até os átomos por cúmplices, e que pecados
de ciência, pelo mar, pelas nuvens, nos astros!
Que delírio sem Deus, nossa imaginação!
E aqui morreste! Oh, tua morte é a minha, que, enganada,
recebes. Não te queixas. Não pensas. Não sabes. Indigno,
ver parar, pelo meu, teu inofensivo coração.
Animal encantado – melhor que nós todos! – que tinhas
tu com este mundo dos homens?
Aprendias a vida, plácida e pura, e entrelaçada
em carne e sonho, que os teus olhos decifravam…
Rei das planícies verdes, com rios trêmulos de relinchos…
Como vieste morrer por um que mata seus irmãos!
"Desafio da vida moderna, desvendar quando o presente é um cavalo de tróia, vírus letal desde a criança grega, prosseguindo pelas gerações de computador."
Giovane Silva Santos
"Eu cego, aprisionado pela mente, inocente, aperto a tecla aceito, o cavalo de tróia me feriu violentamente."
Giovane Silva Santos
O que é o que é?
Invisível e intangível.
Um super, ultra cavalo veloz.
Um bumerangue, leva e traz a voz.
Um geração de correio.
Emissor, receptor, trilhões de mensagens no meio.
Viaja do oriente ao ocidente.
No ar, no mar, na terra.
Produto desde a guerra.
Induz, seduz, conduz.
A frequência da mente.
As ondas do rádio, tv, celular, computador.
Sons românticos.
Paixões, visões, amor, dor.
Quem poderá responder, aliás o que todos sabem e não querem dizer.
O mundo tá nu e meus olhos vendados.
Segredos de geração.
Alcança bichos, pássaros e toda criação.
O que é, o que é essa evolução.
Todos dançando nesse cântico.
O que está oculto, além da ciência, tecnologia e processo quântico.
Giovane Silva Santos
Meu coração é como terra sagrada.
Para conquista-lo tem que ter alma pura.
É como um cavalo que não aceita a doma, porém se encanta com as delicadezas da vida e as almas grosseiras não fazem costado.
O sertanejo passando na sombra
Com seu cavalo negro se espanta
Quando olha pro céu vê que a saudade é tanta
Que até sua alma se amedronta.
Sabe que pediu a Deus
E ele não ouviu
Sabe o medo dessa terra
Atiçou o cão que fugiu
Olha pro céu e a saudade é tanta
Que nem se tem mais lembrança
Da chuva que não mais viu
O céu não está mais enfeitado
Com as nuvens negras que um dia chorou
O passarinho passou cansado,
O urubu de tanto morto se alimentou
E o sertanejo com seu cavalo
Acreditou no Deus salvador.
O chão se alimentava do seu sangue
Disse: você não viu?
Daqui fico de pé!
Esse é o mió pedaço do Brasil
E se a chuva ainda não desceu,
É talvez porque não assubiu.
Meu Cigarro de Paia
Meu cigarro de paia
Meu cavalo ligeiro
Minha rede de malha
Meu cachorro trigueiro
Quando a manhã vai clareando
Deixo a rede a balançar
No meu cavalo vou montando
Deixo o cão pra vigiar
Cendo um cigarro vez em quando
Pra me esquecer de me alembrar
Que só me falta uma bonita morena
Pra mais nada me faltar
Você veio no cavalo branco,
Parecendo o príncipe encantado,
Que pena que não sou a Cinderela,
Por quem você é apaixonado.
Nem todas as princesas usam coroas, algumas usam chapéu, sobem no cavalo e se jogam nas lidas do campo.
Nem todas as princesas usam sapato de cristal, algumas usam bota e bombacha e boleiam a perna pra dançar um fandângo de galpão.
E nem todas as princesas esperam pelo principe montado no cavalo branco, algumas estão sendo felizes sem se importar se encontraram o homem certo ou não.
Essas sim são princesas, mais do que isso... São donas do próprio destino.
Nem todas as princesas usam coroas, algumas usam chápeu, sobem no cavalo e se jogam nas lidas do campo.
Nem todas as princesas usam sapatinho de cristal, algumas usam bota e bombacha e boleiam a perna pra dançar um fandango de galpão.
E nem todas as princesas esperam pelo principe montado no cavalo branco, algumas estão sendo felizes sem se importar se encontraram o homem certo ou não.
Essas sim são princesas, mais do que isso...
São donas do próprio destino.
