Poemas sobre a Ironia do Sorte
Ironia é comer
o amor inteiro,
reclamar do tempero
e ainda deixar o coração
em cima da pia para o outro lavar.
Ironia é emitir para o universo mensagens duplas,
e não querer receber isso de volta.
A ambivalência é uma energia como qualquer outra.
Ironia é gostar tanto
de ficar com o pé atrás,
e reclamar que ficou a quilômetros
de distância de alguma coisa.
Ironia é
o corpo ter um
órgão chamado saudade
e não ter no supermercado
comida disponível para alimentá-lo.
Ironia é fazer planos
e acreditar no destino,
quando até mesmo os carrinhos
no supermercado vão na direção
pra onde são empurrados.
Ironia é ler
centenas de livros, e
não conseguir interpretar os textos
da vida que nos cercam a cada momento.
Ironia é alguém querer
fazer com que o meu
coração sinta saudades
daqueles que perderam
a minha alma.
Que bom poder desfrutar
de uma prazerosa ironia
na água salgada do mar
pra assim adoçar o meu dia.
Ironia nos detalhes é:
Adorarmos quem nos odeia
Desdenhar quem nos aplaude
Aplaudir quem não se importa
E não se importar quem nos quer bem;
Hoje eu fujo fugitivo dos doces sentimentos e das verdades inventadas que por ironia são as mentiras sinceras e das quais me atraem;
Por maior que seja seu amor não oferecem ameaças entre o caminho mais fácil;
Não tente ser tão dura com as palavras nem culpar a vida por suas displicências ensaiadas durante sua luta;
Por ironia do destino me vi apaixonado, logo eu que nunca imaginei me portando como tal;
Mas a minha vez chegou colhendo flores a meu amor, recitando as mais belas palavras que um cavalheiro possa dedicar;
Reivindico os meus direitos como amante dedicado, mais amor e muito mais carinho para completar o meu pobre coração;
Nunca quis um amor solene que por ironia, nunca quis formalismo em minha vida;
A possessividade e o orgulho sempre se degladiaram para que demostrasse o caminho..
Porém a sabedoria e o discernimento sempre foram muito mais forte;
Purista, eu?
Chamaram-me purista, num tom de ironia,
Como se o zelo fosse pecado, heresia.
Por buscar nos arcanos da gestão cadente,
Um fio de lógica, um traço coerente.
Falaram de anacronismo, como quem sussurra ao vento,
Sem notar que o tempo carrega o esquecimento.
Gestões de ontem, sombras de um outrora,
Não resistem à aurora, que a crítica devora.
Eis que escrevo, não para agradar vaidades,
Mas para despir o rei de suas falsidades.
Se purismo é pensar, é questionar o vago,
Que me chamem de pura, pois o impuro é frágil.
Anacrônica é a cegueira que persiste em andar,
Na trilha do ontem, sem ousar inovar.
E eu? Sou ponte entre o velho e o novo,
Sou o verbo que inquieta, sou quem move o povo.
Não temo o rótulo que me foi ofertado,
Pois na busca da razão, o título é fado.
Que venha o futuro, com suas chamas ardentes,
Purista ou não, sigo lúcida, entre linhas e correntes.
" O poeta diante do amor
faz poesia
diante da dor
tece ironia
e vive
como se a felicidade estivesse logo ali
mesmo sabendo que não está...
