Poemas sobre a Escrita

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⁠É sobre você. Tudo é sobre você. Sempre foi sobre você. Todas são sobre você. Todas as músicas que escrevi.

Tua vida, filha, é um texto que há tempos começamos a escrever, mas, daqui em diante, também te cabe pegar esta tinta e delinear o teu curso, tome só cuidado com o que retiras do nada e trazes à superfície, é comum borrar ou rasurar um trecho, mas é impossível apagá-lo, a palavra se faz carne, e a carne se lacera, a carne apodrece aos poucos, mas é também pela carne que a palavra se imortaliza. Não há borracha para um fato já vivido, pode-se erguer represas e costões, muralhas e fortalezas para barrar o fluxo das horas, mas, uma vez que o sol se torne sombra, que o luar penda no céu em luto, a névoa se disperse na paisagem pendurada à parede, o dedo acione o gatilho, nada mais se pode fazer; nossa jornada, aqui, é única, a ninguém será dada a prerrogativa, salvadora ou danosa, da reescrita.

Eu nunca tive medo de ser sozinho, mas hoje pela primeira vez na vida eu estou com medo de não ter ninguém aqui.

Quando sinto desinteresse da parte de alguém, simplesmente me retiro. Não vale a pena insistir em quem é tão pouco. Afinal, não sabem a pessoa incrível que estão deixando ir embora.

Minhas noites andam conturbadas. Daquelas que te amarra uma cara feia no rosto, te traz lembranças e saudades antigas.

Todas as pessoas têm coisas importantes para contar. Se criarmos um ambiente de confiança, calmo, íntimo, surgem grandes histórias. Pessoas sem importância têm grandes histórias. Mas se faço uma pergunta banal, obtenho uma resposta banal. As pessoas têm uma grande necessidade de falar de coisas sérias. Mas acontece que não lhes dão oportunidade. Ninguém as quer ouvir. Vivemos num mundo de banalidade. O trabalho do escritor é resgatar as pessoas dessa banalidade.

⁠Sempre há tempo para ler. Não confie em um escritor que não lê. É como comer comida preparada por um cozinheiro que não come.

Escreve-se para preencher vazios, para fazer separações contra a realidade, contra as circunstâncias.

Na disputa de quem rouba mais o Brasil, os que dizem que estão lutando contra a corrupção estão na frente!

⁠Nem tudo precisa ser dito, mas a vida fica mais leve quando pensamentos são escritos.

⁠As tempestades ensurdecedoras que eu mesma crio não me preocupam, desde que não me amputem as mãos.

⁠Escrevo para não perecer, para não sucumbir à indiferença. Rabisco as letras, para dar traços ao caminho e cinzeladas às pedras da estrada. Registro minhas dores, defeitos, labutas, deleites ou lampejos de luz, para que nunca me esqueça da minha humanidade.

⁠Não tenho medo de me repetir, porque o que escrevo, o que eu digo, não atende às exigências da literatura, mas às da necessidade e da urgência, às do fogo.

Édouard Louis
Quem matou meu pai. São Paulo: Todavia, 2023.

⁠Enquanto a vida se limita a uma sobrevivência constante perante o vazio existencial, escrevo poemas de salvação, meros aperitivos para o vazio que me cerca profundamente enquanto luto para marcar a minha existência sábia e inocente diante das possibilidades que apenas me enlouquecem, assim escrevo poemas, de salvação.

Eu costumo descobrir o que penso das coisas no ato de escrever, o que significa que sempre começo pela dúvida.

Luis Fernando Verissimo
Medo da loucura alheia. Rascunho, abr. 2016.

Você possui tudo o que aconteceu com você. Conte suas histórias. Se as pessoas quisessem que você escrevesse com mais carinho sobre elas, elas deveriam ter se comportado melhor.

Inserida por pensador

Eu meio que criei um personagem odioso. Nesse conflito dele com a natureza, eu torceria pela natureza. Tive um certo receio de que essa antipatia pelo personagem prejudicasse a leitura, que os leitores abandonassem o livro por isso. Mas fico feliz que os leitores têm apreciado o livro, mesmo detestando o personagem, e que alguns até conseguem ter simpatia ou atração por ele.

Inserida por pensador

Pesquise. Alimente o seu talento. A pesquisa não só vence a guerra contra o clichê, é a chave para a vitória sobre o medo e a sua prima, a depressão.

Inserida por pensador

As histórias são a conversão criativa da própria vida em uma experiência mais poderosa, mais clara e mais significativa. Elas são a moeda do contato humano.

Inserida por pensador

Eu tenho sonhos digitados em um e-book, páginas escritas pela vida, com palavras que fazem sentido dentro de frases desconexas, com idas para muitos lugares e vindas de todos os outros, anotei e fiz um pdf para não esquecer a minha longa história recente.

Inserida por marco_brito