Poemas que Falam sobre o Olhar

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Ei, cê viu isso? Passou batido,
tipo neblina no vidro, sumindo em ruído.
Olhar reto, pose de forte,
mas esse silêncio grita mais que a sorte.


É sempre assim com quem tem alma fraca,
dão ghost, somem, perdem a placa.
Acham que o vácuo os faz crescer,
mas tão pisando onde a areia vai ceder.


Mas qual é a fita? Por que fingir?
O riso torto, o olhar fugir?
Me vê e finge que eu não existo,
como se meu nome apagasse na lista.


É que a verdade mexe, faz tremer,
mostra as máscaras que cês querem esconder.
Preferem o fake, correm do brilho,
do que encarar que perderam o trilho.


Então que fiquem na bolha inflada,
se afoguem na maré da própria cilada.
Eu? Sou trovão, sou brasa, sou rua,
e eles? Só eco — com medo da chuva.

Garotas inocentes não merecem chorar,
Por garotos que não vem a verdade no olhar só
Pra matar a vontade o crime não compensa
Por isso escolhi ser diferente amor
Só pra te amar💔💍⁠

Refém do Teu Olhar


Ela não faz esforço nenhum…
mas quando olha, me desmonta por completo.
Existe uma calmaria no rosto dela, quase inocente…
mas os olhos contam outra história.
São grandes, profundos, cheios de uma presença que não se explica — se sente.
Não é só beleza.
É intensidade escondida em silêncio.
É um brilho suave que, mesmo tranquilo, tem força suficiente pra atravessar qualquer barreira.
Quando ela sustenta o olhar, o tempo parece diminuir o ritmo.
O mundo fica menor.
E tudo que existe é aquela conexão invisível que prende sem pedir permissão.
Tem algo ali que é diferente…
não é um olhar distante como estrela fria.
É quente.
Íntimo.
Viciante.
E eu, que achava que tinha controle sobre mim,
descobri que me perco fácil nesse universo que mora dentro dos olhos dela.
Se existe magia nesse mundo,
ela vive exatamente ali.

Carrego em mim palavras não ditas,
guardadas no silêncio de um olhar.
Promessas esquecidas ou perdidas,
que podem fazer sorrir ou chorar,
ou até florescer no ar.


Carrego rabiscos sem destino,
tímidos, sem coragem de sair.
Esperam virar traço e caminho,
virar cor para o mundo construir,
e alguém poder sentir.


Carrego canções ainda caladas,
vivendo em perguntas sem fim.
Leves melodias, meio guardadas,
que passam e voltam em mim,
e fazem o dia assim.

[O Colecionador de Vácuos]


Quando tivermos deixado a Terra,
Um último olhar para esfera azul,
Um último sopro do vento na face,
Tesouro selado que deixa o baú.


Quando tivermos deixado a galáxia,
Se encerra o sorriso estampado no rosto.
Realizados feitos fantásticos,
Sabores longínquos para todos os gostos.


Quando varrido o universo tivermos,
Todos segredos estarão revelados,
Todas perguntas enfim respondidas,
Missão concluída, sonhos realizados.


Daí saberemos, que nada mudou.
Assim saberemos, que nada mudou.
O tédio infinito que rasga o cosmos,
Vazio incontável, buraco sem fim.


(Michel F.M. - Revolesia: Volume Único - 2023)

Sob o olhar do Onividente,
a balança busca o seu centro.
O Oculto revela o sentido,
e o Justo traz paz ao vento.

Meu olhar atípico


Quando olho para um ser humano,
o que eu vejo?
Bom, eu vejo exatamente um ser humano.


A única coisa que nos torna atípicos é ter um olhar diferente e enxergar, de fato, o ser humano.
É muito comum as pessoas ignorarem esse fator crucial: ao olhar para o outro, esquecem que somos, antes de tudo, humanos.


Pessoas em busca de sonhos, planos, objetivos e realizações.
Aí está o ponto onde a pessoa com olhar atípico se distingue dos demais.


Nós olhamos de fora para dentro e observamos os detalhes:
as expressões, os movimentos, até a forma como respiram.
Não é superficial. É saber que um ser humano é mais que uma unidade, mais que um número.


É entender, ao observar, que ali existe um indivíduo.
Existindo, sobrevivendo em meio aos mesmos problemas, normas, leis, fatos e acontecimentos.
Dividindo não só o mesmo espaço, mas compartilhando do mesmo ar.


O olhar atípico é ver o que muitos não conseguem ou ignoram.
É enxergar mais que uma sombra,
mas o ser humano que a projeta.


Por Marcio Melo

Olhar de Quem Sonha


Se olhar nos olhos de quem sonha,
irá ver um universo de projeções,
um mundo de possibilidades.


E tudo isso se manifesta naquele brilho
que conquista até quem percebe.


Por Marcio Melo

No primeiro dia de primavera,
o sol brilhou radiante no teu olhar,
e a primeira flor desabrochou
no jardim do nosso amor.


Os pássaros voavam em revoada,
cantando a música do amor.
Os raios brilhantes do sol
criavam linhas no céu.


Era um dia perfeito para se apaixonar.
O perfume das flores se espalhava pelo ar.
Era a estação mais doce,
que coloria tudo.


A estação do amor.
Marcio Melo

Fel


Aos 20 você chegou.
E ao olhar para trás vejo que éramos apenas duas crianças.


Você,
Com um olhar doce me fez acreditar que eu era capaz.
Me fez olhar o mundo com garra, e querer mais.


De tudo, sei que muito eu errei.
Mas segui.


Em meio a tantos erros,
O melhor acerto era Você, a Luz que me fazia seguir.


Você me forjou Mãe!
A mais forte e doce que poderia existir.


A ti,
Só resta agradecer.
Você foi paciente e soube aguardar.


Hoje sou melhor,
Mais paciente, mais ouvinte e sem dúvidas, mais alegre.


Muito preciso me desculpar.
Você contudo, me provou como é bom a arte do improvisar.


Crescemos juntos e hoje sabemos o real valor do amar

Ela brilhava por onde ia, seu olhar resplandecia, suas conversas eram incansáveis e a alegria lhe acompanhava.

Ele chegou levando tudo, apagando o seu mundo, era o centro do próprio universo, vazio e totalmente seu inverso.

Ela cansou do cotidiano, das idas e vindas repetidas, da rotina cansativa e da ausência de vibração.

Ela cansou de ser boa o tempo todo, de ser luz em meio aos prantos, de ser leal ao desencanto e de sorrir fingindo tanto.

Agora ela grita seu furor, sem medo e sem gatilho, ela busca seu caminho onde a paz lhe encontrou.

A vida é simples e merece cuidado. Principalmente quando a gente para para olhar o que está ao nosso redor, respirar devagar e viver com calma. Ultimamente, tenho sido assim. Já levei tantos tombos na vida que agora vou mais devagar. Deixo a vida me levar. Isso me faz bem. Me faz perceber que no caminho não tem só pedras, tem coisas boas também.

Alexandre Sefardi

O tic-tac do relógio diminui o ritmo, ecoando como passos lentos sobre a madeira. O olhar se desvia da tela e busca a linha do horizonte pela janela.
A xícara fumaça sobre a mesa, ignorada pelo olhar fixo nas notificações que nunca cessam. Empilhamos minutos como se fossem moedas de um tesouro que nunca poderemos gastar. Planejamos o descanso para o próximo sábado, a felicidade para as próximas férias, a paz para quando a tempestade passar.
Mas a tempestade é o próprio andar dos dias.
Esquecemos o peso da gravidade que nos firma no chão. Esquecemos a textura da mesa sob os dedos, o aroma do grão torrado que se dissipa no ar, o calor que a porcelana transfere para as palmas das mãos. Vivemos na véspera de um futuro que teima em ser miragem.
Faça uma pausa voluntária.
Não ligue o rádio. Não abra outra aba. Apenas sinta o ar cru cruzar a garganta e preencher os pulmões, expandindo as costelas em um movimento que você faz milhares de vezes por dia sem notar. Cada batida no seu peito não é uma contagem regressiva, é a afirmação silenciosa de que você, contra todas as probabilidades do universo, está aqui.
O ontem é um rastro de fumaça, o amanhã, uma promessa sem firma reconhecida. O único território real que lhe pertence mede exatamente o espaço que o seu corpo ocupa neste milésimo de segundo.
Habite-o.

Quero, então, olhar para o céu.

Pausar o dia.
Sentir a luz, a energia, e contemplar o instante.
Respirar.
Agradecer por estar viva.

Quero, então, olhar para o céu,
e viver o dia.

TANKA 006


Oh suave olhar!
Na estrada do impossível,
Esse meu desejo:


Sentir os teus lindos lábios,
Nesse poético enredo.⁠

O sol brilha lá fora e o vento vem me avisar,
que os pássaros cantam pro
nosso olhar se encontrar.
No meio das inspeções e de todoo pensamento,
meu coração te busca e acelera o movimento.
No campo a mesa posta, a
pimenta a decorar, a conversa corre solta e
faz o tempo parar.

⁠Passeia o teu olhar pelos meus recantos...
E se assim o desejas...
Dou-te a alma inteira...

Tudo fiz para ti...
E ingrato fostes...
Pagando-me com a ingratidão...
Sem fim...

Que importa?
Ninguém sabe...
Nem tu mesmo o sentes...

Entreguei-me em tuas mãos o que escondo dentro...
E foste indiferente...
Nada sentistes...
E ainda nada sentes...

Procuro-te por dentro da noite...
Ponho-me no silêncio nas horas duvidosas...
Morto é o contentamento...
O engasgo tão grande...
Que aperta-me o coração...

Não sei se fiz mal, se bem....
Mas fiz...
O dia e a noite são iguais por dentro...
E sigo com a ilusão...
Alimentando esse redemoinho de estranha situação...

Peço-te em pensamentos...
Não me atrevo a dizer-te...
Não me esqueças...

Embora ouça o eco do amor há muito soterrado...
Mas o que tem de acontecer que aconteça...
Triste escolha...
Triste fado...

Sandro Paschoal Nogueira

Saio sem mapa...
Sem promessa no bolso...
A noite aberta...
Um talvez no olhar...
Não espero milagres...
Só deixo o vento decidir onde vai dar...

Levo expectativas leves, quase nada...
Pra não pesar o passo...
Nem o coração...
Se vier riso, ótimo.
Se vier estrada, que seja canção...

Talvez um encontro...
Talvez o vento...
Um bar qualquer...
Conversa sem fim...
Ou talvez apenas um simples momento...

Vou assim: “vamos ver o que acontece”,
Sem cobrar do mundo...
Sem pedir um sinal...
Porque às vezes é quando a gente não espera...
Que a vida resolve surpreender no final.

Sandro Paschoal Nogueira

O LOBISOMEM DE TAMANDARÉ

Pé na areia, coração disparado,
Passo apressado, olhar assustado,
Dizem que o uivo corta a escuridão,
É o lobisomem solto na escuridão.

Trova antiga que o povo repete,
Entre um gole e outro de aguardente:
“Se ouviu uivar, não fique a olhar,
Corre pra casa, vai te pegar!”

Metade homem, metade fera,
Maldição antiga que nunca espera,
Quando a lua cheia vem clarear,
Em Tamandaré ele sai pra caçar.

Mas há quem diga, rindo baixinho,
Que o medo é maior que o próprio caminho,
Pois o monstro vive mais no falar
Do que nos passos que vão te pegar.

Ainda assim, se a noite chamar,
E o arrepio subir sem avisar,
Reza, corre e não olha pra trás…
Vai que o lobisomem corre mais!

Quando a lua sobe mansa no mar,
Tamandaré começa a se escutar.
Não é só uivo, não é só temor,
É a alma chamando quem se esqueceu do amor.

O lobisomem não corre na rua,
Ele desperta quando cresce a lua.
Mora no fundo do peito humano,
No instinto antigo, no medo arcano.

“Vai me pegar”, diz a mente em aflição,
Mas quem persegue é a própria emoção.
É a sombra pedindo para ser vista,
Não como fera, mas como conquista.

Metade luz, metade escuridão,
Somos todos essa divisão.
Homem e bicho num mesmo olhar,
Aprendendo quando é hora de uivar.

Se você foge, ele cresce em poder,
Se você encara, começa a se dissolver.
Pois o lobisomem, ao se revelar,
Quer apenas ensinar a integrar.

E quando a lua enfim se deitar,
Você entende sem precisar falar:
Não era ele que vinha te pegar,
Era você chamando pra se libertar

Sandro Paschoal Nogueira

O peso da comparação

A comparação tem um jeito curioso de roubar a paz.
Ela faz você olhar para a felicidade dos outros e esquecer o caminho que percorreu para chegar até aqui.
Cada pessoa enfrenta batalhas que nem sempre aparecem nas fotografias, nas conquistas ou nos sorrisos.
Quem vive comparando capítulos diferentes acaba acreditando que a própria história nunca é suficiente.

Talvez a única comparação que realmente faça sentido seja entre quem você era e quem está se tornando.

Pepita de Oliveira