O Equívoco do Olhar Em meu peito reside... Matthews Schmidt

O Equívoco do Olhar
Em meu peito reside o desalento,
De um querer que se perde no vazio;
É como o sopro incerto de um momento,
Que traz o fogo e logo após o frio.
Pergunto ao tempo o que o destino traz,
Se este laço é de seda ou de corrente;
Pois busco o porto e a minha própria paz,
Mas sinto o abismo à frente, de repente.
Não sei se é alma que em silêncio chama,
Ou se é o medo de se dar à sorte;
Pois quem muito se entrega, muito inflama,
E faz da dúvida um castelo forte.
Se o amor é mestre de tamanha ciência,
Que me ensine a ler o que o coração diz;
Pois viver na penumbra da indecisão,
É querer ser maré e ser apenas infeliz.
