Poemas quando eu me Amei de Verdade

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Já rodei todo esse mundo procurando encontrar algo que desse sentido aos dias cinzas. Eu era aquele que, por muito tempo, olhou para os lados e sentiu que o amor era um privilégio alheio, uma conspiração do destino contra o meu próprio peito. Eu guardava comigo os meus sonhos de criança, aqueles planos puros de formar uma família como era a dos meus pais, com mesa cheia, risadas na sala e um porto seguro para ancorar a alma.
​Mas o tempo foi passando e a coisa mudou. O relógio não perdoa e, confesso, a solidão foi se chegando e se acostumou a sentar ao meu lado no sofá. Houve dias em que a chuva parecia ser a única visita, e a desilusão tentou assombrar os meus sonhos mais bonitos.
​No entanto, há algo em mim que não se apaga. De uma coisa eu não desisto, sou fiel e não abro mão: a esperança de ter o meu lugar no mundo. Quero os filhos, os amigos, a companheira e os irmãos celebrando a vida. Pois se essa vida é bonita, ela é feita pra sonhar, e cada tropeço só aumenta o meu desejo de, afinal, te encontrar.
​O que eu não me acostumo é com a solidão. Ela é uma visita barulhenta demais no meu silêncio. Por isso, sigo firme. Sei que essa tal felicidade, hei de encontrar, e não importa o caminho ou a demora: mesmo se eu tiver que aguardar, se eu tiver que esperar, eu estarei pronto.
​Porque eu sei que, no momento em que eu vir o teu rosto, a dúvida vai embora. Um pedaço do seu beijo ou o seu coração já serão o suficiente para me fortalecer e me fazer delirar. Eu me tornarei, finalmente, um crente no amor.

Só eu.

Com minhas inquietações, minhas delicadezas, meus exageros, minhas saudades e essa mania quase incurável de ainda acreditar que a vida pode me surpreender.

E surpreende!

Solange Bittencourt

Durante muito tempo, eu vivi convencido de que o amor era apenas um roteiro bem escrito em contos de fadas. Olhava ao redor e sentia que aquela magia era um privilégio reservado para outras pessoas, mas nunca para mim. Para ser honesto, eu sentia que o amor estava conspirando contra os meus planos; era o que parecia a cada tropeço, a cada porta fechada. A desilusão assombrava todos os meus sonhos, como uma névoa que não me deixava ver um palmo à frente.
​Eu acreditava que o afeto era uma conta que não fechava: quanto mais eu dava, menos eu recebia. Cheguei a questionar: de que adianta tentar? Afinal, parecia que tudo o que eu ganhava era dor. Eu buscava por raios de sol, mas o destino insistia em me enviar chuva.
​E então, eu vi o seu rosto.
​Foi como se o mundo ganhasse cor de repente. Agora eu acredito. Não sobrou nenhum traço de dúvida em minha mente: o que sinto é real, é sólido, é o que me mantém de pé. Estou apaixonado de um jeito que não aceita volta. Olho para você e entendo que não conseguiria te deixar mesmo que tentasse, porque você é a prova viva de que a felicidade não mora apenas nos livros, mas bem aqui, na minha frente.

ONDE VOCÊ CRIOU RAÍZES


O quanto de mim há em você?
Talvez mais do que eu possa compreender,
mais do que os meus olhos conseguem enxergar,
mais do que o meu coração ousaria dizer.


E se eu já tenho raízes em seu coração,
saiba que as minhas nasceram em você.
Cresceram no silêncio de cada emoção,
e quanto mais eu sinto, mais quero permanecer.


Porque você não chegou apenas para passar,
não foi acaso, encontro ou coincidência.
Você encontrou um lugar para morar,
bem no fundo da minha existência.


E a raiz que você criou em mim
é funda demais para o tempo desfazer.
Está presa ao que eu sinto, ao que sou, ao que vivi,
e quanto mais tento explicar, mais difícil é esconder.


Se alguém tentasse arrancá-la de repente,
talvez levasse junto uma parte do meu coração.
Porque você já está tão profundamente presente
que não existe mais distância entre nós e a emoção.


E se um dia você precisar saber
o tamanho do espaço que ocupa em mim,
não procure nas palavras o que eu não sei dizer —
olhe para as raízes que chegaram até o meu fim.


Porque amar você não foi uma escolha que fiz,
foi algo que aconteceu sem pedir permissão.
Você criou raízes onde eu só queria ser feliz
e, sem perceber, virou morada no meu coração.


E talvez seja isso que mais me assusta e encanta:
quanto mais profunda a raiz, mais difícil partir.
Porque algumas pessoas a gente simplesmente ama…
mas você, eu não sei mais onde termina em mim. ❤️

A Luz e o Vazio
Ela é linda.
Ela brilha tão bonito...
Será que eu poderia ser ela?


Esconder o vazio tão escuro
atrás da luz vibrante desta estrela?
Vestir a luminosidade dela como uma capa protetora,
apenas para me esconder dos meus próprios pensamentos e ações.
Mas será que o meu escuro
seria capaz de rompê-la?


Seria capaz de atravessar esta camada fina e frágil
da mentalidade que me restou
depois de tantas tentativas de fugir desse vazio?


Será que a escuridão seria capaz de me dominar completamente?
E se a luz me protegesse?
E se ela usasse toda a sua força
para tentar iluminar a escuridão do vazio?


E se a luz não fosse apenas um escudo?
E se, em vez de apenas me esconder atrás dela,
eu pudesse me tornar a própria luz?


Não...


O escuro me dominaria rapidamente,
rasgando a fina e frágil camada da minha mente.
E, junto com ela,
a luz se apagaria.


Talvez o vazio nunca tenha tido medo da luz.
Talvez ele só estivesse esperando
que eu parasse de acreditar nela.

Não sei quem sou
Fraude de mim mesmo
Espaço vazio.
Tudo que eu quero
É não querer.
Não há escolha
Sacrifiquem-me!
Não sou imaculado
Mas de algo deva valer.
Não há culpados.
Conflitos internos.
Só tenho um pedido
Não tenham pena.
Estou aqui há muito tempo
Este é só mais um dia.
De volta a margem.
Degrau por degrau.
Cuidado com as quinas.
Você não é o culpado.

No calendário vejo
O dia está próximo
Eu digo aos céus
Obrigado
O cafune do destino
Me acalenta
Me encanta
Canta a alma
O desejo grita
Ínfimo raciocínio
Recupero a sensatez
E só

Depois que o sol se põe eu tropeço
É tão estranho
Eu continuo seguindo em frente
Sozinho
Agora sou eu mesmo
Vivendo um monólogo
Ou qualquer outra coisa
Vai ficar tudo bem
Alguns dias são tão bons, outros, nem tanto
Então hoje, eu abro mão
Andando nas nuvens todo dia
Com os pés sangrando
Isso vai e volta, por que eu continuo voltando?

A lua daqui

Eu não vou mentir: por onde quer que eu vá, sinto que o luar nunca é igual ao de minha cidade, Apodi. Aqui não há montanhas gigantes, nem encostas que façam o luar ser único. Mas, no Calçadão da Lagoa do Apodi, na parte meridional da cidade, a lua se matiza de prata, refletindo sobre a água como se o céu tivesse derramado um bujão de gás luminoso. Ela fica tão reluzente que encanta, apaixona e já fez gente simples se tornar famosa só por morar na cidade da lua platinada.

Percebo que as grandes cidades, com suas selvas de pedra ou litorais recortados por ilhas, nem de longe produzem luas como a daqui. Nossa jaci é uma verdadeira belezura: casais se enamoram e até brigam, mas, ao perceberem o luar, desarmam-se das intrigas e voltam a se amar.

Aqui nem pensar em lobisomens. Pelo contrário, o que a lua enfeitiça são os gatos, que deixam de ser apenas gatos e ganham nomes dignos de celebridade: Nâno, Tufão, Fábio Assunção, Nega Véia, Melissa Mel, Florinda, Bob Mel, Frida Mel, Pedro de Canoanés, Ceguinha, Morcego e até Paulo Jorge. Longe de quererem se tornar feras, eles só se deixam encantar. E, assim como nossos felinos se transformam em personagens, nossa cidade carrega consigo uma rica gama de apelidos, que vão desde as crianças até os idosos, passando por todos que têm história e memória por aqui.

A lua daqui parece tornar nosso povo ainda mais hospitaleiro, e quem bebe da água de Apodi tende a não sair jamais, encantado pelo luar, pela lagoa e pelo calor silencioso da nossa gente.

Gênese do verso

Eu pensei em me calar,
procurei me segurar,
mas a vida logo me deu
o dom de improvisar.

Vou tentar não misturar
emoção com a razão,
pois se isso for tentado
tudo vira confusão.

É capaz de desandar
quem quiser se aventurar;
pois o que vou aqui falar
pode servir pra rimar.

O que for para ser dito,
que se fale sem frear;
que seja logo entoado,
rimado e improvisado.

Quando o mote apressar,
não corra, vai ficar feio;
procure ser mais matreiro,
não se faça de arengueiro.

O que aqui já narrei,
foi deixado no caminho;
sempre quis andar certinho
com a fé como vizinho.

Prometo sempre guardar,
esse dom que já citei;
eu me atrevo em cravar,
poeta nunca serei.

Na arte sempre há lugar
pra quem verseja com zelo;
por isso guarde com esmero
esse verso verdadeiro.

O que vale uma vida ?
pra ser vivida ou sofrida?
tudo que eu sei e que cada minuto poder ser maravilhoso ,como tambem pode ser horivel,em suma viver e sofre,sorir e chora.

Era sábado, a garoa caía,
bem leve, molhando a calçada,
e eu fui ao BarCana tranquilo,
sem pressa, sem hora marcada.

Ali estava a Rose, proprietária,
dona daquele cantinho acolhedor,
e entre conversa, risada e lembrança,
a noite ganhava seu próprio sabor.

Uma garrafinha de catuaba
ia chegando ao seu ponto final,
enquanto a chuva, mansinha,
deixava mais bonito o temporal.

Não era noite de grandes planos,
nem de procurar explicação;
era apenas viver aquele instante,
com simplicidade e satisfação.

A vida talvez seja justamente isso:
saber o momento de chegar e partir;
ficar quando existe vontade,
e ir embora quando é hora de dormir.

Porque eu tenho pousada, tenho trabalho,
e a manhã não espera ninguém:
quatro e meia já estou de pé,
fazendo o café para quem vem.

Enquanto muita gente ainda dorme,
eu já começo o meu dia a cuidar:
dos quartos, da casa, dos hóspedes,
e de tudo que precisa funcionar.

Então terminei minha catuaba,
dei boa-noite e fui embora,
não porque a noite estivesse ruim,
mas porque o descanso também tem sua hora.

E enquanto a chuva caía lá fora,
eu voltava pensando, talvez,
que a vida não precisa de luxo
para oferecer beleza e prazer.

Às vezes basta uma mesa,
uma conversa e uma amizade,
uma garrafinha quase vazia
e um pouco de chuva na cidade.

Felicidade não precisa de ocasião:
ela aparece nas coisas pequenas,
quando a gente presta atenção...

Sandro Paschoal Nogueira

A procura de mim mesmo.


Não, não é redundância, a procura de mim mesmo, busca, o meu eu superior, busca a energia, que está por trás do todo e de tudo; busco a mim mesmo de maneira frenética, de forma a encontrar o sentido da vida, busca o porquê da minha existência..


A procura de mim mesmo é subjetiva, ativa e intangivel..


A procura de mim mesmo, é a força motriz, que leva, eleva, e me faz desistir, de desistir de existir.
A procura de mim mesmo, passa pelas dores, lágrimas, sofrimento, angústia e também pelo amor, pela alegria de viver, e muito pelo o quanto a vida é bela, essa busca liberta dos grilhões da incerteza.


A procura de mim mesmo, está na criança que se perdeu.. se perdeu e agora se sente só, se sente abandonada em algum corredor de um lar por aí..
A procura de si mesmo, precisa passar pelo silêncio, pela atenção plena e si próprio, atenção à essa criança esquecida..


O encontro de sí mesmo requer enfrentar seus medos, iluminar suas sombras, requer coragem e muito esforço.
E encontrar a sí mesmo é elevar-se ao divino, é aprender amar a quem não damos tanta importância e atenção.
É sobre aprender a amar a sí próprio!
Acredito que ao finalizar essa procura, tudo se dissolve, como quando se pega um punhado de areia nas mãos e a abrimos dentro do oceano..


"'Caio Camara Cesar"'

Amor te quero amor..


Amor te quero amor
Nós teus beijos eu sinto calor
O mundo sem você não tem cor
Na sua falta só sinto dor
Nós teus braços eu sinto amor


A nossa paixão me mostra o que é ser
O seu olhar, comigo, sabe mexer
uma libido por você que amo ter


"Caio Camara Cesar"

⁠Eu odeio o amor.

Odeio como os seus olhos brilham e me encantam... ao mesmo tempo ofuscam a sua alma de mim.
Odeio quando você diz que me ama, mas que não me quer... fazendo-me te esperar por toda a minha vida.
Odeio como, mesmo de maneira inconsciente, vivo pensando em você... o que me faz sonhar acordado.
Odeio que, depois de 14 anos, você tenha dito que ainda me ama... já que desperdiçou os melhores anos da minha juventude.
Odeio que você esteja tatuada na minha pele... externando o que há muito está tatuado na minha mente e no meu coração.
Odeio como magoo as demais mulheres... só por não poder e não querer te esquecer.
Odeio quando você me liga... só pra dizer que não quer mais falar comigo.
Odeio que você nunca me esqueça... mas diga que não quer ter um vínculo eterno comigo.
Odeio que você tenha vindo me ver e me beijado... me deixando novamente apaixonado.
Sobretudo, odeio não conseguir te odiar nem por um segundo... embora seja um misto de amor e dor, eu ainda TE AMO! ❤️💔

⁠Você nunca me viu assim, desconhece meu eu sem a luz do seu amor. Há um lado de mim que repousa na penumbra, um ser quase estranhamente familiar, mas distante. Sou alguém que existe apenas na ausência do seu toque, na sombra do seu olhar.

Quando não estou apaixonado por você, meu sorriso é menos frequente, meus olhos, menos brilhantes. As cores do mundo parecem desbotadas, o tempo se arrasta em vez de fluir. Sou como um inverno sem a promessa da primavera, uma noite sem estrelas.

Mas quando você está perto, meu coração canta uma melodia que só nós conhecemos. Cada momento contigo é uma pincelada de cor na tela cinzenta da minha vida. O ar se torna mais leve, e cada suspiro é uma dança, um poema em movimento.

Você é o fogo que aquece meu ser, a musa que inspira minha alma. Com você, sou mais que uma simples existência; sou um universo em expansão, um jardim em flor. Não conheço a plenitude de mim mesmo sem o reflexo do seu amor nos meus olhos.

Então, peço-lhe que nunca desvie seu olhar, que nunca permita que o amor se esvaia. Pois, sem você, sou apenas uma sombra do que posso ser, um eco na vastidão do vazio. E na sua presença, sou luz, sou vida, sou amor em sua forma mais pura.

O amor é uma prisão sem muros que eu possa ver, mas cujas correntes sinto em cada batida do coração. Ele me prende a você desde os meus vinte anos, e mesmo após dezenove invernos separados, nenhuma distância conseguiu enfraquecer sua força. Pelo contrário, ela cresce dentro de mim, feroz e silenciosa, como um fogo que queima e ilumina, me mantendo vivo e, ao mesmo tempo, aprisionado.


Cada lembrança sua é um sussurro que ecoa pelos corredores dessa cela invisível, cada memória um muro que nunca consigo transpor. A dor é intensa, mas nela há uma lição escondida: aprender a amar sem possuir, a sofrer sem me quebrar, a sentir sem esperar reciprocidade, a existir plenamente mesmo na ausência. É um aprendizado cruel, mas sagrado, e a prisão se revela como uma escola silenciosa.


O destino inscrito nas estrelas nunca quis que estivéssemos juntos; ele quis que eu me confrontasse com minha própria alma. Saturno me ensina a esperar, Plutão me força a me transformar, Netuno me revela a beleza de um amor que transcende a razão. E assim, lentamente, a dor se torna consciência: o amor que me prende também pode me libertar, desde que eu aprenda a aceitá-lo tal como é.


Aceitar que não posso tocá-la, que não haverá reencontro, que não há espaço para a posse. Aceitar que este amor eterno é também uma lição eterna, que ele existe para me ensinar sobre mim mesmo, sobre a intensidade, sobre a profundidade de sentir sem limites, e que, paradoxalmente, a maior liberdade se encontra dentro desta prisão.


O amor é uma prisão que me prende a você, e, ironicamente, é nela que me descubro inteiro. Mesmo carregando um sentimento que nunca será correspondido, mesmo sentindo a ausência como um abismo, percebo que posso viver, que posso crescer, que posso me transformar. A prisão não me destrói; ela me revela. E assim, aprendo que amar para sempre, mesmo sem ter, é a forma mais pura de eternidade.

Eu não renego o que sentimos. Honro. Mas aprendi que amor que não encontra destino precisa, ao menos, encontrar fim. Não como castigo, e sim como respeito. Há silêncios que não são ausência... são maturidade. Há despedidas que não negam o que foi, apenas impedem que a dor continue sendo regada.


Então que o silêncio faça o que não conseguimos: nos aquietar. Que ele não grite por rancor, mas por paz. Não por esquecimento, mas por libertação. Eu paro de regar não porque não houve raiz, mas porque já entendi que nem toda raiz foi feita para dar fruto no mesmo solo.

Eu a admirei em silêncio, como quem contempla uma estrela distante, bela demais para tocar. Durante tanto tempo fui apenas um olhar perdido na multidão, enquanto ela era a presença constante no meu coração.


E então, quando já não havia expectativa, o destino soprou diferente. Não nos aproximamos em passos, mas em sentimentos. Foi como se as nossas almas, antes desencontradas, finalmente se reconhecessem no meio do caos do mundo.


Hoje, mesmo longe, há algo sereno e verdadeiro entre nós... uma conexão que não precisa de mãos dadas para existir, porque nasceu onde tudo é eterno: no encontro das almas.

Eu não sei se alguma vez consegui te dizer isso da maneira certa, mas há momentos em que sinto tua falta de um jeito que me desarma... É uma saudade quieta, dessas que chegam quando tudo ao redor silencia, e então me vem essa inquietude difícil de afastar: imaginar que eu possa atravessar o resto da vida sem o teu amor.


Há noites em que acredito que o tempo finalmente fez o seu trabalho, que aquilo que senti encontrou um lugar sereno no passado. Então, sem aviso, você atravessa meus pensamentos, não apenas como lembrança, mas como presença, e percebo que certas coisas não desaparecem: apenas aprendem a viver em silêncio.


Há algo doloroso em saber que uma pessoa pode estar tão distante e, ainda assim, permanecer tão perto de um lugar que a razão não alcança. Eu segui, a vida seguiu, vieram outros dias, outros caminhos, outras versões de mim, e aprendi que continuar não significa necessariamente esquecer.


Talvez seja isso que ainda me inquieta: existe uma parte da minha história que terminou, mas nunca encontrou um verdadeiro fim dentro de mim. Uma parte de quem eu era ficou naquele tempo, naquele sentimento, em tudo aquilo que fomos... e também em tudo aquilo que poderíamos ter sido.


Talvez alguns amores sejam assim: não chegam para permanecer ao nosso lado, mas deixam em nós algo que permanece, uma espécie de ausência que o tempo não preenche porque, no fundo, nunca foi apenas a falta de alguém, mas a falta de uma vida que poderia ter existido.


Não tenho medo da solidão. Tenho medo de chegar ao fim de uma vida inteira, quando já não houver futuro para me distrair nem tempo para me convencer de qualquer coisa, e descobrir que, por baixo de tudo o que vivi, ainda existia aquela mesma verdade que durante tantos anos tentei silenciar:


eu teria querido viver esta vida com você.