Poemas quando eu me Amei de Verdade
Como a fala da raposa é doce quando está cercada por cães de caça.
(Alicent Hightower)
A certos detalhes que por vezes parecem ínfimos quando devotamos nosso amor e desejo a uma musa altiva e de personalidade forte, admiramos tanto as qualidades intangíveis que pecamos ao deixar de notar seu corpo e nuances desnudas...
A pouco fitava ainda sonolento o quarto e então meus instintos conduziram o olhar para dentro do box entre aberto, admirei apenas uma fração daquela a quem desejo incessantemente ...
Percebi a água que pela gravidade fluía sinuosa pelo corpo de minha amada, escorria de seus cabelos e percorria um dorso firme e esguio, e como um carro de montanha russa ascendia para vencer a elevação que me roubara o fôlego...
Não era novidade aquela partição do corpo, por vezes a beijei e muitas vezes promovi uma tração - que quase fundia o seu corpo ao meu - tornando-nos um único corpo, inspirados pelo calor de nossa paixão ardentes e uma fome insaciável de carinhos...
Acompanhando a água percebi como as nádegas daquela a quem devoto toda minha atenção tem proporções dignas da obra de Michelangelo, nem os anjos têm um corpo escultural e tão belo, nenhuma outra vez vi, como agora, a nudez de minha senhora...
A curva que ascende, logo abaixo do cóccix, perfaz uma parábola perfeita e se une ao músculo da coxa, apenas a lembrança desse movimento artístico me causa taquicardia e um desejo insustentável de romper a inércia da observação e possuí-la, ainda no banho...
Casthoro'C
Velhice -
Quando a Vida já não tem sentido
que fazer, que procurar?!...
Quando a alegria se tiver perdido
porquê viver, porquê lutar?! ...
E que destino tem alguém desiludido?!
Sem esperança, força ou vontade ...
Que pena! Sobra apenas um gemido
devorado p'la idade ...
E que será depois? Que virá? Virá?! ...
É tarde ... tão tarde ... resta a morte!
Que o tempo seja breve. E que vá ... vá ...
A Vida já não é Vida é maldade!
Quando se for a minha sorte,
que me leve a morte, sem pena nem piedade!
GESTAÇÃO DO POETA
Quando a inspiração fecunda, formando
O verso duma imaginação em rota exata
Prenha é a alma do poeta, tão autocrata
De um fervilhar da mente, devaneando
No mando da emoção, a voz de comando
O sentimento, o olhar, a singela musicata
Concebe a composição em frenética cata
De um nem eu sei de onde ou de quando
Só sei que vem do coração, e vai rimando
Estando cada uma das linhas, caminhando
Em um ousar de um emaranhado fonema
Assim, chora ou sorri, silencia ou murmura
Aí, então, uma parição de poética estrutura
Que de uma sensação à mão, pari o poema!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
20 outubro, 2022, 16’07” – Araguari, MG
*dia nacional do poeta
Como pode?
Uma pessoa despertar tantos sentimentos ao mesmo tempo?
Quando longe,vem a saudade!
Quando perto, tem o amor!
Quando mais perto, aguça o desejo e o prazer!
Quando juntinhos, ansiedade de agradar, mesmo sendo bobo!
Quando parte, vem a ansiedade de reviver tudo de novo todos os dias!
Como pode?
Você é como o Sol,
Quando nasce clareia,
O Amor e as cores do mundo,
Quando passa transforma,
A tristeza em arco-íris,
Mas quando se põe,
Troca com a lua,
E brilha de saudade
Sempre estamos sozinhos
Mesmo quando acompanhados
Todos querem te ver bem
Até chegarem os bons resultados
Quando contei de meu sucesso
Logo o brilho se perdeu
O amor que antes me tinha
Em segundos desapareceu
A vida é constante batalha
Pra saber o que tem mais poder
Quando perco ou alguém me atrapalha
A batalha eu só quero esquecer
A moça jovem quando ama
É impedida ao saber seu pai
O cidadão não consegue entender
Que ao separar muito mais se atrai
Da academia quando saio
De camiseta tô fortinho
Todos que me olham saem
Ninguém fica em meu caminho
Quando erro, peço perdão
Será que vou ser perdoado?
Mas ainda é melhor pedir
E aguardar o seu resultado
O tempo e abstrato,
Como um rabisco enfim.
A gente sabe onde começa,
Mas não sabe quando chega o fim.
Silêncios e Punhais -
Quando frios nos separámos
entre silêncios e punhais,
solidões e vendavais,
soubemos que nunca nos cruzámos!
Minha Alma pálida, sombria se fez,
gelado gesto o teu abraço,
aquele que me deste, ultima vez,
triste corpo em meu regaço!
E fracassaram as promessas!
Do que agora estou sentindo
só tenho uma certeza, não regressas!
Hei-de para sempre lamentar-te,
e se um dia vieres ao meu encontro,
após tardos anos, sei que ainda hei-de amar-te!
Rejeição -
Quando chego, onde quer que seja, disfarço
um estranho mal-estar,
pareço bem, mas afinal, é falso,
na verdade, não sei como hei-de estar!
Encontro no olhar de toda a gente
o mesmo pensamento – “vai-te embora!”
Ninguém me vê, ninguém me sente,
e eu, tão só, saio porta-fora!
Não é mau ficar só, posto de lado,
chegar cansado, mal-entendido, caluniado!
Afinal, eu não sou igual a toda a gente
e a minha glória é ser diferente,
como Cristo, um rejeitado,
mas de quem se fala eternamente …
A um Suicida -
Vai-se a esperança de um vão contentamento
quando a Alma tantos anos conservada,
numa hora heróica de coragem arrojada,
acredita resolver o que a perturba num momento!
E mata-se! Morre sujando as próprias mãos!
Malograda solidão que não quer ver ...
Um suicida não se mata porque sim ou porque não,
mata-se, porque afinal, não quer morrer!
Que doce desengano, estranha contradição,
ter coragem de matar o próprio corpo
só p'ra não viver a dor da ilusão!
Afinal, matar-se, é cobardia face à Vida
de gente tola que vive em solidão
alimentando um pensamento suicida ...
Percebi que estava vivo quando numa manhã celeste os pássaros cantavam.
Percebi que estava vivo
Quando no céu o sol brilhava.
Percebi que estava vivo
Quando descobri que vc me amava.
''Algumas quedas bruscas de nossas vidas são inevitáveis, mas a resiliência quando colocado em prática com maestria, nos da capacidade de ter sucesso em qualquer situação, nos tornando assim, senhores do nosso próprio destino''
Beatriz Marcassi
Saudade
Saudade de quando podia falar que era saudade, hoje só digo que não estou bem
Saudade de mim no seu leito, dormindo em teu peito, e hoje em dia, saudade também
De saudade, o poema é feito, e sabe, sinto saudade das palavras também
Não direi mais saudade, mas segredarei que que é anseio, vontade, eu sei
Desculpa, repetirei a palavra, que me invade, me toma, não sei
Vivo por ti, durante a fala, eu disse, morro também
Na verdade faço tudo que não falo, e as que falo, também o farei
Meu amor, saudade, eu sei, você sabe, nós sabemos, também.
