Poemas Nao quero dizer Adeus
Uma hora o Sol se põe
Você percebe
Que perdeu a conta dos ocasos
Não se ocupou de contar os sonhos
Nem se importou com medonhos pesadelos
Talvez você tenha sido feliz
Regando ou pintando vasos
Não lamentou as coisas que não viu
Foi feliz ao final
De cada dia que partiu
Nem ligou ao perder
ou ver clarear os cabelos
Sem perceber, cumpriu todos os prazos
Sangrou às vezes, sem chorar
Suportando assim, todas as provas
Confiante, que a cada dia que nasce
Haverão de nascer
Sempre coisas novas
Novas alegrias, talvez tristezas
Não faz mal
A vida tem que ser vivida
todo dia, toda hora, todo mês
Quando a gente vive assim;
Sem preocupação, culpa
ou medo no coração
Viver amanhã aqui? Talvez
Haverá sempre de existir a confiança
De que a vida um dia
Haverá de começar de novo
Um dia a gente vai voltar
A correr e pular
Como fez em outros dias
Num tempo em que ainda era criança
Quando a gente aprende
a não deixar de ser
Esta inocência, pura e divina
Nos dá a certeza
De que vão tornar a acontecer.
Hoje em dia não posso mais
Correr como eu corria
Se eu tentasse
Tenho certeza
Que com o tempo
Recuperaria o meu fôlego
Perderia esse jeito
Trôpego de agora
Não vejo razão pra isso
Não há mais com quem correr
Aqueles amigos partiram
Os meninos que corriam
Se foram todos embora
Não saem mais para brincar
Parece que me esqueceram
Inventaram uma brincadeira
de esconder
Em que a gente procura
E não encontra
Entraram num túnel
de onde ninguém sai
depois que entra
E eu fiquei aqui
Sentado à sombra da saudade
Privado da liberdade
de rir como a gente ria
E a cada amigo que partia
Uma parte da minha vida
Consigo eles levaram
Ou será que ainda estão lá
Esses pedaços?
Em cima de árvores que cortaram
Ruas de terra que asfaltaram
Bicicletas que enferrujaram
Nos planos que a gente fez
e eles não viveram
Pra cumprir
Foram viver em outros mundos
Outros planos, outros níveis
Às vezes eu os sinto aqui
Ninguém vê, só eu os vi
Pois hoje eles são apenas
Meus amigos invisíveis.
O dia nasceu e eu olho pra ele
O Sol à brilhar, pássaros voando
Crianças sorrindo
Mas o Mundo não é mais aquele
Algo nele se perdeu
Eu juro que tento
Confesso que estou atento
Ouvindo as palavras que diz-me o vento
Não vejo a mesma alegria
Que eu via em outros tempos
Nem consigo esboçar o sorriso
Que sorri em momentos passados
Parece que tudo ficou no caminho
em dado momento
E hoje aqui
Eu choro sozinho
Escondendo meu rosto
Ninguém percebe
E Assim prossegue o dia
Sem mostrar o brilho que havia
Vejo alegria em outras caras
E sigo vivendo
Este Mundo não pára
Escrevo uma triste poesia
Em menos de um minuto
Enxergo e sou surdo
Porque
Se ainda me fala a alegria
Não escuto.
Um dia
A vida vira uma miragem
Que a gente mira e não atinge
O tempo inexistia
Enquanto a vida passava
É quando a gente pára e olha
Que vai se dar conta
Que eles passaram de mãos dadas
E eles já vão ao longe
Quando a gente finalmente tem certeza
Que a vida e o tempo co-existem
Meu Deus
Que conclusão mais triste!
Eu nunca viajei
Jamais passei um metro além
do limite que me aguardasse
E também não me desviei
Em qualquer caminho de volta
Respeitei todas as rotas
Nós vivemos cinquenta vidas
Sessenta vidas, talvez
Vivemos as necessárias
E,se as outras foram esquecidas
Eu sei muito sobre esta
Que vivi pra ser igual
E isso eu fiz, infelizmente
Quando fui confiável e leal
Isso me fez diferente
Se viajei neste Mundo
Eu fiz isso mentalmente
do Céu até mim mesmo
e de mim até o outro Eu
Aquele
Que aos olhos do Mundo
deixou a alegria de lado
Um ser ressabiado
Que viveu
pra cumprir compromissos
Foi aí que soube
ir além como ninguém
Porém
Ninguém sabe disso
Pois eu soube sonhar muito bem
Nunca precisei de nada
Precisei de pessoas
Não as tive, não me quiseram
Então eu quis ter as estrelas
As quais eu não tive também
Mas desejei ser uma delas
E, se ainda não pude sê-la
Posso olhá-las pela janela
e aprendi como se faz
Pra poder sonhar com elas
E isso traz toda a alegria
Olho pra elas
Estrelas tão belas!
Me transformo em uma delas
Como muita gente queria
E isso me faz feliz
Pois viajo além delas
Hoje em dia.
Alegrias
Que vivem no passado
São simplesmente
Alegrias tardias
São coisas que a gente não via
Sentia sem sentir
o dia que passa
Simples assim
Não as víamos reluzindo
Enquanto nos sorriam
À luz de cada dia
Alegrias futuras
Não passam de esperança
É confiar em receber uma graça
É não viver a alegria deste dia
Alegrias presentes
Estas sim
Essas são felicidade pura
Alegrar se com o dia que corre
É colher fruta madura
Ser feliz é compreender
Que nem sempre o infeliz
É aquele que morre
Olhando pela janela
Contemplo a paisagem parada
da viagem que prossegue
A gente não consegue parar o tempo
Não adianta querer e nem tentar
Escolher o próprio destino
O caminho já estava traçado
Pode parecer que não
E alguém dizer que havia escolha
As folhas não escolhem
A direção dos ventos
Seguindo meu coração
Pois não sou folha
Acabei por seguir a direção
Que alguém traçou
Levou-me pelas mãos
Talvez estejamos todos perdidos
ou os trilhos traçados
estejam seguindo, enfim
pelos caminhos
Que o tempo vai traçando assim
Enquanto passa por mim
Pode ser que eu
traga aqui, nesse coração despedaçado
desde o início
O caminho por onde passa o tempo
mais nada
E é por isso que olho pela janela
e vejo a paisagem parada
De vez em quando as coisas são
Exatamente o que parecem
As pessoas não te esquecem
Simplesmente
Nem se lembram de você
A noite cai
Bruxas em sorriso de fada
Tristes sorrisos insulados
Vozes melancólicas como um fado
Exploram os recônditos da sua mente
Com sua elegante languidez
Atraindo simpatias
Preparam seus ardis
A aparente fragilidade
Te conduz às suas ilhas
Trilhas mal iluminadas
Armadilhas nas quais
Você é insensível à dor
Quando percebe
Está envolvido por algo
Que parece ser amor
Aquele
do qual você fugia
Fingia ser imune
O odor que te atraiu
Não era sequer perfume
Aquilo que te fez
Cair na armadilha do mal
era algo bom e natural
Que te faz não crer na fé
E aquilo que parecia amor
Agora não mais parece
Simplesmente é.
Não trago nada nas mãos
Nem tenho dinheiros nos bolsos
O que resulta daquilo que faço
divido e guardo no coração
onde há muito mais espaço
e a ferrugem não corrói
isso deu-me um bom lugar
em muitos corações
nos quais não envelheci
Também não me dói
estar morto
em alguns corações enferrujados
pois mesmo estando vivo ainda
Já me encontro no Céu da ferrugem
e no Céu o amor não finda
Estando lá
Eu escrevo poemas
resolvo problemas
lubrifico engrenagens
e limpo os caminhos
pois um dia há de chegar
para mim e para eles
a hora de fazer
de bolsos vazios
a derradeira passagem.
Há dias em que parece
Que a gente amanheceu
e levantou
Com dois pés esquerdos
não há nada e nem há flores
Que impeçam
Um amor de acabar mais cedo
Malograda a esperança
O Jeito
é colocar o pé na estrada
Larga ou estreita
E a gente não entende
Só aceita
Há dias em que mesmo sob o Sol
Tudo é cinza, tudo é triste
A gente nem mesmo tenta
Só desiste
E se pergunta
Se um dia haverá
de sorrir novamente
Não aceite,
Não desista,
Nem pergunte
Apenas tente.
De vez em quando eu vou à Lua
Hoje, não sei se voltei de lá
E fui direto ao fundo do Mar
Este lugar é tão pequeno
Me deixes ao menos querer
Assim como sempre me deixaste
Partir e ir embora
Sei que nem ao menos percebeste
Mas viajaste comigo no tempo
A sessenta minutos por hora
Achando tudo errado
O que quero, o que penso e o que faço
Neste tempo e neste espaço
Criticando o meu sucesso
e aplaudindo meus fracassos
Não sei se te deste conta
Mas um dia estarei partindo
E pra sempre estarei por lá
Aproveites hoje o meu abraço
Pois não voltarei jamais
Pra este lugar ao seu lado
e tu, que tanto me preteriste
Finalmente há de saber
O que é ser triste.
O Sol ainda não se apagou
Hoje ele calcinou a terra
Amanhã
Ele haverá de evaporar os mares
E nuvens virão
Com ares de bem aventurança
Os pássaros comemoram
cantando o amanhecer
de mais um dia
Mas não é
Em todos os cantos do Mundo
Que existe alegria
Muitas vezes
Junto à chuva que cai
uma lágrima discreta
ali vai, despercebida
Nem sempre é correta a afirmação
Que um sorriso se traduz em alegria
Há almas cujo medo
Conduz em segredo
Por caminhos parecidos
às paisagens existentes
em nossos piores pesadelos
Mas sorriem
Há semblantes alegres
Semelhantes
à simples cartões de visita
E o que mais me irrita
É que há pessoas
Que tem todos os motivos pra sorrir
e choram
Outros dias há de vir
Os Sóis se vão
As estrelas também não se demoram
Olhai os Lírios do Campo
Sejais pois
Iguais aos pássaros
Que despreocupadamente comemoram.
Anos atrás eu escrevia
Minha poesia rupestre
Escondida à luz do dia
Inexistia um guia
Não carecia de mestres
E também não havia
Erros mortais
A queimar em alguma pira
Como em qualquer
Livro que eu já tenha visto
Um misto de verdade e invenção
Me adentrou o coração
Um ser que tocava lira
E encomendou-me um poema
Que tivesse o amor como tema
E eu fui atender a tal pedido
Sem saber
Que o diabo é pai da mentira.
Hoje
Meu coração amanheceu
Tão frio quanto este dia
E não sei
Quanto tempo eu vou viver
Sem saber se novamente
Haverá nele calor
Eu pensava que o amor
A gente levasse com a gente
Não percebi que ele morria
Pois nele eu vivia absorto
Não via que estava morto
E vivia em mim somente
Nem sei se existiu de fato
Ou foi coisa da minha mente
Amor, algo assim, abstrato
Verdadeira mentira
Pura ilusão
Concreta agora
É somente a ira
Que me congela o coração.
As palavras que vem de você
Não me trazem coisas boas
Se eu fico pensando nelas
O meu pensamento voa e faz concluir
Que sempre que meu coração
Bateu mais forte por você
Bateu à toa
E que já passou da hora
de partir
Por você eu esperei
Você não veio
Por você eu viveria até o fim
Mas você parou no meio
Eu trocaria e troquei
Tudo por você
Hoje eu vejo
Decidi de forma errada
Pois você me trocou por nada.
Uma vez eu falei pra ela
Que eu não era uma propriedade
da qual ela pudesse dispor e mandar
Ela não entendeu nada
Na verdade, ficou revoltada
e então comecei a dizer
Meu coração pertence a ela
Minha alma pertence a ela
Assim como a minha vontade,
meu amor, meus dias presentes e futuros,
todas as frases que vier a criar
Num livro, num caderno
ou quem sabe...escrever num muro
Todas as minhas poesias e poemas
minhas alegrias grandes ou pequenas
e todas as lágrimas
seja de qual sentimento forem
todas as canções que escrevi
e as palavras de carinho que criar
Todo o tempo que eu tiver
E tudo que ela pedir
Estas coisas pertencem a ela
o resto é meu
A saudade que eu sinto
Quando ela não está por perto, por exemplo.
No Céu o Sol não pára de brilhar
As ondas no Mar se debatendo, enfurecidas
Será que pulam de alegria
comemorando a luz do dia
Ou será que, sentindo-se esquecidas
tentam fugir pra outro lugar
Na segurança da gaiola
um passarinho canta triste
canta sozinho
O cantar mais sofrido que existe
Um cantar para o qual
não pode haver nenhuma dança
As folhas farfalhando ao vento
dançam livres
Folhas mortas em viva alegria
Não parecem, em nenhum momento
Sentir saudade dos galhos
Pode até ser que eu me engane
Talvez aconteça
dos meus jugamentos serem falhos
Não me importa
Mas se eu tivesse que escolher
Ser passarinho na gaiola
Onda viva ou folha morta
minha escolha não levava um momento
Eu iria preferir voar ao vento
Hoje eu compreendo
Que errei muito
por não saber
Se eu soubesse
Talvez tivesse errado mais
Alguns de meus erros
foram bons pra muita gente
Se imaginasse
Teria errado novamente
Não somente os erros cometidos
Que hoje eu vejo
Não como simples erros vãos
foram erros acertados, muito bons
Por não terem feito mal a ninguém
Grandes erros
Não os cometi
E jamais os faria
Esses acertos também
Me fazem sentir muito bem
Errei algumas pedras
que joguei em passarinhos
Errei quando decidi
Ser escritor de poesia
Errei em dividir muita coisa
Com quem mais tarde
Achei que não merecia
Errei em não ter escolhido outro caminho
Errei por ter feito o que fiz
Em lugar de fazer o que eu queria
Errei ao dizer as palavras que eu disse
num momento em que não pensei no que falava
mas eu fiz naquele dia
Se eu visse naquele tempo
A paz que me faz sentir hoje
Errava mais, juro que errava
Ser feliz é não perseguir a felicidade
Felicidade é um estado de espírito
Ser feliz é acreditar no futuro,
na vida e nas pessoas.
Ser feliz é viver sem preocupação
Ser feliz é crêr sem sombra de dúvida
Ser feliz é trazer um amor no coração
e saber que também é amado
e nunca será preterido
Ser feliz é ver beleza
onde ninguém vê nada
é não enxergar os problemas do Mundo
Ser feliz é sonhar acordado
e pensar que alguém pensa em você
Quando você não está por perto
e achar que está tudo certo
Ser feliz é achar tudo lindo
Ser feliz é querer dar o Mundo
Crendo que você realmente
Tem poder pra conquistá-lo
Ser feliz
É ter um calo que dói
Esquecer a dor e ir trabalhar
Ser feliz é entregar tudo que tem
Sem nunca pedir nada em troca
Por crêr que não é preciso
Ser feliz é acreditar
Nas pessoas, no amor e na realização
de todos os seus planos
Ser feliz é ter seus poemas lidos
Por quem você os dedicou
e achar que serão aprovados
Ser feliz é um grande engano
Ser feliz é viver iludido.
