Poemas Góticos de Amor
Início do Fim
A morte
não é um golpe final,
nem o apagar abrupto
de uma chama que ardeu em vão.
Ela começa
no primeiro sopro de vida,
como um murmúrio ancestral
gravado na espinha dorsal do tempo,
uma promessa silenciosa
de que tudo que nasce
traz em si
o prenúncio de partir.
Somos nós
quem tenta adiá-la
ou apressar sua chegada,
como se a permanência
fosse um direito herdado,
como se o fôlego
fosse posse
de quem o exala,
esquecendo que o ar
é só um empréstimo
da eternidade.
Entre o nascer
e o desfolhar da última pétala,
somos intérpretes falhos
de um roteiro
traçado pelas mãos do acaso,
dançando na corda bamba
do existir,
prolongando cada passo
como se a terra
não estivesse sempre
a um deslize
de nos tragar.
A morte
não é antítese da vida,
mas sua sombra inseparável,
um vulto paciente
que nos acompanha
até o instante
em que já não há mais corpo
para projetá-la,
quando o vazio,
enfim,
reivindica o espaço
que sempre lhe pertenceu,
e nós,
como poeira,
nos dissolvemos
no ventre do universo.
Ele é um notívago, um ser das sombras que desperta quando a lua toma o céu. Enquanto o mundo dorme, ele vive intensamente, encontrando vida e energia nas horas mais escuras da noite. Como um vampiro, ele se alimenta dos corpos alheios, absorvendo cada momento com uma paixão única e feroz.
Nas sombras, ele encontra seu verdadeiro eu, vivendo e respirando a liberdade que a noite oferece. Cada batida de seu coração noturno é um pulsar de vida que desafia o silêncio da madrugada. Ele não teme a escuridão, mas a abraça, fazendo dela sua confidente e cúmplice.
Porque ser notívago não é apenas um hábito, é um estilo de vida, uma celebração do mistério e da intensidade que só a noite pode proporcionar. Se você também sente que pertence ao reino das estrelas e da escuridão, saiba que não está sozinho... Você é a vida enquanto os outros sonham.
Ardem as Entranhas
Algo ou alguém morre em mim...
Talvez eu mesmo...
Sinto o gelo da morte de algo que pensei ter vivido...
Sensação de que tudo que fiz, foi em vão...
Nada pior que sentir a dor do arrependimento...
Nunca a havia sentido...
Dói...
Queima...
Ardem as entranhas...
Tolo, eu fui...
Somos todos iguais...
Previsíveis...
Tudo se repete...
Pessoas...
Tudo...
E ainda me surpreendo...
Algo ou alguém, morre em mim...
Morre na carne...
Morre no espírito...
Morre a esperança
De que tudo poderia ter sido diferente...
Seus olhos de mel
Ora tristes, ora felizes
Enigmas profundos
Janelas para seu íntimo céu
Num momento abertas
N'outro fechadas
Como a esconder
Gotas de lágrimas...
Seu olhar é tão lindo, quanto triste
Inspira cuidados e carinho constantes
Uma vontade, quase necessidade,
De te proteger de qualquer
Receio que você possa ter
Quisera eu pudesse
Te abrigar
Em meu abraço
E carregar em meus braços
Todo o peso que tens em seu pensar
A morte tentou colocar uma pedra no sepulcro de Lázaro, para que Lázaro fosse esquecido;
Mas depois de quatro dias, JESUS chamou Lázaro para fora, e cheirava mal,
O Senhor trouxe a vida, onde já não tinha vida.
"O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã." (Salmos 30:5)
Essa tristeza vai passar, e você vai testemunhar a fidelidade de Deus na sua vida.
Que o Senhor renove suas forças como águia, trazendo paz ao seu coração e um sorriso novo a cada amanhecer.
Na cruz um Cordeiro se entregou,
Com sangue puro, nos resgatou.
Foi dor, foi morte, mas também vitória,
A cruz não é fim — é nova história.
As vestes ficaram no chão,
o céu ecoou em canção:
"Ele vive! Já não está aqui!
A morte não pôde resistir."
No alto de um monte, o céu se inclinou,
e Aquele que venceu a morte ali Se revelou.
Seus olhos brilhavam como eternidade,
Suas palavras carregavam autoridade.
Não há mais luto, nem grito, nem morte,
a dor não tem voz onde habita o Forte.
O que estava ferido, agora é curado,
e o choro que foi, será recompensado.
• Apocalipse 21:4 — “E Deus limpará de seus olhos toda lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor…”
Às vezes, crescer
é romper com raízes que te prendem,
é sair da sombra que te esconde,
e buscar o sol que te amadurece.
Efluir
Fosse tristeza só minha, choraria, mas é de meu corpo, das juntas a alma, mais que o sangue.
Fosse sangue só meu, morreria, mas é da vida, pobre vida, esvai-se em sangue, agora, também em lágrimas.
Fragmento VII - Algea
Uma vez que a tristeza é violentada em sua sutileza, nem mesmo Hélio, em sua rogativa, pode amainar seus ventos, de sorte que, barafustar é seu penúltimo ato antes da atimia.
Aquilo que o homem desconhece de si, intui do outro, sendo tal conhecimento, desrespeitoso e inclemente.
Asseguro-te, diante da tristeza, o aninhar de um abraço possui mais poder transformatório que a faculdade de entender o abstrato de outrem.
Morna tristeza
Quisera eu livrar-me da morna tristeza, que chamejasse, pouca ou alguma verdade.
Há fogo, contudo, aceso na chama do desapontamento, assim, como carne e sangue.
Alfétena III - Escamas
Em tristes olhos, baços do sofrer,
que o tempo enroupa de névoa...
Chorais memórias, tênues, dolentes,
tal poente silente rendido ao anoitecer.
Nebulocoginição
Que vejo eu, se ver é só ideia vã,
Reflexo vão da mente, sombra escura?
Se tudo quanto é mundo se me espelha,
Será o mundo real? Ou só figura?
Quem me afirma que há pedra, céu e chão,
Se tudo é sonho feito em consciência?
Talvez o Sol se apague ao meu fechar,
E Deus, talvez, em mim só tenha essência.
De que me serve a carne e seu quebranto,
Se não sei se é de mim, ou de um invento?
Pois posso ser apenas leve encanto,
Imagem ou curto pensamento.
Epidemia
o medo
os outros
a tristeza
dos outros
a revolta
por outros
e quantos outros
tantos outros
enquanto os outros
outros contaminam outros
o choro cala
um grito encerra
