Poemas Góticos
No peito, um quarto vazio,
paredes brancas esperando cor.
Não dói, mas lateja em silêncio,
como chão que pede passo.
Ontem vi que foste embora,
não em palavras, mas em ausência.
O vazio então se acendeu,
me pedindo dono, me pedindo vida.
Não vou preenchê-lo com sobras,
nem com migalhas de outros amores.
Vou preenchê-lo comigo:
minhas canções, minhas tintas,
meu riso fora de hora,
meu corpo que insiste em existir.
O vazio não será falta,
será território meu.
E onde era eco,
vai nascer voz.
No silêncio do abandono, existe também uma oportunidade de clareza.
Você percebe quem realmente se importa, quem respeita o espaço que você ocupa, e começa a aprender que vínculo verdadeiro não se compra com proximidade constante, mas com reciprocidade real.
É aí que a dor se transforma em força: ao invés de tentar recuperar alguém que escolheu outro caminho, você passa a se fortalecer na própria presença, na própria verdade.
Eu sequei.
Não por cura,
não por alívio,
mas por excesso.
O coração, rachado em silêncio,
aprendeu a suportar sem água,
a arder sem lágrima,
a viver com o peso seco da dor.
E nesse árido de mim,
ainda brota um cacto,
verde e teimoso,
só para provar que seco não é morto.
Tem dia que a alma não quer poesia, só silêncio.
Não quer conselhos, quer sumir.
E no meio do sumiço,
um pedaço pequeno
de esperança insiste em ficar.
Mesmo cansada, ela respira.
Mesmo sem fé, ela tenta.
Porque dentro do sei lá, ainda mora alguém que quer recomeçar.
"Entre insistir e soltar"
Insisti no silêncio, gritei sem ouvir,
me perdi no caminho tentando seguir.
Fui presença constante, mesmo na ausência,
mas virei só lembrança, sem mais importância.
Corri contra o tempo, lutei sem vitória,
doei minha vida, apaguei minha história.
Hoje eu paro as mãos, largo esse chão,
não sou migalha, sou coração.
Se ela não sente, não posso insistir,
é hora de soltar pra poder me vestir
da força que resta, da fé que é minha,
pois quem não me quer, me ensina a saída.
Posso ser calma, silêncio que acolhe,
ou tempestade que tudo revolve.
Posso ser riso solto no ar,
ou nó no peito difícil de desatar.
Posso ser casa, porto e chão,
ou estrada sem direção.
Posso ser força quando dói ficar,
ou fraqueza que precisa chorar.
Posso ser faca, palavra afiada,
ou cura lenta, bem pensada.
Posso ser fogo que aprende a conter,
ou cinza fértil pronta a renascer.
Posso ser muitas, sem pedir perdão,
contradição viva em expansão.
Não me resumo, não caibo em um ser:
sou mil maneiras de simplesmente ser.
Família.
Não é quem divide sangue. É quem divide silêncio sem constrangimento.
Quem fica quando não sobra nada bonito pra oferecer.
Quem te chama à razão sem te diminuir.
Quem segura a barra quando você já largou tudo por dentro.
Família não é perfeita, é funcional.
Se dói o tempo todo, não é laço, é peso.
Se exige que você se apague, não é amor, é controle.
O resto é discurso pra enfeitar abandono.
Stephanie
Ela é de Capricórnio.
Não nasce.. se constrói.
Pedra sobre pedra, silêncio sobre silêncio.
Independente
porque aprendeu cedo
que promessas quebram
e quem segura o mundo
é quem não o larga das próprias mãos.
Fiel de poucos amigos —
não por frieza,
mas por profundidade.
Raiz não se espalha na superfície,
raiz escolhe onde fincar.
Ela parece inverno,
mas quem atravessa o frio
descobre abrigo.
Ama sem espetáculo.
Cuida sem anúncio.
Fica.. quando decide ficar.
E quando escolhe alguém,
não é impulso.
É destino assinado em rocha.
Criança não entende orgulho,
não entende briga de adulto,
não entende silêncio imposto.
Ela só sente falta.
Sente no vazio da pergunta que ninguém responde,
no “cadê?” que vira rotina,
no abraço que simplesmente parou de existir.
E quem afasta…
acha que tá vencendo.
Mas não percebe que tá ensinando abandono,
plantando insegurança onde só devia ter amor,
e deixando marcas que o tempo não apaga.
Porque criança cresce…
mas o que faltou nela
não cresce junto.
Fica.
E grita em silêncio pro resto da vida.
“Respirar pesa,
como se o ar tivesse memória.
E ainda assim eu fico,
carregando um silêncio
que só quer… paz.”
Inventaram poesia porque enlouquecer em silêncio era insuportável demais.
Porque havia dores que não cabiam em conversa.
Perdas que não aceitavam nome.
Amores que queimavam sem fazer fumaça.
Então alguém escreveu.
E naquele instante, a humanidade descobriu que palavras também podiam sangrar.
Desde então, todo poeta é apenas uma pessoa tentando sobreviver ao excesso de sentir.
— Lucci Santz
O mundo dá voltas.
E às vezes a vida devolve em silêncio
aquilo que o orgulho jurou que nunca perderia.
No silêncio desta
noite nos prevejo
no giro do carrousel
dos teus abraços
e adorando os seus
beijos no melado
doce dos teus lábios.
Na galáxia dos teus
olhos profundos
navego ao ponto
de perder horas a fio
nos teus castanhos
e sublimes mistérios
de nossos desidérios.
É a lembrança do
que não vivemos,
porém sentimos
como já nós nos
conhecêssemos,
e silenciosamente
nos pertencemos.
De maneira mística
a sua presença
e a ausência capto
como estivesse diante
das minhas vistas,
Não fazes nem idéia
de cada sonho que
venho embalando
e reinaugurando
o Ano Novo a todo
o romântico instante.
A verdade nós dois
sabemos o quê já
está escrito sobre
tudo aquilo que
nos faz a cada
dia mais unidos
e mais absolutos.
... salienta a
'filosofia do espírito'que um
eloquente e bem-posto minuto de silêncio suplanta com folgahoras e mais horas
deoratóriasbarulhentas
evazias!
“Fotografei o silêncio.
Ele estava sentado sozinho,
olhando para o lugar onde alguém costumava existir.”
Salário não deveria ser um tabu. Silêncio nunca foi sinônimo de valorização.
Quem discute salário não está, necessariamente, colocando um “preço” em si. Está reconhecendo o valor do que entrega.
Afinal, trabalho tem custo. Propósito tem valor. E quando ambos caminham juntos, negociar deixa de ser constrangimento e passa a ser coerência.
Salário se negocia. Valor se constrói.
Quem conhece apenas o “próprio preço” entra na conversa olhando para a tabela. Quem conhece o próprio propósito entra olhando para o impacto que é capaz de gerar.
No fim, a remuneração ideal não nasce do quanto alguém pede, mas da distância entre o problema que resolve e a transformação que entrega.
Porque currículo abre portas. Propósito mantém portas abertas.
Carlos Eduardo Balcarse
13/07/2026
O barulho não vence o silêncio; muitas vezes apenas impede que escutemos aquilo que o silêncio estava tentando dizer.
Carlos Eduardo Balcarse
O SILÊNCIO TAMBÉM PODE SER UMA RESPOSTA
Nem toda provocação merece uma discussão. Nem toda acusação exige uma defesa imediata. Nem toda pergunta foi feita com a intenção de compreender.
Às vezes, responder significa esclarecer. Em outras, significa apenas alimentar um conflito que já perdeu o sentido.
Mas o silêncio também exige discernimento. Calar por prudência é diferente de calar por medo. Evitar uma discussão inútil não é o mesmo que abandonar alguém diante de uma injustiça.
O silêncio pode proteger a paz. Mas também pode proteger aquilo que deveria ser denunciado.
Saber quando falar exige coragem. Reconhecer quando calar também.
O desafio não é transformar o silêncio em virtude ou a palavra em obrigação.
É compreender o que cada situação realmente exige.
Há palavras que libertam. Há silêncios que aprisionam.
Carlos Eduardo Balcarse
31 de outubro de 2026
ORCID: https://orcid.org/0009-0005-3484-6914
