Poemas Góticos
Que o silêncio grite…
Pois quem ama não cala…
Que o cheiro da saudade…
Nao se demore a passar…
Que o amanhã seja sempre…
Motivo de festejar a presença…
Que a solidão não faça morada…
Escolher e ser escolhido é o propósito do amar…
Que o tempo não se gaste…
Sem a presença do outro em nosso abraço…
Patricia Feijo
trazer pra vista o que não se traduz
há coisas que não cabem em palavras,
como o silêncio entre dois olhares,
ou o peso leve de uma saudade que não se nomeia.
há gestos que falam mais do que a língua alcança,
como o toque que diz “fica”
sem nunca ter dito “vem”.
trazer pra vista o que não se traduz
é como tentar mostrar o cheiro da infância,
o som da ausência,
a cor de um pensamento que nunca foi dito.
é desenhar com vento,
escrever com pele,
falar com olhos.
é fazer do sentir uma linguagem,
mesmo que o mundo não saiba ler.
porque há verdades que só o coração entende,
e há presenças que só se revelam
quando o verbo se cala.
Juramento da Maldição
por Sariel Oliveira
Juro diante do silêncio eterno que não serei cego.
Que verei o que a noite esconde
e ouvirei o que o mundo não suporta dizer.
Aceito a solidão como testemunha,
o peso da lucidez como cruz,
e a ferida que nunca fecha como parte do meu ser.
Não fugirei da dor —
antes, a acolherei como velha companheira,
pois ela me lembra que estou vivo
num mundo que vive dormindo.
Se esta é a maldição que me coube,
que assim seja.
Carregarei seus sinais até que o pó me reclame,
e, ainda então,
que minhas cinzas sussurrem ao vento
o que poucos tiveram coragem de ouvir.
Comece a defender o que é exclusivamente seu —
aquilo que mora no silêncio do peito,
que ninguém pode tomar,
que ninguém pode fingir.
Guarde o que é essência,
proteja o que é verdade.
E então você verá:
a vida se abre como manhã de céu limpo,
o sol não queima — aquece,
o ar não pesa — preenche,
e respirar deixa de ser esforço
para se tornar milagre.
Quando se honra o que é próprio,
o mundo deixa de ser ameaça
e vira casa.
E o sabor da vida —
ah, o sabor da vida —
é simples,
é inteiro,
é bom
e profundamente verdadeiro.
Pensar-te é um oceano.
Imaginar-te nenúfar entre os dedos escorrendo do néctar
o silêncio primordial
no êxtase de todas as tulipas
bebendo-te é púrpura loucura.
Dos gestos
a alma que perdura,
palavras e risos
percorrendo avidamente o esgar cruel do tempo
que deixaste em meu corpo inteiro
saudade,
este viver ousadamente sem nada ser ou possuir.
Pensar-te meu amor mais sublime
nas fragas do vento ou num desesperado grito de ave
é sentir teu fôlego entre
minhas pernas
tua língua brincando em meu ventre
meus dedos entrelaçados aos teus
revolvida, encharcada e concebida,
extasiada em teus cabelos,
como crianças besuntadas de mel e marmelada
roendo maçãs
no entardecer da infância
enquanto a fome doía
na alma grande
das gentes.
Pensar-te tudo e nada.
Beber-te chuva.
Célia Moura, in "Terra De Lavra"
Atenção
A fofoca não nasce do acaso.
Ela surge onde o caráter falha e onde o silêncio deveria prevalecer.
Falar de alguém ausente não é apenas um ato social —
é uma exposição involuntária de si mesmo.
Quem pratica isso revela, sem intenção, a fragilidade da própria honra.
Mais preocupante, porém, é quem escuta e permanece confortável.
O ouvido que aceita o erro se torna cúmplice dele.
Na ausência de rejeição, há consentimento.
Não há complexidade nisso.
Quem fala de outros diante de você, inevitavelmente falará de você diante de outros.
É um padrão humano simples, repetido sem exceções.
O caráter verdadeiro não se manifesta em palavras elevadas,
mas em escolhas silenciosas.
Na recusa firme ao que é indigno.
Na disciplina de não participar do que enfraquece a confiança entre as pessoas.
Por isso, mantenha postura.
Recuse a fofoca — não por aparência, mas por princípio.
No fim, não é sobre o outro.
É sobre quem você decide ser quando ninguém está sendo observado.
— Doeu de novo.
— O quê?
— O amor.
— Ah. Isso explica o silêncio.
O coração suspira, cheio de rachaduras novas.
O cérebro anota algo mentalmente, como quem registra um dado irrelevante.
— Você nunca entende, né?
— Eu entendo perfeitamente. Só não vejo utilidade em sofrer por isso.
— É que você não sente.
— É que você não pensa.
O coração se cala por um instante.
O cérebro aproveita pra revisar compromissos da semana.
— Ela parecia diferente…
— Todas parecem.
— E eu acreditei.
— Você sempre acredita.
— Eu só queria sentir de novo.
— E eu só queria dormir em paz.
Há um silêncio entre eles — o tipo de silêncio que dói mais que qualquer palavra.
— Como você consegue ser tão frio?
— E como você consegue insistir tanto em algo sem garantia?
— Porque é o que me faz vivo.
— E é o que quase te mata toda vez.
O coração ri. Um riso trêmulo, cansado.
— Então o que eu faço agora?
— Espera.
— E depois?
— Espera mais.
— E quando passa?
— Nunca totalmente. Mas você aprende a bater no ritmo certo de novo.
O coração respira fundo.
O cérebro volta ao trabalho.
No fundo, ambos sabem
vão brigar de novo,
vão se prometer paz,
e no próximo olhar certo —
lá estarão, lado a lado, repetindo o erro mais humano de todos:
acreditar de novo.
O Pensamento sobre as Eras:
O Passado:O Silêncio Forçado
Durante séculos, a sabedoria feminina foi confinada ao ambiente doméstico, sob a égide de um patriarcado que via a mulher como coadjuvante. A estrutura familiar era uma hierarquia de comando, não de parceria. O "lugar da mulher" era um conceito geográfico e social rígido, onde o silêncio era a maior virtude esperada.
O Presente:O Despertar e o Atrito
Vivemos o tempo da transição. As conquistas são inegáveis: ocupação de espaços de poder, independência financeira e o direito à voz. Porém, esse progresso gera atrito.
A Violência: O aumento visível da violência muitas vezes é a reação desesperada de estruturas antigas que se recusam a morrer.
A Família e Sociedade: Estamos renegociando o que significa ser família. O desafio atual é equilibrar a autonomia individual com o cuidado coletivo, combatendo o preconceito que ainda rotula a mulher que escolhe caminhos fora do padrão tradicional.
O Futuro: ASabedoria da Integração
O futuro que o sábio vislumbra não é uma inversão de poder (a substituição de uma opressão por outra), mas a superação do gênero como limitador de humanidade. A sociedade sábia será aquela onde a "conquista" de uma mulher não seja vista como um evento extraordinário, mas como a normalidade de um potencial humano sendo plenamente exercido.
A reflexão central:
A sabedoria da vida nos ensina que o patriarcado não feriu apenas as mulheres, mas desumanizou os homens ao proibi-los de sentir e cuidar. O Dia da Mulher é o marco dessa correção histórica: uma busca por um mundo onde a força não precise ser violenta e a sensibilidade não seja vista como fraqueza.
O Silêncio do relógio:
O medo que eu sentia se desfez no cansaço,
eu já não tenho medo da morte, nem do fim.
Antes eu tinha, mas hoje o tempo é escasso,
e o peso do que carrego já transbordou de mim.
Eu desconto a minha dor nas pessoas, eu sei,
e por isso eu evito me aproximar delas agora.
No silêncio dos muros que eu mesmo levantei,
espero o momento de, enfim, ir embora.
Pois algum dia ficarei off-line para o resto da vida,
uma ausência que o mundo não saberá explicar.
E na alma cansada, uma certeza incontida:
sei que não existe uma cura para a minha doença,
apenas o silêncio que me ensina a parar.
E às vezes a vida sussurra, em silêncio:
“Tem gente que é tão egoísta que nem percebe que te machucou.”
Mesmo assim, escolho respirar fundo
e não deixar que a dor governe quem sou.
Teu valor não ecoa na voz alheia,
não é moeda nas mãos do mundo;
ele nasce fundo, em silêncio e raiz,
tronco que cresce inteiro por dentro.
E mesmo quando a tempestade ruge,
tuas folhas resistem, firmes no vento;
porque és árvore que sabe quem é,
e não se curva ao peso do momento. 🌿
Entre nós
Entre nós
existe um silêncio pesado,
daqueles que não nascem da paz,
mas da falta de conversa.
Vocês me olham
como se meus passos
fossem erros inevitáveis,
como se amar
fosse algo a ser condenado.
Palavras duras
pisam em assuntos frágeis,
e o que poderia ser cuidado
vira julgamento.
Até pediram
que outra pessoa falasse por vocês,
numa conversa fria,
desconfortável,
como se meus sentimentos
pudessem ser resolvidos
sem o calor de um abraço.
E eu me pergunto:
por que tentar se aproximar
se cada gesto
acaba me afastando mais?
Pai,
seu silêncio pesa
como uma porta fechada.
Mãe,
suas reclamações
ecoam mais alto
do que qualquer tentativa de entender.
Eu estou cansada
de lutar sozinha
por um espaço
que deveria ser meu por direito.
Só quero que entendam
uma coisa simples,
mas difícil de aceitar:
o tempo passou.
Eu cresci.
E embora ainda seja filha,
já não sou mais criança
para viver presa
às correntes do controle.
... Quando alguém não aprende a habitar
o próprio silêncio e a própria companhia, passa a aceitar qualquer pessoa em sua vida
— não por escolha consciente —
mas por medo de estar sozinha,
consigo mesmo ...
"Meu silêncio não é falta de amor,
meu silêncio é apenas um tempo,
um tempo que eu preciso ter
para poder acalmar o meu coração."
A vocês que fazem esta página um lugar vivo...
A vocês que nunca passam em silêncio,
que deixam palavras, carinho e presença, e compartilham minhas palavras, minha gratidão por tornarem
esta página um lugar vivo.
Gratidão por caminharem comigo.
Josy Maria 23/03/2026
Frases, textos e citações by Josy Maria
**Uma mentira mal contada voa e ecoa melhor no silêncio dos que não questionam.
Impérios não precisaram de verdade… apenas de "fé" cega e vozes altas, há daqueles que se opor ...
Roma não construiu só estradas — pavimentou crenças.
E nelas, muitos caminham até hoje, sem saber para onde vão que a fé lhes basta.
Mas há sempre aquele que para… observa… aprende.
Porque o conhecimento é chave fria na mão de quem ousa abrir.
E a ignorância…
é uma cela sem muros, onde a porta sempre esteve destrancada.** 🗝️
Dona do meu destino e guardiã do meu silêncio. Ser mulher é ter a sabedoria de florescer no tempo certo, sem precisar de plateia para ser rainha. Feliz nosso dia!
8 de março, Dia Internacional das Mulheres
Ele veio sem ruído,
belo como o silêncio que antecede a resposta.
Chamava-se Azzael,
e em seus olhos não havia fim,
apenas passagem. O seu rosto era igual ao meu.
Mostrou-me portas,
não eram de madeira,
eram feitas de tempo.
Algumas eu atravessei,
outras respeitei com distância,
porque nem toda lembrança pede retorno.
Nas portas que abri,
vi rostos que amei
e vozes que ainda moram em mim.
Vi os que partiram
não como ausência,
mas como presença amadurecida em saudade.
Cada entrada era um espelho:
não do que perdi,
mas do que me tornei.
E entendi, enfim,
que a morte ali não encerrava nada,
apenas organizava a eternidade do afeto. Ele partiu e eu perguntei se ele iria voltar, olhou para trás e sorriu igual ao meu sorriso e me disse que talvez, mas naquele momento por ele parecer comigo, senti que iria voltar.
Quando acordei,
as portas não estavam mais diante de mim,
mas continuavam dentro.
