Poemas Góticos
No exílio de meus pensamentos e ideais subversivos, sob a visão dos Maus, crio o silêncio antes de nomear o abismo.
Reno Fioraso
Moais de pedra bebem o silêncio da terra, guardando o segredo de Páscoa, lugar onde o próprio tempo esqueceu a direção do altar.
Reno Fioraso
Rezar é conversar com as paredes e esperar que elas tenham mais compaixão do que o silêncio ensurdecedor do céu.
Amo o silêncio sábio das pessoas comuns. Na maioria das vezes, eles diziam mais para nós do que qualquer acadêmico.
O silêncio não é a ausência de som, é o momento em que o ruído das mentiras sociais finalmente cessa e você é obrigado a ouvir o grito ensurdecedor da sua própria insignificância, ou, se tiver coragem, o estalar das chamas da sua própria consciência.
Meu silêncio costuma gritar verdades que minha boca não tem coragem de dizer para não estragar a noite.
O silêncio do universo não é um vácuo de informação; é um dado. Se deus é uma hipótese que prevê manifestação, cada busca frustrada é uma evidência de sua inexistência.
O amor verdadeiro não desaparece quando o silêncio chega. Ele apenas espera, com paciência, o momento certo de voltar a conversar.
"Às vezes, o silêncio da estrada a pé é o som mais bonito que a gente pode ouvir depois de quilômetros de críticas."
"O silêncio tem uma voz própria, não é? Às vezes, ele grita verdades que a gente passa o dia inteiro tentando abafar com ruído, conversas vazias ou notificações de celular."
Aprendi a andar sozinho, sigo conversando com o meu silêncio, memórias de caminhos que andaram para trás enquanto eu passava, estão lá ainda cumprindo sua missão para outros desertores de aí mesmo.
O silêncio de um sábio é muito mais enlouquente do que todas as suas pronúncias juntas porque quando ele se cala não é bom pra ninguém e todos perdem sem exceção.
Às vezes me perguntam por que meu amor anda em silêncio, mas ninguém viu quando abri o peito sem armadura, quando ofereci meu melhor gesto e o mundo respondeu com descuido.
Foi ali que aprendi que amar também sangra, e que nem todo toque sabe cuidar.
Onde o silêncio dinástico de Ankhesenamon intercepta a mirada atemporal de Reno Fioraso, o limiar entre os dois mundos desaba, costurando eras distantes em um único nó infinito e revelando que a eternidade do passado e a vertigem do presente são apenas a mesma margem de um rio que a consciência ainda tenta decifrar.
Reno Fioraso
