Poemas Góticos
Na tentativa de me ver
Vejo o outro em mim
Se tenho todos dentro de mim
Sou um pouco de tudo
De tudo... um pouco.
"Aperto de mão
e o sorriso
no rosto,
por amizade!
Tem o mesmo
sentido de ver
a sombra
variegando
Deus.
Alguma vez
na sua
vida,
fostes
assim, tão leal...?
Pois
os
faunos
somente
felicitam
Pã e Baco.
MURO INEXISTENTE
O medo é um muro
edificado no escuro
da mente,
Eis o eco insistente
do grito sombrio
que habita do outro lado do muro:
É um sentimento latente
acorrentado ao corpo
do misterioso monstro do inconsciente,
O frio que percorre a espinha rapidamente
como água corrente
num corpo ardente.
É o muro barrando a frágil coragem
que luta inutilmente
contra a sombra de um sentimento tão forte
representado por um muro inexistente.
Eu não posso te deixar, pois de uma coisa eu sei muito bem
É a Tua sombra que me guarda
E a Tua misericórdia que me sustém
Envolvida numa túnica de sonhos,
caminho pela sombra, sem ruídos,
passos leves para não acordar a alma,
pois adormeci nela um pranto dolorido
Sigo assim em delírio e devaneio,
temendo que ouçam os lamentos,
ocultando a dor em murmúrios vagos,
buscando o amor, pois nele ainda creio.
Paciência? Sim eu tenho
Amor? Dou e recebo
Respeito? Cultivo e compartilho
Felicidade? Busco e adquiro
Equilíbrio? Será atingido
Lealdade? Faz parte de mim
Quem sou eu? Uma sombra passageira
Pela vida vais andando,
sigo-te e nem me percebes,
sou apenas uma leve sombra
que acompanha teu viver,
porém sou grande o suficiente
para nela descansares
quando o cansaço te abater
Ainda tenho que resistir a isso.
Fazer de conta que você simplesmente não existe....
É apena sombra.
Eu não sei disfarçar a sua presença em mim.
SOMBRA
Sofro... Vejo envasado numa angústia furiosa
Todo a poesia que tive na intenção esmerada
Abandona-me o criar, e a alma ficou calada
No ter a exaltação, e a inspiração é vagarosa
Criei... Mas tive prosaico, e trama enleada
O desdém que sufoca, e a simetria penosa,
Sombria, numa chama ardente e dolorosa.
Que fazer pra ser bom, nesta vil jornada?
- Amar? - Perdoar? Eu ser apenas prosa?
Não sei, sei que amei, perdoei, mais nada,
Porém, não tive todo este mar de rosa...
Em sangue e fel, o coração me só é cilada
Remordo o papel, branco, em ter gloriosa
Chamada. E só vejo a quimera em retirada.
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Setembro de 2018
Cerrado goiano
Olavobilaquiando
Ela me imita
Segue-me a cada passo
E mesmo sem rumo
Andando eu
Ela insiste
Muda de rota
Para a mim encontrar
Na luz do sol
Na luz da lua
A minha sombra
Me revela
Em espelhos d'agua
Sempre é luz
E eu atrás
Dos sonhos dela.
Marcas
que ficaram...
Nessa busca intensa
de mim.
Que seguia caminhos
aleatórios.
Porém traçados
pelo vento!
E fui deixando me levar.
Me levar...
Olhando somente
a minha sombra!
Momento de parar...
Quando encontrar,
com os seus olhos!
Sou e sempre fui, uma pessoa que procura ver o lado positivo em tudo.
Não tenho síndrome de "Polyana", é atitude positiva mesmo.
Sei perfeitamente bem que o mal existe
Mas, o bem e o lado luminoso da vida é muito mais forte.
Mas nunca gostei do entardecer.
O crepúsculo é triste.
Parece que o ar para.
O tempo embota
A vida perde a cor.
Até nossa sombra some no crepúsculo , pode observar...
Nosso céu é lindo mesmo no entardecer.
Mas minh'alma se deprime nesses 40, 50 minutos de lusco-fusco.
Preciso enxergar melhor no cair da tarde.
Há beleza em tudo.
Sei que há.
Luz e Sombra
A sombra do nosso corpo
A luz da nossa vida
Nos trazem caminhos tortos
Onde possamos encontrar almas feridas
A melodia de uma música nos faz lembrar
Que a luz e a sombra sempre vão se encontrar
O sonho do futuro
Que será duro
Dois lados opostos
Se revelam em nossos rostos
No céu cada noite um espetáculo
Nos remetem a supera os obstáculos
E no mas profundo de nós
As vezes queremos levar a sós
Decisões que a vida nos traz
Sem realmente buscar o que nós satisfaz .
Somos dias de sol e chuva.
Somos noite de breu e lua.
Eis a essência que nos traduz:
somos feitos de sombra e luz.
"Muita gente quer um lugar ao sol.
Mas pouca gente tem realmente coragem
de caminhar à sombra tempo suficiente para vencer..."
Noite de paixão
Vendo apenas sombras
Nebulosidade, escuridão
O vento calmo
Agita suave os arbustos do labirinto,
Uma voz delicada ressona de cima
O coração apaixonado
Responde poético
Cantarolando lá de baixo.
Noite a dentro
Passam horas como minutos,
Os apaixonados se despedem
Dando boa noite
A noite inteira,sim
Nos tempos de Romeu e Julieta.
Meus esquecimentos, rabiscos e silêncios, as impressões digitais da minha sombra inventam caminhos surdos, sob os que jazem mil espinhos, descarnados restos do que não disse, epitáfios de pássaros à voar, musas do esquecimento que negam os silêncios, as músicas, traindo as palavras e seu destino sob a pele da água
vivem cegos os batimentos, tropeçando com os não
silêncios, após os lábios escondidos, de Sereias sem asas a nadar sobre o vento, no Suspiro dos olhos musicais, mas não ouço, ouço apenas o tic tac do relógio, a unica testemunha do suicídio de um impossível que uma vez acreditou ser dona das minhas lágrimas, fugitivo cristal do meu nome que faz calar meus silêncios, brotam gritos proferidos por minha alma desenhado no eco de um sentimento, com sabor a funeral de espelhos, de papel pensado para ser memória e não versos nem silêncios, não quero vestir luto
as minhas memórias, mas evitar não posso, pois se vêem os sulcos que indeléveis deixou pedaços de tristezas, gotas de prata salgada no meu sorriso, o mar fechado nas conchas e a voz dos meus sapatos, A noite rouba silêncios, mas também pegadas, ondas e sonhos, Quero fugir em uma nuvem, em um veleiro até amanhã e morrer no azul, trair o luto, ultima peça deste Jogo de mentiras, de memórias esquecidas, rabiscos e silêncios.
IMAGENS...
À sombra do prazer me entrego
Ansiando pela recíproca voragem
Bebo teu néctar com fervor, não nego
Me enterro em sua paisagem.
Me deleito longamente, sôfrego
Sou fogo e chamas, qual tua imagem
Me entrego, qual bêbado, trôpego
Que louco deleite, que voragem.
Sombra, qual é o seu nome?
Que perseguição é essa?
Você não tem vida própria?
Peço que não me aborreça,
saia pra longe de mim,
saia, mas saia, com muita pressa.
