Poemas famosos de Silêncio
CACOS DE VIDRO NA MADRUGADA
(O silêncio ensurdecedor da maternidade atípica.)
As lembranças da gestação eram a única coisa que martelava na minha cabeça naquela madrugada chuvosa, mas o barulho lá dentro era ensurdecedor.
Olhei para o relógio: duas da manhã. Meu filho autista não parava de entrar e sair do quarto; ia até a cozinha, abria e fechava a geladeira à procura de algo. Foi quando ouvi o estrondo: era mais uma xícara que ele arremessava, fruto da crise que o vencia naquele momento.
Lá fora, a chuva batia forte, no mesmo ritmo em que meu coração acelerava na angústia de ver meu filho nesse elo perdido entre o mundo dele e o meu. Levantei num sobressalto; as lágrimas escorriam silenciosas e indefesas ante a fragilidade que eu sentia.
Naquele instante, o peso do mundo se concentrou nos meus ombros e a pergunta que eu evitava finalmente me alcançou no escuro: O que é ser mãe neurodivergente?
É quando a sociedade e a família falham em ser suporte e a mãe atípica adoece no silêncio. O isolamento vira um cárcere, e a exaustão vira risco. Precisamos entender que cuidar de quem cuida é um ato de justiça e humanidade.
Nenhuma mãe deveria ter que ser forte o tempo todo; ninguém sobrevive apenas de resiliência quando o que falta, na verdade, é acolhimento. Que o elo não se quebre pela nossa indiferença. A rede de apoio é o que impede que o amor vire dor.
Nós, mães atípicas, sentimos como se a chuva lá fora fosse o reflexo das nossas lágrimas de exaustão. Um mergulho intenso em um mundo dito "azul" que, de azul, só tem os símbolos. Na realidade, existem todas as nuances de cores: ora nítidas, ora borradas. Um labirinto onde caminhamos em círculos.
Se alguém achar o encaixe exato das peças ou a saída, diga-nos...
E, nesse ínterim, o que me resta nesta madrugada é juntar os cacos de vidro pelo chão.
Lu Lena / 2026
QUEM É MÃE ATÍPICA VAI ENTENDER...
(Onde o cansaço encontra o silêncio, e o cuidado vira oásis)
Ando tão anestesiada do autismo que, quando passa a crise, eu me pergunto:
— Já passou? Posso voltar para a sala de recuperação?
Aí, num delírio da memória, saio da "matéria" e vejo outras mães atípicas: sentadas e extremamente exaustas, enquanto seus filhos enxugam suas testas dessa fuga em silêncio...
Onde descansar por um segundo é como encontrar um oásis no meio do deserto.
Lu Lena / 2026
ECO DO SILÊNCIO
(Quando as almas se tocam sem precisar de voz)
Abro a porta do quarto e observo meu filho autista, que adormece no auge de sua juventude — de puro vigor, exuberância e beleza, tanto externa quanto na pureza de sua alma perdida, avulsa e flutuante. Digo em pensamento: "Obrigada, meu Deus, estou me esforçando..."
E aí, ele dá um suspiro profundo, como quem diz: "Eu sei, mãe!"
E seu corpo estremece...
Lu Lena / 2026
O AVESSO DO VERBO
(Onde a grafia não alcança)
Às vezes eu culpo o silêncio por não compreender as metáforas de minha existência. Ele tem o hábito de esconder as palavras que eu ainda não tive coragem de inventar — ou mesmo decifrar. O que resta, afinal, é o que sobra quando as letras faltam.
Lu Lena / 2026
O AUTISMO ENTRE "ASPAS"
(O esquecimento do adulto e o silêncio da mãe)
Autistas, ao atingirem a idade adulta, tornam-se esquecidos.
No início, há uma luta desenfreada. Quando ainda são crianças, a gente nutre a doce ilusão de que o autismo poderá ser “revertido”. Mas o tempo passa.
À medida que crescem, vamos ficando calejadas. Calejadas de buscar respaldo do governo, de clínicas assistenciais, de redes de apoio... de bater em portas que insistem em não abrir.
E, então, eles são esquecidos. E nós, as mães, também.
O mundo para. Para o adulto autista e para a mãe, que já não enxerga mais o horizonte. Quando eram crianças, a gente via muito além do arco-íris. Mas, na vida adulta, o arco-íris some.
Nossa porta se fecha. O que nos resta é apenas uma janela aberta.
Uma janela que se escancara para deixar entrar a luz nos raros “momentos de oásis”... ou que se fecha apertado para nos proteger da tempestade das crises.
O autismo não termina na infância, mas o olhar do mundo, infelizmente, parece se fechar ali.
Lu Lena / 2026
O AVESSO DO DIZER
(O Verbo que o Silêncio Esconde)
Assim, vou vivendo entre sonho e realidade,
essa ilusão é como a bruma que borda o amanhecer,
e vivo assim em passos lentos caminhando sem saber...
tropeçando em letras para juntar o que não consigo dizer.
Se no meu silêncio mora a poesia desconexa,
aí eu pergunto:
— Palavras pra quê?
Lu Lena / 2026
A SINFONIA DO LABIRINTO ATÍPICO
(O canto da cigarra e o silêncio da exaustão)
Entro nas redes sociais e a pergunta de praxe no feed: "Quais as novidades hoje?". Fico pensando... Pois então, são essas as novidades que não tenho. Por mais que eu tente buscá-las, elas evaporam em frações de segundo e tudo volta ao ponto de partida. É como caminhar por um labirinto de círculos ébrios, vazios de cor e de emoção — um percurso onde as olheiras cinzas e profundas moldam o caminho, marcas de noites de insônia e da exaustão de ver meu filho desregulado.
Nesta tarde de sol escaldante de março, que parece sorrir ironicamente desse meu vazio existencial, sigo com as pernas estendidas no pufe da sala. No intervalo onde o autismo tira uma folga e o sono finalmente o venceu, fico atenta aos murmurinhos inaudíveis do mundo externo. Mas o que realmente preenche a sala é o zumbido na audição que insiste em parecer uma cigarra cantando.
Essa é a minha única novidade. Não só hoje, mas todos os dias a cigarra insiste em cantar. Ela é o meu mantra de uma rotina atípica que não encontra início, meio ou fim. É o som do meu silêncio possível, o eco de uma exaustão que já faz parte da mobília. É nesse ínterim que a novidade acorda e sai do quarto; a cigarra se despede, o sol acena. As cortinas do palco se fecham e a rotina se abre.
Lu Lena / 2026
O HORIZONTE DA INÉRCIA
(Entre o bater de asas e o silêncio da gaiola)
A vida é tão complexa e, ao mesmo tempo, simples e natural como o pássaro que voa... O diferencial é que o pássaro pode não ser mais visto, ou pode ficar preso na gaiola por não saber voar, condicionado a essa prisão.
Assim como as circunstâncias de nossa existência, que não se explicam: a gente observa e as deixa apenas voar, ou elas ficam aprisionadas por nosso comodismo.
Lu Lena / 2026
O PALCO DO SILÊNCIO
(Quando a maturidade dispensa a plateia)
Às vezes, o despertar da maturidade se esconde atrás de um ruído que só tua alma escuta. E, nessa evolução, o teatro está vazio: apenas as luzes da ribalta acesas e as cortinas fechadas, para que esse barulho interno que ressoa no anonimato seja como aplausos no palco de tua existência.
O espetáculo não precisa começar, pois a peça já estava escrita.
Lu Lena / 2026
Vô
Hoje sentei em silêncio e deixei as lembranças falarem mais alto. Fechei os olhos e quase pude sentir o cheiro do seu café fresco, o som da sua risada ecoando pela casa, e o calor do seu abraço, aquele que sempre foi meu lugar seguro no mundo.
Não há um dia sequer em que eu não sinta saudade. Saudades dos seus conselhos sussurrando com sabedoria, das histórias que você contava com olhos brilhando de emoção. Cada pedacinho do meu coração carrega um fragmento seu.
Vc me ensinou tanto sem precisar de muitas palavras. O jeito como cuidava de todos, como fazia da simplicidade um encanto, cm transformava dias comuns em memórias eternas... Tudo isso ficou comigo. Você segue vivo nos detalhes, no que sou, no que levo.
Obrigado, vô, por tudo que foi, por tudo que é em mim. A saudades é grande.
Com carinho da neta que nunca vai te esquecer. 🤍
Um ego inflado é uma prisão dourada; só o silêncio interior tem a chave para abrir a porta.
EduardoSantiago
A verdadeira religião não se exibe no altar, mas no silêncio da alma que ama até o inimigo.
EduardoSantiago
Antes de ceder ao impulso, escute o silêncio — ele sabe o preço que seu coração ainda não calcula.
EduardoSantiago
"Um retrato não revela quem você é, mas quem você teme que o mundo descubra no silêncio do olhar."
EduardoSantiago
Lealdade verdadeira é o silêncio que resiste quando a maioria escolhe a traição como barulho.
EduardoSantiago
Acreditar
mesmo quando o balde continua seco,
mesmo quando o eco só devolve silêncio.
Acreditar
com as mãos calejadas de quem rega o nada,
com o peito rachado de quem ainda espera.
Não é fé cega.
É teimosia santa.
É continuar enchendo
o que o mundo insiste em esvaziar.
E um dia, sem aviso,
o balde vai transbordar.
”Os cães ladram, latem ou ficam em silencio! Já minha van, cara, passa!”
Frase Minha 0200, Criada no Ano 2007
USE, MAS DÊ BOM EXEMPLO.
CITE A FONTE E O AUTOR:
thudocomh.blogspot.com
"Estive pensando: se eu orar a Deus, não mais em silencio e no aconchego do meu lar, mas rezando para a Plateia, nas Redes Sociais, ganharei mais admiradores? Tenho visto muito disso. Muito mesmo!"
0730 | Criado por Mim | Em 2014
USE, MAS DÊ BOM EXEMPLO.
CITE A FONTE E O AUTOR:
thudocomh.blogspot.com
O Silêncio
A luz apaga
O sopro para
O corpo cansa
A alma lança
Um voo leve
Tão breve.
O frio chega
A vida nega
A terra chama
Quem tanto ama
Fica a saudade
A eternidade
A dor profunda
A paz inunda.
mas que exista
