Poemas e Poesias
Pai, Sempiterno
Ser pai é ser sempiterno!
É ser a essência da palavra
que transcende em verbo.
É ser o pilar da criação.
E plantar no terreno da eternidade
a semente
Que germina realização.
Ser pai é multiplicar-se em muitos.
É viver-se em tantos
e amar sem nunca ter a dimensão.
O Amanhã da Quarentena
Acordar recebendo atividades
Virou rotina na realidade
O frio da manhã
Se tornou a incerteza do amanhã
O banco cheio do recreio
Deu lugar ao vazio e anseio
As conversas e risadas
Deram lugar a mentes angustiadas
O preenchimento virtual
Não ampara o vazio emocional
Dormir ao anoitecer
Sem saber o que vai acontecer
Quem diria
A sociedade tida como imparável
Pode ter apenas um fim deplorável
Quem disse que essa consciência não existe?!
e quando questionam o por quê não se tem uma consciência branca,
é necessário lembrar que, sim, ela existe...
ela dá direito a um homem branco sufocar um homem negro com o joelho, agredir pessoas na periferia por se julgar o lado bom da história...
fomos criados nela,
configurados por ela,
somos resultado dela...
como assim não tem essa tal de consciência?!
que conversa mais distorcida!!!
e
por estarmos tão rodeados dela,
não entendemos o por quê se faz necessário ter a consciência negra.., refletir sobre o nosso espaço na sociedade...
esse discurso besta de que "se a gente se vê como fulano e fulana e não como negro e branco, o racismo acaba: é a maior mentira reforçada socialmente hoje."
hoje, isso não acabará com o racismo,
porque a primeira coisa que se faz na sociedade
é identificar o negro e a negra
e lhe pregar o joelho no pescoço,
agredir nas escadas do shopping,
perseguir nas lojas...
quer uma sociedade mais conscientemente branca que essa?
ENFIM O SILÊNCIO
Os cães já não ladram mais...
Parado encontra-se o vigilante relógio
Perdeu-se no espaço a ultima nota musical vinda da velha vitrola
Longe estou
Infindável túnel escuro
Sigo em frente
Aguardando o projétil para a cabeça encontrar
Lenta é a folha seca que cai em silêncio
Jaz o corpo sepultado no próprio corpo
Enfim, o silêncio.
SOLIDÃO EM RÉ MENOR
A mente que sempre mente
Ao ser vazio
Triste cantador solitário
Viajante das estrelas
Visionário do caos
Carcaça arrastada
De rua em rua,
Bar em bar,
Cama em cama
Numa música única
Azul a insistir na mente
Deglutidora lenta
Do céu e do inferno
Solidão em ré menor
Eis a canção do cantador
Ainda sobrevivendo
TEMPESTADES DE VERÃO
No começo o vento é fraco
Depois torna-se forte, destruidor...
Nas tempestades de verão a dor diminui
O ardil brinca com a razão
Ventos e chuva,
Solidão e silêncio
Em meio às tormentas
Obscuras do ser...
Findar da vida
Começo da morte
Nas tempestades de verão.
PONTOS
Não adianta chorar
Ninguém há de ouvir.
Não adianta amar
Não há ninguém para desejar-lhe.
Assuma sua culpa.
Cuspa o veneno
Que tu mesmo preparaste
Seus livros não servem para nada.
Suas palavras se perdem no limbo.
Vosso lar...
Pontos perdidos
Sem vida,
Sem descanso.
Lá no horizonte a morte lhe espera.
Sorria agora, ser medíocre.
Rasteje como vermes.
Os mesmos que em breve comerão sua carne
Quebra-se o palácio de cristal
Ao toque das mãos
Que perderam o jogo.
MEDO
Do que tens medo?
Da escuridão?
De viver?
Dos outros, então!
Todos têm um ponto em comum a esconder
No jogo bruto em que vivemos
É estranho conviver com as brumas
Que escondem o sentido absoluto
Do mundo da razão navalha.
SENTADO EM CATACUMBAS
Alta lua
Sentado em catacumbas
Rasgou a noite o último expresso
Convidado dos vermes
Vi o banquetear-se da putrefata carne
Do Eu defunto
CARPE DIEM
Quero o azul como manto a proteger
Meus sonhos, essência do existir.
Quero o som de todos os cantos a preencher
Meus sentidos, movimento constante da transformação.
Quero as palavras como expressões do que é ou poderá ser
Minha direção no encontro e desencontro do eu ante os outros
Quero o sorrir e as lágrimas para sentimentos ter
Meu aprendizado, libertação dos grilhões da escuridão da ignorância.
Quero uma bela semana para aproveitar cada dia como se fosse o último
Pois para viver é necessário saber resistir para a certeza do existir.
NAVEGANTE
Bom dia com o sol que sorri
Abraçando o corpo,
protegendo a alma.
Motivo de irmos à frente,
rumo ao desconhecido;
doce andança
necessária para
conhecermos o Id
Timoneiro indolente,
do coração navegante
onde a cada porto
uma nova música aprende
para cantar quando estiver
em alto mar.
RAZÕES
Sussurros navalhas
Ferem o ego dormente
Razões sustentadas,
Razões quebradas,
Razões que nada valem.
Tenho ratos como amigos;
Devoradores vorazes
Das razões guardadas
No porão sombrio
Da mente empoeirada.
LUPERCALE
Noite adentro seguindo o rastro prateado
Oculto pelo medo presente, lembranças do pesar diurno
Sons bestiais e guturais da alma perseguida
Matilha desnuda ante a deusa nua
Qual a certeza no olhar vazio da insanidade?
Por entre os caminhos vagam as feras que devoram a mente
Correr, correr, correr... Sou o que mais temo.
Brindamos na companhia da Lua Negra
A vida e a morte do ser liberto.
EXISTÊNCIA
Siga o caminho dos ventos vindouros da Rosa
Registre suas pegadas nas areias do tempo.
Viva plenamente,
Ultrapasse as portas da percepção
Entenda o Eu oculto pelo véu da ignorância.
Para cada verso um sentido,
Nenhuma palavra é vã perante a existência.
Deixe registrada sua marca,
O seu sinal,
A certeza do seu ser.
SER
Sou apenas o que sou!
Nada importa
Além
Da mente,
Da alma,
Amém.
Mesmo se meu desejo fosse...
Jamais conseguiria parar
O pulsar
Do coração nascido
Em versos andarilhos.
Não me fale nada,
Não me conte nada,
Não me faça nada
Apenas aproveite o dia.
GRANDE HORA
Meia- noite e três minutos...
Sob a luz fraca de uma lâmpada
O questionamento do caos
Serpejante da vida.
Sentimento sofrido?
Paixão destruída?
Talvez um prisioneiro de um cárcere sem luz...
Nunca houve claridade suficiente
Para iluminar o olhar obscuro
Da dúvida que é a existência.
PERSISTÊNCIA
Postar-me-ei desnudo aos ventos da rosa
Deixando as máculas da alma pelo ar
Pesado é o fardo,
Resistirei...
Das feridas, o tempo cuidará.
Aprendi a caminhar
Na companhia dos ventos
Labutando com fervor
Destino traçado em outrora
O quanto deverei pagar? Ainda não sei
Farei do tempo a minha estrada
E do vento, o meu guia.
SAGRAÇÃO DA PRIMAVERA
Calmamente caminhei sem rumo,
Pelas alamedas encobertas pelos ipês lilases
Sorri ao convite do vento,
Suspirei profundamente,
Recitei o velho Blake.
No observar castanho onírico
Projetei a ânsia de viver
No firmamento límpido anil.
Aberto está o arcano sem nome;
O tempo será o juiz de minhas ações...
Eu, o algoz da sua sentença.
Logo será primavera,
cicatrizes de outrora se fecharão.
Um dia de cada vez.
Perseverei em face da incerteza do ser perante o nada
Inerme prosseguindo poeticamente.
Já não faz sentido empunhar o gládio em batalhas vãs.
Na sagração da primavera tudo renasce
com a unção das flores que sorriem no silêncio.
CAPÍTULO IV
Hoje é um belo dia para morrer
Brilha forte o sol
Iluminando o caminho
Trazendo o calor
Para o corpo e alma
Não quero que aparem minhas lágrimas
Descobri que tenho lenços de papel no bolso da calça surrada
E eles se dissolveram no próximo dia de chuva
Hoje é um belo dia para viver
Ouvir uma canção triste
Alegrar o corpo e alma
Dançar resiliente
Agradecendo o sorriso
Amando além do amor
Tendo o azul do céu
Dizendo amém.
