Poemas sobre o Silêncio
Em silêncio, sem que ninguém saiba, eu choro a morte do meu filho todos os dias. Hoje me perguntaram por que eu chorava, se alguém havia morrido. Quando disse que era pelo meu filho, ouvi como resposta: "Mas já se passaram sete anos?". Preferi não explicar, apenas calei. As pessoas realmente não entendem que o tempo não apaga a ausência de um filho.
SOFRER É A FERIDA QUE A PSICOLOGIA ACOLHE, A PERGUNTA QUE A FILOSOFIA INVESTIGA E O SILÊNCIO ONDE A FÉ ESCUTA DEUS.
Que império restaria ao inferno, se até as almas condenadas ainda encontrassem, no silêncio dos sonhos, uma centelha de esperança? O verdadeiro abismo não é o fogo eterno, mas a noite onde nem mesmo os sonhos ousam nascer
E se o futuro não nascer do silêncio, mas da coragem de romper com ele? De que vale semear em segredo, se o medo enterra as próprias raízes? Talvez o destino não floresça apenas no que ocultamos, mas naquilo que ousamos revelar ao mundo.
Deus não é apenas a luz que vence as trevas; talvez seja também o silêncio que existe antes dela, além do tempo, além do espaço. Ele permanece além das eras, onde impérios são apenas poeira e os nomes dos homens se perdem como ecos em catedrais abandonadas. Há quem o procure no esplendor dos céus, mas talvez ele se revele com mais profundidade nas feridas ocultas da alma, no instante em que o homem encara sua própria ruína e ainda encontra força para amar. Deus é o enigma que observa o nascimento das estrelas e o último suspiro das galáxias; a mão invisível que escreve destinos em páginas que jamais conseguiremos ler por completo. Entre o sagrado e o abismo, entre a esperança e o desespero, Ele permanece como a pergunta que atravessa a eternidade — e talvez a única resposta que a alma humana sempre procurou, mesmo antes de aprender a pronunciar Seu nome - "Adonai".
O silêncio dos heróis é o maior grito que você pode escutar em sua existência: o grito de quem foi ensinado a morrer em silêncio, o grito de um homem.
Aquele homem morreu nas sombras do próprio passado. Das cinzas do silêncio ergueu-se outro, moldado pela dor e guiado por um destino já traçado. Na lei da selva, a piedade apodrece antes do amanhecer; apenas os que caminham entre as trevas, sem hesitar, alcançam o trono que o mundo nega aos fracos.
Você me ensinou que a dor é só o início da jornada, só o silêncio e o som! Agora, consigo ver tudo em câmera lenta.
Nascemos arquitetos de ruínas eternas, esculpindo no granito do tempo o silêncio de templos que os olhos do mundo jamais saberão ler.
Reno Fioraso
Enquanto o mundo faz barulhos para compensar os vazios, a alma repleta vai no vazio em silêncio sentir as recompensas.
O desgosto é um silêncio pesado dentro da alma. Não grita, mas corrói devagar. É o choque entre o que esperávamos e o que a vida entregou, uma ferida que não sangra por fora, mas exige do coração uma força que ele nem sempre estava pronto para dar. O desgosto não é apenas um sentimento — é um peso que o corpo inteiro aprende a carregar.
Há momentos em que toda companhia se ausenta, e resta apenas o silêncio entre você e o divino. Nesse espaço, aprende-se que a suficiência não vem da ausência de tudo, mas da presença do essencial.
O colapso da identidade em um mundo de máscaras sociais é um silêncio que grita por dentro. A pessoa já não sabe onde termina o rosto e começa o disfarce. Cada papel aceito, cada personagem ensaiado, acrescenta uma nova camada de verniz sobre a pele cansada. Por trás do sorriso treinado, a dúvida: aquilo que sinto é meu ou apenas uma reação ao olhar do outro?As redes, os palcos, os corredores anônimos exigem versões editadas de nós mesmos, sempre prontas, sempre luminosas. A autenticidade, então, se faz clandestina, vivendo em breves lapsos de descuido. Quando a máscara cola, torna-se pele; quando a pele cede, torna-se máscara. Nesse atrito, a identidade se fragmenta em reflexos contraditórios.No fim, resta um espelho que não devolve um rosto, mas um mosaico de expectativas alheias. E o eu verdadeiro, tímido, pergunta-se se algum dia existiu.
Se você esmaga uma barata sob o sapato, o mundo aplaude em silêncio: herói anônimo, salvador do asco, executor do invisível inimigo que rasteja nas sombras da cozinha. Ninguém chora pela carapaça estalada, pelo corpo achatado que some no lixo. É justiça prática, vingança contra o repulsivo, o que fede e contamina. Mas mate uma borboleta — ah, que crime! Suas asas iridescentes, pintadas pela alquimia da natureza, tremem no ar como um verso de Mallarmé. Esmagá-la é vandalismo contra a beleza, profanação do frágil milagre que dança no jardim. De herói a vilão em um piscar de antenas. Eis o enigma: o julgamento não reside na morte, mas no estético que a encobre. A barata é o feio encarnado ,crocante, marrom, legionária das trevas, merecedora do extermínio por sua mera existência. A borboleta, em contrapartida, é o belo efêmero, embaixadora do verão, cujo voo evoca a alma poética que lateja em nós. mata-la fere nossa própria sensibilidade, como se o sangue colorido manchasse o quadro da vida. Aqui começa a tirania do olhar: a moral não julga atos, mas aparências. O que repele é punível; o que encanta, sagrado. Essa dicotomia revela o abismo humano: vestimos a ética com roupas de nosso gosto. O herói mata o monstro disforme; o monstro, ele próprio, devora a flor alada. Filósofos como Kant sussurraria sobre o sublime no terror da barata, enquanto Nietzsche riria da fraqueza que poupa a borboleta por vaidade. No fim, somos prisioneiros do espelho: o que é belo absolve, o feio condena. E assim, entre o estalo da barata e o adeus da asa, ergue-se o tribunal supremo, não da razão, mas da retina.
O silêncio e a palavra caminham de mãos dadas.O silêncio já salvou pessoas até da morte.E o grito na hora oportuna também já impediu até de mulheres serem vendidas a traficantes de pessoas em aeroportos.Por isso, que a sabedoria não é sempre calar,mas falar na hora certa e às vezes ser sábio é confiar nos instintos e gritar mesmo parecendo ser um louco que luta pela sobrevivência neste mundo cheio de perversidade,mas que ainda habita amor e a esperança.
Você não tinha o que eu não tenho. Será que temos uma ligação covalente? Meu silêncio falou mais que mil palavras. Seu olhar e sua verdade me cativaram.
“O silêncio da lei não significa necessariamente ausência de Direito; às vezes significa apenas que a realidade chegou antes do legislador.”
