Poemas sobre o Silêncio
O silêncio não é covardia, é maturidade.
É o descanso de quem confia que Deus vê o que o homem não enxerga, e recompensa o que não foi reconhecido.
Não finja de besta, e nem de sábio, fique em silêncio e seja um aprendiz, observe, pesquise e tenha dúvidas.
O perdão não pode ser vivido por quem já partiu, mas é o maior silêncio virtuoso a ecoar pela eternidade.
Melhor é o silencio e o tempo para revelar a verdade; o que fala, insita discussões tolas que tiram sua paz.
Nada é mais ensurdecedor do que
o silêncio hipócrita de pessoas barulhentas, quando percebem que estão erradas.
Mesmo nos dias frios do coração, Deus cultiva em silêncio as sementes que florescerão na primavera da alma.
O silêncio é o nosso primeiro idioma. Nada melhor que praticá-lo, para que em oportunos momentos, o façamos tão bem, quanto falamos...
O silêncio nem sempre é fruto da minha escolha, mas nele habita um mistério que a razão não alcança. As verdades, como sementes invisíveis, recolhem-se nesse espaço oculto, esperando o tempo certo de germinar. É no silêncio que o ser se confronta com o que é, e o que ainda não ousa revelar. Pois o silêncio não cala, ele guarda.
O tempo se alonga quando se espera; no deserto, ele se veste de silêncio e se derrama como uma eternidade em cada grão de areia.
O silêncio é a primeira língua da alma; nele repousam segredos e verdades que as palavras jamais alcançam. Senhor, dê-me a sabedoria suficiente para que no momento certo eu possa usar a minha primeira lingua.
Deus nos ensina que a dignidade também está em saber a hora de ficar em silêncio, de se afastar e de seguir em paz, sem perder a essência e sem abrir mão da fé.
Há dores que persistem não por falta de superação, mas por excesso de silêncio. O que não encontra palavra desce, infiltra-se, organiza-se em hábito e passa a governar o ser por dentro. Quando a consciência ousa escutar o que foi empurrado para o fundo, algo se desloca: a dor deixa de ser tirana e torna-se mensageira — severa, mas justa.
O rigor do Inverno de Vivaldi me ensina que a força, muitas vezes, é o silêncio. Um calor lento acende por dentro enquanto o vento lá fora protesta.
Há momentos em que toda companhia se ausenta, e resta apenas o silêncio entre você e o divino. Nesse espaço, aprende-se que a suficiência não vem da ausência de tudo, mas da presença do essencial.
Já caminhei por desertos de silêncio,
onde a esperança se escondeu nas sombras. A vida, em sua frieza, não me ofertou razões para permanecer. O amanhã parece distante, um horizonte que não chama pelo meu nome. E ainda assim, respiro, como quem desafia o vazio. Talvez não haja sentido, talvez nunca tenha havido. Mas sigo, porque até o desespero carrega uma semente de quem insiste em existir.
Sou estrela antiga, ecoando luzes que já se foram, meu coração queimando em silêncio. Cada fagulha é memória de mundos que jamais verei, cada brilho, um suspiro perdido. No vazio do cosmos, aguardo o instante em que tudo se desfaz, me transformando em poeira estelar, um murmúrio esquecido no infinito.
Plantei raízes no silêncio ansiando pelo sol da esperança, mas mãos alheias cobriram a terra, impedindo-me de florescer.Meu caule se ergueu trêmulo, buscando o céu em vão, pois a sombra de terceiros pesava mais que minha vontade. E assim sigo, metade semente, metade lembrança do que poderia ser; um destino podado antes do tempo, um sonho que ainda respira sob a terra.
Quando morremos no sonho, o despertar nos resgata, pois o mistério da morte é um silêncio que nem mesmo a imaginação ousa sustentar.
