Poemas de saudade que traduzem memórias em versos

​LÁPIDE DA ALMA
(​A peregrinação final da saudade)

​Nas lágrimas que borram o céu altivo,
vejo a lua que chora, triste e sombria;
as estrelas, espremidas e sem brilho,
na trágica sina de minha melancolia.
​No vão oco e obscuro de minha incoerência,
busco-te num coração flagelado e de luto;
perambulando em busca de minha existência,
sou peregrina enclausurada num reduto.
​Teu sorriso disperso na luz do luar eu vi...
sigo nesse destino que congela e paralisa,
nesse arrebatamento transfigurado em ti.
​Saudade enegrecida que causa tanto tormento,
círculo vicioso que entorpece e me agoniza…
Diante da lápide, minhas lágrimas borram o teu retrato,
e o vazio, enfim, em mim se eterniza.

​Lu Lena / 2026

É estranho sentir saudade de alguém que ainda respira,
que ainda acorda todos os dias,
que talvez até sorria…
mas que morreu dentro da nossa história.

O luto de um amor vivo não tem flores,
não tem velório,
não tem pessoas dizendo “vai passar”.
Porque ninguém entende a dor de perder alguém
que continua existindo por aí,
como se nada tivesse acontecido.

E enquanto o mundo segue,
a gente tenta juntar os pedaços
de uma versão nossa
que só existia quando aquele amor ainda ficava.

Você se tornou o tipo de saudade
que aparece do nada.

No meio do dia.
No meio de uma risada.
No meio de uma música qualquer.

E por alguns segundos,
o mundo inteiro perde a cor,
porque meu coração ainda procura
um lugar onde você costumava estar.

Bah…
tu virou saudade antes mesmo de virar passado.

E eu sigo aqui,
tentando ser forte igual gaúcho aprende a ser,
mas tem ausência tua
que nem o vento minuano consegue esfriar.

O coração até tenta seguir estrada,
mas toda vez que lembro do teu jeito,
é como se a alma parasse na cancela
esperando alguém que não vai mais voltar.

Bah…
tem saudade que nem mate amargo adoça.

O luto de um amor vivo é coisa triste, vivente.
Porque a gente segue andando,
sorrindo nas rodas,
arrumando o cabelo,
fazendo tudo certo…
mas por dentro o coração fica parado
na última vez que aquele amor olhou pra nós com carinho.

E pior que ele ainda existe.
Respira o mesmo céu,
anda pelas mesmas ruas,
mas já não pertence mais ao nosso abraço.

O amor acabou pra ti.
Mas em mim,
ele virou saudade.

E bah…
que saudade dolorida.

Da tua voz,
do teu jeito,
das conversas demoradas,
das promessas simples
que eu jurava que iam durar uma vida inteira.

Hoje eu entendo:
tem gente que não morre na nossa vida.
Só vira ausência permanente dentro do peito.

⁠Em alguns dias, o coração aperta e a saudade aparece sem aviso. O silêncio se torna barulhento. A menina ora baixinho, pedindo apenas força, paz e a presença invisível que consola. Ela não busca respostas rápidas, apenas um sinal de que Deus está ouvindo.
E ele está!

- Edna de Andrade

⁠Hoje, o dia amanhece com uma saudade que não tem nome,
daquelas que apertam o peito em silêncio.

Você lembra do cheiro, da risada, dos conselhos,
das coisas simples que agora viraram eternas.
E embora ela não esteja mais ao seu lado,
ela segue viva… em tudo que te habita com amor.

O amor de mãe é semente que não morre.
É raiz que permanece, mesmo quando o tempo passa.

Neste Dia das Mães, que a lembrança seja colo.
Que a fé seja consolo.
E que o coração encontre um jeitinho de agradecer…
por tudo o que foi.
Por tudo o que ficou.

— Edna de Andrade
@coisasqueeusei.edna

Essa saudade de nós, essa vontade de você que me consome!
É vontade de você, de sua alma, de seu desejo... de seu íntimo.
Vontade do teu corpo... Vontade de nós! Do nosso jeito gostoso de sermos nós.

Tinham tantas histórias a contar. Tantas saudades a reclamar. Momentos a recordar. Caminhos a planejar. Tantos sonhos a sonhar. Mas... quando finalmente ficam juntos, tudo desaparece, nada mais importa. Por que contar histórias, se a mais bela é o amor? Por que queixar-se da ausência, se o objeto da saudade está presente? Por que recordar o passado, se o momento é perfeito? Por que planejar caminhos, se as vidas estão traçadas? Por que sonhar, se viver é mais intenso?

Livro: Thaís, a Bela do Éden, página 188

Existem dores que não cabem em lágrimas,amores que não cabem em abraços
e saudades que não cabem em palavras.

O que sentimos de mais profundo,
muitas vezes, é justamente o que se torna inefável.

Porque a alma sabe sentir coisas
que a linguagem ainda não aprendeu a dizer.

— Sariel Oliveira

A falta da dor


Abismo da Saudade
Entre a Dor e a Ausência
Fatalidade das cicatrizes
Laços de turbilhão de sensações
Intensidade das dores um dia vívidas.

MEU RUMO


Ah, coração carente, sem ti perdido,
pela rua da saudade vai sozinho,
buscando em cada olhar algum carinho,
num sonho pela ausência consumido.


Quando estás longe, segue sem sentido,
meio sem prumo, procurando o caminho,
e a casa, em silêncio, faz seu ninho
num peito pela dor entristecido.


Mas ao te ver abrir a velha porta,
minha vida faz alegre reviravolta,
e o coração desperta para a emoção.


Rio fluente de aventura e esperança,
que ao mar dos sentimentos sempre avança,
levando até você meu coração.


Sandro Sansão da Silva Costa

A Praça.

Hoje eu acordei com saudade de você

Beijei aquela foto que você me ofertou

Sentei naquele banco da pracinha só porque

Foi lá que começou o nosso amor

Senti que os passarinhos todos me reconheceram

Pois eles entenderam toda minha solidão

Ficaram tão tristonhos e até emudeceram

Aí então eu fiz esta canção


A mesma praça, o mesmo banco

As mesmas flores, o mesmo jardim

Tudo é igual, mas estou triste

Porque não tenho você perto de mim

Beijei aquela árvore tão linda onde eu

Com meu canivete um coração desenhei

Escrevi no coração meu nome junto ao teu

E meu grande amor então eu jurei


O guarda ainda é o mesmo que um dia me pegou

Roubando uma rosa amarela pra você

Ainda tem balanço, tem gangorra, meu amor

Crianças que não param de correr


Aquele bom velhinho pipoqueiro foi quem viu

Quando envergonhado de amor eu lhe falei

Ainda é o mesmo sorveteiro que assistiu

Ao primeiro beijo que lhe dei


A gente vai crescendo, vai crescendo e o tempo passa

E nunca esqueci a felicidade que encontrei

Sempre eu vou lembrar do nosso banco na praça

Foi lá que começou o nosso amor

"oh, coração sofrido
Ah, amor dolorido

Silêncio que me anseia
Saudades que pisoteia."

Saudade


Singularidade do teu olhar
Nossos encontros e desencontro
Ausência caótica do meu amar
Demasiado das sensações
Ecoa instantes do amor a distância.

A lembrança é a vida dos mortos.


A saudade é o abraço dos queridos.


Lembre-se, lembre-se sempre.


Pois, ninguém morre nas lembranças de quem ama.

Hoje a saudade bateu leve,
como quem abre uma janela antiga.
Não sei por onde você anda,
mas espero que a vida tenha sido mais gentil contigo.

O Sorvete que Virou Saudade

Algumas lembranças têm gosto.
A minha tem gosto de chocolate.

Todo Dia das Mulheres
eu chegava com um Magnum na mão.
Era simples, quase bobo para quem via de fora.

Mas para mim
era uma maneira silenciosa de dizer
tudo aquilo que às vezes os filhos
não sabem falar direito.

Eu entregava o sorvete
e dizia que a amava.

Ela sorria.
E naquele sorriso
o mundo ficava em paz por alguns segundos.

Eu não sabia
que um dia aquele gesto tão pequeno
viraria uma das maiores saudades da minha vida.

A gente nunca imagina
que os momentos comuns
estão, na verdade, se tornando eternos.

Hoje o Dia das Mulheres chega
e eu sinto falta daquele caminho simples:
comprar o sorvete,
bater na porta,
ver o sorriso dela.

O sorvete ainda existe.
O dia ainda existe.

Mas agora
o amor que eu levava nas mãos
precisa viajar pela memória
para chegar até ela.

E às vezes eu penso…

se o céu tiver pequenas alegrias humanas,
talvez em algum lugar
minha mãe ainda esteja sorrindo
enquanto eu chego com um Magnum na mão.

— Sariel Oliveira ✍️

(...) Dia desses ele me disse: "não se preocupa, eu te amo. A saudade grita!"

Depois, segui.
Ele? Também.
A saudade? Permaneceu aqui.