Poemas de Saudade de Filho
Na vida existem perguntas difíceis e complexas de responder, porém o tempo traz as respostas e revela todos os segredos do comportamento humano.
hoje demorei mais do que o esperado pois enquanto a aguá caia bem devagar suas lembranças me aqueciam naquele banho terno, só então me dei conta a falta de quem mais queria comigo naquele momento.
das lágrimas com que amei, os meus pulsos de tendões rasgados ditam-me que elas foram duras, porque a saudade no amor é lei...
Uma vez você me disse que a gente só dá valor quando perde, e só agora eu vejo que isso é verdade, pois eu te perdi e estou aqui sofrendo como uma tola.
Minhas viagens são sempre voltas à infância, aos lugares onde vivi um dia. Uma procura, pai, mãe, avós, tios, amigos mortos. Volto atrás e procuro no verde, na luz, no céu. Em vão. O que perdi não terei mais, porém, mesmo assim volto sempre. A esperança de que algum dia encontrarei aquilo que procuro incansavelmente. Quem sabe na morte, única paisagem que por enquanto me é vedada.
nem sempre sentir basta no que nos basta de uma realidade . .
assim como o que nos basta nunca será a mesma realidade.
então apenas aconteceu . . existiu em um instante . . e foi foi no que não houve . . o esquecimento .
Não sei se isso é saudades, mas, é, querer saber como você está, o que tem feito, como anda sua vida, e o trabalho, o que você tem feito ultimamente? Não sei se isso é saudade, mas os espaços que fica entre nós dois, faz com que eu me aproxime mais de você, de maneiras diferentes, não no sentido de querer estar vinte e quatro horas juntos, mas, sim, no querer te ver feliz, realizado, com um sorriso estampado no rosto, me dói muito que nesses grandes espaços eu encontre o “nós” mas quando estamos juntos eu apenas me vejo, lutando para que, de alguma forme, que o que eu sinto por você, você também sinta na mesma intensidade por mim, para que nossos corpos se encontrem, e conectados por uma energia superior a nós, consigamos enfrentar as turbulências deste mundo e carregar um pouco um ao outro nos braços, eu não sei se isso é saudades, mas, talvez seja apenas um querer saber como você está.
A rememoração, assim como as telas de Rembrandt, é sombria sem deixar de ser festiva. Os rememorados vestem suas melhores roupas para a ocasião e ficam sentados sem se mexer. A memória é um estúdio fotográfico de luxo numa infinita Quinta Avenida do Poder
Amar é superar adversidades, enfrentar o desafio da geografia que, às vezes, distancia fisicamente dois corações. É sentir a saudade como fruto da partida.
Tenho andado dias sem saber que horas são, sem saber que dia é, se é fim-de-semana, se é o aniversário de alguém. Dias em que nem troco de roupa, dias em que troco de roupa mais do que o necessário só para sentir que o tempo passa. As horas passam bem mais devagar quando não se tem ninguém para falar. Coisas como tomar banho e pentear o cabelo são descartadas, eu quero ter-te aqui, nada mais importa. Eu quero ir embora, apenas isso; e já passaram semanas desde a última vez que pude respirar fundo e rir livremente sem a imagem do teu sorriso na parte mais funda da minha mente. Todos os aparelhos que tenho dizem-me horas diferentes e eu pergunto-me há quanto tempo estou neste semi estado de ser, neste quase respirar profundamente mas nunca o conseguir porque o peito dói, bem na zona do coração, e é físico. Então respiro de forma suave, superficial, lutando por ar rarefeito quando o meu corpo se resigna que o oxigénio não me fará bem algum. Respirar para quê? Eu quero conseguir viver. Tenho passado horas a encarar o teto do quarto, tenho acordado sobressaltada, de lençóis molhados por um suor sem razão e eu não lembro mas tenho acordado tão cansada que a maioria das vezes apenas volto a dormir mesmo empapada em suor. As horas passam bem mais depressa quando tenho os olhos fechados e uma garrafa ao lado da cama. Tem dias que não levanto, tem dias que abro a janela, mudo de roupa, de lençóis, de tudo e tem dias que apenas estou ali, num ato entre levantar, viver ou permanecer enterrada entre cobertas quentes de mais para o calor que faz. E está frio mesmo no verão porque eu não sei mais o que fazer, está frio pelo simples facto de eu não conseguir colocar uma pedra sobre certas coisas, ou esquecer, ou superar. Nada.
Tem dias em que não saio da cama, tem dias em que a “cama”, áspera e quente e perigosamente confortável, não sai de mim. E eu, ainda, não sei qual o pior.
As folhas caem, os dias viram noite e meus passos continuam lentos e sem rumo pelas ruas da vida, mostrando a cada instante que tudo a minha volta é surreal sem você. Mas um dia eu ainda te encontro.
Um jovem escritor.
Minha vida é como uma imensa praia de muito areal e pouca maré. Preciso de água: as dislexias em semântica, passarinhos a miar nas sentinelas dos caranguejos, sóis a formar plebe em nome da lua. Dispo-me. Não tenho vergonha de me expor. Salve Drummond que compreendeu toda precisão do mundo: pessoas, cafés, livrarias. As notas estrugem como vulcões: música, versos, pelicanos e outras delicadezas tímidas do dia. Há em mim enxaquecas dos byronianos, a vontade de encontrar o que perdi (despretensiosamente), fichas de carrossel. E essa manhã que ainda não raiou... Volta?
Enfrento muitos problemas, passo muitas lutas, luto por mim e por outros, mas o que mais sofro é a ausência e afastamento de gente que amo... Saudade é um sentimento que me esmaga.
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