Poemas de quem Deu um Fora
Que esse novo ano que bate à porta possa fazer brotar este novo que está guardado em nós; que possamos deixar para trás as cargas negativas e os sentimentos que não são dignos de nos acompanharem. Que haja mais sonhos, mais realizações, mais vontade de ser feliz e muita coragem para lutar por isso. Que não desistamos dos nossos ideais e que aumentemos a nossa fé porque ela é capaz de tornar real aquilo que nossos olhos julgam impossível!
Que cultivemos mais amor no coração dos que amamos e que saibamos que nada é mais importante do que companhias sinceras e sentimentos verdadeiros!
Muita luz e paz de Deus e que as bênçãos d'Ele sejam infinitas e constantes em sua vida!
Tem dias que parece que o mundo quer passar por cima de você, dias onde você não consegue mais erguer a cabeça e usa todas as forças para não baixá-la e fica ali sustentando esse peso sobre seus ombros, o peso de não poder se render.
Nestes dias o melhor a se fazer é respirar fundo e meticulosamente responder aos fatos sem perder a postura. Não é uma questão de vaidade, mas de estabilidade. Se você se abater, todos à sua volta também sentirão, em partes, o que você está sentindo.
Aqueles dias separaram o joio do seu trigo, ensinaram a ser forte sem ser falso, foram um divisor de águas, então sempre que passar por dias assim agradeça por não ter ficado ali, por agora ser mais forte e substancial que antes. Agradeça pelos bônus depois do ônus.
Obrigado Deus por todos aqueles dias!
Se ame!
Não estou falando de autoestima, nem de se achar melhor que os outros.
Estou falando sobre se conhecer, entender seus limites, sim, você tem limites, você sabe que tem e não os ignore, reconhecer suas falhas e tentar melhorar, reconhecer também suas qualidades e no que você é bom, saber quem você é, ser um ser completo.
Quando digo "se ame" também estou dizendo se cuide, cuide da sua saúde, da sua estética e da sua psique e então quem sabe depois dessa jornada você entenda que se amando estará pronto para amar, cuidar, entender e reconhecer alguém.
Como queres ser amado sem nem ao menos se amar!
O menino que não tinha borracha
Ele molhou o dedo na língua e tentou apagar o escrito esfregando o dedo como se fosse uma borracha, mas, infelizmente, não conseguiu apagar e, pior que isso, acabou furando o papel.
A professora, que tinha assistido aquela cena, falou:
_Vou dar um presente pra quem me trouxer uma folha furada.
_Que sorte! _ gritou o menino. E levou sua folha pra professora ver.
_Você ganhou! Disse a professora.
E adivinha qual era o prêmio? ...Uma borracha.
Até hoje não se apaga de sua lembrança aquela borracha e seu maior presente: a professora.
EU-JORGAL
Ó trovador que abre seu lábio antigo,
Diga a musa que ouve doce as cantigas de amigo:
Assim como tu sabes que mente para si,
És tola e eu tolo, mesmo sem a tua harpa,
Minha harpa é tua harpa, pois é para ti.
Chego até querer ir a tua corte com lira de maldizer,
Porem tua íris céu, cabelo ouro e branca rosada,
Expulsa de mim a sátira grosseira a cavalgada
Feito Segrel e seu cavalo perdido em toada .
Desde as melodias da antiguidade
Os trovadores sopravam realidades.
E tu dama a mim desfere lira de escarnio
Enquanto minha harpa compõe amor em grande ensaio.
Não te prendes a atenção, a mentira que se tornou verdade,
Silêncios absolutos que deram ao som contos de sua realidade?
Caos em perfeita desordem, que te trouxe essa paz turbulenta,
Ou o equilíbrio que tanto buscava, que, por tão forte segurar, hoje te desalenta?
O contraste engraçado de que tudo tem um lado desagradável.
Não te encantas tudo isso que te deixa vulnerável, ser o que te faz de tão amável?
"Figurado contato"
Escrevi, até sair de mim,
medo humano,
De não existir
A cada retalho meu mundo,
Se tornara real.
Meu bem respira,
Tua coragem nasceu
do medo "banal".
Mas nessa [v]ida
Eu já me perdi.
Curiosa vontade,
Me trouxe aqui.
Distraído à toco
Sem ao menos me ver,
Figura eterna, adormece,
Ai dentro,
Dentro do ser.
Busco ser atemporal
Em ciclos onde se medem
A vida com ponteiros
E calendários construídos
pelo próprio ser humano
Que inventou o tempo para
Medir sua própria finitude.
Sou eterna em cada dia
Que rompo o anoitecer.
garoto do olhar profundo
por que me olhava assim?
começou com troca de olhares por instantes
você sempre passava por mim e
olhava no fundo dos meus olhos
por que me olhava assim?
de uma coisa eu sei
você teve interesse… mas eu
não tinha certeza sobre o que eu sentia.
O TEMPO
O algoz e o herói
Nos prende até nos preencher do necessário
Ou talvez nos comprime até nos esvaziar
Para assim estreitos, sermos a própria chave que adentrará a fechadura
Deixando para trás a prisão
Na liberdade, agora sem porta, paredes, fechaduras...
Sem barreiras
Sendo o Nada e o Tudo
(C.F.S)
Dinheiro, o ópio do povo
Divide casais, amores e lares.
Na guerra se ganha mais dinheiro do que o incalculável tempo de vida do soldado.
O acaso vem trazendo amigos comprados e serviços duvidosos.
Será que a riqueza é vida para sempre ?
O melhor motivo - Soneto
Cores entrelaçam minha aquarela,
em traços vivos, dou vida ao meu imaginar,
vejo chuva batendo em alguma janela,
água, que o vento não pode secar,
e vivo, vivo de um inverno a outro inverno,
aquecendo-me na estação sonhar,
meu silêncio, não será eterno,
na garganta um nó carrego, para o tempo desatar,
e sigo, vivo minha infinita tempestade,
e em cada segundo que vivo,
sei que és o meu melhor e único motivo.
Contudo, ó insensibilidade,
somos partes de algo escondido.
Somos e vivemos à sombra, de um tempo perdido.
Soneto ao Amor
Amo assim amar, calado.
Amo perto, distante, ao luar.
Intenso, inculpado,
amo assim, amo assim amar.
Inteiro, amo em pedaços,
amo, até queimar.
No calor, oculto meus passos,
aluado, fujo, céu e mar.
Amo o que faço por amor.
Amo não expor,
mas amo o vento, amor soprar.
Amo, com ou sem nenhum pudor,
tímido, amador.
Amo assim amar.
Encanto teus - Soneto
Encantos teus, minha alma sem demora,
busca-os nos poucos momentos de lembrança,
nas doces memórias dos verões de outrora,
que por eles, cantou minha alma, um cântico de esperança.
Invadiram o meu vazio, a minha solidão,
fizeram-me de amor por ti, transbordar,
sentir a leveza da tua grandeza, o prazer da tua imensidão.
Ó amada, que minha alma dos teus encantos, não venha se afastar,
pois são para mim, como jóias raras e bem guardadas,
beleza indiscutível, impossível de ser ignorada,
essências perfumadas, aguçando o meu sonhar,
florescendo nos campos da saudade,
brotam como desejos, dos tempos de felicidade.
Encantos teus, perfeitos, deixam-me fora do ar.
Vivo com respeito ao tempo
que ritmado dança o momento,
ao corpo que explana
as atitudes pelos poros a um olhar,
aos valores que se aliam
às jornadas idealizadas desde sempre aladas.
não enterrarei as minhas mãos
não enterrarei
as minhas mãos
por não caberem
na terra dos outros.
(Pedro Rodrigues de Menezes, "não enterrarei as minhas mãos")
malmequer negro
percorro pulsante o corredor
de pés mudos como muros
ergo o intransponível crânio
nascendo e dormindo prescrito
adio a translúcida sibilância
malmequer fulgente e negro
que levo ao peito como um sabre
recito pelo adejar rítmico dos lábios
salmos rituais ossos barro pó
fulgurante translação das veias
arde-me o míope sangue vertical
escorrendo pelo lantânio e lutécio
hei-de criar pedra sobre pedra
farei da luz dois vítreos ciclopes
pousarei nos pilares de hércules
a incorpórea maldição dos deuses
e levitando andarão as testas
dos homens e deuses
dos deuses homens
sit tibi terra levis[1]
requievit in pace.[2]
[1] que a terra te seja leve
[2] descansa em paz
(Pedro Rodrigues de Menezes, "malmequer negro")
O fantasma de Ani ( nas ruínas de 1001 igrejas).
De longe eu vejo as ruínas
Se eu pudesse ver mais
Eu veria as mil e uma igrejas
Oh Ani! Tu foste grande!
Seda, reis e riquezas tiveste
Se eu pudesse saber mais
Basalto em vermelho e amarelo
Oh Ani! Tu foste tão linda!
Oh Ani!
O quê resta-me de ti?
Oh Ani!
Apenas teu perfume!
Oh Ani!
O quê resta-me de ti?
Oh Ani!
Apenas teu perfume!
De longe eu vejo as ruínas
Se eu pudesse ver mais
Eu veria a sua decadência
Oh Ani! Tu foste destruída!
Morte, invasores e terremotos
Se eu pudesse viver mais
Eu veria seus restos mortais
Oh Ani! Tu és um fantasma!
Oh Ani!
O quê resta-me de ti?
Oh Ani!
Apenas teu perfume!
Oh Ani!
O quê resta-me de ti?
Oh Ani!
Apenas teu perfume!
"Insana "
Eu sou a fúria que arranca a pele
A sede que queima
Rasgando a garganta
A dor fervente , abrindo a ferida
Eu sou inevitável
Aos corações quebrados
Eu me parto a pele sangrenta
Eu esfolo
A dor corroída insípida
Cuspida , escarnecida
Aos cacos de vidro
Mastigados engolidos
A fome negra , a fúria intermitente
A tempestade regida
A chuva de mim
Que sai pra fora
De que não ver a hora
De derramar espinhos
Em te , desapareça
Desapareça
De mim
TRANSLUCIDEZ
Era uma rosa amarela,
Translúcida
Mas não lúcida
Era trans versus lúcida
E de tão lúcida!
Que escolheu dentre todas
A cor que desejava ser.
E não podendo,
Preferiu morrer.
De sede, sem cor,
de amor.
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