Poemas de quem Deu um Fora

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Aonde estás que não te vejo? Aonde se esconde? Porque não aparece, e me abraça como deveria?
Eu confesso que te escondi tanto dentro dos meus porões existenciais, que já não consigo mais te ver.
Deve estar em um baú empoeirado, e abandonado, nas mais profundas mazelas da minha vida, com a fechadura emperrada e enferrujada, impossível de ser aberto. Então, ficará lá, guardado como o tesouro mais precioso, sem nunca mais ser descoberto nem mesmo por mim.

Olhei para o lado e vi o meu início,
O meu meio, o meu fim, meu porto seguro:
O esposo incrível com quem fiz meu futuro.
O susto do sonho foi só um aviso,
Para me devolver o meu melhor sorriso.
Percebi que o passado é poeira no chão,
E aquele rapaz só existe na imaginação.
Aquele amor antigo não foi desperdiçado,
Não ficou esquecido, nem foi arrancado;
Ele foi reciclado, lapidado na dor,
E hoje alimenta o meu maior amor.
Eu não perdi nada no tempo que correu,
Abençoo o caminho que me acolheu.
Eu vivi, eu sonhei, tenho o que mereço:
Pela minha história real, eu agradeço.

Se Davi tivesse dado ouvidos
às pessoas que diziam que ele não
seria capaz de vencer o gigante,
seria apenas mais um na multidão
de pessoas paralisadas pelo medo.
Não se importe com o que dizem
a respeito de você. A única pessoa
capaz de te parar é você mesmo.

O ǫᴜᴇ ᴀ ᴄᴀ̂ᴍᴇʀᴀ ɴᴀ̃ᴏ ᴠɪᴜ


Conheci alguém que parecia uma conversa que eu já vinha tendo comigo mesmo há anos, só que agora em voz alta e do outro lado da mesa.
Tínhamos tudo em comum: o mesmo humor nas horas erradas, as mesmas perguntas sem resposta, o mesmo silêncio confortável. Era como se alguém tivesse lido meu manual e decidido existir. Paixão, daquelas que não pedem licença. Quintana já dizia: "Amar é mudar a alma de casa." E foi exatamente assim, sem mudança nenhuma de endereço, só a alma se sentindo em casa.
E não tenho uma foto sequer. Não tirei o celular do bolso nem por um segundo. Escolhi não perder tempo enquadrando o momento, porque enquadrar é se afastar dele. Preferi estar inteiro ali. Clarice Lispector, que escrevia sobre viver o instante em estado puro, entenderia: o que importa não é a imagem, é a sensação. A imagem ficou guardada onde nenhuma câmera alcança: no riso dela, na luz daquela noite, no jeito como o tempo parou de contar.
Rubem Alves defendia que o que é bonito a gente guarda no coração, não na gaveta. E Pessoa, à sua maneira, lembrava que somos aquilo que sentimos. Talvez seja isso que torna tudo mais raro. Uma foto se revê, mas um momento vivido de verdade a gente carrega. Não tenho o registro, tenho a lembrança, e ela é inteira.
No fim, Saint-Exupéry resumiu melhor do que eu: "O essencial é invisível aos olhos."

Asas do Mesmo Pássaro


Esquerda e direita: asas do mesmo pássaro voraz, que voa alto sobre o rebanho adormecido. Elas batem em uníssono, fingindo oposição, enquanto o bico ceifa as liberdades que prometem defender. Os acéfalos, massa de manobra cega, agitam bandeiras opostas como se batalhassem por destinos distintos, mas servem ao mesmo voo predatório, manipulados por narrativas que os mantêm no chão, pisoteando uns aos outros em nome de ídolos vazios. Enquanto isso, desperta quem vê a gaiola: o multilateralismo, essa teia de tratados e cúpulas que escraviza nações soberanas a elites invisíveis. Esses visionários, que ousam questionar o consenso globalizado, são tachados de antidemocráticos, marginais, conspiracionistas. Silenciados por algoritmos, censurados em púlpitos digitais, exilados do debate público. O pássaro, incomodado, bica
os que ameaçam revelar suas penas sujas de ouro e poder. Mas o voo cessa quando as asas se rebelam contra o corpo e o rebanho, enfim, ergue os olhos para o céu.

– Não faz mal, eu vou matar ele.
– Que é isso menino, matares teu pai?
– Vou, sim. Eu já até que comecei. Matar não quer dizer a gente pegar o revólver de Buck Jones e fazer bum! Não é isso. A gente mata no coração. Vai deixando de querer bem. E um dia a pessoa morreu.

José Mauro de Vasconcelos
O meu pé de laranja lima. São Paulo: Melhoramentos, 2004.

Existem vários tipos de amores:
Amor bandido.
Amor gostoso.
Amor que amamos
Amor que assusta
Amor que se foi
Amor que não veio
Amor que se confia
Amor que trai
E o pior dos amores é aquele que não vivemos, não brigamos por ele, deixamos passar sem perceber que esse era o amor verdadeiro.
(Saul Beleza)

Pergunto pra vocês, conhece Saul?
Pergunto pra vocês, conhece Saul?
saul...dade de você,
Saul...dade eterna.
Hummmm...chalá.
(Saul Beleza)

Leva-me, agora, por favor, Deus,
Por caminhos de sonhos e aventuras,
Que eu quero viver, sentir e sonhar,
E nunca mais parar de voar.
(Saul Beleza)

Sei que você é uma mulher forte, e que o teu chão sumiu muitas vezes, sei também o quão é difícil.
Existe até o medo de amar e ficar dependente.
(Saul Beleza)

Assim é ela:
Hilária, divertida, moleca, alegre, maçã com limão, mãe, irmã, amiga, avó, tia, sogra, cunhada, brigona, original, Skol, chopp, quibe, chá, café, café, café sem açúcar, patrola, dorminhoca, fogosa, bandida, descarada, sincera, honesta, meia boca inteira, e eu fico maravilhado com ela.
(Saul Beleza)

A separação:

Ficaram as crianças/levei a recordação,
Ficaram as roupas/levei a pele,
Ficaram as almofadas/levei o cansaço,
Ficaram os lençóis/levei o sonho,
Ficaram as prateleiras/levei o bornal,
Ficaram as mesas/levei a fome,
Ficaram os fogões/levei a chama,
Ficaram os cômodos/levei o vazio,
Ficaram as plantas/levei a semente,
Ficaram os amores/levei a saudade,
Ficaram os dias/levei a alba,
Ficaram!/levei...
(Saul Beleza)

As palavras fluem, como águas do corrego Campo Alegre, que deságua no rio São Tomaz, e assim segue teu curso, puro, repleto de emoções, que transborda em versos, até chegar ao mar.

O poesia é um canal, o poeta um condutor de alma
Que transforma dor em beleza, e tristeza em canção
Um alquimista das expressões, que cria e recria o mundo ao seu redor, com a força do pensamento

A poesia é um dom, uma dádiva do céu,
um sussurro do divino, que ecoa nos ouvidos.
Um sopro à vida, um convite à paixão.
Um poeta é um amante, da alma, do amor e das tentações.
(Saul Beleza)

Nem imagina o estrondo que saudade faz
Ecoa no peito, sem parar
Eu aqui com meus madorno, sonhos repentinos
Vendo tua imagem, sem te encontrar

A distância é um abismo, que não se cruza
Só resta a memória, e a vontade de voltar
Mas por agora, só resta sonhar
Com o reencontro, e o abraço que vai durar.
(Saul Beleza)

Eu não acredito no que vejo,
Nem no que os olhos mostram, nem no que o mundo diz.
Eu creio no que me faz feliz,
E assim te aceito, distante, mas perto no meu riso.

Te aceito assim, longe, mas presente
Naquilo que me faz sorrir, no que me faz viver.
A distância é um espaço, mas o coração não tem fronteiras
E no que me faz feliz, você é o que eu quero ter.
(Saul Beleza)

Mesmo sendo discreto, tentei esconder
O amor que sentia, quis manter em segredo
Mas não consegui te amar secretamente
E agora o que resta é esse amor, tão exposto e verdadeiro.
(Saul Beleza)

Sustentei teus sonhos, fui cúmplice da tua paixão,
Criei raízes num amor que era só ilusão.
Mas não fui infeliz, não, não me arrependo.
Porque amar você, mesmo em vão, foi o que me fez viver, e ser.
(Saul Beleza)

Sou uma hospedaria de quartos vazios
Onde a saudade é a única hóspede
Enche o vazio com lembranças, suspiros
E o silêncio é o único som que ecoa

Os quartos, antes cheios de vida e amor
Agora são túmulos de sonhos e promessas
A espera é a única companhia
E a saudade, a única que nunca vai embora.
(Saul Beleza)

Não sei se te aceito ou se vou sofrer
Volta e vem me machucar, é o que você quer?
O coração dividido, dúvida cruel
Se abrir ou se fechar, qual é o papel?

Medo de sofrer, medo de amar
Mas o desejo de ter você é maior
Vai que é linda a dor de amar
Ou vai que é só mais uma forma de se perder.
(Saul Beleza)

O amor me ensinou a lição
que a felicidade é só uma estação.
Pensava que era só alegria.
Mas a verdade é outra, a dor também é dia.

Aprendi a suportar o que não vem no cardápio.
A espera, a saudade, o coração vazio,
amar de verdade é aprender a lidar
com as dores que o amor pode causar.
(Saul Beleza)