Poemas de quem Deu um Fora
Existem milhares de tradições religiosas e textos considerados sagrados ou espiritualmente importantes em diferentes culturas. Bíblia, Torá, Alcorão, Vedas, Upanishads, textos budistas, textos jainistas, Guru Granth Sahib e muitos outros.
Eles não pregam exatamente as mesmas coisas.
Existem algumas semelhanças éticas muito interessantes, como a valorização da compaixão, disciplina, generosidade, honestidade ou responsabilidade em várias tradições.
Mas também existem diferenças fundamentais sobre:
quem é Deus;
se existe um Deus;
quantos deuses existem;
o que é a alma;
se existe reencarnação;
o que acontece depois da morte;
como ocorre a salvação ou libertação;
qual é o propósito da existência.
Portanto, dizer que “todas as religiões ensinam exatamente a mesma coisa” seria tão simplificador quanto dizer que todas as músicas são iguais porque utilizam som.
Não são.
Elas apresentam convergências, mas também discordâncias profundas.
“Como Deus poderia condenar alguém por não seguir uma doutrina que essa pessoa nunca teve oportunidade de conhecer?”
Essa pergunta existe há séculos dentro da própria filosofia e teologia.
E mesmo dentro do cristianismo não existe uma única interpretação universal sobre isso.
Há cristãos que defendem que a salvação depende explicitamente da fé em Cristo.
Outros entendem que Deus julga cada pessoa considerando aquilo que ela recebeu, compreendeu e como respondeu à consciência e à verdade que teve acesso.
Existem ainda posições universalistas, segundo as quais a misericórdia divina pode alcançar todos de alguma maneira.
Portanto, até entre cristãos existem debates sérios sobre essa questão.
E isso é importante porque alguém dizer:
“Você vai para o inferno porque não frequenta minha igreja”
não transforma automaticamente essa afirmação em uma verdade universal. É uma interpretação teológica específica.
Diferença entre religião e comportamento moral.
Uma pessoa pode frequentar uma igreja todos os dias e continuar sendo cruel.
Pode conhecer centenas de versículos e tratar mal a própria família.
Pode falar sobre amor ao próximo e maltratar animais.
Pode levantar as mãos durante o culto e humilhar alguém na segunda-feira.
Pode falar sobre perdão e viver alimentando rancor.
E isso não é uma crítica exclusiva ao cristianismo. É um problema humano.
Porque pertencer a uma instituição não transforma automaticamente o caráter de ninguém.
Conhecer uma doutrina não significa incorporá-la.
Saber falar sobre bondade não torna alguém bondoso.
E frequentar um templo não impede ninguém de ser um péssimo ser humano quando sai dele.
Talvez por isso exista uma pergunta muito mais interessante do que:
“Qual religião você segue?”
Eu perguntaria:
“Como você trata aqueles que não podem lhe oferecer absolutamente nada em troca?”
Como você trata um animal indefeso?
Como trata alguém mais pobre?
Como trata alguém que discorda de você?
Como trata uma pessoa que não pode lhe beneficiar?
Como trata seu companheiro quando ninguém está olhando?
Como reage quando possui poder sobre alguém mais vulnerável?
Essas perguntas revelam muito mais sobre caráter do que uma fotografia dentro de um templo.
Deixar uma instituição religiosa não significa necessariamente abandonar Deus.
Uma pessoa pode abandonar uma comunidade porque se sentiu julgada, excluída ou ferida e continuar cultivando sua espiritualidade.
Da mesma forma, uma pessoa pode frequentar uma igreja e não possuir uma relação interior profunda com aquilo que professa.
A instituição e a fé não são necessariamente a mesma coisa.
Você pode acreditar em Deus sem querer pertencer a uma denominação.
Pode orar em casa.
Pode conversar com Deus enquanto está sozinha.
Pode ler a Bíblia sem transformar uma instituição em autoridade absoluta sobre sua consciência.
Pode inclusive discordar de determinadas interpretações religiosas e continuar considerando Jesus uma figura espiritualmente importante.
Isso existe.
E não é necessário fingir certeza onde você possui dúvida.
Religião é uma estrutura coletiva; fé pode ser uma experiência profundamente individual.
Uma pessoa pode precisar da comunidade para viver sua fé.
Outra pode encontrar Deus no silêncio.
Outra em uma igreja.
Outra lendo.
Outra contemplando a natureza.
Outra cuidando de animais.
Outra simplesmente conversando com Deus enquanto lava a louça.
Não existe um único formato psicológico de espiritualidade.
E talvez uma das maiores confusões humanas seja imaginar que, porque encontramos Deus de determinada maneira, todo mundo precisa encontrá-lo exatamente pelo mesmo caminho.
Se Deus realmente é criador de toda a humanidade, então ele conhece aquilo que nós conhecemos, inclusive o lugar onde nascemos, a família que tivemos, a cultura que recebemos, as oportunidades que tivemos e as limitações que carregamos.
Um Deus onisciente não precisaria descobrir isso através de uma ficha cadastral.
E talvez seja justamente por isso que você não precise viver aterrorizado pela ideia de que existe uma pequena burocracia celestial esperando para conferir se você frequentou o templo correto, na denominação correta, durante o número correto de domingos.
Existe uma coisa que considero muito mais valiosa do que possuir todas as respostas:
não permitir que ninguém pense por você.
Nem uma igreja.
Nem um líder religioso.
Nem um livro.
Nem uma tradição.
Você pode ouvir, estudar, questionar, comparar e depois decidir aquilo que sua consciência consegue sustentar.
Porque, se existe um Deus que realmente conhece cada ser humano, talvez Ele também conheça a diferença entre alguém que rejeita Deus e alguém que simplesmente se recusa a fingir que possui certezas que não possui.
E talvez a pergunta mais honesta que você possa levar consigo não seja “qual religião está certa?”, mas:
“Se Deus realmente conhece meu coração, o que Ele encontra quando olha para a pessoa que estou me tornando?”
Existe uma diferença gigantesca entre dizer:
“Para mim, frequentar a igreja é fundamental para minha relação com Deus.”
e dizer:
“Quem não frequenta igreja não tem Deus.”
Você pode pensar:
“Eu não quero frequentar uma igreja.”
Isso é uma escolha.
Outra pessoa pode pensar:
“Eu encontro minha espiritualidade justamente na comunidade da igreja.”
Também é uma escolha.
Você ter se afastado de uma igreja porque se sentiu julgado e excluído não significa que você tenha se afastado necessariamente de Deus.
Uma instituição religiosa pode decepcionar você.
Um líder religioso pode agir mal.
Uma comunidade pode ser hipócrita.
Uma pessoa pode usar a religião para controlar, humilhar ou excluir.
Nada disso prova que Deus não exista.
Da mesma forma, uma pessoa pode encontrar acolhimento, amizade e crescimento em uma comunidade religiosa. Isso também não prova automaticamente que aquela comunidade esteja certa em todas as suas doutrinas.
Deus e instituição religiosa não são sinônimos.
Se alguém diz:
“Vocês não têm Deus porque não vão à igreja”
você não precisa entrar numa guerra teológica.
Pode simplesmente pensar:
“Você não conhece minha relação com Deus o suficiente para fazer essa afirmação.”
Pronto.
Não precisa apresentar relatório espiritual, comprovante de oração, frequência celestial ou certificado de batismo atualizado.
Sua fé não precisa ser aprovada por ninguém.
Você pode questionar a religião.
Pode não gostar de igreja.
Pode não se identificar com nenhuma denominação.
Pode acreditar em Deus.
Pode ter dúvidas.
Pode mudar de opinião.
Pode ler a Bíblia e discordar de interpretações humanas.
Tudo isso pode fazer parte de uma busca espiritual honesta.
E talvez sua maior liberdade seja esta:
não precisar fingir uma fé institucional para convencer alguém de que você possui fé.
No final, se existe um Deus onisciente, ele não precisa que alguém faça uma inspeção religiosa na sua vida em nome dele.
Ele já saberia.
Quando a sogra constantemente repete e sufoca com:
“Vocês não querem saber de Deus.”
“Vocês estão no caminho errado.”
“Eu estou tentando salvar vocês.”
“Vocês precisam ir à igreja.”
Que sufocante...🥹
Vontade de dizer isso para a minha sogra, que constantemente acha que deve julgar a nossa fé, por não ir ao templo em que ela vai...
"Eu sei que a senhora fala isso porque acredita que está fazendo o melhor por nós, e respeito a sua fé. Mas preciso que a senhora também respeite a nossa. O fato de nós não frequentarmos uma igreja não significa que não acreditamos em Deus ou que não tenhamos nossa própria fé. Nossa relação com Deus é uma questão pessoal e não queremos ser pressionados ou julgados por isso. A senhora pode continuar vivendo sua fé da maneira que acredita ser correta, e nós vamos viver a nossa da maneira que faz sentido para nós. Não precisamos acreditar ou praticar tudo da mesma maneira para continuarmos nos respeitando e nos amando como família."
Me afastei de uma igreja depois de ter me sentido julgada e excluída. Então, esse tipo de cobrança que minha sogra faz constantemente toca numa ferida antiga.
E, ela nem entende os motivos...
“você está no caminho errado”, não é um convite. É uma repetição daquele mesmo julgamento que faziam antes!
Eu nem saio de casa com meu marido, estamos o tempo todo aqui...
Você não precisa convencer ninguém de que Deus está na sua vida.
Aliás, se você acredita em um Deus que conhece pensamentos, intenções e coração, seria até estranho precisar apresentar argumentos para uma terceira pessoa provar que sua fé existe.
Sua espiritualidade pode ser silenciosa.
Pode acontecer dentro da sua casa.
Pode aparecer numa oração.
Pode aparecer quando você agradece por estar viva.
Pode aparecer na maneira como trata seu marido.
Pode aparecer na maneira como cuida de um animal vulnerável.
Pode aparecer quando você escolhe não fazer mal a alguém mesmo tendo oportunidade.
Pode aparecer na maneira como você atravessa uma fase difícil sem abandonar completamente a esperança.
Uma igreja pode ser importante para algumas pessoas. Mas uma construção não é a única localização possível de Deus.
Sobre a insistência da minha sogra...
“Ela tem a fé dela. Eu tenho a minha. Ela não precisa entender completamente a minha para respeitá-la.”
Ainda preciso dizer isso para a minha sogra, tenho medo de parecer grosseria...
“Eu respeito sua fé. Peço que respeite a minha também.”
Devo dizer isso para a minha sogra...
“A senhora não precisa concordar com a maneira como vivemos nossa fé, mas não pode concluir que não temos Deus na nossa vida simplesmente porque não frequentamos sua igreja.”
Você não precisa decidir se a igreja deles, é boa ou ruim para decidir que não quer fazer parte dela.
Pode haver pessoas maravilhosas ali.
Pode haver pessoas hipócritas.
Pode haver ensinamentos com os quais você concorda.
Pode haver outros dos quais você discorda.
Pode haver acolhimento para algumas pessoas e experiências ruins para outras.
Tudo isso pode coexistir.
Você pode simplesmente dizer:
“Esse não é o lugar onde quero viver minha espiritualidade.”
E isso é suficiente.
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