Poemas de Passarinho
Sou feito passarinho
Ainda que com o coração
magoado ,
triste ,
vazio e
sozinho ...
Insisto sim no amor!
Ando voando até um dia
quem sabe pousar
num ninho onde ...
Eu me sinta
segura
livre
leve e
com as asas bem
pairadas para sinceros
laços de amor e
de carinho.
MEU AMOR
é um passarinho menino
quieto
calado
matuto
acabrunhado ...
Solitário por ter sido
num canto esquecido.
De dia ele voa por entre medos.
De noite ela pousa por entre desejos .
Quer amar !
Voar
por ai sem destino .
Só não tem um ninho
de carinho por onde
seguro
suas asas de menino
possa repousar.
Então prefere silenciar
e se acarinhar !
Quer que um passarinho cante na sua porta?
Plante uma árvore!
Que ele te agradecerá em louvor e liberdade!
Eu gostaria de ser um ninho, se tu fosses um passarinho
Eu gostaria de ser um lenço, se tu fosses um pescoço e estivesses com frio
Se tu fosses música, eu seria uma orelha
Se tu fosses água, eu seria um copo
Se tu fosses a luz, eu seria um olho
Se tu fosses um pé, eu seria uma meia
Se tu fosses o mar, eu seria uma praia
E se tu ainda fosses o mar,
eu seria um peixe e nadaria em ti
E se tu fosses o mar, eu seria sal
E se eu fosse sal,
tu serias alface,
um abacate ou, pelo menos, um ovo frito
E se tu fosses um ovo frito,
eu seria um pedaço de pão
E se eu fosse um pedaço de pão,
tu serias manteiga ou geleia
Se tu fosses geleia,
eu seria o pêssego na geleia
Se eu fosse um pêssego,
tu serias uma árvore
E se tu fosses uma árvore,
eu seria tua seiva
e correria em teus braços
como sangue
E se eu fosse sangue,
viveria em teu coração.
Ei passarinho
Já não te ouço
Faz um tempinho
Se em outra árvore
Fez seu ninho
Sei que não cantas
Mais sozinho
Assumida autora...
Sonhadora dos alvorares
Aspirante a passarinho voejador
Que pousam nos pessegueiros e tantos pomares.
Bichos de penas favorecidos com seus plumares e cantares em plumados de amor.
Quando gritou Cabral: "Terra a vista!",
Era um passarinho inocente.
Quando exclamou Dom Pedro: "Independência ou Morte!",
Era a coroa de louro do novo continente,
Nosso Brasil.
Quebraram-se as correntes,
Rugiu a onça, latiu o guará,
"Vós sois aquele varão", escreveu o padre sonhador,
Para aquele que versará,
Nosso Brasil
"Ela! minha estrela, viva e bela",
Sussurrou a doce voz.
Grandes eram seus sonhos,
Gigantes os seus caminhos,
Nosso Brasil.
Entretanto, pequenas suas vontades,
Minúsculos seus passos,
Tombou na preguiçosa tentação,
Anhanguera que lhe amarra os pés,
Nosso Brasil.
País que sobrevive à glória do passado,
Vive o resplendor do futuro!
Levanta a cabeça, Dona Majestosa,
Dança e canta:
No céu és a águia cinzenta,
No mar és o boto rosa,
E na terra, serpente amedrontadora!
O caminho do nosso Brasil
Terra do samba e do pandeiro,
Do chorinho e frevo,
Trevo de quatro folhas,
Nosso Brasil.
Terra do preto e branco,
Verde e amarelo,
Índio e europeu,
Africano e asiático,
Terra do brasileiro,
Nosso Brasil.
Continente formoso,
Vento que leva a folha do Ipê,
Onda que move o Velho Chico,
Nuvem que azul faz o céu da Cidade Maravilhosa.
Cristo nos abraça,
Brasil brasileirinho,
Nosso Brasil!
Voa, minha poesia
Passarinho do sertão
Leva o sopro da palavra
Nas asas do coração
Cruza rios, corta o vento
Faz do verso o firmamento
Da minha inspiração
Dois sóis
Amanheceu um lindo dia!
Passarinho verde me contou,
que o meu amor chegou.
Sorrindo, corri ao seu encontro.
Um abraço envolvente,
nos beijamos docemente.
Ele é o meu jardim,
que com carinho cultivo.
Dele eu sou a flor que
perfuma
e acaricia.
Somos dois sóis,
por onde passamos,
o nosso amor à
todos ilumina.
Nosso amor puro,
à todos inebria.
Somos dois sóis,
sublime harmonia.
QUERIA!
Queria ser um passarinho
Para pode voar
Sair as vezes do meu ninho
E ir para outro lugar
Respirar um ar puro
Me sentir tão seguro
Sem poder me segurar
Queria ser um passarinho
Para viver em dimensão
Ir no além do Horizonte
Conhecer o mundão
Sentir o puro ar
Como plumas flutuar
Em uma certa direção...
O passarinho volta para o ninho sem sinalização;
há sentir nisso.
a borboleta é tão linda e talvez nem saiba disso.
a vida é sentimento, senão não tem sentido.
Voou.
Diante da imensa vontade
em lhe ver.
Me fiz passarinho,
voei até você.
Cantei em sua janela
Até você aparecer.
Passarinho que voa
sem lembrança do anterior,
sem rosto, sem voz,
sem saber de onde veio.
Ainda assim, voa.
Seu único vestígio:
O tempo é a tardança
daquilo que se espera.
Pobre criança das noites fundas,
que pensa e pensa,
e sofre por pensar.
Talvez o anterior
nem esteja mais aqui.
Talvez, para ti,
nunca tenha estado.
Então voa,
como sempre voaste,
mesmo sem ter quem te ensinasse.
Pobre criança,
não te deram o pai,
mas te deram o céu.
Gosto de ser livre e solta,
como passarinho num voo,
mas sempre levo sob as asas
meus versos, entrelinhas
onde há um canto,
um "quê" de mistério,
é ali que em sentimentos
me doo...
VIDA DE PASSARINHO
Pobre do homem que leva uma vida de passarinho. Apenas preocupado com seu deitar e com seu levantar, com seu cansaço e com seu descanso, que vive preocupado em produzir ou caçar como um animal, seu alimento diário, mas que nesta rotina enfadonha e neste trabalho de Sísifo, encontra algum sentido para continuar vivendo.
Que deidade perversa, como Hades, que libertou o homem para voltar a viver em busca da felicidade, representada pela mulher amada, ou como Zeus, que o puniu por enganar a morte mais uma vez, teria submetido o homem comum a tal sofrimento e vida inútil?
Os poetas, contudo, para fugir desta vida vã e deste trabalho de Sísifo, forjaram do nada a possibilidade da vida útil e criativa, inventaram a ilusão e a beleza do abstrato, o prazer eterno nos braços da musa, e a ideia de imortalidade, para no final da vida breve invejar os passarinhos, que não sonham com recompensas metafisicas nem têm delírios de eternidades.
Evan do Carmo
Por amor à beleza
se prende um passarinho e cortam as pontas de suas asas.
Se arrancam as flores que crescem livremente
para decorar o ambiente —
e assim que murcham, são dispensáveis.
Por amor à beleza
aprisionam a alma livre
que agora sofre por não ter mais a liberdade.
Por amor à beleza
encobrem o natural com camadas artificiais.
Destroem em dias
o que a natureza levou décadas para gerar.
Por amor à beleza
a gente se destrói,
dando origem ao que não existe.
Ao que não é real.
Por arrogância.
Por necessidade de nos enganar.
E assim aplaudimos
a ilusão que construímos
a partir da beleza que destruímos.
Deformação
Marcio Melo
