Poemas de Partida
Hoje pelo caminho
Os trilhos me pareciam tristes!
Já não se via neles o mesmo brilho dourado de sempre.
Os seus caminhos eram tortos, tortuosos, sem graça.
Hoje a noite, a chuva veio:
-Caiu devagar sobre as ruas da cidade.
-Não se via nela a costumeira beleza de outrora.
O frio que trouxe consigo era de amargar:
de fazer tremer todo o corpo,
de fazer trincar os dentes,
de fazer arder a pele.
Tanto frio...Tanta chuva...Tanta dor...Tanto silêncio.
Onde estará esse trem?
Ele nunca se atrasa!
Terá ele se escondido do frio e da chuva...
Terá ele se perdido no caminho em meio a retas e curvas...
Será que embruteceu em meio aos carros e ruas,
enlouqueceu na selva de pedras enquanto tentava voltar para casa?
Terá ele brigado com os trilhos,
desencantado da lua,
padecido só e abandonado em uma cova rasa na vida?
Onde está o trem que me leva?
O brilho dourado que euforiza-me?
(Trilhos e Trem) -
Por onde vocês andaram?
Estive a espera de vocês por dias a fio,
estive a espera de vocês por horas.
Toda vez que alguém vai embora, alguém fica ferido.
Ferido por saber que a melodia por mais linda que foi tocada, agora só será entoada nas mais profundas memórias.
Memórias daqueles que esperam por um dia poder revelar em um paraíso incerto.
Eu não sei o que tem lá do outro lado e por que temos que ir embora, mas penso que é por algo bom e por motivos maiores aos quais temos aqui.
Porque lá é nosso final ou assim esperamos que seja.
Ao som daquele velho piano deixamos as lágrimas rolarem de dentro do peito, gota à gota rolam em nosso rosto esvaziando todo o sentimento dentro de nós.
As preces daquelas senhoras, pedindo para o senhor guardar essa alma e confortar os corações que aqui ficaram, vão sendo levadas com o vento frio de uma tarde dolorida.
Talvez pareça não ter sentido a hora de ir embora, mas o momento de partir chega para todos.
Por mais difícil que seja enfrentar a quebra de um coração de quem fica, isso é necessário na hora de ir embora.
Garoa no Mar garoa.
Garoa para a chuva molhar.
O vento que sopra a proa em frente ne lança ao mar.
O guia deste barco voa
Pois do mar nada pode levar
Pegou o carro
Ascendeu um cigarro
E uma bebida foi comprar
Mais a vida que se segue escoa pelas mãos que um dia saldaram o mar.
Chama da paixão
Teus olhos iluminam meu dia...
Tua chegada acende a paixão!
Tua presença sacia minha sede...
Tua partida arde em chamas meu coração!
Às vezes algo dará errado,
E com o passar do tempo
Você verá que esse erro
Era a coisa mais certa que
Podia ter acontecido.
PARADEIRO DOS OLHARES
Na ausência de quem meu coração guarda carinhosamente,
Os dias vão passando de maneira desapressada e triste,
A Angústia é o pulsar de um corpo que ainda resiste.
Saudade é uma constância no tempo e o tempo é tão duro.
Um falta obstinada e a incerteza do Futuro.
A Chegada é calmaria, é também inquietação de felicidade,
O agora, e você é presente.
A Partida é aflição, invade uma pressa em um tempo de espera, acompanhada de solidão.
É como morrer e viver mil vezes, Esperar e contar, a urgência de ter e se perder.
Na Ausência a gente pode se encontrar,
A Lua é o paradeiro de Olhares Perdidos cheios de Saudade e o meu estará lá.
QUAL A IMPORTÂNCIA?
Se tiver que sair, que saia
Mas deixe aqui sua lembrança
Não volte sem vontade, nem caia
Terás sempre meu afeto e confiança
Se tiver que sonhar, que sonhe
Mas nunca fuja da tua realidade
Não fique triste, nem se envergonhe
Melhor sofrer por ter amado de verdade
Sublime é chorar por sentir amor
Mas, bom mesmo é estar presente
Longe demais, só aumenta a dor
Um dia tu voltas novamente
Talvez,ou seja como for
Te aguardarei eternamente
Eu corro
Eu corro.
Eu grito.
Eu choro.
Eu lamento.
Eu sinto.
Eu desespero.
Eu fujo.
Eu corro da solidão;
Eu grito por um mundo melhor;
Eu choro pela falta de amor;
Eu lamento por falta de sentimentos;
Eu sinto a dor da partida;
Eu fujo pro mar, onde posso amar, somente amar por onde as ondas me levar.
Um "trem" chamado amor...
(Nilo Ribeiro)
Hoje eu divaguei,
sua imagem, vislumbrei,
a vida, reverberei,
no trem do amor, viajei
o amor é um trem,
difícil de explicar,
quando o danado vem
o coração quer se embarcar
na estação da vida,
o amor faz a parada,
alguns, sofrem na partida,
outros, alegram na chegada
este "trem" carrega emoção,
transporta a felicidade,
vai lotado de paixão,
volta cheio de saudade
é o trem chamado amor,
que não pode descarrilar,
pois machuca, causa dor
não tem como consertar
seu balançar costumeiro,
faz plec, plec, nos trilhos,
meu coração passageiro
faz tum, tum pelo teu brilho
este trem me leva,
este amor me apossa,
não preciso de reserva,
preciso da tua resposta
é danado este "trem",
é especial sua estação,
tão feliz ele vem
e estaciona no coração
um amor que não tem local,
qualquer cidade é ideal,
pode ser Natal,
quem sabe Blumenau
é um trem bão dimais
amar com toda paixão,
é reencontrar com a paz
que foi perdida na solidão
hoje eu divaguei,
sua imagem, idealizei,
nosso amor, sublimei
enfim, viajei,
por isto poetizei...
Foi uma triste despedida,
Silenciosa, quase despercebida.
Sem abraços, nem promessas...
Somente um olhar desesperado,
De um coração assustado
Rumo a uma saudade desconhecida.
Foi a mais triste despedida
Daquelas de quem a esperança foge
Certa que não haverão reencontros
Que acalentem a dor da partida.
ANTES DE VOCÊ CHEGAR
Antes de você chegar
A vida era sem graça
Presa estava na monotonia
Esquecendo-me de que a vida passa
Me mostrou o que é amor
Sentir sem explicação
Conseguiu tocar-me fundo
Sem utilizar as mãos
Soube bem como chegar
Mas não soube como ir
Numa despedida fez-me esquecer
O que é sorrir
Antes de você chegar
Pensava entender a vida
Depois que você partiu
Vi que fui só mais uma iludida
DEGUSTE
Me tome pelo braço
Me enlace em seu abraço
Me envolva com seu corpo
Me tire a solidão
Diz que eu te satisfaço
Quando eu me desfaço
Do ego, dos credos
Do querer ter razão
Vivo de melodia
As vezes de agonia
A cada dia a dia
Arrisco uma febre de malta
Meu cão tão pequenino
Meus devaneios vive ouvindo
E não se cansa
Quando vou, ainda sente minha falta
Queria eu esquecer
Antes de quase enlouquecer
Jogada, amargurada
Embriagada em meio a rua
Pra você é muito fácil
Já que sou eu quem despedaço
Como uma velha rosa
Sentindo a falta sua
Então quando vier
Por favor não tenha pressa
Me entenda se puder e
Não se importe com o quanto custe
Se esqueça de partir
Me faz de novo sorrir
Já não quero mais que coma
Eu quero que me deguste
Ainda estou dormindo, mas consigo te escutar, ouço murmúrios, ouço... choro! Sua voz me chama, eu lhe respondo, mas não me escuta, não me vê...
tento te acalmar...
Por favor, me acorde, me dê suas mãos, me socorre! Estou ficando com medo... Por favor, tire meus sapatos, deixe-me sentir seus cuidados... Estou com frio... Acho que estou sonhando, deixe-me adormecer, acordarei desse pesadelo e estarei aí novamente. Adormece também, vai, encosta sua cabeça sobre meus ombros, para quando acordarmos rirmos juntos.
Carla Fernandes
O ato de partir
Quando eu partir,
não adianta acenar,
não adianta chorar,
não adianta sorrir.
É partida definitiva
destas que são de uma vez por todas.
sem voltas, sem retornos,
uma passagem só de ida.
Quando eu partir (e, sim, eu partirei),
não seja maledicente,
nem bajulador,
muito menos inconsequente.
Porque toda partida é violenta.
como o fogo que consome a mata,
como a força impetuosa do vento,
como a necessidade da verdade num argumento.
Uma despedida difícil
É amar e ver que não pode ser.
Como a árvore que não cresce
No solo que não a nutre.
Ficar seria esperar pelo impossível,
Tolerar a ferida que não sara,
Aceitar o pouco, perder-se
Na tentativa de não perder o outro.
A natureza não espera,
Não hesita, não sofre.
O rio corre sempre para o mar,
Mesmo que deixe a montanha para trás.
Sabemos que deixar ir dói,
Mas é o caminho para a cura.
Às vezes, partir é amar,
Não por falta de amor ao outro,
Mas por amor a nós mesmos.
Com a simplicidade do vento
Que sopra sem mágoa,
Partimos, porque tudo é como deve ser,
E no amor-próprio encontramos a paz.
Amor atípico e eufórico
Você chegou como quem não quer nada, me fazendo acreditar que do pouco podemos criar um mundo todo, é eu entendo, juro que entendo, você foi o motivo para eu tentar novamente, tentar acreditar que talvez aquilo que muitos chamam de amor, não fosse apenas mais um delírio de momento, eu costumo dizer sempre que o amor é a solidão mais bela que existe, ele vem te faz compahia e quando menos se espera parte para um novo beijo, para uma nova boca. Entre meios desse texto, sinto um pouco da falta que o amor costumava ter por aqui, somos isubstituíveis até que ponto? Até um ponto melhor...
Somos feitos de memorias meu pai me dizia, quem sabe as minhas não sejam as enterradas no fundo de uma gaveta. Não sou o oceano, não sou as ondas, tampouco sou um mero navio, eu sou o que a de mais simples, sou alguém mais uma vez de passagem pelo cais, vendo um navio atracar e ao outro partir, me pergunto até quando vou ficar romantizando essa praia?
Neste mundo em frangalhos, onde o caos dança em cada esquina e a sombra da incerteza nos envolve, encontro em ti um farol de luz. Vivemos tempos de desespero, onde o ódio se infiltra nas palavras, e o egoísmo se enrosca em corações endurecidos. No entanto, é justamente neste cenário desolador que o amor precisa se erguer, majestoso e invencível, como um pássaro que renasce das cinzas.
Não falo do amor raso, aquele que se dissolve na primeira adversidade, mas do amor genuíno, profundo e imenso, que não teme se desdobrar em mil formas. Esse amor que cede, que perdoa, que sabe que o maior ato de amar pode ser deixar partir. Amar é mais que possuir; é compreender que, às vezes, a liberdade do outro é o maior presente que podemos oferecer.
O verdadeiro amor se manifesta no perdão que concede mesmo quando a ferida ainda lateja, na mão que se estende quando mais ninguém o faz, no sorriso que floresce no meio do deserto. E mais que isso, este amor se estende além de nós, abraçando o próximo com a mesma intensidade. Em um mundo tão terrível, precisamos cultivar a compaixão, a empatia, o cuidado com aqueles que sequer conhecemos.
Lembro-me de quando seguramos as mãos de estranhos, transformando medo em força, dor em esperança. É esse amor, vasto como o mar e forte como a rocha, que pode mudar o mundo. Amar o próximo não é apenas um dever, mas uma necessidade urgente. É o fio delicado que nos mantém unidos, a centelha que reacende a humanidade em tempos tão sombrios.
Que sejamos, então, faróis de amor genuíno, guiando-nos uns aos outros através da tormenta. Que nosso amor seja a ponte que nos salva, o bálsamo que cura, a força que renova. Porque, no fim das contas, é o amor que nos define e nos salva, que nos dá asas para voar e raízes para ficar.
Um dia sem dizer adeus você partiu e meu coração você feriu.
Por incontáveis vezes tentei te encontrar na esperança de você voltar!
Apesar de muito tempo se passar, meu coração nunca conseguiu sossegar!
Te amei desde a primeira vez em que te vi e ainda hoje te amo assim
Viagens, viagens e mais viagens... assim resume um pouco da história de dois colibris. Num encontro ao acaso, o destino bateu asas sem destino. Houve a partida, eu sei. Houve a chegada, bem sei. Eu destilava quando a brisa tocava o meu rosto. Eu bailava ao flutuar nas águas da cachoeira. Eu me sentia leve ao voar do seu lado. Eu, eu, eu... foi um eu em nós. Cada viagem era única. Cada viagem era vivida como nunca. Cada viagem eu voava sem medo. Cada viagem eu me entregava mais ainda para um voo livre. Cada viagem me fazia sentir o quão bom é viver um voo sem ter medo da queda. Cada viagem me presenteava com uma plumagem nova travestida de amor. Cada viagem eu renascia; ressurgia das cinzas como uma fênix: o pequeno e sonhador colibri. Certo tempo, o destino me fez uma surpresa, como ele sempre me fez. Minha fênix o qual eu perseguira insaciavelmente voou bem mais alto para bem longe. Eu não consegui avistá-la! Tentava com todas as minhas forças vê-la, mas já era impossível. Chorei. Ela se foi. Ela se foi e deixou a saudade como lembrança de um voo que me fez livre, mesmo estando com os pés presos às razões que me aprisiona. Ela me apresentou a liberdade ao voar, a sua vontade de viver sem medo.
Se um dia alguém te perguntar se você voou, se você amou; pequena colibri, não hesite em dizer com todas as suas forças: eu amei e fui amada!
