Poemas de Memória
Numa estrada
da memória
parei para comer
um Pastel
com Caldo de Cana
na mão do Beiradeiro,
Pois tive que seguir
adiante o dia inteiro
por este pedaço de chão
do meu "Brasil Brasileiro".
Noite estrelada e de Lua
nas Pequenas Antilhas,
paira a memória garifuna
e no seu coração sou tua.
Na embarcação do peito
Ronde é o endereço
que fica em Granada onde
eu me acho e me perco.
Por sutil enredo te coloquei
nos sonetários das Américas
para ser habitante do seu peito.
E assim em silêncio tu abres
as portas da tua fortaleza interior
para me receber com todo o amor.
Balança a cortina de renda
toda feita da memória
e do Algodão de uma história
nas Pequenas Antilhas.
Na bela Petit Tobago
onde a Maior ave-do-paraíso
foi levada para encontrar
abrigo é sem dúvida santuário.
Minha imaginação para lá
voa e navega contigo
porque no final somos o destino.
Do jeito que você me quer
é exatamente que preciso,
por dentro o caminho foi escolhido.
Sei de uns noivos que
não tiveram sorte na vida,
ali foi registrada
a memória numa ilha.
Na Ilha dos Noivos,
na tua companhia,
não serei surpreendida
e verei que o mundo gira.
Nenhuma superstição
nos pertence e só o quê
é de desígnio na imensidão.
Confio o nosso destino
ao Senhor do Universo
porque foi por Ele escrito.
Nas águas da memória os olhos
da mente leem ilha de Meiembipe,
Nas águas recentes é conhecida
por Ilha de Santa Catarina.
A história precisa ser contada
para que não seja apagada,
Vou deixando o Atlântico Sul
dando a direção até alcançar.
Com você e na vida eu sei onde
chegar sem precisar me exaltar,
nasci herdeira e conheço este mar.
As cartas e as regras sou eu
quem as dou e escrevo,
sei quem sou e o quê mereço.
memória revisitada no barco
de pesca artesanal nas ondas
em plena Ilha dos Negros
enquanto liberto os medos
de como será o futuro
na heróica Baía do Babitonga
que o tempo nem conta
de tudo o quê o mangue suporta
de tudo o quê coração
precisa para a bater
e a gente continuar a viver
nas mãos a rede está
para capturar no teu olhar
indelével o mar de amor inabalável
A tua memória tem agido
como buscando o ninho
na Ilha do Xavier haverá
de ser por mim e assim será.
Leio isso na dimensão
do meu Atlântico Sul,
pleno desta Pátria Austral,
num rito jamais visto igual.
Em ti a minha existência
habitante tem escrito
o seu secreto romance.
Espiando-me no buraco
da fechadura os teus olhos
meninos de amor têm inundado.
A algazarra das araras
na memória do nome do rio
nem mesmo o tempo
apagou como foi escrito.
Os tempos mudaram
e ainda insisto na recusa
pela última dança
nas correntezas do destino:
O quê falaram ou faltaram
está ali tudo o quê pode ser visto.
A ginga que levou continua
a mesma de barco de pesca
que dança no rio ou no mar,
Por isso vou por onde desemboca,
encontra e naquilo que toca
e a esperança ninguém sufoca
e tem a grandeza do Atlântico Sul:
(Carrego o quê há ora verde e ora azul
do Rio Araranguá do Extremo Sul).
A Cidade de Rodeio iluminada
pela Lua Quarto Crescente
que põe na memória os festejos
da ancestralidade e dos Santos
do mês de junho que celebra
a fé e os sabores do Brasil profundo
que ainda carrega no peito,
com a poesia e os pés na terra,
Assim sigo com os meus
sonhos que dizem que é coisa de poeta
com alma abraçada pela beleza
do infinito Médio Vale do Itajaí.
O Bem-te-vi de outrora
quase não se escuta mais,
na memória o canto
não foi esquecido jamais.
Rotas que não deveriam ser
apagadas devem ser
constatemente resgatadas,
e laços igualmente refeitos.
Em nome daquilo que nunca
deveria ter sido esquecido:
caminhos devem ser restabelecidos.
Lembrar de tudo aquilo que fez
resistir para chegar até aqui é
necessário para continuar a existir.
Glorificando
a memória
na História
cumprida
na trajetória,
Não nego
o ponto de partida
nem em poesia,
porque poesia
é bagagem,
não é bagunça,
e cada um leva a sua.
O céu de cinzas sobre
o Médio Vale do Itajaí
está guardado no caixa-forte
da memória por aqui
para que nunca mais
a história nesta se repita
em nenhum lugar na vida;
Agora o quê me interessa
mesmo são os poemas
azuis que vou te cobrir
todos os dias sob
os desígnios do céu austral
de maneira sem igual,
porque o meu peito
como o seu também canta
como as aves de Rodeio.
Fazem cobranças
morais sobre aquilo
que nunca fizeram,
A memória se torna
ofensa quando vem,
A tolerância não têm
nem para ouvir
o pouco que se fala,
A palavra irada é
escudo e espada
afiada durante a rotina,
E exigem que se torne
receptor passivo como
tudo não fosse nada
para tornar a anormalidade
costumeira normalizada,
Até a flor nativa é trocada.
(A colonização da individualidade)
As auroras são as danças
dos deuses no Hemisfério,
O Mogno-brasileiro vive
na memória e nos meus
Versos Intimistas que não
deixam de recordar a História,
Porque o amor que sinto
jamais na vida será passageiro,
Nem o fogo e nem o fumaceiro
foram capazes de desaparecer
cada detalhe sutil por inteiro.
O Aguano na ribeira
ficou na memória,
Era uma vez um rio,
que restou o calafrio
não é mais segredo,
Do futuro eu morro
de medo e como
sou poeta o meu
dever é remar em rios secos.
Na beira do Madeira
já estive quando
estava na vibrante cheia,
Agora para mim
é memória e conto
daqui de Rodeio a História.
A memória de um tempo
como Caipora correndo
veloz e solto na mata
para desatar os nós
que os homens criaram,
Dá para perceber
que não não aprenderam
nada e que não desejam
nem nunca aprender,
Para não perder o brio
sigo o curso indicado pelo rio.
Persiste o rastro deste amor sofrido,
A tua voz pairando na memória
Sempre me tranquiliza;
Mesmo no meio da noite surgida,
Ela vem me cobrir de todo o (frio).
A lembrança das horas é o destino
A reavivar o tempo que nos amamos;
A minha fé sempre me reanima,
A ternura redesenha o novo caminho.
O brilho trêmulo das estrelas sinalizam,
Para que tu nunca emudeças de mim,
Que ainda há o vestígios desse amor
Fulgurante, cálido e perfumado;
Como o aroma das rosas que plantamos,
Neste nosso canteiro cultivado por anos.
A intensidade deste beijo jerez,
A bondade que me conquistou,
A carícia que você me fez,
A tua loucura você me entregou.
O infinito sempre nos consola,
Somos artesãos da nossa vida,
Médicos especialistas para curar
Toda e qualquer indiferença;
Escolhemos nos (amar)...
Tece quem se entrega,
Cura todo aquele que ama,
O amor cura com o tempo,
Quem ama não engana,
E jamais se engana;
O amor é puro
Poema aberto a todo momento.
Tenho na memória guardada,
Não há mais como dizer,
Talvez esteja sepultada,
Em terra longínqua,
Hei de um dia te contar,
Fizeram a gente esquecer,
Não é possível sequer falar.
Este poema é impublicável,
Mas é inevitável...
Ele fala de sobrevida,
Ele fala da Morte,
E da vida além da Morte.
Abraçando a lembrança,
Não há mais esperança,
Ylang-ylang é o teu perfume no ar,
Serena musa, não sei onde estás,
Talvez um dia você vai voltar,
Talvez pobre de você,
Algum dia o destino irá mostrar.
Esse poema não presta,
Eu deveria atirá-lo no lixo,
Ele não deu a cara a tapa,
Filho de alma covarde,
É quase uma denúncia...
Os ares e ‘as flores de abril’,
Uma música de Chico Buarque,
A imagem da mulher esfumaçada,
Talvez esteja desfigurada,
Teve a imagem desaparecida,
E alma roubada,
Não quero falar sobre mais nada.
Pé-de-moleque
Nas ruas da memória
ainda ouço inexplicavelmente
as quituteiras gritando
o verso que batizou o nome
para o doce do Brasil de hoje,
Doce da ancestralidade
que lutou pela liberdade,
Quem ainda não experimentou
um Pé-de-moleque,
De qualquer jeito ele for feito
é uma delícia que a boca
adoça e o coração derrete,
Um doce também é poesia
sempre para quem se atreve.
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