Poemas de Mario Quintana sobre Maes
[...]
Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) —
Das ciências, das artes, da civilização moderna!
[...]
[Lisbon Revisited (1923)]
Canção final
Oh! se te amei, e quanto!
Mas não foi tanto assim.
Até os deuses claudicam
em nugas de aritmética.
Meço o passado com régua
de exagerar as distâncias.
Tudo tão triste, e o mais triste
é não ter tristeza alguma.
É não venerar os códigos
de acasalar e sofrer.
É viver tempo de sobra
sem que me sobre miragem.
Agora vou-me. Ou me vão?
Ou é vão ir ou não ir?
Oh! se te amei, e quanto,
quer dizer, nem tanto assim.
A QUE VEM DE LONGE
A minha amada veio de leve
A minha amada veio de longe
A minha amada veio em silêncio
Ninguém se iluda.
A minha amada veio da treva
Surgiu da noite qual dura estrela
Sempre que penso no seu martírio
Morro de espanto.
A minha amada veio impassível
Os pés luzindo de luz macia
Os alvos braços em cruz abertos
Alta e solene.
Ao ver-me posto, triste e vazio
Num passo rápido a mim chegou-se
E com singelo, doce ademane
Roçou-me os lábios.
Deixei-me preso ao seu rosto grave
Preso ao seu riso no entanto ausente
Inconsciente de que chorava
Sem dar-me conta.
Depois senti-lhe o tímido tato
Dos lentos dedos tocar-me o peito
E as unhas longas se me cravarem
Profundamente.
Aprisionado num só meneio
Ela cobriu-me de seus cabelos
E os duros lábios no meu pescoço
Pôs-se a sugar-me.
Muitas auroras transpareceram
Do meu crescente ficar exangue
Enquanto a amada suga-me o sangue
Que é a luz da vida.
Hei de seguir eternamente a estrada
Que há tanto tempo venho já seguindo
Sem me importar com a noite que vem vindo
Como uma pavorosa alma penada.
Sem fé na redenção, sem crença em nada
Fugitivo que a dor vem perseguindo
Busco eu também a paz onde, sorrindo
Será também minha alma uma alvorada.
Onde é ela? Talvez nem mesmo exista…
Ninguém sabe onde fica… Certo, dista
Muitas e muitas léguas de caminho…
Não importa. O que importa é ir em fora
Pela ilusão de procurar a aurora
Sofrendo a dor de caminhar sozinho.
O espelho reflecte certo;
não erra porque não pensa.
Pensar é essencialmente errar.
Errar é essencialmente estar cego e surdo.
– Se eu soubera, dizia Soares, que no fim de tão pouco tempo a senhora me faria beber fel e vinagre, não teria prosseguido em uma paixão que foi o meu castigo. Fernanda, muda e distraída, mirava-se de quando em quando em um psyché, corrigindo o penteado ou simplesmente admirando a esquivança desarrazoada de Fernando. Soares insistia no mesmo tom meio sentimental. Afinal, Fernanda respondia desabridamente, exprobrando-lhe o insulto que fazia à sinceridade dos seus protestos.
– Mas esses protestos, disse Soares, é que eu não ouço; é exatamente o que eu peço; jure que eu estou em erro e fico contente. Há uma hora que lho digo.
– Pois sim...
– O quê?
– Está em erro.
– Fernanda, juras-me isso?
– Juro, sim...
Soneto de Montevidéu
Não te rias de mim, que as minhas lágrimas
São água para as flores que plantaste
No meu ser infeliz, e isso lhe baste
Para querer-te sempre mais e mais.
Não te esqueças de mim, que desvendaste
A calma ao meu olhar ermo de paz
Nem te ausentes de mim quando se gaste
Em ti esse carinho em que te esvais.
Não me ocultes jamais teu rosto; dize-me
Sempre esse manso adeus de quem aguarda
Um novo manso adeus que nunca tarda
Ao amante dulcíssimo que fiz-me
À tua pura imagem, ó anjo da guarda
Que não dás tempo a que a distância cisme.
Não te rias de mim, que as minhas lágrimas
São água para as flores que plantaste
No meu ser infeliz, e isso lhe baste
Para querer-te sempre mais e mais.
Não te esqueças de mim, que desvendaste
A calma ao meu olhar ermo de paz
Nem te ausentes de mim quando se gaste
Em ti esse carinho em que te esvais.
Não me ocultes jamais teu rosto; dize-me
Sempre esse manso adeus de quem aguarda
Um novo manso adeus que nunca tarda
Ao amante dulcíssimo que fiz-me
À tua pura imagem, ó anjo da guarda
Que não dás tempo a que a distância cisme.
Ó madrugada, tardas tanto... Vem...
Vem, inutilmente,
Trazer-me outro dia igual a este, a ser seguido por outra noite igual a esta...
Vem trazer-me a alegria dessa esperança triste,
Porque sempre és alegre, e sempre trazes esperanças,
Segundo a velha literatura das sensações.
Vem, traz a esperança, vem, traz a esperança.
Se uma águia fende os ares e arrebata
esse que é forma pura e que é suspiro
de terrenas delícias combinadas;
e se essa forma pura, degradando-se,
mais perfeita se eleva, pois atinge
a tortura do embate, no arremate
de uma exaustão suavíssima, tributo
com que se paga o vôo mais cortante;
se, por amor de uma ave, ei-la recusa
o pasto natural aberto aos homens,
e pela via hermética e defesa
vai demandando o cândido alimento
que a alma faminta implora até o extremo;
se esses raptos terríveis se repetem
já nos campos e já pelas noturnas
portas de pérola dúbia das boates;
e se há no beijo estéril um soluço
esquivo e refolhado, cinza em núpcias,
e tudo é triste sob o céu flamante
(que o pecado cristão, ora jungido
ao mistério pagão, mais o alanceia),
baixemos nossos olhos ao desígnio
da natureza ambígua e reticente:
ela tece, dobrando-lhe o amargor,
outra forma de amar no acerbo amor.
Então já é de madrugada
onde é frio e ninguém fala nada
é a hora que eu penso fecho meus olhos e sinto o vento
tão escuro que eu quase não vejo nada
mas nem preciso pois de madrugada sou eu meus pensamentos e mais nada
a madrugada é so minha e vocês nunca vão saber de nada
Mães de Maio
Deus me concedeu a graça de ter duas:
uma à luz da vida me trouxe, mas
(que triste sina)
como nada é para sempre,
cedo a perdi
(para a outra vida)
A outra, coube a tarefa
de me acompanhar,
em meus primeiros passos
em minhas crises de aborrescência
quiçá minha loucuras...
Amei-as igualmente
Uma pela falta e pela memória
A outra pelo legado
que me deixou: sabedoria e
a placidez de viver...
No balanço do trem
Gente que vai
Gente que vem
... Sonhos da janela do trem
Crianças, mães, olhares anônimos
Viagem com destino certo
Sonhos sem destino
Entre passado e futuro
Amor bandido
Desabafo em lágrimas
Fogo da paixão
É hora!
No balanço do trem
Sonhos sem destino
Vidas separadas
Até o próximo
Balanço do trem!
Na relação entre mães e filhos
o amor se fortalece a cada abraço, sorriso, conversa e sinal de afeto.
Mas também a cada bronca, puxão de orelha e dificuldade superada.
É como uma construção que resiste mesmo às piores tempestades.
DIA DAS MÃES SEM A PRESENÇA DELA!
Para aqueles que, assim como eu, não tem mais sua presença terrena, ela sabe que somos seu espelho de vida, e assim desejo o mesmo a você o que desejo a minha mãe. Amor incondicional. Sinto sua presença a cada minuto por todo o santo dia. Mãe quando tem o amor recíproco do filho, sua dor causada pela separação que se faz necessária para que outras futuras mães possam nascer, continuará ela a sentir que ainda será amada e presente na vida de seus amores filiais.
O mundo espiritual matou a morte, e assim mais rapidamente ela se conscientizará que ainda vive e viverá eternamente, mesmo que separados pelos projetos divinos. Essa passagem obrigatória entre as moradas do criador funcionará apenas como uma promoção de acordo com seu merecimento, mas nunca cairá no esquecimento daqueles que os amam verdadeiramente.
E você mãe, que sofre pela dor da perda de seu filho, tenha fé na providência divina, pois amor que é amor não é orgulhoso ou egoísta, cada um de nós temos nossa missão a cumprir nessa estada terrena. Crê que um dia o reencontro acontecerá, e se não crês, não tem problema sabe porquê? Pelo simples fato de que, se é amor ele nunca morrerá! Pense nisso pois tens outros filhos para criar.
Feliz dia das mães!
Poema do Dia das Mães
Maravilhosa, amorosa, especial
Mãe, minha princesa
Aquela que me consola quando choro
Aquela que faz tudo para me ver feliz
O nome dela é amor
A razão da minha existência
Te amo, mãe!
Por que Deus permite que as mães vão-se embora?
Ser Mãe é assumir o lugar de Deus, no dom da criação, da doação e do amor incondicional.
Ser Mãe é abraçar o filho, quando ele tem medo do escuro.
Ser Mãe é acordar no meio da noite, pra dar aquela olhadinha no quarto ao lado.
Ser Mãe é acolher com carinho o filho amado, quando o mundo parece ter virado as costas. para ele.
Ser Mãe e ter um coração enorme pra acolher filhos, marido e netos.
Mãe não tem limite, é tempo sem hora, luz que não se apaga quando o vento sopra
veludo escondido na pele enrugada.
Mãe coisa mais incrível e perfeita, criada e esculpida por Deus nessa imensidão chamada Mundo...
Obrigada meu Deus pela Mãe que escolhi* , e que o Senhor dê a ela muita Paz, Alegria, Saúde.
