Poemas de Mario Quintana Felicidade Realista
(...) e aí estás tu privado de Deus. E recusado. Vejo-te sentado no portal, tendo atrás de ti a porta da tua casa fechada, totalmente separado do mundo, que não passa do somatório de objectos vazios. Porque tu não comunicas com os objectos, mas com os laços que os ligam.
Como é que havias de subir até aí, quando te desprendes disso com tanta facilidade?
Mas para isso precisaria de um gênio criador, porque teria de carregar o homem de qualquer coisa, da mesma maneira que eu o carrego de uma inclinação para o mar que fará dele construtor de navios. Só assim cresceria essa árvore que depois se iria diversificando. E ele havia de pedir de novo a canção triste.
Já me não entendo com essa gente dos comboios suburbanos; esses homens que homens se julgam e que, no entanto, como as formigas, estão reduzidos, por uma pressão que não sentem, aos hábitos que lhes criam.
Que hei-de eu fazer dessas alforrecas que não têm ossos nem forma? Vomito-os e restituo-os às suas nebulosas: vinde ver-me quando estiverdes construídos.
Pátria brasileira (esta comparação é melhor) é como se disséssemos manteiga nacional, a qual pode ser excelente, sem impedir que outros façam a sua.
As glórias de empréstimo, se não valem tanto como as de plena propriedade, merecem sempre algumas mostras de simpatia.
Não seria propriamente um efeito da arte, concordo, e sim da natureza; mas que é a natureza senão uma arte anterior?
Mineiras não usam o famosíssimo tudo bem. Sempre que duas mineiras se encontram, uma delas há de perguntar pra outra: "cê tá boa?" Para mim, isso é pleonasmo. Perguntar para uma mineira se ela tá boa, é como perguntar a um peixe se ele sabe nadar. Desnecessário.
Aprendi muito cedo que o sonho é mais que a realidade. No sonho, o cruel se desfaz com a mudança de foco. É simples. É só deixar de pensar. Se a paixão não convém é só trocar a cara. Fácil de resolver. A imaginação permite retoques, mudanças constantes. De Belo Horizonte a Paris eu levo um segundo. Não pago passagem, nem tenho problema com excesso de bagagem. Eu vou leve. Esqueço as roupas, Volto pra buscar. Troco a cena. Mudo o clima. Faço vir a chuva pra dormir logo. Invoco o sol para o meu mergulho e imagino a neve para amenizar o calor. Acendo lareiras nas noites frias; encontro a promissória perdida; ganho na loteria, e divido o prêmio com os pobres. Na angústia, adio a decisão. Na agonia, antecipo o fim. Na alegria, prolongo o início.
O bom de ser criança é que você sempre consegue ver o futuro de uma maneira positiva. Quando se é criança, você ainda consegue ver o futuro.
O escritor deve sempre estar na zona de penumbra; na retaguarda; atrás da fresta da porta, com um só olhinho de fora. Quem faz literatura, sobretudo a realista, nada mais é que um observador; ou, como se diz por aí, um stalker.
Num mundo cada vez mais individualista, as pessoas estão trocando a convivência real pelos relacionamentos virtuais. Tire um tempinho da sua vida para pelo menos estender a mão para alguém, nem que seja apenas para desejar um bom dia. Faça a diferença, seja mais realista e menos virtualista. O mundo anda carente materialidade.
Cada dia, um passo. Cada passo, consciente. Lembrando sempre que nunca deves dar um passo maior do que possa caminhar.
Se tudo que você pensa vem de um poeta, então você não tem pensamento nenhum.
Tudo se tornou um derivado de derivados, não somos mais originais, quem realmente somos está perdido, impregnado com as ideias de outras pessoas.
Não existe ninguém totalmente bom;
As pessoas nos tratam bem pelo simples fato de possuir alguma vantagem para si sobre nós.
Se você pusesse mudar algo no passado, e você pudesse muda-lo agora, oque você mudaria? Sabe, eu não mudaria nada, pois é impossível alterar o passado, e caso você o altere, o motivo de vocês ter voltado no tempo nunca teria existido e logo, você nunca voltou no tempo, es um paradoxo, lindo não é mesmo?
Ninguém me odeia, ou a pessoa não me conhece o suficiente ou, ela conhece e tem inveja do que eu sou.
