Poemas de Luto
Até a Alice percebeu que o mundo que às pessoas nos apresentam: não é uma maravilha. Ou você corre como o coelho, ou ficará como o gato.
O racista é um analfabeto funcional, que olha para um povo; tão lindo, rico em cultura e história: que são os negros, e ainda ignora!
A lua é o satélite mais lindo da noite, o sol é a estrela mais linda da manhã, e você é a pessoa mais linda da minha vida.
Um dia percebe-se que a luz do final do túnel não se acende que o fundo do poço não é o fim, e que o fim da linha não é o final do rolo que o guia.
Deixar o barco no meio da tempestade só tornará a travessia ainda mais perigosa. Todos os dias enfrentamos ou precisamos de tragédias, todos os dias um Titanic afunda. Apesar de tudo isso, todos os dias há um Noé oferecendo a arca para aqueles que desejam sair da tempestade.
Olhou até o ponto mais distante que pôde perceber da sacada, e considerou que teria em sua vida tudo até onde seu ponto de visão alcançasse. Seria tudo dele; até onde pudesse ver.
E foi então que um desses ventos assoprou mais forte e, como uma pequena ponte, se tornou, enfim, uma passagem que o levou ao outro lado do jogo.
Se um dia no verão, quando lhe viu, sentiu que, pela estação, o céu ficaria cheio de estrelas, lembrou-se do sol de outrora, quando o vento frio do inverno o deixava solitário pelas noites insones.
Como eram límpidos e justos; transbordados por amor, como se postos em terra dessem flor, assim o verbo se fez para não mais calar.
As mãos nunca iriam deixar a caneta quieta. E, por estes motivos, lembrou-se dos tempos em que apenas a imaginava, naqueles bons sonhos feitos por alguém, e para ele. Não imaginou, porém, que os sonhos eram feitos por ela, que já habitava dentro dele.
Saltar para um mergulho nas artes. Voar pela desorganização. Um peteleco sutil nas cartas dos costumes e tradições. Um sopro forte e gelado para dispersar o hálito de um preconceito estúpido.
O pressentimento como campainha, mas com o som abafado. A ansiedade do jogo em um tabuleiro onde faltam peças. A censura esquecida, e uma liberdade ensinada. O espaço para o novo, onde o estranho é a descoberta.
Os olhos... Lavavam-se em preocupações. Mas um ponto de luz não deixava de insistir, valendo-se da hora errada para aparecer. Entretanto, não dava mais para se esconder.
Esperou então, lúcido, pela hora de sair.
Naquele verão, ao ligar o ventilador, olhou o sol pela janela, enquanto as cortinas balançavam. Do céu da tarde, fez-se espontâneo a saudade... Tardes em que ficava no alto do telhado observando o brilho da cidade.
Mas a janela também se abria no sopro quente da noite abafada, quando o escuro era levemente banhado a energia estrelar, e sons de cigarra e ao cheiro de dama-da-noite... Ali, na proa da sua embarcação, ancorava toda noite ao abrir as janelas do quarto em que estava.
E era naquele último momento, quando passara o dia e terminava a noite, que o seu personagem estava inserido dentro daquela curta e doce trilha sonora, quando sonhos vibravam e a alma se fazia falar.
