Poemas de Luto
Sensação de despedida...
Quando você fecha a porta atrás de si e, em passos lentos, segue naquilo que nunca teve dúvidas dentro da sua existência.
A vida é um grande poema que pode te emocionar, te tirar da real, te jogar nos braços do vento ou simplesmente te levar a contemplação do único momento que você tem: o agora.
Você sabe?
Sabe a semelhança entre a dor e as estrelas?
São finitas
Tanto a dor quanto as estrelas irão se desfazer no universo
Tudo é por enquanto
Dor e estrelas
Um vasto por enquanto
“O Dilema da Paixão”
Nunca conheci,
só ouvi falar.
Desejaria um dia
só poder te amar.
Ser amado ou estar apaixonado,
assim nunca amaram,
mas eu amei
como um dia também já sonhei.
Te ter em meus braços
e até te beijar,
eu poderei dizer que:
“Em teus bracos é o meu lugar”.
Sua boca é como mel
em que me delicio à vontade.
Seus cabelos como ondas
Em que posso navegar sem parar.
Meu coração um dia irei te dar
e você sempré poderá me amar.
E com isso termino este poema,
mas que um dia me deixará;
isso é só um dilema.
Sou fruto dos extremos.
Da fusão, não sou meio termo.
Passeio entre a serenidade e a força;
entre o norte e o sul.
Sou ser medroso de ter medo.
Sou sede de água da vida.
Entre protetora e protegida, sossego minha alma na redenção.
Por maior que seja um escritor, ele jamais será capaz de
expressar em papel e tinta, toda a percepção que tem na alma.
Pois os sentimentos são ardilosos e não se deixam revelar
totalmente em palavras. Eles fazem essa exigência justamente
para se tornarem sensações únicas em cada ser. (Ana Paula Gervoni)
Essa sensação
que a porta vai abrir
e que o seu abraço
derramado no meu
abraço derramado
vai molhar o piso
não existem feridas
que não cicatrizem
mas a marca funda
de um olhar amargo
dói como a dor
de um bicho esmagado
citação
não vou falar de nós
vou falar da última conversa que tive no elevador
bom dia
o tempo vai virar
imagina no verão
vou falar dos agapantos brancos e lilases
que só dão flor em novembro
e morrem rápido
vou falar da nova receita que inventei
com quinoa e passas
aprendi a gostar de passas
não largo mais no canto do prato
para você
vou falar de uma raça nova de cachorro que vi
atravessando a rua para não pisar na sua calçada
um pelo meio desgrenhado
seu cabelo depois do banho
vou falar da poesia que li no livro que ganhei de aniversário
pela idade que você não testemunhou
no jantar que você não foi
e falava sobre uma boa ideia para um poema
quase te achei uma boa ideia
você, uma frase que encontrei num caderno antigo
que achei que tivesse escrito
naqueles dias de tantas horas
e tantos beijos
mas era uma citação
que não era minha
Fogo Fátuo
Enquanto caminhávamos
parei um pouco dentro de mim
e me invadiu tua brusca mocidade.
Algo em ti pungiu-me:
a teu lado, as casas,
o ar, o amigo apodreciam e
tu, sozinho, ileso pairavas no momento.
Corpo
quantas cidades
te percorrem passo a passo
antes de entrar nos mil lares
que te aguardam
é mesmo preciso usar sapatos
porque não gastar na pedra
uma pele que se lixa longe do
tacto
dentro do ônibus os dias
viajam sentados
em meio a ombros colados
túneis esgoto bichos
sorvetes coxas anúncios
uma criança um adulto
modelam a cidade
na areia
longe
perto do coração onde
uma cabeça gira o
mundo
correndo na grama a sombra
de quantos assistem sentados
enquanto das traves pende
o corpo de um de todos
enforcado
enquanto as orelhas ouvem
ouvem
e não gritam
há um fora dentro da gente
e fora da gente um dentro
demonstrativos pronomes
o tempo o mundo as pessoas
o olho
Não amiga não temas
meu coração;
é apenas um chapéu surrado
que humildemente estendo
para colher um pouco de tua alegria
de tua graça distraída
de teu dia
Estou em mim
Estou no outro
Estou na coisa que me vê
e me situa
Diante de mim
Diante do outro
Diante da coisa
Está a morte
Alegria
Borboletas desaparecem
no porão
Na sala enorme
iluminada
flores se expandem
em meio a vozes moças
alegres
Guirlandas de flores,
de ar
Basta tocar uma delas
(é um sonho)
para que de cada flor
surjam de novo
as borboletas
a voar
seu voo de papel —
amarelo
FRUTOS DO ACASO
Tal como tudo
o cheiro do lápis acabado de afiar
vai-se embora.
No cinzeiro
a ponta do cigarro que arde
desperta o cedro.
Tal como tu
o cheiro regressa.
morri
pouca gente apareceu
caixão aberto, batom
seco
três
amigos fizeram homenagem
enquanto despedaçava a
terra
segui
alguns andando pela rua
minutos depois do
enterro
ouvi
quando disseram
que nunca me conheceram
a fundo
Entre a estrada da vida e da morte
Se cruzam as fronteiras do amor e do ódio
Das balas perdidas
Vem o tiroteio de emoções
De alguém que sente saudades
e não levanta a mão
Mas quando a toalha da mesa caí
Quem sacode as mãos
É a pólvora
Que ja se desfez
E refez
Entre as estradas do velho faroeste
O trem passa por onde jamais passarão
Onde passam os passarinhos
Os caubóis
E os velhos coronéis
Que ja nem mandam mais
A ultima palavra
É daquele que
Que se matou
Por voto vencido
Da incansável solidão
Chamada multidão.
São Ninguém
Não espero muito de ti.
Apenas quero que sejas quieta,
mas fala o que pensas. Aqui
te faze amarela, mas também apoeta.
Porque poeta só sofre
e obrigo-te a sorrir.
Não me importa o que, em teu coração-cofre,
estejas a sentir.
Sou tua garantia de vida!
Ordeno-te que conte as sílabas
de tuas frases. Guria atrevida,
difícil de ser lida, nada
puro atrairá.
Afinal, anjo, quero teu bem.
Sê sedosa mas não brilhe.
Sê belíssima feiura, submissa
a, em ti, confiar.
Sê céu, sê terra.
Sê fogo e sê ar.
Sê amor e sê medo.
Sê tu mas sê tredo.
Sê digna torpitude.
Não espero muito de ti
pois já a fiz um tudo.
Todos sabemos que tudo-mudo
nada mais é que tu: nada.
Eu não digo que ponha fim a nada
E não tenho ilusões a esse respeito
Eu queria seguir poetizando
Porém a inspiração me abandonou
A poesia se comportou muito bem
Eu me comportei horrivelmente mal
Jovens
Escrevam o que quiserem
No estilo que acharem melhor
Já correu sangue demais por baixo das pontes
Pra continuar acreditando – acredito
Que só se pode seguir um caminho:
Em poesia tudo é permitido
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