Poemas de Luto
Como sorrir, com tudo quebrado e fora do lugar?
Como se firmar e ter estrutura
quando tudo é inconstante e desestruturado?
Aquilo que outrora era barco forte,
É hoje embarcação a deriva?
Como sobreviver a grande tormenta?
Ao mar bravio da existência?
E o que me resta?
poder te amar talvez seja a resposta.
Então não me prive de poder te amar,
com tudo que tenho com tudo que sou…
UMA TRAMA (soneto)
A trama da perda tece o vazio
com fios do sofrer trançados
numa arte com a dor casados
que não abafa o frio arrepio
Ter e perder, já estão tramados
no fado, sem nenhum extravio
mesmo que a sorte cate desvio
as intenções darão seus brados
Pratique perder no ritual e feitio
para assim adoçar os finados
alvejando o olhar no ato sombrio
Perdi, perdeu, são passados
até perder, viva sem fastio
pois elas não deixam recados...
Luciano Spagnol
06, setembro, 2016
Cerrado goiano
Um bom livro, um cigarro, um café, você ao meu lado
Vendo-te, meu corpo, em luxúria, viciado.
Tão profundo quanto simples e desejos nada simplórios
Acordaste ao meio-dia me sorrindo com teus olhos.
CADÊ A CHUVA?
Cerrado, árido, ressecado
sem chuva, cheio de curva
pede , implora, sem demora
pingos, pode ser respingos
agora, embora hora é hora
água, pra molhar a mágoa
veloz, feroz, gotas em nós
venham, e se mantenham...
Oh chuva!
Com sol casamento de viúva
qualquer forma, o que vier
breve, leve , releve
você nos deve!
Então, cadê o trovão
traga pra secura candura
e ao dia pura alegria...
Piúva! Cadê a chuva?
Tão bão, ouvir-te no chão.
Luciano Spagnol
Cerrado goiano
NA SEQUIDÃO DO CAMINHO
No caminho tinha uma folha seca
desgarrada uma folha seca tinha
no caminho do cerrado
uma folha seca no caminho tinha
Nunca me esquecerei desse evento
na sequidão do cerrado ao vento
no caminho tinha uma folha seca
Nunca me esquecerei que no caminho
tinha uma folha seca
Na sequidão do caminho
uma folha seca tinha
no caminho tinha uma folha seca
Luciano Spagnol
Cerrado goiano
Parodiando Carlos Drummond de Andrade
(No caminho tinha uma pedra)
Talvez
Talvez eu devesse me declarar pra você
Dizer o quanto o seu olhar é diferente dos outros
Como que me afoguei no castanho dos seus olhos
Como me apaixonei pelo seu sorriso
Talvez...
Talvez eu devesse deixar pra la
Talvez o sentimento vá embora
Talvez eu consiga não te amar
Talvez...
Diretamente das ruas Porto
anda curtir o nosso o som,
isto é rap interventivo
sente o poder da criação.
A gosto
–
Tentativas
Frustradas
De disfarce
Os olhos
Denunciavam
Um sorriso
Tímido
Instalando-se
Na face
A vontade
Era maior
E estar ali
Um atentado
Pois das chances
Todas
Era essa
A sua
Escolha
Ser-lhe
Posse
E nos teus braços
Se perder
E se encontrar.
Ressaca
–
No excesso
Que descabe
Do teu avesso,
Da tua escolha,
Amontoando
Minha cabeça,
As lembranças
Que escapavam
Do meu lembrar
Não sei como,
Não sei porque
Nem como parar,
Só sei que sei
Vou além
Mas não,
Não morro não
Sou todo feito
E efeito
De exageros.
Te amo
Desse jeito.
Vou muito bem,
Obrigado.
Violência
–
Sou um misto
Arriscado
Do fogo
Que vai
Alastrar,
Alucinação
Que vais gostar.
Porque você quer?
Porque você me quer?
Já não sabe bem?
Da dor e combustão,
Do abandono,
Da fuga e saia justa,
Destruição e fissura,
Desse tiro no escuro?
Você ainda quer
Brincar comigo?
Ainda quer?
Fuja!
Fuja logo,
Não olha pra trás,
Não olha pra mim
Assim…
Que eu vou te pegar!
Decepção?
–
Vão,
Encaixe
E elo
Por onde deixas
A sentença
Lhe atingir,
Quem se ilude
No arrebanhar
Dos pares
Dos olhos teus?
Dê um pause
No teu ensaio
Programado,
Somos feitos
Duma combinação,
E encontros
São pontuais
Demais
Pro que sucede
A imaginação,
Volto pra casa
Pensando
Num punhado
D'ocê,
E invento
O que eu quiser.
Perfeição é ponto
De vista.
LÁGRIMA QUE CAI
Se cada lágrima cai, da ilusão
vinda do coração
há uma fenda
por onde a emoção tenda
há de então fazer oclusão
com a razão
e na paciência de condutor
abrir as comportas do amor
Luciano Spagnol
Cerrado goiano
O copo vazio, sem alma
como mágica , se transforma em um cálice de ouro
e tocam-se no ar , ao som das vozes que em uníssono clamam
Saúde !
Surpreendentemente, Amor!!!
...e de repente... páh!!!
Sua vida enxerga outros rumos,
com a pessoa que te escolheu,
com a pessoa que te acolheu.
A pessoa que o destino trouxe,
feito sorte e te ofereceu,
assim, "tó, é seu!".
A Questão
A arma que me deram mais poderosa, é nada menos, que o questionar.
Questionar desorienta, faz pensar.
Questionar mata arrogância, mata ideais, afugenta ignorantes.
Questionar te da destaque, desmente com classe.
Questionar machuca, porém é o melhor modo de crescimento.
Questionar faz com que seja mal visto.
Questionar é o puxão no fio que não pode arrebentar.
Questionar destrói o paraíso, e explode o inferno.
O mundo vai caindo,
Dá pra parar ou amenizar a queda
Porém todos têm olhos vendados,
e a questão é única que tira venda.
Soneto do Amor.
Embriaga-me esta sensação estranha
em pequenas doses de amor e euforia...
Brinda-se ao desassossego e agonia
derramados sobre a soberba da qual
me fez desnudo em covardia.
E amando assim não sou mais eu, mas
desolado como estou, sem nada dizer
tendenciosamente fico mais desconsolado.
O que o tempo fez, faz perecer, e o que fez
de mim, faz parecer que logo estou perdida-
mente apaixonado...
O mundo é mundo né,
gira do mesmo jeito,
eu vou encontrar alguém,
que me ame com os meus defeitos.
Nada tem a mesma graça,
esse mundo ''tá'' estranho,
foda e quando felicidade,
tem franja e olhos castanhos.
Desculpa pelas vezes que não te dei valor,
deixei ego superar o meu amor,
foi bom enquanto durou,
pena que acabou,
Ouvi dizer que tú ''tá'' bem,
se ''tá'' feliz eu também ''tô'',
vivemos, vivemos e isso que importa,
o mesmo Deus que leva,
e o mesmo que trás de volta.
O menino perdeu a menina,
por não saber amar.
Não sabe que o amor,
só faz libertar.
Amor de verdade,
não esse inventado.
Mal sabia ele,
que fora ele o machucado.
