Poemas de Luto
O peito cravejado de amores perdidos,
Deixa explícito as cicatrizes de outrora.
O peito cravejado de tristezas sem fim;
Relatam ao poeta os espinhos que ficaram
E os lamentos das noites em claro...
E os olhos dela me dizem tudo!
Tudo o que eu precisava saber...
Tudo aquilo que sua boca insiste em não dizer.
E os olhos deixam claro;
Mais do que água,
A verdade estampada
Em sua doce face.
Os teus olhos te denunciaram!
Deixaram bem claro,
Deixaram transparecer;
O quê? não sei, me diga você
O silêncio é a chave que abre todas as portas.
Alivia a tensão no momento da ira, da revolta;
Na sequência abre as portas da reconciliação
Com o teu amor, ou quem sabe até mesmo, teu irmão.
O silêncio é a chave que abre a porta da sabedoria.
Pouco valem as palavras em dias de agonia.
Pois em suma, elas resultam em uma morte precipitada;
É como uma faca cravada no peito de quem amava.
O silêncio é a chave que abre todas as portas.
A ambição demasiada, fez de um anjo, demônio;
Fez de um homem sã, insano;
Fez dos répteis, reptilianos;
Fez da luz sombra, e das sombra luz.
A ambição demasiada, fez de uma pátria mãe
Capitão do mato com açoite em punho;
Fez de seus filhos escravos,
E de uma raça, uma cor, inferior.
A ambição demasiada fez de línguas, espadas afiadas;
Fez da carne navalha, e das balas poder;
Fez senzala de morada, fez da paz uma utopia;
Fez dos belos dias, madrugada fria.
A ambição demasiada, fez de 'santos', hereges;
Fez das preces, tormento e não salvação;
Fez das mãos dos homens, armas;
Das armas se fez convicção!
Entre a BELEZA e o CONHECIMENTO
A beleza se esvai com o passar do tempo.
O conhecimento é agregado com o passar do mesmo.
A flexibilidade é perdida, mas o conhecimento é agregado e,
Prolongado.
A beleza se esvai em um acidente horrendo.
O conhecimento nunca é extinguido,
Mesmo sem as pernas o menino ainda é rico;
A mulher mesmo sem seus seios, ainda é rica;
O homem mesmo sem seus testículos e músculos, ainda é rico
Quando ele mesmo busca o conhecimento ao invés da beleza corporal;
Seja ela em forma de bíceps grandes ou abdômen sarado.
A beleza se esvai com o passar do tempo.
É como uma chuva passageira, que molha a cidade inteira, porém
Não atinge seus reais objetivos;
É como uma rocha forte e grande, que mesmo com estas características
Nunca será capaz de brecar, a ação do tempo e sua corrosão impetuosa.
A beleza é tão frágil quanto uma criança sem amparo;
O conhecimento é tão forte quanto a rocha, com uma diferença gritante:
Nem mesmo o tempo será capaz de atrofiá-lo;
Já para a beleza, o ontem e o hoje se entrelaçam constantemente.
Até mesmo as flores murcham depois que são pisadas.
Assim também é com o amor minha cara
Por maior que seja, um dia ele acaba, se esvai como a areia por entre os dedos.
O amor deve ser como águas calmas de um mar sem fim; mas nunca um pesadelo indescritível.
Os sorrisos causados pelo amor devem ser incompreensíveis; mas nunca tristes.
Depois que os cravos fincaram-se no peito,
Depois que os lamentos foram todos em vão;
Depois que a saudade corroeu o coração,
Depois que a solidão penetrou-lhe os músculo como lança
Pontiaguda;
Nada mais adiantou. nada mais lhe serviu.
O tempo não mais sorriu; as flores não maios desabrocharam;.
A saudade, a solidão, o lamento, o desespero,
Todos estes falaram mais alto que sua sanidade!
E que sanidade?
Não sei ao certo; a sanidade do homem talvez seja em vão e sem nexo...
BARQUINHOS DE PAPEL
Crianças fazem barquinhos de papel
Adultos criam arranha-céus.
Crianças preferem carrosséis
Adultos preferem motéis.
Crianças fazem barquinhos de papel
Adultos jogam suas vidas ao léu.
Crianças preferem doces e salgados
Adultos sofrem antecipado.
Crianças fazem barquinhos de papel
E com eles são felizes.
Adultos se entregam as mazelas e,
Nunca cortam suas raízes.
Barquinhos de papel que vão e que vêm
Como as ondas do mar.
Num barquinho de depositei minha esperança
Pois Já fui, sou e ainda serei, criança.
"Eu vejo seu rosto, triste como uma noite sem luar.
Imagino um sorriso de um canto ao outro refletindo um brilho à quem olhar.
Entristece-me ver alguém desabroxar,
Mas em seu olhar não ter motivos para continuar.
Como uma flor que nasce em meu jardim,
Quero lhe ver crescer.
Quero lhe ver crescendo,
e com o tempo toda essa dor se esquecer.
Os seus espinhos podem até machucar,
Mas sei que por muito tempo essa dor não irá perdurar.
Enquanto teu aroma em meu ar permanecer,
saberei que ainda estará ali para me amar."
Meu bem,
com você que queria estar,
na Bahia ou em BH,
na balada ou beira mar,
com meus braços a te abraçar,
brisa leve, forte o mar,
sempre faz acalmar,
trás a paz e o bem estar.
Mas quero te respeitar,
quer espaço? - Então tá !
Sinta toda liberdade,
se perca, pra se encontrar.
A saudade é sincera,
despedida é uma merda vazia.
Eu ''tô'' calado com a mente gritando,
minhas mãos estão frias.
Você na minha frente,me olhando,
eu não sei o que dizer.
Tem sido foda, vários dias sem te ver,
exclui redes sociais pra esquecer você.
Tentei me enganar, coloquei pra mim:
- ''Cê'' vai ficar bem !
mas a essa altura já vi que e mentira,
você deve ter descobrido também.
Não sei o que te prende,
se é orgulho ou medo que te faz travar?
nos vamos pra casa tomar uma gelada,
e depois tentar conversar.
Tentar esfriar,
os pensamentos que agora estão a milhão,
a 140 por hora pelo acostamento,
radar não me pega hoje não !
E o silencio no carro,
e o motor gritando,
e as marcha arranhando.
Eu ''tô'' cego de raiva, de sono, de medo,
eu não sei o que está ''pegando''.
Trancado no meu quarto,
escuro chorando baixo,
travesseiro molhado,
Meu Deus, porque tanta dor?
Sozinho em redes sociais,
atrás de um computador,
tentando entender esse mundo.
Sobra ódio, falta em amor,
me diz, onde é que eu estou?
Será tudo real?
Eu não aceitar isso.
Tem crianças mortas no meu quintal,
drogas na minha rua,
meninas na minha esquina,
trocando seu corpo por real,
alguém diz que isso e mentira,
por favor, eu não ''tô'' legal.
Tiro no peito, toma o seu correto,
no final não existe certo,
todo mundo está aqui por ego,
pra te crucificar não falta prego,
mundo de cego pé de chinelo,
aqui otário não vale um vintém,
tirando o ódio aqui tá tudo bem,
quem come pedra sabe o cú que tem,
se tirar os falsos não fica ninguém ,
passa tua grana que eu solto o refém,
eu fico rico e ele fica bem,
todos feliz então tá tudo bem.
Tiro no peito toma o seu correto,
''tá'' tudo errado, eu vejo nada certo.
Amo-te...
Amo-te, de tal maneira, e tanto
que sinto a vestir-me a alma
a fina essência que de ti, exala
As nuvens não ofuscam nossos olhos
nem a distância detém os nossos passos
clarividentes, adivinham-se nossas almas
Caminham juntas, de mãos dadas
Voam nas asas do amor
IPÊ AMARELO (soneto)
No teu fugaz aflorar. És partitura
Duma melodia cálida fulgurante
De etérea figura num semblante
No ápice duma passagem pura
Se ergue na paisagem, vibrante
Em efígie no cerrado, escultura
Tão cróceo de aparata candura
Num teor pomposo e insinuante
Ave ipê! Natureza na sua mesura
Aos olhos se faz guapo arruante
Ao poeta estro em embocadura
E neste Éden de aptidão gigante
Ao belo, a quimera se aventura
Numa viagem de visão alucinante
Luciano Spagnol
Agosto de 2016
No baú das cicatrizes,
Guardei os meus lamentos.
Na estrada da vida,
Dividi os meus tormentos.
As bocas de língua grande,
Falam demasiado.
Os lanços contraditórios, muitas das vezes geram falsos aliados.
Raras são as vezes
Que a onça bebe água.
E quantas são as vezes
Que um navio naufraga?
Rosas despedaçadas,
Vasos cheios de mágoas.
Rosas despedaçadas,
Manchadas de vinho tinto.
Vidros estilhaçados,
Órfãos de pai e mãe.
Vidros estilhaçados,
Responsabilidade infame.
Pássaros engaiolados,
Canto amordaçado.
Pássaro engaiolado,
Vida em pleno plágio.
