Poemas de Luto
Agora espero anoitecer
Para a minha vida ter sentido pleno
Assim descanso um pouco mais sereno
As tristezas que abatem o meu ser
Afastar-se-ão por um breve momento
Quando a noite trouxer consigo o relento
Assim minha alegria há de nascer
Minha vida antes só escuridão
Logo torna-se refém desta paixão
Quando o sol da manhã do outro dia
Insistir em roubar-me a alegria
A esperança no anoitecer me alegrará.
SONETO SILENTE
Dia nublado no cerrado com ventania
Nostalgia nos olhos alumia o nebuloso
Tal como folha seca me sinto fragoso
Na brisa árida dum céu de monotonia
Range o peito num cântico escabroso
Apofântico, sem firmamento na poesia
Num par romântico de solidão e euforia
Tal chuva escassa no sertão sequioso
Alvorecer sem brilho e luz com alegria
Trazendo imenso sentimento saudoso
E na disposição uma tão nada ousadia
Caminho soturno neste vazio rigoroso
De chão cascalhado e de desarmonia
Que o silêncio comutou, vinho precioso
Luciano Spagnol
Agosto de 2016
Cerrado goiano
Esperar pelo tempo é um aprendizado. O rio tem o seu remanso. Quando desviado ele não tem avanço...
Luciano Spagnol
Mineiro do cerrado
Tentei fugir me libertar,
mas o problema sou eu,
o problema não é o fulano,
é o Matheus,
Colei na praia, rolei na areia,
o brisa leve, me leve pra minha sereia.
Vamos rir das coisas bobas,
de situações banais,
pra frente é que se anda,
não vamos olhar pra trás,
eu quero pouco e tanta coisa,
tem dias que eu procuro a paz,
eu quero pouco e tanta coisa,
tem dias que eu só busco paz.
AMOR POUCO (soneto)
Num amor pouco, parco é o afago
É não saber quão bom é o presente
Assim, poder a alma estar contente
E ter por alguém um sorriso largo
Aí, fica tão carente do sentir quente
Perde-se do alvo do farejado frago
Têm-se na solidão o gosto amargo
E ausência do beijo, de repente (roubado)
Sem amor, saudade é vazio selado
Dos rumos da vida se é deslocado
É mergulhar na luz sem densidade
E neste universo do eu tão calado
Desta redoma de um olhar isolado
Amor pouco, é ter-se pela metade
Luciano Spagnol
Agosto de 2016
Cerrado goiano
SONETO EM SENSAÇÕES
Amor é abstrato, figura do coração
É tal qual perfume grassando o ar
Promessa e jura apoiada no altar
Quando dois olhares num só são
É sentimento, que nunca é em vão
Traz sonho e nos faz assim sonhar
Faz picada no anseio, pra caminhar
Um desejo nutritivo para a emoção
Amar do amor vai além, é o gostar
Espírito numa perfeita comunhão
Dança que põe o sangue a dançar
Nesta atração há poesia e canção
Que invade o peito e põe a tilintar
E aos sentidos traz varia sensação
Luciano Spagnol
Cerrado goiano
Machucados de uma vida.
De um sofá ao outro pular
Por um rio de lava passei;
sem me machucar
Ao cair mamãe vem aqui
-meu filho com um beijinho vai sarar.
Na rua cair,
A bola chutar,
O tampão do dedo sair ,
E eu quase não me importar.
Ladeira descer, o sangue escorrer.
Pra casa voltar.
“eita roupa suja! Vou apanhar!”
Na escola cresci, muitas coisas aprendi.
Quem eu amo não me ama.
É ai que o coração engana.
Voltar pra casa sem demora
- Eu odeio a escola!
Da escola sai, mas não sabia o quanto ia doer.
Pior fase da vida passando
Na faculdade vai se formando.
Tanto tempo passou.
Aquela amizade acabou.
Um novo amor surgiu.
Achei que não iria mais sentir dor...
Mas, dessa vez um beijinho não sarou.
Tanta falta vai fazer, aqueles que me ajudaram crescer.
Agora é minha vez.
Posso dizer que cresci.
Pois estou na cozinha fazendo o jantar.
- paiii! Vem aqui!
Era meu filho a me chamar.
- deixa eu dar um beijinho que vai passar.
12/08/2016
Desaparecimento
Não deixe o silêncio te vencer
Velhice do fim deve ser ingente
Exista, concorde no mais viver
Creia, noite tem amanhecer
Respire com o olhar vivente
Tenha manhã para anoitecer
Pois, saudade, o justo é sofrer
Então, se oponha ao sol poente
Suspire, alente sem se render
Pai, o teu decesso, faz fender
O coração, é choro "sofrente"
Duma lágrima que quer ceder
Não saia do alcance... Tente!
Lute, tente pra luz não morrer!
De sua benção ficarei ausente...
Luciano Spagnol
Junho de 2014, 02'44"
Cerrado goiano
Parodiando Dylan Thomas
De expectativa, a desilusão,
Ruindo na escuridão,
Insanidade, sem razão,
Espaço e tempo sem compreensão,
Legitimo bobalhão,
Legal pois sem noção,
Yin-Yang, sem coração.
Digamos que talvez,
mas só talvez,
eu tenha uma queda
pelo teu sorriso bobo,
o mesmo que tira meu folego
e faz meus olhos
se alojarem nos teus,
o mesmo que me faz pensar
estar dentro de um abraço teu,
o mesmo que me faz imaginar
a textura dos teus lábios
tocando os meus.
Como um Beijo
Já fizeste em mim, tua morada
Do meu coração, o céu no qual tu voas...
[ Em minha boca, como se fora um beijo
Pousas teu nome, AMOR ]
E eu, acendo estrelas
Acreditar é preciso,
tanto quanto insistir,
''Cê'' não vai desistir, né ?
Mantenha a calma,
não nade contra a maré,
valorize seus amigos,
cuide bem da sua mulher.
Acende essa fogueira,
vamos fazer um luau,
vamos tocar legião,
vamos tocar charlie brown,
chama a rapá toda,
mas chama só os fiel,
pros falador nos tamo em casa,
deitado, amargando o fel.
BH já não tem mais sentido,
sem você do meu lado comigo,
cada bar, cada rua que eu viro,
vejo que nunca tive amigos,
em todas quebradas,
em todos rolé sempre eu e você,
da praça do papa, rave é lazer,
BH não é a mesma, sem ter você.
O sol ''tá'' lindo,
o dia ''tá'' quente,
tudo flui naturalmente,
geralmente, geral mente,
com você era diferente,
não sei se me compreende,
não é porque eu ''tô'' carente,
em dias de sol que é quente,
e outros são fogo da gente.
Compreende ?
Levanta essa cabeça,
a guerra não acabou,
saiu vitorioso quem lutou pelo amor,
quem tem coragem alcança,
que não tem desiste e dança,
só quem viveu na guerra,
sabe o valor da esperança.
Se tú quer ir pode embora,
está cedo mas já e hora,
Está cansada de tudo, né?
Se desculpas não resolvem,
Se o ódio não dissolve,
talvez amor, seja um lance de sorte, né.
Se não consegue perdoar,
se não vê bondade em mim,
talvez isso seja mesmo o fim.
Se eu grito, você não ouve,
se eu sofro tú acha pouco,
talvez não exista, mais nada pelo outro.
Se eu insisto, você recua,
e se eu sumo as coisas muda?
Não quero, mas vou me afastar..
Eu não estou vendo saída,
a vida é dura menina,
estou sem alternativas, me desculpa,
talvez um dia compreenda,
que tudo que você precisa,
e desse homem criança,
que dança, que canta,
que te rouba o sono,
e te enche de esperanças,
menina dança e mulher ri,
desculpe, mas já vou partir,
talvez em meio a multidão,
outro alguém te faça sorrir.
Você deixou saudades,
te vejo e corro ao seu encontro,
na praia mas é miragem.
Pegadas na areia,
me lembram você,
brisa leve, forte o mar,
onda linda de se ver.
Tudo perfeito hoje só faltou você,
De dia o sol a noite a lua,
faz lembrar você,
Tudo perfeito hoje só faltou você.
Ironia
mas veja só que ironia
a menina que mais sorria
era aquela que mais o coração partia
olho e vejo que ela sorria
mas por dentro seu coração
perdido da ventania aguardava uma companhia
para compartilhar a dor que sentia
mas veja só que ironia ...
Apague meu número,
Sabendo ele de có,
Finja que se importa,
Me engana que é melhor.
Me bloqueie de tudo,
Me faça sentir mal,
Me excluía de tudo,
Deve ser legal.
Me faça sentir péssimo,
Te amo e te detesto.
Beije outras bocas,
Dizendo que eu não presto.
Procure-me em outros corpos,
Se acha que isso é o certo.
Engane-se a si própria,
Alimente teu ego.
Me esqueça com álcool,
Nas rave e nas balada,
Se sinta e viva ao máximo,
Não fique em casa !
Finja que acredita,
No que esse cara ai te diz,
Que ele vai te amar,
Sem dor sem cicatriz.
Se entregue na cama,
Faça o que quiser,
Diga que ele seu homem,
Se torne uma qualquer.
Se isso que tu quer,
Nada te prende,
Diz que ninguém te entende,
Deus "fecha os olhos",
E o diabo ri da gente.
"Obrigado poeta"
— Caro poeta, tenho uma
Profunda infelicidade,
Então venho lhe pedir
Um conselho de verdade;
Neste mundo ainda não
Encontrei aquele amor
Que sempre sonhei e
Eu não entendo o porquê,
Mas acho que nasci para sofrer.
— Meu amigo, não procuras
Seu amor neste mundo,
Pois aqui o amor já foi abolido.
Pra ser sincero: tu és
Como um poeta que peneja
Palavras tão belas.
Meu amigo, eu lhe aconselho;
Ame a poesia e
Viverás com alegria.
— Como estava tão cego
E não pude enxergar,
Mas agora a poesia vou amar.
Vivia como um tolo,
E com semblante de pateta,
Te agradeço pelo conselho;
Muito obrigado caro poeta.
