Poemas de Luto
Após rezar, contemplar a genuína grandeza
À luz de Jesus desce da cruz, em romaria
E beija nossa face com humilde riqueza
Luciano Spagnol
Cerrado goiano
"Molho as pontas dos dedos e apago a vela.
Ouço um chiado bonito e findo.
Por que há tanto silêncio no escuro?
As ilusões estão impregnadas de sebo.
Simulacros de uma luz indiferente às dores dos cegos.
Pobre vela que necessita da escuridão para ser aquela que vela.
Escrevi este poema permeado de triste beleza para dizer que não são as palavras melancólicas na sintaxe que fazem um verso triste.
É a tristeza dessas velas que só se enxergam quando tudo em volta fenece.
Ora, é o belo que há nas tristezas que deixa a dor suportável e dá luz própria à cada vela que se apaga".
(Em sua página oficial no Facebook)
Soneto da Ave Maria
Na fenda de ter crença eu já sabia
O pouco de amor se tinha nobreza
Na alma o homem trazia pobreza
E no olhar a mão que oferta, vazia
Nos caminhos, trilhados, uma certeza
O embate de quem clama na Ave Maria
Que na vida a nós é a Mãe da soberania
Via esperança, chama da ternura acesa
E neste sustento de fé, a paz em poesia
E no peito o afeto se dando em surpresa
Sentir a prenda de se ter uma real alegria
Após rezar, contemplar toda está beleza
À luz de Jesus desce da cruz, em romaria
E beija nossa face com humilde riqueza
Luciano Spagnol
13/06/2016
Dia de Santo Antônio
Um mar vermelho
Durante o dia as pessoas não vêem o que está em sua frente.
Eu vejo, são elas mesmas discutindo trivialidades
Em busca de uma saída para a sua rotina carente
Quaisquer assuntos onde têm afinidades.
Mas, debaixo de seus capuzes e máscaras que escondem seus rostos
Sabem que queriam estar em outros lugares fazendo outras coisas.
O que não entendem é que nós somos tão opostos
A ponto de dizermos mentiras adversas.
O que eu vejo são fantoches com seus movimentos padrões,
Pessoas feitas de almas madeirizadas,
Com cristais e jóias no lugar de seus corações.
São facilmente influenciadas, dissimuladas.
Nas histórias havia apenas guerras e escaramuças.
Hoje, um mar vermelho de coisas obscenas e indecentes
Arrasta tudo o que é limpo e inocente do litoral de esperanças
Para a profundidade de seres incongruentes.
Atração
Sei que o corpo é tentador, mas não.
Sei o que está pensando, mas não.
Sei que quer tocar, mas não.
Sei que quer analisar cada detalhe, mas não.
Não caía nessa tentação, pois ela é fatal.
Não olhe com desejo guloso, pois isso vai te decepcionar.
Não toque demais, pois vai se assustar.
Não se aprofunde nos olhos, pois de lá não sairá.
As pessoas são belas, verdade.
São inteligentes, quando querem.
No entanto, são humanos que com certo desdém agem.
Se algum dia acontecer, não leve a sério.
Se algum dia repetir, não continue sem pensar.
E se for algo a mais não deixe ser só atração.
Estranho amor este que hoje eu sinto
a saudade incorporou a coisa amada
acorda comigo depois de ser sonhada
e de mãos dadas paira pelo ressinto
Luciano Spagnol
Cerrado goiano
Vida
Na alma prevalece
Tudo que enriquece
Aquilo que a vida perdura
Mas que um dia apodrece
Apodrecimento
Que aguarda todos nós
Como um dia sem luz
Ou primavera sem sóis
Na intensidade da vida
O que nos resta é sorrir
Em meio a escuridão
Ao clarão e ao que estar por vir
Na verdade a vida
É muita preocupação
Muito desapego, pouca união
Muito desespero, pouca agonia
Muito desvaneio, pouca harmonia
Muita história e pouca fantasia.
Cah
Nada quero
Nada sou
Nada sobre nada
O mundo se tornou
Nada,
é o tudo que corta a imensidão
É o olhar, o desejo
A minha admiração
O foco, a força
Aquilo que traz harmonia
É a boca, o beijo
A minha fantasia
O sabor do desejo
A minha idolatria
A imensidão nos espera
No futuro um dia.
Soneto do cerrado no inverno
Chegaste, inverno no cerrado árido
Manhãs mais frias, ventos cortantes
As seriemas e seus cantos fascinantes
Noticiam o entardecer não mais cálido
Os pássaros engurujados e suplicantes
Pousam nos galhos tortos e desfolhado
O rubro céu pelo acinzentado é trocado
Do inverno no cerrado e seus instantes
A melancolia toma conta do dia gelado
Noites mais longas e mais pensantes
Oferece pinga pra aquecer o agrado
No fogão de lenha prosas fumegantes
Aquenta a alma e ao inverno versado
Propício aos sentimentos mais amantes
Luciano Spagnol
14 de junho, 2016
Cerrado goiano
Não te amo desalinhado como se é o cerrado
tal folhas emurchecidas libertas na sequidão
te amo como o árido clama água, na exaustão
sequiosamente, entre o limite e o estar saciado
Luciano Spagnol
Cerrado goiano
Saudação ao cerrado goiano
Caro cerrado goiano
te saúdo
e sem ter engano
mesmo eu este carrancudo
és soberano.
Aqui, pude te apreciar
aprender a lhe ver
diria até amar
mesmo daqui eu não ser
me sinto parte do seu despertar
belo, e também do entardecer.
Ali, cá, acolá
chão cascalhado
de frutos que são maná
arbusto desencontrado
flores, como não elogiar
tão mágico cerrado.
Então, minha gratidão
por tudo, pouco é o enaltecer
e o sentir que se leva no coração
e se saudade haver
volto, pra mais uma saudação.
Luciano Spagnol
Junho, 2016
Cerrado goiano
Encantamento
O tempo cá no cerrado
me fez um bom aprendizado
tudo veloz passava
no meu eu versado
assim, pude apreciar onde estava
e na saudade fui encantado.
E eu nem imaginava...
Luciano Spagnol
Junho de 2016
Cerrado goiano
O poeta perdeu seu dom de compor e se perdeu em seus versos,
Ficou abismado quando percebeu que só o seu reflexo refletia naqueles olhos claros,
Deus deu o refrigério que ele tanto buscava pra tanta ansiedade que havia em seu coração,
Decidiu fazer versos de sEUs momentos bons e ruins que passava com ela,
Decidiu não mais escrever em um papel suas aventuras, e disse que a grande poesia de sua vida seria registrada pelo sol, a lua e o vento,
Só eram dois personagens que logo se tornarão um só,
Dizia que só queria ser famoso no coração dela pois os flashs o cegavam e o desorientavam,
Era cheio de segredos e de ambições e contava tudo pra ela ficando calado e a beijando,
E ela respondia com um sorriso largo e o abraçando como se nao pudesse mais largar,
A inTEnsidade que eram silenciosos eram apaixonados, na verdade quase não faziam barulho,
Foi na praia, no por do sol que o poeta conseguiu tatuar na alma dela a sua mais bela composição,
Falou pra ela que a ter encontrado o fez viver perdido,
E perdidos nessa história resolveram assim continuar,
Naquele mar salgado ficou um legado,
Que erA possível se aMar caladO, nao era necessário gritar,
As estrelas ouviram ele falar pra ela que a sua maior poesia era viver ao seu lado...
PLURAL
Quando o tempo nos é percebido
Distantes estão os anos ditosos
Conosco à frente dias penosos
E vai ficando o devaneio diluído
As horas sem segundos, gulosos
são os desejos, tudo é divertido
Eis que num as, se é envelhecido
E os enganos tornam-se facciosos
Então, tudo nos passa a ter sentido
Até mesmo os lamentos, saudosos
O que era ufano, vira comprometido
E vemos que nos plurais saborosos
Tem também o curso transcorrido
Num rugido de passos vertiginosos
(E lá trás o tempo de rapaz esquecido)
Luciano Spagnol
2016, junho
Cerrado goiano
A culpa, é da lua
deixou a noite fria e nua
de sonhos e devaneios...
E nesta ausência os anseios,
viraram penumbra
e o poetar uma rumba...
Luciano Spagnol
Cerrado goiano
SONETO AFETIVO
O meu amor é para que seja amado
Gentil, e na composição seja ditoso
Tanto quanto na vida tão precioso
E nos sentimentos oferta e agrado
A nós mortais nunca seja enganoso
Torne ao olhar um prazer dourado
O abraço no abraço bem enlaçado
E aos carinhos suave verso mimoso
Vinde amor, sempre, fruto consagrado
Que seja na alma zéfiro bem gostoso
Airando os lábios com uivo adornado
Ah, amor meu, ser amado é saudoso
Se se os delírios ao outro é alcançado
E derramado da emoção licor vigoroso
Luciano Spagnol
Junho de 2016
Cerrado goiano
Me Ames Tão Somente
Quero que me ames... Tão somente
Por minha brisa suave a te abraçar
na hora mais difícil das tormentas
E pelas borbulhas de felicidade
que minha presença
faça em seu coração!
A voz do Amor
Nem sempre o sorriso
vem fácil, nem sempre
Ele desce do céu para
pousar na minha
boca.
As vezes são meus
pés que não querem
criar asas por medo
do passarinheiro
que esconde a
felicidade...
Então escuto a voz
do amor e de novo
arrisco a sonhar...
[ Mesmo que sangre o coração]
Ah!
Via que caia
caindo?
Como isto? Sem paraquedas?
Enquanto uma pétala de rosa,
me disse,
caio contigo,
daí perguntei,
o que fazes aqui?
também caí,
como caíste,
Deus me mandou,
acompanhar-me?
sim,
para que possas renascer,
onde?
Em seu Reino,
Onde a morte não existe,
Acabaste de cair no Paraíso!!!
A NOITE
Almas circulam nas ruas
Sonhos regozijam seus donos
Passa oculta em meus medos
Questiona o que somos
A sombra, pretume das cores, enaltece o luar
Vela, adormece, retarda o meu despertar
Faz o disfarce das dores, me perder sem notar
No sentimento, confundo
No teu silêncio, o barulho
Transcrita oculta em meus dedos
Num sono profundo
Uns dizem que ela resguarda
Outros, porém, que ela é tara
Do apaixonado poeta
Na noite que vara.
