Poemas de Luto
O codinome atrás de quem já não é mais o que você deixou.
O codinome atrás de quem viveu o estéril amor.
O codinome atrás de quem o noturno ar etéreo flor.
Daquelas cheias de esplendor que nasceu da seca que você deixou.
SONETO ENCARNADO
Cerrado, pinta o céu de encarnado
por não poder pintar a noite estrelada
assim, vesti a sombra da esplanada
de prata, do luar em tom apaixonado
Pra extinguir o rubro desta tal cilada
e aprisiona-la até o arrebol no prado
o sol se demole num gesto nacarado
tão cansado, retirando-se em toada
No breu, a cor, escarlate enevoado
permanece, então, na noite trancada
pra de novo no dia surgir encantado
Então, no empalecer da luz arrozada
dorme desmaiada, do dia acalorado
no ciclo do cerrado, em sua jornada...
Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Novembro, 2016
Cerrado goiano
NO PRETO E BRANCO
Um romance de amor na parede
em moldura de um tempo sem cor
à poeira que queimou nosso verde
um amor que a prisma registrou.
Os abraços e beijos...
No branco, e no preto ficou
os desejos e ensejos
suspenso na parede... Amarelou.
Flores e jardins, no chassi, estão cinza
E o arco-íris...
Um surreal preto esvoaçado no ar.
Pássaros sob espaço
chuva de risco
lágrimas pontilhadas
olhos de carvão...
Água branca para matar a sede
venha menino...
Vamos com essa vida rindo
Me de a sua mão.
Antonio Montes
DESAPEGO
Desapego, ah esse desapego
desapego da fome, logo sedo
salada temperado com bredo
isso , pode ser um desapego.
Antonio Montes
-NICOTINA
Desde que cê foi, eu perdi a seleção. Aceito tudo que vem, escancaro o coração. Não passou de ilusão. Alimento a fantasia. Não te esqueço noite e dia, mesmo entendendo a condição.
Esquecer-te, sempre foi preciso. Ainda mais, depois de agora. Que de fato, foi embora. Sem ao menos dar aviso. Queria que fosse comigo, te fazer a mais feliz. Perturbador é saber que por um triz, essa missão não foi a minha. E hoje, você caminha feliz com outro sorriso.
Admito! Sempre foi difícil olhar pra frente e seguir. Pior é saber que ele vai viver aquilo que eu não vivi. Vixe! Dói partir. Porém, não existem opções. O que resta? Recordações. E a saudade daquilo que não escrevemos. A esperança grita, dizendo: AINDA PODEMOS! Mas a maturidade me manda ir.
Às vezes, queria que você não tivesse existido... Mesmo sabendo que foi bom pra mim.
SONETO NOTURNO
No olhar do entardecer silencioso
o dia adormece e se põe a sonhar
envolto no aroma, da noite, precioso
se vai derreado nos braços do luar
Se há choro, porque há fado danoso
também, há perfume de rosa pelo ar
se alguém soluça, há evento doloroso
pois, no amor, aquele não soube amar
E neste lusco fusco do tempo ditoso
vai-se o tempo no ininterrupto caminhar
pois, a vida no tempo é tempo vaporoso
Assim, vem o dia, logo a noite a tombar
num ciclo do destino um tanto misterioso
mas, que na existência, é um poetar...
Luciano Spagnol
Novembro, 2016
Cerrado goiano
O para sempre não é eternidade, e sim, aquele segundo, que na alma é profundo, e fecundo na recordação...
Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Meu miaêro
esta cheio de dinheiro
porém ainda
não posso gastar
já me levaram
metade do que eu tinha
e meu miaêro cheio
não esta mais.
Eu não posso
nem gastar meu próprio dinheiro
já levaram a outra
metade do meu dinheiro
e meu miaêro vazio esta
e eu nem pude
gastar meu próprio dinheiro
EXTREMADO
Contigo a meu lado
O mundo é uma musica
os momentos serão fados
... Tudo valerá apena
os risos serão de agrados
na nossa noite de novena.
Contigo a meu lado
meu outono será flor
meus planos voaram no amor
e as manhãs do meu condado
me farão ficar animado
serão risos límpido de sol
com felicidade em esplendor.
Tu será colméia do meu reino
a seiva da minha paixão
meus momentos de apego
doce mel do meu coração.
Será flores do meu jardim
em primavera do meu tre,le,le
harmônicas pétalas para mim
e eu ramalhete p'ra você.
Antonio montes
Suponho que pense e me responda
Você encantou meu coração
Não é mentira
É paixão.
Suponho que pense e me responda
Você conhece o meu clamor
Não de saudade
Mas de amor.
Suponho que pense e me responda
Não quero ser só seu amigo
Quero ser um pouco mais
Eu quero namorar contigo.
Suponho que pense e me responda
Tu és linda, és uma flor
E não estarás mais sozinha
Se aceitares o meu amor.
AMOR DE MIM
Dá-me a tua mão dentre os teus sorrisos
Sem que seja displicente,
Sem que seja de amor de repente...
Dá-me a tua alma como o meu abrigo,
Seja em mim o luar mais cheio
Dentre o poema que te vivo e leio...
Dá-me a tua paixão mais louca
Para o meu beijo apaixonado em sua boca,
Dá-me os teus cansaços
Que eu te darei os meus braços
Para que sejam de mim os teus sonhos
Dentre às letras que te componho,
Para que seja de mim o teu encantar...
Dá-me os teus medos e o teu coração
Sem que seja independente e vão,
Para que seja de mim a tua vida, som e ar.
O TOMBO
Splaft! Escorreguei!
cobri o chão com as costas
e de barriga pra cima
avistei o céu desfocado.
Já não esta azul assim
perdeu o blue para minha ótica
pra mim, está carmim.
Rasguei o esqueleto
pintei o chão com meu vermelho
fiquei menos preto
menos cor para o espelho.
Seu doutor cai?!
Machuquei a coluna
vê se apruma
pois só tenho uma.
Não posso ficar de papo pro ar
sou pobre me arruma
eu tenho que trabalhar.
Não quero injeção
não fure o meu coro
cuide de mim
se não eu morro.
Antonio Montes
O TOPO
Estrondo no topo
olhares para o morro
é chuva apagando poeira
é agua despencando na ribanceira
Os bêbados...
Estão todos encharcados
Os relâmpagos...
Com seus pontos e encantos,
correm costurando as nuvens
tudo sempre foi como esta.
Maria pra que falar mal...
Corra, corra! Corra...
Vá recolher as roupas do varal.
Antonio Montes
PASSAR PASSAGEIRO
Uma pena pintada
de uma ave dourada
a saltar pela estrada
se expandindo ao ar
com envergadura aberta
a voar.
Voa, voa passarinho
sua beleza consagrada
sem enfado em seu ninho
vai planando em revoada.
Chega sempre em seu destino
Com seu passar passageiro
outros mares outros hinos
passando ao mundo inteiro.
Passarinho, passarinho
me leve ao destino meu
na hora antes do tino
no tempo antes do adeus.
Antonio Montes
PATA DA PATOTA
A pata da patota
anda choca
e vai nascer os seus patinhos
todos pequenos
e pelo terreiro...
andarão serenos.
São todos amarelinhos
vagando no quintal
Eles piam
eles correm
E sobre a água
eles a nadam.
A patota não se importa
e todo dia abre a porta
para ver a pata choca.
Antonio Montes
A Dança Sem Sinfonia
Deitada na cama sonhando com seus dias de gloria.
Lembrando da alegria plena
Que ela sentia antes de você ir embora.
Ela continua girando e rodando em sua dança sem sinfonia.
Pois nada lhe resta alem da miséria.
Ela nem se quer consegue soletrar a palavra alegria.
Você a olha com pena no olhar.
O quão covarde pode ser um homem?
Por que não tenta a salvar?
Deitada sonhando que os tesouros do final do arco iris, eu vou encontrar
Porem eu acordo com o frio no lugar da esperança
Simplesmente porque você me fez chorar .
O que acha desse gosto de veneno?
Gosta desse vermelho que finge ser a cor do amor?
Esse é o gosto do sangue transportando da minha pele como consequencia a tanta dor.
Você não percebe não é? eu apenas digo o que você quer ouvir.
Porque não aguenta a verdade. Se eu dize-las, todas seus paredes que finge ser de aço, vão começar a ruir.
É tao fácil se fingir de forte quando sua alma esta corrompida.
Um sorriso cobre qualquer cicatriz
Também é fácil se fazer de vitima para ganhar a partida
Ela tem o pior papel. Que preenche sendo a melhor atriz
Apenas me deixe ir.
Tenho um peso na alma e um coração aquebrantado
As vezes eu ate consigo ganhar a partida. Mas a verdadeira guerra esta longe de ter acabado.
Saudade é quando o cheiro permanece com a gente, mesmo que tenhamos tomado banho...
Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Quando Te Vejo
Te vejo todo dia
Meu amor tu trazes-me alegria
Quando te vejo chorar
só me apetece balançar
Tuas lágrimas parecem
gotas de orvalho.
"Ai Quando Te Vejo"
Mil borboletas voam
na minha barriga
e já diria que te tinha
na minha
"Ai Daniela Laranjinha"
CANTO (soneto)
Na janela pro cerrado, solitário
O apressurado vento na fresta
Amigo de exílio, o meu cenário
Sibila, e teu sibilo me molesta
E, lá no ipê, alto, canta o canário
Ouvindo o canto de sua seresta
A saudade crê, no extraordinário
A alegria, no som, a alma atesta
Mas, poucos ouvem o meu dia
Calado e frio, numa poesia fria
Ajuntando o meu aflitivo pranto
E neste choro, um choro estridente
Que me faz chorar tão incontinente
Muitos pensaram que é meu canto
Luciano Spagnol
2016, novembro
Cerrado goiano
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