Poemas de Luto
Infelicidade de ser feliz
Você viveria infeliz por um padrão?
Quanto custa para sentir-se completo?
Você mentira por amar?
Até onde levaria um teatro?
Eu não sei se existem respostas;
Tão pouco soluções.
São problemas, dilemas, pressão que gera depressão, máscaras de um forte concreto.
Numa sociedade onde tudo o que importa é a cara da moeda e não o valor, onde as mentiras são aceitas porque não doem, tudo vale; com exceção de ser feliz.
Eu, pobre escritor de alma rica.
Me sinto fatigado de levar o peso do pecado.
Porque na Vila onde eu moro, sou condenado por amar, sou obrigado a lutar, contra mim mesmo.
E mesmo fazendo o bem sem olhar a quem.
Um detalhe me torna vilão do tempo.
E se tivesse que perguntar ao vento, diria:
Se para passar por isso, ser feliz é possível ou é um veneno?
Minha boca ainda sente o gosto do seu beijo.
Por um momento senti
Um gostoso arrepio
Minhas lágrimas virou rio
Quando você foi embora
Meu peito até hoje chora
Lamentando sua partida
Igualmente a despedida
Que nós tivemos outrora
Minha garganta estranha
Essa voz que hoje tenho
Vivo em atrito ferrenho
Com minha angústia tamanha
Por fazer tempo que não te vejo
Esse meu olhar não mente
Nele vejo que minha boca ainda sente
O gosto do seu beijo!
Perdão amigo?
Não preciso das pessoas
Elas precisam de mim
Não preciso de amigos
Eles precisam de mim
Fui julgado, maltratado e pisado
Rasgaram minhas raízes
Derrubaram o que era leal
Engoliram o ego inflado
Mais voltaram, voltaram chorando
Pedindo o perdão acumulado
O perdão de um peito arrasado
E naquele dia chuvoso
Eu perdoei, não por mim
Mas pela pessoa que ensinou
Que o perdão é algo divino
É um espírito lindo
Chamado amor humano
E por este poema digo a ela
Obrigado;
A NOITE
A noite cai
É noite de lua nova
Sozinha no meu quarto
Olho para o teu retrato
A saudade é como uma
Espada que dilacera o meu coração.
O amor é como vinho e o vinho é como o amor.
Nasce radiante, colorido, adocicado os teus lábios doces e o teu sorriso contagiante meu anjo sem asas.
Feito vinho doce adamado nos deixa apaixonados e amados pelo nosso amor próprio. Feito vinho botado vai-te tornar minha rainha e minha deusa grega.
E todo o meu desejo fica cheio de loucuras e imaginações ardentes e apaixonantes.
Onde fico à espera, até da tua nova chegada pelos mares e pelos céus de Lisboa e de Veneza.
BARCO NO ESPAÇO 🌻
No meu ventre
Nasce uma bela flor
Que verte em ti
O meu melhor pólen
Uma substância
Secreta de alegria
Tu plantas-me
O mais belo aroma
Nas asas que me levam
Em leves voos
Nas madrugadas
De flores perfumadas
Jardim da vida
Vela de um barco
No ventre sem arrais
Perdida no espaço de ti.
MEU AMADO💕
Onde vais meu amado
Nesta chuvosa escura noite
Vais ao encontro daquela
Por quem anseia o teu coração
Mas não tens medo
De ir sozinho
Não ela já sabe
Que o meu amor lhe faz
Ele é a minha única companhia
E quantas vezes
Apareceste nos meus sonhos
Neste mar de luas que nos acende
Ao qual falamos de amor
Eram noites de tanta ternura
E os filhos que nasceram do nosso amor
Onde vais meu amado
Tu sabes que és e serás
A minha eterna e doce companhia.
"ESTENDAL🌺"
Pendurei na corda do meu estendal
O meu lamento, a dor, o desassossego
Veio a chuva molhou-me senti-me nua
Torci a roupa da minha saudade
Não há mais nada encantador
Que livramos-nos de tudo que nos faz mal
Banana
Ah! A banana...
da terra
prata
ouro
delicia soberana
Na roça
no quintal
minha, sua, nossa
preferência nacional
Ah! A banana...
Capital!
Que da Mãe Terra emana
Viva o bananal...
natureza, prana
fortuna tropical
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
39/004/2020, cerrado mineiro
copyright © Todos os direitos reservados.
Se copiar citar a autoria – Luciano Spagnol
Noites, estranhas noites, doces noites!
A grande rua, lampiões distantes,
Cães latindo bem longe, muito longe.
O andar de um vulto tardo, raramente.
Noites, estranhas noites, doces noites!
Vozes falando, velhas vozes conhecidas.
A grande casa; o tanque em que uma cobra,
Enrolada na bica, um dia apareceu.
A jaqueira de doces frutos, moles, grandes.
As grades do jardim. Os canteiros, as flores.
A felicidade inconsciente, a inconsciência feliz.
Tudo passou. Estão mudas as vozes para sempre.
A casa é outra já, são outros os canteiros e as flores
Só eu sou o mesmo, ainda: não mudei!
Encontraremos o amor depois que um de nós abandonar
os brinquedos.
Encontraremos o amor depois que nos tivermos despedido
E caminharmos separados pelos caminhos.
Então ele passará por nós,
E terá a figura de um velho trôpego,
Ou mesmo de um cão abandonado,
O amor é uma iluminação, e está em nós, contido em nós,
E são sinais indiferentes e próximos que os acordam do
seu sono subitamente.
Elegia
As árvores em flor, todas curvadas,
Enfeitarão o chão que vais pisar.
E a passarada cantará contente
Bem lindos cantos só em teu louvor.
A natureza se fará toda carinho
Para te receber, meu grande amor.
Virás de tarde, numa tarde linda –
Tarde aromal de primavera santa.
Virás na hora em que o sino ao longe
Anuncia tristonho o fim do dia.
Eu estarei saudoso à tua espera
E me perguntarás, pasma, sorrindo:
Como eu pude adivinhar quando chegavas,
Se era surpresa, se de nada me avisaste?
Ah, meu amor! Foi o vento que trouxe o teu perfume
E foi esta inquietação, esta mansa alegria
Que tomou meu solitário coração...
quando me perguntarem vou ser
completamente aberta
horrivelmente honesta
e por isso aviso
nenhuma verdade vai sair
de mim
Resolução
não há resquício de dias pequenos
no instante do olhar ao espelho
após um novo corte de
cabelo pela primeira
vez
eu
sou aquela que já
não sou
ou:
eu
sou aquela que ainda
não fui
(são as aftas que ajudam
a afiar a
língua)
eu sou aquela
que já era
breve e seco
toda a minha história imaginada
descendo como um longo tapa sobre o rosto
do esquecimento
(mas eu acordo agora)
como posso eu querer guardar nos bolsos
todo grito não gritado
toda queda interrompida pela ausência de gravidade
nos momentos cruciais
mesmo gargalhando como uma hiena e dançando como os beatles
ainda estou imersa
e sinto o pulo breve e seco do meu peito
que de saturno não pode ser visto
mas aqui parece que vai me matar
toda a história imaginária rolando escada abaixo e
ninguém vai ouvir estamos todos ocupados
com a voz pegajosa da escuridão
mas é claro que eu acordo agora
quando essa galáxia implodir
eu vou lembrar que resistimos
eu vou lembrar que estivemos
onde pudemos estar
e das palavras que arremessamos
como um jogo de pingue-pongue
nem sempre eu alcanço a bola
mas faço questão de buscá-la no chão e jogar de volta
para que você a receba e o jogo persista e as horas passem
mesmo pressentindo as implosões futuras
mesmo quando o fim escala o muro e entra
a cada toque da raquete ainda espero
uma imensa millennium falcon a nos buscar –
ela não chega
mas a bola ricocheteia rente à rede em uma jogada
tão linda
meus braços elásticos a resgatar a bola da queda
e a gente ri e esquece
de ver o mundo acabar
O amor...
Dói como um cabo de uma rosa,
Mas é lindo ao mesmo tempo.
Quero ser forte ao amar,
Choros a noite, sorrisos pela manhã,
Pare de me machucar!
Uma vez na vida, eu só quero amar!
Mas eu sei, amar não é um mar de rosas
Amar é um mar de espinhos que estão prontos para nos furar,
Mas não desista, o amor é algo inexplicável.
Sinta, mesmo que machuque.
-Kessia B.
Eu não quero te ver
Nem tampouco te ouvir
Nem sentir suas mãos
Tocando em mim
Eu não quero lembrar.... de você
E se eu lembra-se de esquecer
Tudo que eu sinto por você
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