Poemas de Luto

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Mal, afinal quem é o Pai desse mal?
É o ser transcendental ou o animal racional?
O diabo decerto é a opinião global
Um tal anjo esperto, governante universal

Censo comum é a ponte do conhecimento actual
Eu não creio em dogmas acredito na moral
O dogma é veneno da potência intelectual
Única certeza trivial é que o mal é real

Ausência do bem, insatisfação da conduta
De alguém para outrem, com ou sem desculpa
O mal é histórico, nascido da labuta
Arquitetado pelo homem, o mal reside na disputa

Homem transfigurado em animal selvagem
Facto mais que consumado, não se trata de miragem
O fim é justificado pelo meio que é usado
Mesmo que o resultado prejudique o irmão do lado.

Inserida por LJ_Nhantumbo

Supondo que Eva e Adão foram nossos ancestrais
Ignorando a evolução, ideia que viemos de animais
O homem como pensamento evoluiu até demais
Multiplicando o conhecimento até aos dias actuais

Da palha ao cimento, das pedras aos metais
E todo aprimoramento de outros materiais
A exploração das plantas para fins medicinais
O controlo do vento e outros ecossistemas naturais

Tudo parece uma beleza ao olho desatento
Mas a Mãe natureza acha o homem violento
Pela nossa destreza em quase todo evento
Que expeliu muita tristeza até o actual momento

Evoluímos na tecnologia através da ciência
Esquecemos da sabedoria que é a verdadeira essência
A real primazia que daria sentido a existência
Se não fosse pela hipocrisia que reprimiu a consciência.

Inserida por LJ_Nhantumbo

Existo e sou real não me descrimine
Acelero a morte de quem não se previne

Sou mortífera, criação da ciência
Carnívora, tiro-te a existência
Não tenho estrutura, não tenho aparência
Não tenho moldura, não tenho clemência

A escala decimal, reduzo sinais vitais
Responsável desse mal
Transforma vidas em restos mortais.

Existo e sou real não me descrimine
Sou mais penal que qualquer crime
Te agrado, sou o pior veneno
Se propago e ganho mais terreno.

Existo e sou real não me descrimine
Sou mais penal que qualquer crime.

Inserida por LJ_Nhantumbo

Eu não nasci assim estranho como sou
E não culpo a mim ou quem me criou
Sou fruto da sociedade ela que me moldou
Na busca de integridade que a mesma rejeitou

Por mais solitária que seja minha pessoa
Um tanto arbitrária, céptica que até enjoa
Preciso de companhia, além do meu ego
E procuro dia a dia, a falsidade não me entrego

Pois viver de aparências e não ter identidade
Convergem na mesma triste realidade
Fingir gostar e ser só para ser aceite
Digo: não é viver quero ser diferente

Apurado ou não seu campo de visão
Aparência é ilusão, obstrução da percepção
De conhecer o que é, além da configuração
Exterior que também, é uma distorção

Serei o que quero (eis o cerne da questão)
Opinião nem espero para saber que é enganação
C.D.F. (cabeça de ferro), que seja isso então
Ao menos me venero quando rejeitado na nação

Diferente de vós, ó fracos de coração
Que procuram aprovação, de quem vos pisa sem educação
Estúpidos sem noção, aparentam o que não são
Carentes por atenção, marionetes da globalização.

Todos sentimos a necessidade de se enquadrar em um grupo social, que partilha das mesmas ideias que as nossas. Quando somos rejeitados a primeira, por vezes vestimos máscaras só para sermos aceites. Vivemos de aparência para agradar a terceiros, não queremos ser vistos como estranhos. Mas eu digo, ser estranho é ser diferente, e ser diferente num mundo de iguais, é o que nos torna especiais.

Inserida por LJ_Nhantumbo

De oitenta e um à noventa e um
Foram dez anos que não houve jejum
As mentes trabalhavam, reportavam o que importava
Se inspiravam no que observavam, educavam quando repavam

As cabeças abanavam ao «boom-bap» que tocava
Os ouvintes imitavam o artista que apresentava
Na rua, no palco, onde quer que se encontrava
Ao sol, a lua, o MC improvisava

Sem receio ou censura, a alma se libertava
Nascia assim a cultura que a negritude representava
Quatro pilares na estrutura, era tudo que suportava
O B-Boy que dançava, o DJ que tocava

O Grafiteiro que pichava e o MC que apresentava
Época de ouro passou, o Hip Hop se desintegrou
Individualismo se alastrou e a cultura declinou
Fedelhos invadiram, a internet ajudou
Entre eles competiam, pela imagem, pelo flow
Os puros assistiam no que tudo se tornou
Alguns desistiam outros tantos se vendiam
Ramificações surgiam mas o underground não abalou

Equipados de dom, consciência e competência
Guardiões do nosso som, resistiam as tendências
Criticavam os que não entendiam, elogiavam os que sentiam
As raízes que fortaleciam e impediram a decadência.

Inserida por LJ_Nhantumbo

Sempre penso na vida
Desafios e obstáculos que vem
Mas tenho medo de receber uma ferida
Que eu não poderei me sentir bem

Posso morrer um dia
Sendo morto, Ou naturalmente De velhice
Mas eu não sei como aconteceria
Pois não sou vidente de saber como morreria

Dias se passam
Enquanto pássaros voavam
Pessoas se encontram
Enquanto eu estou falando

O futuro chegará talvez
Com o avanço da tecnologia
Coisas novas aparecem de vez
Mas sem ele tudo isso não existiria

Todo mundo sempre tem um fim
Também um começo
Somos desenvolvidos a partir de um óvulo que porfim
Nascemos simples assim

Cada um tem sua história
E também seu jeito de ser
Alguns querem ter uma vida dedicatória
E outros... Vida de lazer

Inserida por LSouza

Cada dia que se passa
Não tem um momento que eu não lhe abraça
Sempre pensando em você
Enquanto pessoas querendo ti ver sofre

Mas a questão é, porque eu a amo
Porque sempre eu a chamo
De Meu bebê, De Meu neném
Ou até mesmo de Meu bem

Seu jeitinho fofo que eu adoro
O único sorriso que não sai de minha cabeça
Todos os dias que eu acordo
Já vou logo pensando na sua presença

O carinho que recebo de você
É a melhor coisa que eu ganho na minha vida
Pois isso é algo que nunca vou esquecer
Enquanto ainda estou a viver

Quero que saiba que sempre te amarei
Alguém que jamais esquecerei
Um pedaço de meu coração
Que quando encontrei no chão, segurei em minhas mãos e jamais o soltei

O meu amor por você é tão grande
Quanto milhares de milhões de pessoas subindo na escuridão de um monte

Inserida por LSouza

Tecnologia sempre está presente
Celular, computador e vídeogame
Toda hora no dia a dia
Mas isso é Ruim pois vicia

O futuro está chegando
Novas coisas estão por vim
Coisas que revolucionará o mundo
Mas isso pode ter um fim

Os carros provavelmente vão voar
E os sapatos futuristas ainda irão rasgar
Celulares capazes de fazer tudo na palma da mão
Qui nada... Apenas Imaginação

Só me pergunto uma coisa
os ladrões ainda existirão
Será que eles vão parar de suar camisa
Roubando pessoas que nem se defenderão

Só os videntes sabem oque vai acontecer
Pois eles tem sabedoria e dignidade
Mas alguns podem ver o futuro e não reconhecer
Já que ele terá uma longa eternidade

Inserida por LSouza

Enlouqueça

Enlouqueça para sentir
Fique louca e dance, pule
Beije aquela boca na rua e sinta a vibração da música tocar dentro de si

Fique louca
Fique ousada
Fique atrevida

A loucura liberta.
O que seria da lagarta sem a loucura do casulo?
Jamais seria borboleta pra loucura do vôo.

Enlouqueça e viva
Fique louca e se jogue sem medo de mudar
Fique louca e jogue sem medo de amar

Enlouqueça e quebre as regras da sanidade
Retire as máscaras que te impedem de viver

Enlouqueça e viva
Simplesmente viva a deliciosa loucura que é viver.

Kátia Osório

Inserida por katiaruiva

Para esta semana:
observe os caminhos por onde passar;
nas pessoas que você guarda dentro;
nos abraços que te ligam;
nos sorrisos que te dão certeza;
no amor, ná fé e na sua religião.

Inserida por geraldo_neto

Não sou de brincadeira
nem muito forte e nem tão fraca
seilutarà minha maneira
não dou murro em ponta de faca
Não sou tímida e nem ousada
sou real e sou do bem
um pé na nuvem e outro na estrada
o caminho conheço muito bem
Gosto de aprender sempre nova lição
ensino também o pouco que sei
respeito e ser respeitada faço questão
e dessa forma até meu fim viverei

Inserida por neusamarilda

A cidade movia-se como um barco. Não. Talvez o chão se abrisse em algum
lado. Não. Era a tontura. A despedida. Não. A cidade talvez fosse de água.
Como sobreviver a uma cidade líquida?
(Eu tentava sustentar-me como um barco.)

Inserida por pensador

Os marinheiros invadiam as tabernas. Riam alto do alto dos navios. Rompiam a
entrada dos lugares. As pessoas pescavam dentro de casa. Dormiam em
plataformas finíssimas, como jangadas. A náusea e o frio arroxeavam-lhes os
lábios. Não viam. Amavam depressa ao entardecer. Era o medo da morte. A
cidade parecia de cristal. Movia-se com as marés. Era um espelho de outras
cidades costeiras. Quando se aproximava, inundava os edifícios, as ruas.
Acrescentava-se ao mundo. Naufragava-o. Os habitantes que a viam
aproximar-se ficavam perplexos a olhá-la, a olhar-se. Morriam de vaidade e
de falta de ar. Os que eram arrastados agarravam-se ao que restava do interior
das casas. Sentiam-se culpados. Temiam o castigo. Tantas vezes desejaram
soltar as cordas da cidade. Agora partiam com ela dentro de uma cidade
líquida.

Inserida por pensador

Não temos uma arma apontada à cabeça,
dizias-me. Mas era impossível que não visses,
impossível. Eu ao teu lado com aquela dor
no pescoço, imóvel, cuidadosa, o cano frio
na minha testa, a vida a estoirar-me
a qualquer momento. Era impossível que não visses
o revólver que levava sempre comigo. Por isso dormia
virada para o outro lado, não era por me dar mais jeito
aquele lado, era por me dar mais jeito
não morrer quando nos víamos,
era para dormir contigo só mais esta vez,
sempre só mais esta vez,
sempre com o meu amor a virar-se de costas,
sempre com o teu amor apontado à cabeça.

Inserida por pensador

Demoro-me neste país indeciso
que ainda procura o amor
no fundo dos relógios,
que se abre
como se abrisse os poros solitários
para que neles caiam ossos, vidros, pão.
Demoro-me
no ventre desta cidade
que nenhum navio abandonou
porque lhe faltou a água para a partida,
como por vezes desaparece a estrada
que nos conduz aos lugares
e ali temos que ficar.

Inserida por pensador

portanto eu pego minha bicicleta
e como de costume você faz meu retrato
de cabelo todo desenhado no vento
em jeito de menino que está sempre indo embora
à mesma hora e que amanhã se tudo der certo
voltará à mesma hora para o mesmo amor
a mesma mesa a mesma explosão
com toda a certeza a mesma fuga
porque você e eu a gente é feito de matéria
escorregadia, i.e., manteira, azeite, geleia
e espanto.

Inserida por pensador

Amor, é muito cedo
E tarde uma palavra
A noite uma lembrança
Que não escurece nada.

Inserida por pensador

Cai a chuva no portal, está caindo
Entre nós e o mundo, essa cortina
Não a corras, não a rasgues, está caindo
Fina chuva no portal da nossa vida.
Gotas caem separando-nos do mundo
Para vivermos em paz a nossa vida.

Cai a chuva no portal, está caindo
Entre nós e o mundo, essa toalha
Ela nos cobre, não a rasgues, está caindo
Chuva fina no portal da nossa casa.
Por um dia todos longe e nós dormindo
Lado a lado, como páginas dum livro.

Inserida por pensador

Eu gostava de poder dizer
que entrei no teu corpo como um pássaro
espreitando através de invisíveis ruínas
e que o som da tua voz bastava
para me salvar

mas de nada serve inventar palavras
quando as palavras que inventamos
não passam de frágeis lugares de exílio
dos gestos inventados fora de horas
delimitando o espaço de tantas mortes prematuras
de que jurámos ressuscitar um dia

- quando os deuses se lembrassem
de acordar ao nosso lado

Inserida por pensador

Que limbo é este onde
Pelo meio da noite às vezes aparecias
Mas apenas para desfazer esquecidos silêncios
Porque bem sabes ao terceiro Whisky
O amor é sempre eterno

Inserida por pensador