Poemas de Luto
doando um desperta(DOR)
porque já perdi tempo demais
despertando as dores
agora eu quero mais
é perder a hora e a cabeça
de vez em quando
e também quero perder o juizo
e sair do prejuizo
quero viver
pois ainda há tempo para tudo
e talvez outro tempo para nada!
falou a (des)entendida do assunto
Fernanda de Paula
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Hoje é dia do silêncio
mas mãe não combina com silêncio
amor de mãe grita
quebra o silêncio da alma!!!
Fernanda de Paula
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o sorriso da lua
se a lua te sorrir
revide
sorria de volta!!!
Fernanda de Paula
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Somos leves como a neve,
com passados manchados de sangue,
E agora estamos de passagem na escuridão,
Com apenas dor e muitas vezes ninguém vê.
Como somos humilhados, mas você consegue...
Fomos julgados e queimados, sendo esquecidos na imensidão.
Rasgo alguns sonhos,
mas, não os enterro,
deixo os pedaços ,
porque se o acaso
num ocaso qualquer ,
apontar em esperança ,
poderei refazê-los
Diacrítico
Diacrítico é uma palavra cabulosa,
pois se atento ao som tô mal.
Contudo, preste atenção pessoal
Diacrítico não é que o dia tá crítico,
não é essa coisa da vida dramática,
mas é sim coisa de gramática...
Veja na nossa Língua Portuguesa
os diacríticos são seis,
Vou mostrar para vocês:
- Acento agudo;
- Acento circunflexo;
- Acento grave;
- Cedilha e til.
Então vamos aprender
criançada e jovens do meu Brasil!
Maria Lu T. S. Nishimura
Aprender a sentir o calor
A não levar a vida tão a sério
Mas mesmo assim ter a certeza
Que cada novo dia é um privilégio.
E se discordar do que eu digo
Ignore que um dia escrevi
E encerre meu livro.
Tem coisas que parecem acontecer com todo mundo, menos com você.
E você sente que não se encaixa no fluxo da vida, que está fora do ciclo.
Parece que todo mundo vai...e você fica.
Quando sentir isso, lembre-se que você vive em um tempo só seu, sua vida não segue uma linha reta, ela dá curvas e saltos. Ela brinca!
Infância
Sonhos
enormes como cedros
que é preciso
trazer de longe
aos ombros
para achar
no inverno da memória
este rumor
de lume:
o teu perfume,
lenha
da melancolia.
Acusam-me de mágoa e desalento,
como se toda a pena dos meus versos
não fosse carne vossa, homens dispersos,
e a minha dor a tua, pensamento.
Hei-de cantar-vos a beleza um dia,
quando a luz que não nego abrir o escuro
da noite que nos cerca como um muro,
e chegares a teus reinos, alegria.
Entretanto, deixai que me não cale:
até que o muro fenda, a treva estale,
seja a tristeza o vinho da vingança.
A minha voz de morte é a voz da luta:
se quem confia a própria dor perscruta,
maior glória tem em ter esperança.
Cantiga do Ódio
O amor de guardar ódios
agrada ao meu coração,
se o ódio guardar o amor
de servir a servidão.
Há-de sentir o meu ódio
quem o meu ódio mereça:
ó vida, cega-me os olhos
se não cumprir a promessa.
E venha a morte depois
fria como a luz dos astros:
que nos importa morrer
se não morrermos de rastros?
Lágrima
A cada hora
o frio
que o sangue leva ao coração
nos gela como o rio
do tempo aos derradeiros glaciares
quando a espuma dos mares
se transformar em pedra.
Ah no deserto
do próprio céu gelado
pudesses tu suster ao menos na descida
uma estrela qualquer
e ao seu calor fundir a neve que bastasse
à lágrima pedida
pela nossa morte.
Eu vou te buscar com meu carro
Eu vou me inclinar para abrir a porta
pra você
por dentro
uma mão no volante
Meu cabelo vai me acompanhar
para abrir a porta pra você
Eu acho esse gesto
mais bonito
do que sair do carro
para abrir a porta do lado de fora
Daí um beijo, oi, você entra
E depois, eu, dando a volta
Um sorriso
depois do silêncio
de ter ficadosozinha no meu carro por um tempo
O tempo da minha volta ao meu lugar
Que meu corpo e meu carro
nasceram fechados
Abrindo por dentro
a inclinação
um braço no volante alavanca
o cabelo que cai por cima do ombro
que se esforça
a mão que encaixa na maçaneta
um anel pequeno
Você começa a bater os dentes
eu faço isso também
eu ranjo
o maxilar para frente e para trás
a noite inteira
eu leio um poema
eu me preocupo com seu dentes
com os sonhos inquietos
você respira
barulhos de sono
A luz apaga
Eu cheiro seu cabelo
e esfrego o nariz
e a boca
na sua testa
Eu leio um poema e você range os dentes
Às vezes me bate
a súbita vontade
de arrancar todas as roupas
com uma tesourinha
cirúrgica porque
eu preciso
andar sobre quatro patas
Um cavalo que sobe o rio
para testar
a tração das pernas
eu não entendia
& ela se mexia tanto ao meu lado
& aqueles bancos apertados
o ar condicionado gelando tudo
(os brincos dela, o meu humor)
mais de uma hora cruzando
ruas, avenidas, parágrafos –
o livro gritando alto
num mundo surdo
depois de arrumar-se
mais algumas dezenas de vezes
passou batom nos lábios
o sol já estava no meio do céu
quando ela se levantou
foi então que percebi que
três pequenos pássaros
voavam em suas costas
(a dor nos traz anseios
tolos – como fazer a Terra
voltar meses, anos atrás, como fez
aquele herói extraterrestre
do filme e do álbum de figurinhas
que juntos colávamos
em muitas manhãs de domingo –
ou olhar uma estrela
e imaginar que você
dorme em algum lugar
ali por perto –
e nos dá a medida do tempo
e continuamos sem entender
medida alguma, aguardando
o barco retornar de Delfos
para que possamos, também,
nos despedir definitivamente
desse nosso
bosque liliputiano)
Reolhar
"O belo é poliglota e contém em si a capacidade de causar encantamentos vários e apropriar-se de linguagens e expressões diversas, ao olhar, presta atenção nas ausências, no vazio que preenche o ambiente e nos silêncios que transbordam e explodem vibrantes no olhar, a beleza está na (re)descoberta e se faz sentido pra você, faz sentido".
Dia do Escritor
[...] A gente começa a escrever por que não pode ou não consegue falar, continua escrevendo por que não quer se calar, daí se percebe escrevendo por que internamente os monstros estão grandes demais, incontroláveis e impassíveis, eles se tornam verdadeiros devoradores de silêncios que nos consomem dia após dia vorazmente.
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