Poemas de Luto
Ser ou não ser palavra
Muitas vezes as palavras prendem-se num labirinto em nossa mente. Esta luta para libertá-las e nada! Ficam navegando no mar da consciência, com receio de enfrentar o mundo lá fora onde ruídos poderão abafá-las. O que fazer então? Nada, deixar que durmam, descansem e amadureçam. Quem sabe, na próxima primavera elas serão flores representadas por versos perfumados, metáforas coloridas, quem sabe um espoucar de estrelas na amplidão ou apenas gotas de orvalho, bem suaves arrefecendo, da noite, o calor.
Palavras tão des-alinhadas podem se tornar versos, ou não ?
Eu não sei o que fazer, cada lágrima se torna um rio, sou apenas um marinheiro em um tempo frio
Tempo que trás a tempestade, me torna um escravo de minha própria liberdade, me liberte deste mar que entope de lembranças, lembranças de um garoto que um dia sorriu
Me jogue no mar, me deixe afundar, ate me afogar, lá lá lá, o doce som das correntezas por mas que fortes são calmas, acalme minha alma
Deus Poseidon, escute meu som, me deixe sair, de minha âncora, pesada e profunda, que esconde minha voz muda, eu..quero gritar, mas temo que meus gritos virem apenas palavras.
[. . .] O que nos une é :
Mais que uma musica e um universo
Mais que a escrita, mais que o verso.
Mais que a prosa, mais que a rosa. . .
É uma busca ansiosa na calma
uma pura verdade de alma! ! ! . . .
Leve seu ruído já embora
não preciso disso agora.
Já há muito o que ouvir aqui dentro
contudo, estou aqui neste momento .
Parece bem calmo e tranquilo assim
mas há barulho ao mergulhar em mim.
Viva a vida como se fosse o fim você não sabe quando vai morrer,
não passe a vida odiando as
pessoas,
ame aqueles que te amam pois um dia vai ser tarde para se desculpar e se despedir
Apenas chorei pelo meu passado
O tempo se foi como um rio,
mas a memória restou, eternamente,
daquela sonhada, bela e miliária história
da flor que nasceu… chamada amor.
Apenas chorei por tão notório amor
que mostra as feridas do meu coração
com isso, todo o meu ser fica dorido,
nos meus pensamentos que vagueiam.
Veja o espelho do meu olhar tão pesaroso,
é a frustração desse amor sentimental,
apenas lágrimas em todos os meus afetos.
Serão lágrimas de um desencanto
que perdeu o grande amor desejado,
resta a desesperança de um sentimento funestro.
Douglas Stemback
Hoje o dia em sorriso maroto,
Me faz lembrar você;
O orvalho solta lágrima despretensioso;
O céu libera as nuvens como a não querer
Que nada ofuscasse aquele azul
Como a lembrar teus olhos buscando imensidão;
Hoje um canário bicou minha janela mais cedo como à dizer
"Ela espera mensagem já peculiar";
Cada bicada traz inspiração;
Mas hoje a rima pode esperar;
Hoje a sariema mais forte canta
Como a te anunciar;
Os demais passarinhos em espanto
Só a silenciar
Pois aquele horário hoje ė suave
E a sariema como em trompetes
A anunciar:
Tira a tristeza dos olhos
Pois o beijo ardente podes adiar.
Ipê
Profunda e lentamente
Quero ser raiz certo dia
Embaraçar-me e enraizar na sua indecisão
Sufocar-te
Esmagar sua covardia
E você vai gritar encarniçado
Arrastar tempos
Consoantes e vogais
Vai verbar seu timbre
Asfixiado
Em noite de lua abarrotada
E não te reconhecerei
Serás estranho
Te matarei
Sem remorso
E na estação que interrompi
Para adornar esta conquista
Vou florescer
E de nada me lembrarei
Livro Pó de Anjo
Autora: Rosana Fleury
Fruto do Pai
Meu pai dizia
Que tinha de ser aroeira
Lustrar a epiderme cinzenta
Pinçar as sobrancelhas
Escovar o hálito
Acetinar os cabelos
Cortar as cascas
Ser adstringente nas respostas
Resinoso para atrair
Não ter muita importância
Se banhar de estimação
Ser baga trilocular
Desconfiar
Que somos
Filhos de Deus
Em parto humano
Que nada descende
De nossa criação
Mas do espírito
Capsula
Suavizada em Deus
Com nome e identidade
Pela vida além
Livro Pó de Anjo
Autora: Rosana Fleury
Consequências
Como esquecer seu, lindo sorriso, seu cabelo longo, seus olhos brilhando com a lua
O mais belo sorriso gravado, não me foi aquele de algo engraçado,ou aquela que acontece
Na piada mais engraçada, mas sim aquele ,
Sorriso tímido meio de lado, de que quando me notou ficou estática em sua sala
Entre a porta e o carpete.
Querendo ao mesmo entrar e sair correndo ,fingindo de que nada tinha acontecido pena que uma linha
Unifilar já nos tinha sido traçada.
Em meios a tantos problemas, tantas pessoas .
Conseguir parar e observar naquela momento apenas seu sorriso foi algo totalmente
Insuperável, indiscrente e irreal
As coisas tomam forma assim como a vida se a minha algum dia voltar pelos vão dos meus dedos
Só farei uma pergunta por ela todo Por que não me deixou te conhecer antes ?
https://evertonpoemas.blogspot.com/
Saudades
Saudades, jardim de aromas, redemoinho de lembranças que se
espalham repentinamente; desabrocham em torrentes de lágrimas,
Em conta-gotas
O tempo pára
Retrocede
Para vivermos de novo.
Viver, agora, em sentimento
Em saudades
Em lembranças
Nas sombras do passado, na luz do presente.
Nas sombras das lembranças, ternas passagens, saudades,
aromas perdidos, estreitas aparências, vampiras recordações.
Na luz de todo dia, construindo saudades, suaves, a cada dia, Ave
Maria, nas contas do terço de nossa existência, espalhando aromas para que possamos ter sempre
Saudades.
Livro: Não Cortem Meus Cabelos
Autora: Rosana Fleury
IRIS
[...] a admiração
não cessa
até que se esgote a temporada...
eterna paixão!
Íris, flor encantada
pássaro em ascensão
singelo feitio
poesia e ilusão
da cor azul anil...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
2020, julho - Triângulo Mineiro
A INEXISTÊNCIA DA VERDADE
A verdadeira verdade não existe!
A verdade verdadeira é a minha,
Sua verdade é uma mentira
Que tira a minha da linha.
A minha verdade é a certa
Que acerta na reta sem seta.
Sua mentira é uma verdade
Que pra tu é a certa.
Na treta da verdade verdadeira
O que nos resta é viver cada um em sua verdade derradeira.
As Serras de “Trem”
Nos altos e nos baixos
Nos vales e nos picos
Ondulando caminhos
Caminhos de Minas
as curvas não encurtam
Caminhos tortos,
Caminhos de Minas.
Nos caminhos
Os trilhos
Os trens
O trem
O que é que tem
Vamos esperar
Aí vem
Um café
Que está um trem.
Livro: Não Cortem Meus Cabelos
Autora: Rosana Fleury
Então vamos por partes –
não se vai com tanta sede ao pote –
Primeiro: fabricar a sede
Segundo: fabricar o pote
Terceiro: deixar que a água jorre
Ela me disse:
meu coração
quer sair pela boca, eu
segurava minha boca
para que não saísse
pelo coração
O dedo na rama e o sol na cama:
quanto vale o dia de quem ama?,
quanto? passá-lo em sua faina de
amor lado a lado, moita, mão, e
o sol derramado?
Errou o homem cujo calo lhe gritou
ardendo dentro do sapato
amanhã choverá. E também o cara
(ou aquilo dentro dele) que previu:
cem mil diminutos relâmpagos
se desatarão do corpo da garota
na minha direção
Não que não tenha relampejado
mas porque um só relâmpago
(fora daquele céu) foi necessário
para abatê-lo. E agora sabe
o quanto (ainda mais que nós
que sabemos do homem com seu calo
ardendo ainda dentro do sapato)
o nosso corpo é essa antiga máquina
falaciosa de premonições
Die Aufgabe
Chegar em casa um pouco mais
do que cansada e puxar ainda assim
e aos poucos o fio longo da mortalha
até fazer da noite sair enfim um dia
dentre todos os dias a morrer na praia
só a sede
o silêncio
nenhum encontro
cuidado comigo amor meu
cuidado com a silenciosa no deserto
com a viajante com o copo vazio
e com a sombra de sua sombra
