Poemas de Jaak Bosmans

Cerca de 143 poemas de Jaak Bosmans

Letras em jogo

Pegam-se todas elas sem distinção
Nem de cores nem valores
Algumas sempre vêm repetidas
E há curingas misturados.

No tabuleiro branco do papel
Distribui-se uma a uma sem apostas.
No jogo participa apenas nós dois
Minha razão e a minha emoção.

Às vezes na melhor jogada ganha a razão
E sorrindo a emoção mostra o curinga.

Confusão final na contagem dos pontos
Se a cedilha vale mais que dois esses,
Se abajur pode ser em francês
E se homem ainda é com H.

Na poesia as letras nunca se embaralham,
Apenas o poeta se perde no meio delas.
E ao final deste jogo tão disputado
Poeta vencido... a poesia ganha!!!


Jaak Bosmans 5 -04 -09

Jaak Bosmans
Inserida por JaakBosmans

Desembarque!

Bagagem sempre leve,
Carrego só no coração.

Estação abandonada de chegadas
Recorda ainda apenas as partidas

No velho banco já gasto de lágrimas
Sentado nele, ainda te sonhava ali

Cabeça entre as mãos, em negações,
Recordava teus abraços, adeuses e cartas.

Num perder constante da hora do embarque
Tornou-se mais fraco meu coração

E num ímpeto de loucura e vertigem
Me desfiz logo daquela leve bagagem.

Apito distante eram ecos do passado
Que se aproximou num real acontecer

Parando entre ruídos e fumaças
Quando em novo bater me fez o coração.

Era o último desembarque possível
Em te trazer de volta para nós!

E assim meus olhos te viram,
Afinada com meu sorriso.

Triunfou todas as velhas vontades
Como fogo que nos fez um louco-mover

No trilho brilhante, um vagão em por do sol,
Desliza agora em nova viagem de recomeço.

Jaak Bosmans- 13-04-09

Jaak Bosmans
Inserida por JaakBosmans

Flores da ribalta

Cenário sempre quase pronto
Figurino ainda em retoques
Texto passado por trás das rotundas
Luzes ensaiam o anoitecer da cena
Num paradoxo de já ser noite
Platéia sempre cheia
Com lugares reservados nunca usados.
Roldanas levantam paredes
Como se tudo fosse mentira.
No espaço de um palco
Cabe o mundo, o universo.
Objetos ainda faltam!
Que falta poderiam fazer?
Completo pode ser qualquer vazio.
E no abrir da cortina os atores!
Sempre fingem representar,
O que na vida sempre fazem.
Apenas aguardam os aplausos finais,
Que na vida é apenas silêncio,
Com algum choro, flores e cortejo.

Jaak Bosmans 19-04-09

Jaak Bosmans
Inserida por JaakBosmans

ELA

Ela?
Nunca deu pra ninguém!
Apenas se dava...
E nunca se perfumou.
Só se entregava de alma lavada.
Jaak Bosmans – 14-04-09

Jaak Bosmans
Inserida por JaakBosmans

Ópera dos interior.

Começam os acordes do velho acordeão,
Em leque que brinca de abre e fecha.
Entra junto, a melodia simples da rabeca.
Que chora feliz fora do ombro.

Nesse momento se inicia a ópera em uivos tristes.
Da terrível dor, que faz o “tíu” latir.

Falta ritmo! Falta um batido.
E começa escondido o ritmo proibido
De um triângulo amoroso.
Ela, ele e ele; e às vezes ele, ela e ela.

Assim a dança começa,
Sem ter hora de nunca acabar.

Apeia do cavalo o coronel
Que manda calar o “tíu”.
Aos pouco o ritmo diminui.
Separando aqueles vértices.

Acordeão e rabeca,
Isto é casal comum.
Não dá dança, e acaba a festa.

Jaak Bosmans 2 -11- 2008

Jaak Bosmans
Inserida por JaakBosmans

"Da prata liberdade"

Folhas prata da embaúba
Em meio ao verde de toda a mata
Gritam chuva.

Minha prata interior também grita.
Liberdade.

Embaúba prata é folha é mata.
Recebe chuva e desfolha.
Liberdade.

Começo de paisagens.
Primaveras repetidas, nunca iguais.

Na mesma busca que tenho em mim.
De gritos presos, silêncio e mata.

Diferentes amores, primaveras e pratas.


Jaak Bosmans

Jaak Bosmans
Inserida por JaakBosmans

Caminho familiar

Pesado elo entre o sonho e a realidade.
De impor felicidades

De querer apenas em simples pensar.
Abandono de lares imperfeitos.

Só posso te ver em saudades.
Através das grades da prisão de que me fiz.

Noite de grandes luas.
Pequenos gritos de guerra vencida.

Grandes sabores de beijos crus.
Apenas cozidos no mel da amargura.

Só vozes cruéis me embalaram.
Inesquecível noite de dezembro.

Que do filho amado ouvi gritar.
Que algemas colocassem em seu pai.

Com crueldade e sem perdão.
Noite de pesados elos desfeitos.

Jaak Bosmans
7-11-2008

Jaak Bosmans
Inserida por JaakBosmans

Não sei se o que escrevo é tão poético.
Procuro apenas decifrar as angústias e as esperanças que me calam.


Jaak Bosmans

Jaak Bosmans
Inserida por JaakBosmans

Alegra-te

Alegra-te.
Muito perto já se encontram lugares.
Mágicos e estrelares.
Banhados de luares.
Sortes que se presenteiam com beijos
Carinhos e ternura.
Sempre na corredeira de um manso rio.
Onde pesco apenas esperanças.

Jaak Bosmans

Jaak Bosmans
Inserida por JaakBosmans

Deslizando céus

Esperei pela nuvem maior
Num bater forte do coração
Entre águias, céus e azuis,
Surfei equilibrado na prancha da saudade.
Do outro lado, em redemoinhos de nimbos
Te via sorrindo e de braços abertos.
Gritavas em puro e suave silêncio.
-vem, vem, meu grande amor.
E deslizei respingado de gotas dos céus
Até ou teus braços, teus lábios, nossa aventura.

Jaak Bosmans 30-11-2008

Jaak Bosmans
Inserida por JaakBosmans

LUGARES

Lugares são perfeitos.
Ali nos encontramos.
Lugares áridos, campinas, mares e montanhas.
Lugares recebem sempre os encontros.
E deles fazem novos encantos.
Se movem em danças, marcadas pelo ritmo dos encontros.
Corações acelerados, almas silenciosas e ternuras em chamas.
Lugares nunca se desfazem.
São eternos, são lembranças.
E nenhum desencontro jamais consegue destruir lugares!
Porque lugares só existem em corações apaixonados.

Jaak Bosmans -5 -12 -08

Jaak Bosmans
Inserida por JaakBosmans

Te esperando

Giro no sentido contrário de quem passa o tempo.
porque só assim, posso permanecer fiel ao tempo que volta.
Nas fotografias ainda em negativos, que se revelam na química do que sei de amor.
Em ternuras, e no brando e suave tocar-te, me aconchego.
Vens de longe em púrpura carruagem, que te traz.
Corro pelos campos em pureza de alegrias.
Abro os braços, como surpresa para de te receber.

Passaste.

Jaak Bosmans 24 – 11 -2008

Jaak Bosmans
Inserida por JaakBosmans

Caminho certo.

Amor incontido é
Como bala perdida.
Expressa um caminho
De somente encontrar
Amor escondido e
Silêncios de dor.

A bala partiu.
Quebrando o encanto.
Sem volta, sem cores.
Apenas revolta.
Do amor incontido,
Que a bala matou.

Encanto quebrado, no
Retorno das dores.
Em perdidos recantos.
De vivos encontros.
Bala perdida é
Amor repetido.

Jaak Bosmans 8-12-08

Jaak Bosmans
Inserida por JaakBosmans

Alma que ama

Você se torna parte de mim
quando sinto que meu coração bate diferente com suas palavras,
mesmo no silêncio.
Busco não acreditar que em amanheceres chuvosos ou ensolarados,
você ainda pode me estender a mão.
Não como anjo etéreo e suave,
mas como alma que ama!
E que me surpreende a cada instante
com sua maneira de ser e de não ser.

Jaak Bosmans

Jaak Bosmans
Inserida por JaakBosmans

Cinecittà e os quadros por segundo.

Dentro dos meus olhos existem muitos espelhos.
Cada um deles reflete uma história.
Aquelas da infância ensolarada em dias de chuva.
Outras dos medos reais e irreais.
Muitas sem começo e sem final – arrancaram as páginas –
Assombrosas e alegres, sonhos e pesadelos.
Só como histórias que me fizeram,
Balanço entre inícios e finais de histórias inacabadas.
Tendo sempre um você que apenas fecha os livros.
Recomeço.
Porque meus olhos apenas piscam e os espelhos se refazem.
Novos reflexos
Novas histórias

Jaak Bosmans 8-12-08

Jaak Bosmans
Inserida por JaakBosmans

Sou

Sou aquela pequena explosão estrelar
Multicolorida aos teus olhos ingênuos
Multi dolorido pelos sonhos desfeitos.

Sou a estrela cadente que alegra os teus desejos
Decadente em cada lágrima que te fiz derramar
Deslizando sem rumo na infinita escuridão.

Sou feito de brinquedos verdadeiros
Perfeito nos gestos desastrosos
De todos os dias que ainda me restam.

Sou todas as cores vivas já desbotadas.
Revelando apenas o branco de meus desejos
E o negro dos teus nobres despejos.

Sou ainda um pouco de esperança
De poder te encontrar numa dança
De novos acordes, ritmos perdidos

E a melodia que sou!

Jaak Bosmans 14-12-08

Jaak Bosmans
Inserida por JaakBosmans

Pássaro ferido!

Faz bem calar frente às dúvidas
Sofrer todas as vezes que se tornam constantes.
Perdido em desencantos, ilusões e majestades.

Não me encanto com palavras escolhidas,
Prefiro os versos perdidos do silêncio.
Que me sangram em total prazer.

Que culpa tenho?

Percorro com vigor e qualquer coragem
Os campos onde posso correr em desalinhos
Em busca dos encontros reais

Raridades que em cantos solenes
Não se entregam à perversidade das almas.
Apenas ao sorriso leve, que sobrevoa sinceridades.

Que plumas tens?

E em direção ao arco-iris
Num único e derradeiro vôo
Atravesso por todas as suas cores.

Ali me tinjo apenas do branco.
Podendo ser paz, podendo ser nada.
Mas na certeza que contenho todas as cores.

Que liberdade!

Jaak Bosmans 16 -12-08

Jaak Bosmans
Inserida por JaakBosmans

Estações
(ler ouvindo as “quatro estações” de Vivaldi)

Minha realidade sempre se transforma em sonhos.
Em tuas mãos suaves carregas minhas alegrias.
No brilho dos teus olhos sobrevoam gaivotas.
No sentir de teus dançares me retorço em chamas,
Me persigo em bandos e te abraço em solidão.

Minha realidade sempre se esconde em mim.
Ainda assim me esperas nas estações.
Dos invernos às primaveras percorres meu corpo.
Estendes teus braços sem nunca me alcançar!
Me repito em prantos, risos e pratos rasos.

Finais de outonos, ensaios de verão, vulcão em erupção.
Deixa que tudo não aconteça e espera pela realidade.
É quando nossos beijos se repartem em brilhos e se multiplicam.
Permanecendo imóvel o vai e vem das ondas do mar!
Minha realidade se parece muito com você!

Obs. Se for disco vinil, recite mais uma vez!

Jaak bosmans 19-12-2008

Jaak Bosmans
Inserida por JaakBosmans

Capas

Mais que os presentes
A mim encanta seus embrulhos.
Caixas e papéis me divertem muito mais.
Seus brilhos, cordinhas e fitas têm sempre seus encantos.
Nem se importam se é festa.
Os adultos ali nem mexem.
Com eles sempre podemos brincar!
Rasgar, amassar, depois jogar fora.
Faz parte da brincadeira.
São apenas capas.
Como nós.

Jaak Bosmans 26-12-08

Jaak Bosmans
Inserida por JaakBosmans

Perpétuo

Caminho por lugares vastos
Onde ouço apenas o arfar dos rochedos
Ali, onde a liberdade se fixa
Porque qualquer movimento é prisão.

As cadeias fortes das cordilheiras.
Algemam no seu ventre qualquer neblina.
Apenas a presença forte de qualquer sol,
Derrete e a liberta antes da condenação.

E do sêmen deste calor e liberdade
Rompe-se em nova aurora
Do fecundo e perpétuo grito
Um movimento, ainda que foragido.

Quietude da escravidão dos ventos.
Retorna aos mares a porção líquida e menor
Que se fez liberto de toda essa corrente:
A criatura, o criador e muita dor!

Jaak Bosmans 31-12-08

Jaak Bosmans
Inserida por JaakBosmans