Poemas de Jaak Bosmans

Cerca de 143 poemas de Jaak Bosmans

Corpo sonoro

Em teu corpo negro de braços tracejados
Silencia agora todas as minhas canções.

Perdi o ritmo, atravessei nas pausas.
Desafinei os acordes da velha canção.

Não era o blues quem reclamava.
Os improvisos de solos tristes.

Eram lágrimas sobre as cordas tensas.
Delays e distorções sobre a cor da pele.

Colei assim mais ainda o teu corpo ao meu,
Para no silêncio refazer nosso encontro.

E num sorriso de belas notas amplificadas,
Voltastes a vibrar teu corpo ao toque dos meus dedos.

Jaak Bosmans 17-03-09

Jaak Bosmans
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Lugar de te encontrar.

Na conquista de cada altura do meu Himalaia.
Busco transformar minhas vertigens em simples brincadeiras de amor.
Retiro todas as impurezas do caminho, e lentamente vou te conquistando.
No frio sopro de ventos e brancura alva de minha inocência, me perco.
Tua beleza me sangra o olhar.
Quando gotas vermelhas caem no branco de meus cabelos neve.
Purifica assim minha presença.
Desencanta e abre os portões, gelos, brumas e alegrias.
A cada passo uma descida, galgando os montes da tua beleza.
Himalaia de grandeza rude, perdido no horizonte de luares e sorrisos.
Lugar de te abraçar, e escutar repetindo em ecos.
Nossos beijos, ternura e paz.

Jaak Bosmans 09 - 11 -2008

Jaak Bosmans
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À flor da minha pele

É na flor da minha pele que estão meus versos
Minhas loucuras, minhas guerras
Lugar de sustentar agonias, insônias e pernilongos.
Flor de desperfumes sem caules sem pétalas,
Apenas produz o pólen dos meus sentires.
É a flor que enraíza no meu coração,
Sensíveis marcas de amor e de dor.

Jaak Bosmans 3- 04 - 09

Jaak Bosmans
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A Páscoa -De Ostera ao Chocolate-

Em símbolos do equinócio é a primavera
Comemorada em passagem,
Quando cantam os pássaros e brotam árvores.
Renovação

Pechad – Paskla -Pache-
Ostera tem nas mãos o Ovo Cósmico da vida,
Enquanto persegue em olhar de deusa
Aquele coelho inocente que permanece símbolo
Fertilidade

Ostera- Persephene-Ceres-
Anjos passam em matança dos primogênitos,
Por ordem Divina -pelo relato Mosaico -
Numa libertação entre o sagrado e o profano.
Êxodo !!!

“Judiados “pelo Egito permanecem em fugas,
Por lugares onde mares já não se fecham sobre exércitos
Enquanto aguardam e comemoram.
Pesah - Matsah – Maror
Seder

Ovos coloridos de interiores infecundos
Aparências do nosso mundo real.
Sorrisos, presentes e dívidas.
Comércio

Ainda que chocolates se fundam em valores Maias e Astecas
Não há como o da a água da vida, o fogo novo, o pão e o vinho,
Como passagem da morte para a vida!
Ressurreição.

Assim se faz em Páscoa o verdadeiro descanso dos anjos
Que desconhecem festas de ovos, chocolates e coelhos.
Escute!
ELE ainda está dizendo

“FAZEI ISTO EM MEMÓRIA DE MIM”

Jaak Bosmans 10-04-09

Jaak Bosmans
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Letras em jogo

Pegam-se todas elas sem distinção
Nem de cores nem valores
Algumas sempre vêm repetidas
E há curingas misturados.

No tabuleiro branco do papel
Distribui-se uma a uma sem apostas.
No jogo participa apenas nós dois
Minha razão e a minha emoção.

Às vezes na melhor jogada ganha a razão
E sorrindo a emoção mostra o curinga.

Confusão final na contagem dos pontos
Se a cedilha vale mais que dois esses,
Se abajur pode ser em francês
E se homem ainda é com H.

Na poesia as letras nunca se embaralham,
Apenas o poeta se perde no meio delas.
E ao final deste jogo tão disputado
Poeta vencido... a poesia ganha!!!


Jaak Bosmans 5 -04 -09

Jaak Bosmans
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Desembarque!

Bagagem sempre leve,
Carrego só no coração.

Estação abandonada de chegadas
Recorda ainda apenas as partidas

No velho banco já gasto de lágrimas
Sentado nele, ainda te sonhava ali

Cabeça entre as mãos, em negações,
Recordava teus abraços, adeuses e cartas.

Num perder constante da hora do embarque
Tornou-se mais fraco meu coração

E num ímpeto de loucura e vertigem
Me desfiz logo daquela leve bagagem.

Apito distante eram ecos do passado
Que se aproximou num real acontecer

Parando entre ruídos e fumaças
Quando em novo bater me fez o coração.

Era o último desembarque possível
Em te trazer de volta para nós!

E assim meus olhos te viram,
Afinada com meu sorriso.

Triunfou todas as velhas vontades
Como fogo que nos fez um louco-mover

No trilho brilhante, um vagão em por do sol,
Desliza agora em nova viagem de recomeço.

Jaak Bosmans- 13-04-09

Jaak Bosmans
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Flores da ribalta

Cenário sempre quase pronto
Figurino ainda em retoques
Texto passado por trás das rotundas
Luzes ensaiam o anoitecer da cena
Num paradoxo de já ser noite
Platéia sempre cheia
Com lugares reservados nunca usados.
Roldanas levantam paredes
Como se tudo fosse mentira.
No espaço de um palco
Cabe o mundo, o universo.
Objetos ainda faltam!
Que falta poderiam fazer?
Completo pode ser qualquer vazio.
E no abrir da cortina os atores!
Sempre fingem representar,
O que na vida sempre fazem.
Apenas aguardam os aplausos finais,
Que na vida é apenas silêncio,
Com algum choro, flores e cortejo.

Jaak Bosmans 19-04-09

Jaak Bosmans
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ELA

Ela?
Nunca deu pra ninguém!
Apenas se dava...
E nunca se perfumou.
Só se entregava de alma lavada.
Jaak Bosmans – 14-04-09

Jaak Bosmans
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Um

Em curtos e suaves acordes
Despenquei em cenas lentas para te abraçar
Amar, amor de carícias, ternuras e sonhos.

Foste apenas passagem em vendaval,
Quando me protegi de seus golpes cruéis.
Implacáveis e assustadores.

Hoje recebo a brisa suave de mãos que me querem
Me recolhendo nos seus braços em ternos abraços
Me fazendo em versos e numa nova e suave canção.

Em breves e etenos sussurros
Trocamos prazeres no toque dos corpos,
Sentidos no encontro de uma só alma.

Nos nossos aconteceres reais e fieis
Tecemos luares, brincamos fantasias
Nos permitindo loucuras de todo um viver só nosso.

Não nos afasta nenhuma distância.
Porque delas nos fazemos mais perto.
Sempre na direção do sermos sempre juntos.


Nos encontramos quebrados e abandonados em dores,
Dos amores que acreditamos ser.
E no calor de tantos abraços, derretemos os nossos pedaços,

E nos fizemos de tudo, um!

Jaak Bosmans 24 -05 -09

Jaak Bosmans
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Atelier dos inacabados

Perfeita foste, no aroma de perfumes e aquarelas
Onde cada beijo nos pertencia em odores e desejos
Para em invisíveis telas te refazer dos momentos
Vividos num passado triste de apenas rascunho.

Pincelei em traços inquietantes e imaginários,
Sempre o alvorecer de mais ternuras e sabores.
Renovando a cada aurora o real de nossos sonhos,
Sempre sublimes ,num exalar de mais perfumes.

Mas na tua inconstante beleza inacabada e fugidia,
Deste preferência ao rascunho do teu passado.
Teu perfume e cores vivas me abandonaram
Diante da tela invisível de mais um puro engano.

Tarde percebi tua outra face, e não contive lágrimas,
Que caiam suave sobre o retrato pintado.
E mesmo em constantes e delicados retoques,
Não alcancei mais o nosso primeiro alvorecer.

Ficou assim, no velho atelier dos inacabados
Apenas o aroma se evaporando sem cores
Em pincéis e tintas endurecidos pelo tempo,
Dos sonhos em rabiscos incolores.


E a entrada suave da luz do último alvorecer
Anunciou solene em toque de recolher
Todos os sonhos, desejos e prazeres
Expostos agora na galeria dos inacabados.

Jaak Bosmans 31-05-09

Jaak Bosmans
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Encontro sonhado

As costuras de nossos encontros não suportam mais tantas agulhas e linhas fracas,
Segurei o tempo com o cerzir de ternuras e só recebi remendos de dissabores.

Alinhavado por poesias e imagens, canções e recordações já rasgadas.
Volto sozinho e me fecho agora, com todos os botões e zippers, e me guardo.

Ainda tenho novos retroses que me tecerão no mais belo bordado.
Assim estarei vestindo suavidade e carícias no perfeito encontro sonhado.


Jaak Bosmans 14-05-09

Jaak Bosmans
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Desvendar – te a mulher.

Percorro em deslizantes carícias
Teu perfil -silhueta, em noite da grande lua
Deitados em lençóis de perfeitas ondulações
Bordados com brilhos abissais, em cenário de prata.

Momento -silêncio de música etérea
Escuto o perfeito encanto do teu desejo.
É pequeno, suave e tímido, o toque de teus pés
Num acolher que me faz sentir que me queres teu.

Percorres ainda em pequenos delírios
Em desejo ardente de ser mulher
Buscando meus segredos desvendar
Sem abrir a guarda, de teus contidos recatos.

Se refazem sabores dos perdidos inícios
Nos lençóis já em dobras menores
Onde os corpos já desnudos se bordam entre si
Na busca do que se torna apenas outro ensaio.

Desejos contidos pelas velhas lembranças,
Se revelam num súbito desfazer de algumas carícias
E no inquieto e incontido sentir-se mulher
Ainda escondes o desvendar – te inteira.


Sufocas em beijos teus sussurros de esperado prazer,
Que no mais perfeito entrelaçar de nossos corpos,
Te retesas e te entregas no mais doce e perfeito delírio,
Quando enfim te fazes mulher naquele que é teu homem.

Jaak Bosmans 04-06-09

Jaak Bosmans
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"Até..."

Atrevi a um pequeno brilho em noite de estrelas
Me perdi em cantigas como em criança brinquei
Procurei no esconde-esconde minha namorada
Mesmo a vendo não queria apontá-la.
Procurei pelo melhor amigo
Que em criança eu sabia existir
Escondido correu e me fez
outra vez esconder o rosto.
Contar até dez continua sendo meu trabalho
Deixando de ver a namorada
Acreditando que ainda existem amigos
Mas sempre escondendo meu rosto!
A noite acabou!
Não me lembro das cantigas
A namorada foi embora,
Com o amigo que correu na frente!
Vou tentar ainda
Contar de novo até ...

Jaak Bosmans
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"Amargo recheio"

Descubro-te desnuda
E debruço,
No escuro pra te embalar
Como em noite de luar,
Em toques de ternura.
Te escuto o silêncio.
Te falo calado.
Sem enfado me descubro desnudo,
E rebusco nestes dois corpos
Aquele que é um só.
Me recubro de lembranças,
Mas recuso voltar no tempo.
Me envolvo em travessuras,
Travesseiros, mas sem teus seios.
De culpas recheado, já percebo
Apenas dormências.
Reminiscências de um gostar de você,
Na permanência da sua ausência.

Jaak Bosmans
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"Gestalt"

Mesmo aqui encontrei a saída!
Em escadas não calculadas,
Em degraus que se tornam planos.
Onde você começa.
Lugar de nunca terminar!
Espaço reservado!

Jaak Bosmans
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"Flores" (título bem bobinho mesmo)

Gotejei cada pedaço de mim
Em refrescar apenas a dor
Que a cada momento se desfazia em nuvens
No rasgar entre o brilho que me tinham flores
Não por razão perdida, louca, ou falta de razão
Desci pelas escadas laterais da minha amargura
De onde podia gritar o lamento do que não existiu
Em jogos de cartas ou dados, sempre perdi meu horizonte
Joguei até o último pedaço de mim
Refrescando toda a minha dor
Que nas flores tinham gotas!

Jaak Bosmans
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"Último canto"

Te procurava em finais de arco-íris
Percorrendo estradas de puras nuvens
Corria através de túneis sem fim
Voava por sobre desertos e oásis

Em bosques, florestas e matas te buscava
Nas montanhas, em ecos te gritava

Num lago em sol a se por
Chorei quando te vi

Eras cisne e me chamavas.

Num esforço real, irreal e surreal
Me transformei em cisne pra te abraçar!

E como cisne apenas cantei!


(Ouro Preto-MG 01/12/2007)

Jaak Bosmans
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"Os três lados da mesma moeda"

Poesia é fácil fazer, na verdade todo mundo faz.
Poesia é difícil de escrever, é manejar letra por letra construindo palavras que podem se tornar poesia.
Poesia é impossível de ser lida, como a mesma.
Porque poesia contém também o lado espesso.

Jaak Bosmans
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Ai! Cai! Balão
Ai! Cai! Balão
Aqui não,aqui não;
Aqui nãããããão!!
É melhor continuar a subir
EXPLODE!!!!!!!!!!!!!!!!!

Jaak Bosmans
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Circularidade

Sou
O pôr do Sol!
Sou
O pôr!
Sou
O colocar do Sol!
Sou
O colocar do Só!
Sou
O pôr do Só!
Sou
O pó do Sol!
Sou
O pó do Só!
Sou
O só do pó!
Sou
O só do só!
Sou
O pó do pó!

Jaak Bosmans
Inserida por JaakBosmans