Poemas de Gregorio de Matos

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Gregório de Matos (1636-1696) foi o maior poeta barroco do Brasil Colônia. Desenvolveu uma poesia amorosa, religiosa e satírica, que criticou, com sua língua ferina, todas as classes da sociedade baiana do seu tempo.

Juízes de Igaraçu

Se tratam a Deus por tu,
e chamam a El-Rei de vós,
como chamaremos nós
ao Juiz de Igaraçu?
Tu, e vós, e vós e tu.

Que me há de suceder nestas montanhas
Com um Ministro de leis tão pouco visto,
Como previsto em trampas, e maranhas?

Inserida por HeitorVS

⁠Buscando a Cristo
A vós correndo vou, braços sagrados,
Nessa cruz sacrossanta descobertos,
Que, para receber-me, estais abertos,
E, por não castigar-me, estais cravados.
A vós, divinos olhos, eclipsados
De tanto sangue e lágrimas abertos,
Pois, para perdoar-me, estais despertos,
E, por não condenar-me, estais fechados.
A vós, pregados pés, por não deixar-me,
A vós, sangue vertido, para ungir-me,
A vós, cabeça baixa pra chamar-me.
A vós, lado patente, quero unir-me,
A vós, cravos preciosos, quero atar-me,
Para ficar unido, atado e firme

Inserida por laurenmatta

A Cristo S. N. Crucificado estando o poeta na última hora de sua vida

Meu Deus, que estais pendente em um madeiro,
Em cuja lei protesto de viver,
Em cuja santa lei hei de morrer
Animoso, constante, firme, e inteiro.

Neste lance, por ser o derradeiro,
Pois vejo a minha vida anoitecer,
É, meu Jesus, a hora de se ver
A brandura de um Pai manso Cordeiro.

Mui grande é vosso amor, e meu delito,
Porém pode ter fim todo o pecar,
E não o vosso amor, que é infinito.

Esta razão me obriga a confiar,
Que por mais que pequei, neste conflito
Espero em vosso amor de me salvar.

Gregório de Matos
AMADO, James (Org.) Obras Completas de Gregório de Matos. Salvador: Ed. Janaína, 1968.
Inserida por Sofiasofia0312

⁠"se souberas falar também falaras
também satirizaras, se souberas,
e se fora poeta, poetaras."