Biografia de Gregório de Matos

Gregório de Matos

Gregório de Matos Guerra (1636-1696) foi o maior poeta barroco brasileiro e um dos primeiros a criar a poesia lírica e a poesia satírica no país.

Gregório de Matos nasceu em Salvador, na Bahia, no dia 23 de dezembro de 1636. Estudou Humanidades no Colégio dos Jesuítas e em seguida foi estudar Direito na Universidade de Coimbra. Foi curador de órfãos e em seguida nomeado juiz criminal em Alcácer do Sal. Já ensaiava seus primeiros poemas satíricos.

Em 1681, voltou ao Brasil, recebendo do arcebispo o cargo de vigário geral e tesoureiro mor., mas sem obedecer às ordens eclesiásticas, foi logo deposto. Devido às suas sátiras, foi perseguido pelo governador da Bahia.

Depois de se casar com a viúva Maria dos Povos e exercer a função de advogado, abandonou tudo e saiu pelo Recôncavo como cantador itinerante, dedicando-se às sátiras e aos poemas eróticos e irônicos, motivo pelo qual foi degredado para a Angola, na África. Voltou ao Brasil, doente, e impedido de entrar na Bahia, foi para a cidade do Recife, em Pernambuco.

Gregório de Matos foi apontado por muitos como um autor nacionalista, pois não perdia a ocasião de atacar os portugueses que buscavam no Brasil apenas o enriquecimento rápido, nada dando em troca ao país ou a seus filhos. Satirizava os religiosos, os governadores, os escravos, os indígenas, portugueses, holandeses e brasileiros. Nenhuma camada social escapava da língua ferina do poeta, que foi chamado de “O Boca do Inferno”.

Gregório de Matos faleceu no Recife, Pernambuco, no dia 26 de novembro de 1696, sem publicar nada em vida. Entre 1923 e 1933, toda sua obra foi publicada pela Academia Brasileira de Letras, com o título de “Obras de Gregório de Matos”.

Acervo: 17 frases e pensamentos de Gregório de Matos.

Frases e Pensamentos de Gregório de Matos

Inconstância das coisas do mundo!

Nasce o Sol e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas e alegria.
Porém, se acaba o Sol, por que nascia?
Se é tão formosa a Luz, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?
Mas no Sol, e na Luz falta a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se a tristeza,
Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza.
A firmeza somente na inconstância.

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O todo sem a parte não é todo;
A parte sem o todo não é parte;
Mas se a parte o faz todo sendo parte,
Não se diga que é parte, sendo todo.

Gregório de Matos
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SONETO VII

Ardor em firme coração nascido!
Pranto por belos olhos derramado!
Incêndio em mares de água disfarçado!
Rio de neve em fogo convertido!

Tu, que em um peito abrasas escondido, (*?) Tu, que em ímpeto abrasas escondido,
Tu, que em um rosto corres desatado,
Quando fogo em cristais aprisionado,
Quando cristal em chamas derretido.

Se és fogo como passas brandamente?
Se és neve, como queimas com porfia?
Mas ai! Que andou Amor em ti prudente.

Pois para temperar a tirania,
Como quis, que aqui fosse a neve ardente,
Permitiu, parecesse a chama fria.

Gregório de Matos
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O honesto é pobre,
o ocioso triunfa,
o incompetente manda.

Gregório de Matos
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Mandai-me Senhores, hoje
que em breves rasgos descreva
do Amor a ilustre prosápia,
e de Cupido as proezas.
Dizem que de clara escuma,
dizem que do mar nascera,
que pegam debaixo d’água
as armas que o amor carrega.

O arco talvez de pipa,
a seta talvez esteira,
despido como um maroto,
cego como uma toupeira

E isto é o Amor? É um corno.
Isto é o Cupido? Má peça.
Aconselho que não comprem
Ainda que lhe achem venda

O amor é finalmente
um embaraço de pernas,
uma união de barrigas,
um breve tremor de artérias
Uma confusão de bocas,
uma batalha de veias,
um reboliço de ancas,
quem diz outra coisa é besta.

Gregório de Matos
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