Poemas de Freud
Setenta anos ensinaram-me a aceitar a vida com serena humildade (...). Não, eu não sou pessimista, não enquanto tiver meus filhos, minha mulher e minhas flores! Não sou infeliz – ao menos não mais infeliz que os outros.
Nota: Trecho de entrevista feita por George Sylvester Vierek, em 1930.
...MaisNão escolhemos os outros ao acaso. Encontramos aqueles que já existem em nosso inconsciente.
A única pessoa com quem você tem que se comparar, é com você no passado. E o único filho por melhor que deveria ser, é quem você é agora.
Não desejo suscitar convicções, o que desejo é estimular o pensamento e derrubar preconceitos.
A vida, tal como nos coube, é muito difícil para nós, traz demasiadas dores, decepções, tarefas insolúveis. Para suportá-la, não podemos dispensar paliativos.
O inconsciente de um ser humano pode reagir a outro sem passar pelo consciente.
A vida, tal como a encontramos, é árdua demais para nós; proporciona-nos muitos sofrimentos, decepções e tarefas impossíveis. A fim de suportá-la, não podemos dispensar as medidas paliativas. ‘Não podemos passar sem construções auxiliares’, diz-nos Theodor Fontane. Existem talvez três medidas desse tipo: derivativos poderosos, que nos fazem extrair luz de nossa desgraça; satisfações substitutivas, que a diminuem; e substâncias tóxicas, que nos tornam insensíveis a ela. Algo desse tipo é indispensável. Voltaire tinha os derivativos em mente quando terminou Candide com o conselho para cultivarmos nosso próprio jardim, e a atividade científica constitui também um derivativo dessa espécie. As satisfações substitutivas, tal como as oferecidas pela arte, são ilusões, em contraste com a realidade; nem por isso, contudo, se revelam menos eficazes psiquicamente,
graças ao papel que a fantasia assumiu na vida mental. As substâncias tóxicas influenciam nosso corpo e alteram a sua química.
Volte seus olhos para dentro, contemple suas próprias profundezas, aprenda primeiro a conhecer-se.
A voz do intelecto é suave, mas não descansa enquanto não consegue uma audiência.
O ego tem a tarefa de fazer com que a influência do mundo exterior contrabalance o id e suas tendências, além de tentar substituir o princípio do prazer, segundo o qual o id opera, pelo de realidade. No ego, a percepção assume um papel que no id pertence ao instinto.
Nada é tão difícil para o homem quanto abdicar de um prazer que já experimentou.
Compreendemos muito bem como interpretar em outras pessoas (isto é, como encaixar em sua cadeia de eventos mentais) os mesmos atos que nos recusamos a aceitar como mentais em nós mesmos.
As crianças amam em primeiro lugar a si próprias, e apenas mais tarde é que aprendem a amar os outros e a sacrificar algo de seu ego aos outros.
Em matéria de sexualidade, somos todos, no momento, doentes ou sãos, não mais do que hipócritas.
Deixa de lado todos os seus afetos e também sua compaixão humana e concentra as suas forças espirituais numa única meta: realizar a cirurgia o mais de acordo possível com as regras da arte.
Um sonho de uma criança é uma reação a uma experiência do dia precedente, a qual deixou atrás de si uma mágoa, um anelo, um desejo que não foi satisfeito. O sonho proporciona uma satisfação direta, indisfarçada, desse desejo.
O homem enérgico e vencedor é aquele que pelo próprio esforço consegue transformar em realidade seus castelos no ar. Quando este resultado não é atingido, seja por oposição do mundo exterior, seja por fraqueza do indivíduo, este se desprende da realidade, recolhendo-se onde pode gozar, isto é, ao seu mundo de fantasia, cujo conteúdo, no caso de moléstia, se transforma em sintoma.
Contra todas as provas de seus sentidos, um homem que se ache enamorado declara que ‘eu’ e ‘tu’ são um só, e está preparado para se conduzir como se isso constituísse um fato.
O homem enérgico e bem sucedido é aquele que consegue transmutar as fantasias do desejo em realidades.
