Poemas de Arnaldo Antunes

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Nós apenas trabalhamos para encher a memória e deixamos o entendimento e a consciência vazios.

Não construais estátuas aos vossos heróis, é melhor erguer estátuas às vossas vítimas.

É falso que a igualdade seja uma lei da natureza. A natureza não faz nada igual; a sua lei soberana é a subordinação e a dependência.

Há que, na medida do possível, prestar favores a todos: quantas vezes não precisamos de quem é menos do que nós.

Um leitor inteligente descobre frequentemente nos escritos alheios perfeições outras que as que neles foram postas e percebidas pelo autor, e empresta-lhes sentidos e aspectos mais ricos.

Se fazes o bem para que te o agradeçam, negociante és, não benfeitor; cobiçoso, não caritativo.

Os que têm tentado reformar os costumes do mundo, no meu tempo, com opiniões novas, reformam os vícios da aparência; quanto aos da essência, deixam-nos intactos, quando não os aumentam.

Hoje, setenta por cento da humanidade ainda morre de fome... e trinta por cento faz dieta.

A autoridade não se consegue sem prestígio, nem o prestígio sem distanciamento.

É uma perfeição absoluta, dir-se-ia divina, sabermos desfrutar lealmente do nosso ser.

Existem pais estranhos, dos quais a vida inteira não parece ocupada senão em preparar razões para os filhos se consolarem pela morte deles.

É preciso que um autor receba com igual modéstia os elogios e as críticas que se fazem às suas obras.

Se você olhar atentamente você verá que existe apenas uma coisa e somente uma coisa que causa infelicidade. O nome desta coisa é apego. O que é apego? Um estado emocional de aderência causado pela crença de que sem alguma coisa particular ou alguma pessoa você não consegue ser feliz.

Desejamos fazer toda a felicidade, ou, não sendo isso possível, toda a infelicidade daqueles a quem amamos.

Aqueles que nós definimos como os nossos dias mais belos não são mais do que um brilhante relâmpago numa noite de tempestade.

O nosso amor-próprio exalta-se mais na solidão: a sociedade reprime-o pelas contradições que lhe opõe.

A sabedoria é geralmente reputada como pobre, porque não se podem ver os seus tesouros.

Fazemos ordinariamente mais festa às pessoas que tememos do que àquelas a quem amamos.

Em matérias e opiniões políticas os crimes de um tempo são algumas vezes virtudes em outro.

Fica provado que uma inovação não é necessária quando se torna demasiado difícil implementá-la.