Poemas de Arnaldo Antunes
*LOBO: O ESTADO DE TUDO!*.
Às vezes, quando em contemplação de nossas vidas nos sentimos como Deuses; poderosos por nossas conquistas e realizações...
E nos permitimos o derredor...E vemos nossos filhos.. filhos da seguranca e do carinho.. de tudo que construímos...
No farfalhar da árvore da vida sabemos que não seremos Deuses por muito mais tempo... porque ele passa e urge...
Confrontamos assim nossos filhos ... E os vemos frágeis e vulneráveis... inexperientes e atônitos, mesmo com nossa suposta grandeza...
E vamos dormir... E durante o sono acordamos pra dureza
dos sentidos que aguçam os lobos lá fora...
Quem irá impedi-los de entrar, depois de nós?...
Poderosos, qual nada somos...
Somos os mesmos lobos, os mesmos lá de fora, que na vida de tantos e de cada um espreitam...
Lobos... nossos filhos precisam ser lobos!...(Victor Antunes).
Se for pra beijar, que seja sempre;
Se for para abraçar, que seja sempre;
Se for pra dizer te amo que seja te amo pra sempre;
Se for pra ficar, que seja ficar pra sempre;
Se for pra amar que seja amar para sempre;
E se for pra ser feliz, que seja ser feliz para sempre.
(Vic Antunes)
*"OLHOS DE VER"*
*Queres conhecer uma pessoa?...*
*Primeiro observe como ela trata e se importa com as plantas; segundo como ela trata e se importa com os bichos, quaisquer bichos; terceiro como ela trata e se importa com seus semelhantes.*
*(Victor Antunes)*
*A ESSENCIA DE VIVER E DE EXISTIR*
A evolução humana, em sua jornada, certamente muito passará pela experimentação individual de cada um de nós seres humanos no mundo dos sentidos.
Essa experimentação, cuja nossa definição é a vida; encerra um estado latente de consciência tátil desses sentidos. Como seres duos que somos, nossa evolução só atingirá o ápice quando alcançarmos o UNO; formos capazes de vivenciar a existência, em face de todas as experimentações, através de uma grande mente coletiva. Daí porque ainda serão necessários alguns milhares de anos de libertação dos desejos meramente materiais, e frívolos.
Há, com efeito, uma consciência cósmica que a tudo determina; e nela, segundo intuo, reside a paixão irresistível que chamo "Deus".
Essa consciência nos intui, nos chama a evoluir e ascender; rege a vida e a existência de tudo. Assim sendo, enquanto viver é uma experimentacão, caracterizada por um apostolado; um fenômeno de permissão e acolhimento cognoscível de todos os fenômenos, disponibilizando-os a alma, existir é o assente definitivo do ser que acolheu tudo, e tangiu certo grau. Viver e existir, pois, não são a mesma coisa, mas possuem a mesma essência.
Milhares de anos, portanto, passarão; até que a consciência coletiva humana seja verdadeiramente "una"; e deixe de se permitir quedar pelas paixões doidivanas.
(Victor Antunes)
*O ARBITRIO E A NOÇÃO DOS SENTIDOS*
*"A cegueira humana sobre a realidade atual é decorrente da pouca importância que ela dá aos sentidos.* *Essa cegueira é como uma culpa recorrente dos resultado dos erros; e ela acende quando a percepção tardia "sente" o mal acontecido ou acontecendo.* *Se a humanidade conhecesse de fato o poder dos sentidos e os explorasse com apreço e respeito, esse mal diuturno, que afasta a plenitude do gozo dos sentidos, seria abolido.* *Paradoxalmente, não são os desejos nem as paixões doidivanas na exploração dos sentidos que tornam a humanidade refém do mal, senão o desconhecimento dessa regência. **O mal de que falo, portanto, e que nos aflige - qualquer mal - é apenas a absurda consequência da pessima regência e exploração dos sentidos.*
*Talvez, o primeiro passo a sanidade, o degrau para conhece-los e controlá-los, seja aceitar e ver a grandiosidade perigosa do maior de todos os poderes que comandam os sentidos: o arbítrio.*
*Na medida em que a humanidade mergulhar na consciência do exercício equilibrado do poder do arbítrio, todos os sentidos serão avaliados; e as consequências e repercussões da exploração dos sentidos serão antecipadamente percebidas; e por corolário os sentidos não serão mais sub-utilizados nem hipervalorizados no excesso; nem se culparão os desejos.* *Daí, o que dantes levava a humanidade a deriva, terá fim.*
*O conhecimento sobre os limites do arbítrio, portanto, traz a noção plena dos sentidos; e a noção, como espécie de introspecção que é, afetará todas as determinações da mente, impedindo que o mal, qualquer mal, opere ou se estabeleça. Isso, decerto trará o fim de toda nossa arrogância, e acabará com o mal da estupidez.* (Victor Antunes)
*O GRANDE SEGREDO*
Hoje vejo o quanto fui feliz por passar as privações e provações da minha infância ao me submeter às idiossincrasias do meu pai, no arremedo daquelas do vovô que ele destilava; eu tive a humildade e a paciência de arriscar na força do meu amor por ele; ao contrário de buscar as coisas na experiência do mundo, eu mirei ele; e no vovô; me auto-cooptei e aprendi com as porradas do meu velho; ... certamente que houve dia em que eu me rebelei contra ele... mas só na brevitude da volatilidade da ira; daquela loucura breve; que a vera era o fulgor das minhas ansiedades... Hoje, velho, vejo que acertei... por mais que tenha sofrido a vida que O Meu Deus me deu, até agora, na verdade, fui feliz... Jamais me arrependerei de minha opção... Descobri recentemente que na verdade eu escolhi o amor; o amor de amar o papai sem condição e sem filtro: só amá-lo... Aprendi com ele a amar às pessoas, pouco importando o que elas me deem. Daí sinto que a felicidade de viver é amar, de forma incondicional e sem esperar nada, nem ficar de pires na mão... porque quase ninguém da nada; amar e pronto... amar e amar.. Dâne-se quem não me retribuir e não souber fazer isso...
Aprendi com o papai e com tudo que ele me disse do vovô, que eu não tive...(te amo vovô)...
Aprender sem ver, sentir sem passar, ouvir e inteligir o amor que recebi... Grosso, mal educado, mas protetivo e sincero...
Aprendi certas coisas sem passar, mas fiz a leitura da dor no livro do coração que ele abriu pra mim. Quiça tantos que buscam nesse mundo se permitam fazer uma pequena fração do que fiz... Ler o coração daquele que se dispôs a amar;... amar de verdade, seja como pai, filho, avô, amigo...
Um livro aberto no coração...
(Victor Antunes)
* TEMPOS MODERNOS*
‐ Bom dia!...
Àqueles que têm cérebro, assomamos com certas coisas que são postadas; cremos firmemente que há uma convulsão social no planeta; e está alicerçada em uma espécie de idiotia compulsiva jamais vista. O medíocre tomou de golpe as relações; e de tal modo assola, que a estupidez é a pauta do admirável. Nunca se viu tanta gente estulta divagando, e postando sobre o estrume mental que lucubra. A regressão social é, pois, patente. A catarse dessa coisa horrrorosa - conjecturamos -, silenciosamente nos está aproximando do fim. Como tem gente pulha; a solução talvez seja a alienação enquanto aguardamos a nuvém radioativa; ou talvez, ainda, fugir pro mato; procurar uma caverna; virar hermitão.
- Ah se eu pudesse...
- Se eu pudesse você... de verdade você...
- Sempre seria e viveria você...
- Te tomaria mesmo que não me quisesse, porque me iria querer, depois...
- Eu e você...
- Se eu pudesse..
- Tudo seria, poderia, existiria, sonhos de realidade, fantasias repletas... você, só você... ah, se eu pudesse...
- Te tomaria... mesmo que morresse... morreria por você...
- Mas viveria todas as vidas por você...
- Nada importaria nesse mundo: eu viveria por você... desesperadamente com você, e pra você...
- E povoaríamos o planeta...
- Eu e você...
- Seríamos tudo, para sempre...
- (Victor Antunes)
Ninguém quer, nem aceita, amigo "problema"...
A maior parte das pessoas acreditam cegamente que a vida se resume numa "limousine"; e vivem, "com certeza", o tempo todo, "passeando" nela...
*- Como assim é o cassete: é a real pra 90% da patuleia!!!...
Sempre chega o tempo, no qual o cara não pode se vingar, não pode matar, nem reclamar: está refém...
E diante de tudo que acontece, mesmo assim, ele, a tudo assiste e percebe, que é ele quem não pode errar; porque a ele é proibido errar, desistir ou confessar que perdeu;
É aquele tempo em que ele se confronta, depois de tanta provação; e fica se vendo, estupefato, se encarando, nos limites de sua própria fé. (Victor Antunes)
...A inteligência crítica me ensinou isso, e continua ensinando: que em todas as batalhas de todas as guerras, venceu aquele que lutava "por alguma coisa" e não "contra alguma coisa".
Quando se luta "por alguma coisa", a primeira impressão é que os obstáculos desapareceram. Talvez por falta de um "contraponto".
Contrário senso de quem luta "contra alguma coisa" e sempre encara, de frente, a ferrenha oposição do "contraditório".
( Victor Antunes )
*ESSA É PRO BANDIDO QUE FALA FÉ EM DEUS*
Alguns incautos falam no nome de Deus, e crêem na salvação mesmo tendo sido patifes a vida inteira. Acreditam num Deus salvador, cego e estulto, porque malandro guarda o arrependimento e o perdão pra hora da morte!!!
As contas dos vacilos do malandro venceram; ele tá no Serasa da eternidade, mas nãotá nem aí. E acha que o desenrolo é mandar uma letra no final da vida; quando ele tiver fechando, e que daí vai ficar tudo certo. Mas não é assim não, bacana!
Malandro chama Deus de pai... E Ele é...Todavia tal como um pai severo, o Senhor Deus o É...
E um pai severo é sempre justo, e, portanto, nunca é bonzinho.
Aliás, um bom pai não fica repreendendo e gastando saliva, Ele só fica olhando, enquanto o malandro acha que é malandro.
Tudo se resume em se ligar e fazer uma escolha...
E a escolha certa é ser amigo do pai, cumprindo suas leis; ouvir e aperfeiçoar-se nos seus conselhos; vale até mesmo o aprendizado quando advem pela punição. Deve-se estar sempre atento, portanto, que ser um bom pai não é ser bonzinho pros filhos. E assim aprender que Deus é um bom pai na plenitude de sua revelação, por todos as chances que Ele nos dá para sermos felizes. Ao aprender sobre Deus, descobrimos o bom pai, e passamos a saber, ou imaginar, o quanto deve pesar a mão D'ele.
Evitemos, todos, pois, contrariar ao pai porque Ele pode ser bom, como todo pai é, mas sempre será severo e justo. Ele é bom, mas não é bonzinho!...
- Quando ele bater vai ser doído!!!
Macaco velho nunca põe a mão em cumbuca!
*VIVER A VIDA, A NOSSA*
Às vezes, a gente precisa entender que é necessário aprender a errar e acertar sozinho, sem a interferência da vida dos outros na nossa. E dar una chance pra isso acontecer é exatamente se permitir fazer. Antecipar, de uma vez por todas, o "futuro do passado". Sim, é isso: o "futuro do passado"...
O futuro que a gente nunca realizou; ou que nunca vai realizar porque ele está sempre "não acontecendo"...
Então tirar os grilhões é se dar uma chance; é se pertencer; é descobrir o próprio tamanho.
A absoluta assertiva disso é trágica; só é observada quando o futuro do passado fica impossível de ser presente; tudo porque o tempo dele passou...
Passou o futuro do presente; ele se foi...
Se foi na armadilha do futuro do passado. Um passado que nunca nos pertenceu; e que nos subtraiu um futuro que era só nosso; e que se foi... pra nunca mais passar!!! (Victor Antunes)
DE CORPO E ALMA
letra: Marilda dos Santos
Noite de lua
Noite sozinha
Nas paredes do meu quarto
Fico a imaginar:
Sei que estás longe
Que em breve vais voltar
De corpo e alma pra me amar
De amores intrigantes
De passados distantes
Vênus e Marte sempre serão grandes amantes
Não me condene
Pelo meu mundo sem ação
O que importa
Se estou presa a este mundo?
Se é nesse mundo
Que eu sei te amar loucamente!
Quando te critico
Por fazer o que vem na cabeça
Não é por mau
E sim um modo de te proteger
E também medo de te perder
(28 Dez 1993)
Marilda dos Santos
VAGANTE
Renato Nova
Me sinto vagando sem rumo
Olhos ausentes não vêem o caminho
Sigo perdido sem destino
Não encontro meu horizonte
Sem abrigo nesta tempestade
O frio da noite no coração
Andando às cegas sem direção
Na garganta um grito sufocante
Não há estrelas no céu
Em tudo ao redor reina o vazio
Neste caminho soturno e sombrio
Sua imagem cada vez mais distante.
Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
– 30 de junho de 2006 -
Renato Nova
PÓS-ATO
Qual a conseqüência do beijo?
Algo imensurável,
Plausível,
Desejável?
Toque de dois sentimentos,
Sutil,
Entrelaçado,
Que se algemam em paixão
mutua,
Constante,
irreparável.
Singultos ritmados,
Arrepios frementes.
Afagos,
Desabafos.
Nada disso,
Apenas bocas entorpecidas
Num cândido frenesi...
JRicardo de Matos Pereira
LUZ DO SOL
(Eduardo Pinter)
Você quer que eu entenda
Mas você não me entende
Quer que eu sorria mais
E não me faz sorrir
Quer que eu suba
Mas não me faz crescer
Finge que sente
Mas não me faz sentir
Você me escuta
Mas não quer me ouvir
Você fala quando me quer calar
Você olha enquanto eu tento ver
Você sorri quando me ver chorar?
E os campos inundam o que é florir
E as correntes caladas irão gritar
E os vagos sonhos terão um fim
E a luz do sol irá escurecer
19 Jan 2013
Eduardo Pinter
(Rê) Sentir
Versificar...
Verborizar...
Simplificar...
Regozijar...
Viver!!!
Tantos outros verbos que se sonorizam/poetizam e rimam com o verbo amar.
Por isso digo:
Versificando,
Te conduzo a essência de meu sentimento;
Verborizando,
Te envolvo nas palavras de meu desejo;.
Simplificando,
Resumo meus sonhos quando estou em teus braços,
Lábios e seios;
Regozijando,
ratifico a comoção de tê-la ao meu lado, e, ao
viver...
Apenas sorvo da essência da vida estampada em teu olhar e teu belo sorriso...
José Ricardo de Matos Pereira - Terça . 07.05.2013 as 01:41 hs.
Obs.: A minha inspiração maior: Rê.
JRicardo de Matos Pereira
NAS MANHÃS DAS TARDES NOTURNAS
de: Eduardo Pinter
Este silêncio que devora todas as manhãs
Parecem gritos ecoando por todos os cantos
Este sentimento vazio que algo está faltando
Parece agonizar sempre quando acordo
E todas as manhãs... parecem todas iguais
Depois do meio dia, sonolência bate, preciso descansar
O corpo parece que já sabe, a tarde é longa, é preciso se preparar
Entre o perdão e o pecado existe um intervalo de consciência
O sangue das mãos é um ato de pura sobrevivência
E todas as tardes... parecem todas iguais
E a noite chega e parece que não sou o mesmo
As promessas das manhãs não tem mais sentido
Não tenho mais tempo p'ra ter pena de mim mesmo
Estou pronto p'ra lutar, pronto pro sacrifício
E todas as noites... são todas iguais
21 maio 2013
Eduardo Pinter
CLARO AMIGO JOSÉ
de: Eduardo Pinter
Oh, caro amigo José.
Teus pensamentos andam confusos
Porque você os confundem
Com tantos sonhos profundos.
Teu orgulho não tem a liberdade,
Nem pingo de razão
Para obrigar teus amigos
A entender teu próprio coração.
Mas, meu caro amigo José,
Se nos mares onde navegas
A chuva não bate forte,
dúvidas terás do valor da chuva
À que te negas.
Caro amigo José,
A vida é bela outrora nobre
Mas, se ela não brilha como você quer
É porque tua luz tornou-a pobre.
Assim, outrossim se vai, José.
Quando ofuscas o reluzir
Tornando-se ofensivo
Na juntura de seus amigos.
Meu caro amigo José,
Se perderes as esperanças
Tua fragrância escassa
Perderá o alicerce da vida.
16 Jan 1998
Eduardo Pinter
