Poemas da Terra

Cerca de 10759 poemas da Terra

Viagens na minha Terra

O marquês do F¹.
(F¹ - D. Domingos Antônio de Sousa Coutinho.)

Foi um dos homens mais extraordinários e português mais notável que tenho conhecido, aquele fidalgo. Era feio como o pecado, elegante como um bugio, e as mulheres adoravam-no.

Viagens na minha Terra

Eu amo a charneca.
E não sou Romanesco. Romântico, Deus me livre de o ser - ao menos o que na algaravia de hoje se entende por essa palavra.

Viagens na minha Terra

Sentia-me disposto a fazer versos, a quê? Não sei.
Felizmente que não estava só, e escapei de mais essa caturrice.
Mas foi como se os fizesse, os versos; como se os estivesse fazendo, porque me deixei cair num verdadeiro estado poético de distração, de mudez; cessou-me a vida toda de relação e não me sentia existir senão por dentro.

Viagens na minha Terra.

Há livros, e conheço muitos, que não deviam ter títulos, nem o título e nada neles.
E há títulos também que não deviam ter livro, porque nenhum livro é possível escrever que os desempenhe como eles merecem.

Os habitantes da Terra
Estão abusando
Ao nosso Supremo Divino
Sobrecarregando
Fazendo mil besteiras
E o mal sem ter motivo
E só se lembram de Deus
Quando estão no perigo..

Oração à Mãe Terra

Mãe nossa, cujo corpo é a Terra, santificado seja o teu ser.
Floresçam os teus jardins campos e florestas.
Seja feita a tua vontade, assim nas cidades como na natureza.
Agradecemos há este Dia, o alimento, o ar e a água.
Perdoa nossos pecados contra a Terra, como nós perdoamos uns aos outros.
E não nos deixes ser extintos, mas livra-nos da nossa insensatez.
Pois tua é a beleza e o Poder, e toda a vida,
Do nascimento à morte, Do princípio ao fim.
Que assim seja e assim se faça para o bem de todos.
Abençoado sejas!

Ei moça você não
é só o amor da minha vida...
É meu pedaço de Deus aqui na terra.

⁠BERÇO

Saudade da terra
Onde plantei minha esperança;
Saudade do rio
Onde curei minha dor;
Saudade do monte
Onde guardei minha fé;
Saudade do abraço
Onde achei amor e guarida.

Tal qual um colonizador
Que assim que pôs os olhos em terra fértil
Que tudo dá e tudo se cultiva
Da mais abunda forma
Você de forma egosita e exploratória
Teve o que quis desse solo abastado
Dos frutos de um sentimento ingênuo
E tal qual um colonizador
Se aproveitou do que não era seu
Pegou os lucros
Mas não cultivou, não cuidou
E o solo antes abundante
Nada tinha mais
Árido e impuro
E o solo, antes seu
Depois de longa pausa
Voltou a frutificar diferente
Pensamentos maduros
Emoções reais
As rosas antes só belas
Agora tem espinhos
O solo desprotegido
Tem bichos sem misericórdia
Para proteger o terreno antes acessível
Pós tua vinda
Tudo ficou ainda mais belo
Porém
Com limites antes não postos
Pra que outro colonizador
Não volte a se apossar do que não é dele

O Odor do Caos

Era fim de tarde na rua Cecília.
Catorze homens jogavam futebol no campo de terra, rindo alto, enquanto a poeira dourada do sol cobria tudo.

De repente, um carro vermelho parou ao lado do campo.
Dele desceu uma moça de cabelos longos e olhos flamejantes.
Com voz calma, pediu ajuda para trocar o pneu furado.

Por um instante, o jogo cessou.
Os homens se entreolharam, silenciosos, mas quem se aproximou foi Jorge — um homem negro, alto, de cabelos compridos.

Quando ele a viu, algo dentro dele se rompeu.
Como se uma voz antiga, enterrada na carne, despertasse.
Um instinto primitivo, misto de medo e desejo, ascendeu nele como febre.
E então ele começou a falar — palavras duras, quase blasfemas —
profecias nascidas do fundo escuro de si mesmo.
Falava como se fosse um mensageiro de algo maior,
exigindo que ela se rendesse,
que aceitasse uma submissão absurda, quase sagrada.

A tensão cresceu no ar.
Os outros observavam, sem saber se assistiam à loucura ou à revelação.

Então, Mariana — amiga de Jorge, que estava próxima — decidiu agir.
Sem dizer uma palavra, correu até o cercado onde sete cachorros estavam presos e abriu o portão.
Os animais dispararam, excitados e famintos, e avançaram com fúria.
O caos começou.

Gritos se misturaram ao barulho do metal e ao som seco dos corpos caindo.
Os cães devoravam carne e poeira, enquanto um cheiro espesso se erguia no ar — o cheiro do sangue.

Era o odor do caos.
Algo antigo e primitivo havia despertado.
Um motim — uma fúria coletiva, selvagem — tomava conta de todos.

Ninguém compreendia o que estava acontecendo,
mas todos, de alguma forma,
queriam um pedaço.

✨ Poema — Raízes e Saberes ✨


O agricultor planta o pão,
com suor, com fé, com chão.
Da terra brota o sustento,
trabalho puro, alimento.


O professor planta a ideia,
faz da mente fértil a seia.
Do saber nasce a esperança,
colhe-se luz, confiança.


Um cultiva o corpo e o dia,
outro, o sonho e a poesia.
Ambos regam, com valor,
a justiça e o amor.


Pois sem campo e sem lição,
não há vida nem nação.
O agricultor e o professor —
raízes do mesmo valor. 🌾📚

Terra que pulsa em mim

(Eliza Yaman)

Não é o chão que falta — é o perfume,
da flor que só no meu país floresce.
Aqui, o céu é outro, o ar resume,
a ausência que em silêncio me adormece.

Minha pátria não é só geografia,
é o afeto que moldou minha raiz.
Mesmo longe, ela canta em minha via,
como um tambor que nunca se desdiz.

Deus em tudo

(Eliza Yaman)

Está no vento, na raiz da terra,
no canto que não cessa em minha alma.
É Ele quem me guia e quem me encerra,
no tempo que me fere e que me acalma.

Não é preciso vê-Lo com os olhos,
basta sentir que tudo é Seu sinal.
Até o pranto traz os Seus escolhos,
e a fé me ergue em graça celestial.

Deus tem bilhões de olhos
E cada ser existente na terra
Presencia toda a beleza criada
Sente cada vibração dessa criação
E Deus se sente feliz
Por sentir através de nós
Que tudo que criou é belo
Maravilhoso, contagioso
E sensacional!... Fantástico!..
Deixe Deus sentir o seu lindo 💓
Entre no silencio da presença
E sinta esse poder em sua vida
Paz no ❤️

CARTA DE SOCORRO


A quem ainda pode me ouvir,
Aos que ainda sentem a terra sob os pés,
Aos que ainda se lembram que sem natureza não há futuro:


Socorro!


Eu sou a Caatinga.
Sou o único bioma exclusivamente brasileiro.
Nasci do calor, cresci na escassez, floresci na resistência.
Durante séculos, abriguei povos inteiros, curei feridas com minhas raízes, alimentei famílias com meus frutos, e dancei com o vento seco sob o sol ardente.
Hoje, estou morrendo.


Tenho sido queimada, arrancada, esquecida.
Espécies que guardava como tesouros — como o pau-ferro, a baraúna, o umbuzeiro, o mororó, o juazeiro e o mandacaru — estão sendo levadas embora, uma a uma.
Meus filhos verdes, meus espinhos de proteção, meus galhos retorcidos de luta, estão sendo transformados em cinzas, carvão e silêncio.


Me chamaram de pobre, de seca, de lugar sem vida.
Mas nunca perguntaram o quanto dei de mim para que a vida sobrevivesse aqui.
Nunca olharam com carinho para o que fui capaz de sustentar, mesmo com tão pouco.


Eu sangro em silêncio, mas agora grito: me recatinguem!
Me curem.
Me deixem respirar de novo.


Não quero virar lembrança em livros didáticos.
Não quero ser só nome em relatório de extinção.
Quero ver de novo as folhas do umbu se abrindo depois da chuva.
Quero ouvir o barulho das ararinhas-azuis que quase não existem mais.
Quero acolher de novo o vaqueiro, o sertanejo, o viajante.


Peço socorro aos cientistas, aos agricultores conscientes, às escolas, aos jovens, aos povos originários e tradicionais. Peço socorro a quem ainda me reconhece como vida.


Plantem o que sou.
Ensinem quem fui.
Preservem o que restou.
E devolvam-me o que me tiraram: o direito de continuar existindo.


Eu sou a Caatinga.
E eu ainda resisto — se vocês resistirem comigo.


Com dor e esperança,
Caatinga a voz esquecida do sertão.


Emmanuel.limap

Não fosse por um milagre,
não haveria a Terra.
Não fosse pela loucura,
não haveria guerra.

Mãe


Ó Céus,
Ó Terra,
Ó Mar.
Ó estrelinhas brilhantes no azul do céu distantes que passam a noite a brilhar.
Vinde todos eu vos peço
Vinde todos me ajudar
Eu compor uma homenagem para a Rainha do lar.
Aquela que me deu a vida é minha mamãe querida que eu quero homegear.
Se soubesse cantar eu compunha uma canção.
E com ela lhe ofertava minha voz, minha emoção
Mas como eu não sei cantar, nem tenho o que lhe ofertar
Lhe oferto o meu coração.


Francisco Garbosi

CHUVA


Respinga molhando a terra
O friozinho no fim da tarde
Céu nublado, falta do Sol
Assim o dia se encerra.


Da vegetação, cheiro de hortelã
Nos convida a abrir a janela
Por hoje, continua a chuva
Talvez, o Sol apareça amanhã.


O tempo passa com alegria
A natureza abraça a terra
Sussurrando uma poesia.


Eu por aqui vou ficando
Hora de dormir, boa noite
Deus nos abençoando.


Irá Rodrigues.

Sonhos de Luz e Bem-Querer



O sol beija a terra com seu abraço dourado,

E o canto dos pássaros, um doce som encantado.

O vento sussurra segredos entre as folhas a dançar,

Deixando o coração feliz, pronto para amar.



As nuvens pintam o céu, em seu balé de algodão,

Transformando o dia em pura alegria e gratidão.

A brisa suave, um carinho a passar sem fim,

E neste jardim florido, encontro meu abrigo.



A vida se revela em cores vibrantes, sem igual,

Um arco-íris de encantos, um presente celestial.

Em seus olhos, a paz que me faz sonhar,

Um sonho, um deleite, em cada olhar.



Que a esperança floresça em cada amanhecer,

E o amor nos guie em tudo que vamos fazer.

Trilhando um caminho leve e seguro,

De um amor lindo, doce e transparente, puro.

E assim, a vida se faz bela, um eterno bem-querer.

Penso que a felicidade plena, como se idealiza ou se imagina, não existe na Terra. Muitos mestres já mostraram isso. Não é lugar-comum dizer que a vida não é uma linha reta, sempre pode haver uma curva. Acredito na existência de momentos felizes, de muitos momentos felizes... Assim, vivamos cada momento feliz como se fosse único e eterno.


José Sérgio Batista
@joseseegio9b


09.12.2021