Poemas da Juventude de Paulo Coelho
Primeiro
Dia de aula,
Dente arrancado,
Exame médico,
Beijo!
Dá frio na barriga,
borboletas no estômago,
arrepio na orelha
(nessa e em outras ordens).
A vontade é pular,
passar pro próximo,
correr, correr...
Mas a pressa é má conselheira,
inimiga da formação,
pois, de todos os passos,
o que mais importa
é o primeiro.
Deus pra mim é o ar que respiro
Deus é tudo que posso ver, sentir e tocar
Talvez ele não seja uma pessoa, nem um ser espiritual
Pode ser que ele seja ela ou nenhum dos dois
Nunca me importei, pois nada disso é verdade absoluta
A vida é como tentar segurar areia.
Por mais que você tente, uma hora tudo vai pro chão.
É no coração
que estão as raízes
que absorvem sentimentos,
fazendo desabrochar
o encantamento
à flor da pele.
Ter cuidado não é um alerta;
é uma delicadeza, um zelo.
Como afago, afeto, atenção,
esmero, estima, desvelo,
mimo, carinho, dedicação...
Todas as coisas que existem,
mesmo as tidas como eternas,
mais dia, menos dia, passarão...
Contudo, as que forem ternas,
muito mais tempo ficarão!
Noite
"somos que nem a espuma da onda
viajamos no melhor lugar ate chegar na praia
então sumimos na areia
como se jamais tivéssemos existido"
Vazio Poético
As palavras se esvaziam da mente
Como um copo de água em dias quentes
A sonoridade poética silencia a alma e desinquieta o coração
São dias difíceis ao poeta que se lamenta e se renova em seus escritos
Em que a criatividade se distancia e suas emoções se perdem na dor
A dor de estar no vazio poético.
Liberdade
Quem és tu liberdade?
Que tanto ouço falar e nunca sequer a toquei
É de pura matéria ou pura ilusão?
Ilusão que disfarça minhas correntes
Ou matéria que se desfaz nas minhas mãos?
Essa independência íntima sem violação
Esse pulsar de serenidade que acalma o coração
Liberdade, liberdade, liberdade
Quem és tu que não destranca minha prisão?
Essa detenção que se espalha na minha capacidade
Oh liberdade, porque se escondestes de mim?
Liberte a minha mente de todas essas angústias
Faça de mim um ser livre de negatividades e opressões
Inocenta minha alma com sua doce sensação.
Manifesto de um pássaro
Um dia, um dia qualquer, eu quero me tornar um passarinho, voar de janela em janela, tomando cuidado com os gatinhos, e de lá em cima das árvores, cantar no meu ninho, apenas um assobio, um simples elogio, e dizer para as pessoas, que a vida ainda é bela, mesmo sendo tão dolorido, que o mais puro coração, não sofre por um amor reprimido.
Um dia, quando me tornar passarinho, quero poder ao vento minhas assas bater, olhar para o sol nascendo e dizer, que la vem de novo a calorosa estrela guia, aquecer minhas assas me levando para os montes rochosos, de onde eu vejo toda a vila, cheia de vida, de pessoas de bem, querendo apenas amar uns aos outros.
Meu sonho, neste pequeno universo, e poder fazer por todos, apenas aquilo que espero, que seja bom, com amor, sendo carinhoso.
Prospere na vida, ria bem alto, seja uma pessoa autêntica, conte coisas boas ao próximo, conserve o colorido nas
bochechas e o brilho nos seus olhos, adorne a sua própria pessoa, conserve a sua reputação, sua saúde, sua beleza,
seus amigos, seu nome e seu vigor moral, físico e espiritual.
Lembre-se que: palavras formam uma imagem.
Realizações constroem uma biografia.
O preço para que tenhamos o caráter de Cristo formado em nós, está , em suportar
os que ainda não O conhecem, suas críticas,
seus escárnios, o manear de suas cabeça, o desprezo, as injúrias e tudo que ofende a nossa fé, sem deixar de lado o amor ágape;
ainda que pensem ser ele falso e irreal.
USE POESIA!
Uma poesia deveria ser...
usada como uma oração,
ousada feito invenção,
abusada pela intuição,
pausada como reflexão
e repousada no coração!
O vento estava fraco, mas parecia que um terremoto estava acontecendo.
Os pássaros cantavam, mas parecia que tudo estava em silêncio.
As pessoas andavam, mas parecia que o mundo estava parado.
Uma manhã que estava anoitecendo.
Parecia um pesadelo, mas eu estava acordado, era só um conflito comigo mesmo.
Quem dera eu puder me lembrar
De tudo o que eu deveria ter
Dito a você e não falei
Por motivos tolos.
Deveria ter dito
Que não te esqueceria
E que não sairia assim da sua vida.
Pertencemos às pessoas
Que nem ainda conhecemos,
Pertenço a você e nunca mais
À outra pessoa,
E mesmo que sua ordem
Fosse para que eu esquecesse você,
Repito dentro de mim
Que isso é impossível.
As releituras da noite
Contam coisas que nunca aconteceram,
Um sonho espantoso
Que ocorre a duas pessoas,
Elas estão num passeio
Cheio de ruídos,
De sons doces que ressoam
Nos ouvidos e vozes que jamais ferem.
Minha musa, deusa grega,
Amo você!
Meu amor impossível e eterno,
Como é eterno o impossível...
Por Paulo Siuves
POETERNIZAR
A poesia insiste diante de nós.
De tão apressados, não a vemos;
de tão racionais, não a sentimos;
de tão pesados, não a carregamos.
Mas o poeta consegue percebê-la.
Ele é o porta-voz dos sentimentos.
É quem caminha na direção inexata,
marcando encontro com a inspiração,
sem lugar determinado ou definido.
Versar-se ofegante do verbo sentir.
Oxigênio, hidrogênio, nitrogênio;
o poeta também inspira tudo isso,
mas expira o “oxi”, o “hidro” e o “nitro”...
e suspira o “gênio” ao escrever poesia.
Que seria do papel, não fosse o poeta?
Ninguém torna-se poeta; revela-se.
Não se apresenta e nem se aposenta.
Assim, nasce poeta, vive poeta,
até chegar o derradeiro dia,
em que rende-se de vez à poesia!
neste lugar solitário
o homem toda a manhã
tem o porte estatuário
de um pensador de Rodin
neste lugar solitário
extravasa sem sursis
como um confessionário
o mais íntimo de si
neste lugar solitário
arúspice desentranha
o aflito vocabulário
de suas próprias entranhas
neste lugar solitário
faz a conta doída:
em lançamentos diários
a soma de sua vida
