Poemas Boca
Hoje, eu a vi na fila da lotação, fiz questão de passar ao largo.
Nunca se sabe, se me aproximasse mais, eu poderia sentir o perfume, que me deixa embriagado.
E se ela me olhasse? Estaria eu, novamente aprisionado.
Nessas idas e vindas, nessas filas de ônibus lotado.
Tenho medo de não percebê-la e acabar com a minha vida, em um simples esbarro.
Caso aconteça, eu sei, meu corpo pedirá um abraço.
Minha boca gritará por seus lábios.
Só mais um beijo, só mais uma migalha daquele nosso sonho, despedaçado.
Hoje, me viram totalmente embriagado.
Tiveram dó, ojeriza, do tal Famigerado.
Não fora o álcool, foram só tormentos, de uma cela, que chamo de passado.
Me peguei parado, fitando-a, estagnado.
Despertei daquele pesadelo acordado.
Não arrisquei, vislumbrei-a, desejei não tê-la amado.
Suspirei, passei ao largo..." - EDSON, Wikney
"Possuo alguns amores de veraneio.
Uns, vieram pra ficar; outros, não sabem a que veio.
Lembro-me sempre, do desenho da boca, o olhar taciturno e o esvoaçar do cabelo.
Lembro-me da maciez da pele e o doce do cheiro.
Possuo sim, alguns amores de veraneio.
Amores que vem e vão, que só se despertam, quando há uma ausência; quando há, do coração, uma carência, um desejo.
Mas ela não, eu queria que esse amor, não fosse passageiro.
Quisera eu que fosse eterno, duradouro, que sobrevivesse às estações, de Janeiro a Janeiro.
Das poucas vezes em que a vi, sinto que não a vi direito.
Não admirei-a como mereces, não prostei-me de joelhos.
Deveria ter lhe fitado pela eternidade, garantindo a certeza que é você, que tatuo agora em minh'alma, em meu peito.
Ah moça! O que eu não faria por um beijo.
Um mundo por seus segredos.
Ela ainda não sabe, mas por ela, eu faria dos meus escritos, um cemitério perfeito.
Enterraria em meus versos, todos os meus amores, de veraneio..." - EDSON, Wikney
Ter-se alistado não te faz um soldado.
Ter um instrumento não te faz um musicista.
Ter um filho não te faz um(a) pai/mãe.
Ter dinheiro não te faz próspero.
Mas ter a boca grande te faz um imbecil.
Dauá,
Água de côco em elétrica passeata
Boca de inferno em sinais misteriosos
Ondas do mar azul das ilhas
Rasgando o silêncio dos tempos
De uma conversa amena e assaz amistosa (...)
Como é bom o doce de sua boca.
Sabor com realce a vida; remédio a alma.
Você a calma da minha vida.
Acalma-me com o poder da presença.
Poder que alimenta em mim muita esperança.
Do teu jardim poético
exala
verso rosa.
Ao expirar
inspira
aos que te vêem.
Teu verso é estrela
que cai sem aviso,
do céu da boca
ao coração dos que te lêem.
Quantas horas alguém leva para ser expert num assunto?
Foram milhares as horas que dediquei ao meu silêncio.
Hoje é a língua que possuo maior fluência.
Descobri que quando a boca cala outros sentidos se sobressaem.
Os olhos começam a traduzir os lábios,
o olfato passa a beijar o tato,
os ouvidos leem a voz.
Foi assim que fiz poesia meus sentidos.
Não sei se sua boca está beijando outra
Nesses momentos, nesses momentos,
E não sei se seus olhos já esqueceram de mim
E os pensamentos se foram com o tempo
Do Amor
Lembro de cada pinta em sua pele
E de cada particularidade do seu corpo.
Absorto me recordo de cada beijo seu
De cada instante que me pertenceu.
Todo dia cedo, eu peço para Deus
Para ele dar-te um amor maior que o meu
E se não for pedir demasiadamente
Que o seu amado em definitivo seja eu.
Seu jeito de apenas observar a vida
E de se tocar intensivamente e com carinho
Me faz subir desejos e calafrios pelo corpo
Me enterneço todo com o seu amor por animais.
Sua beleza me faz a deixar sem graça
Quando como uma obra de arte, a venero.
Meus abraços escandalosos a deixam zonza
E nossos beijos demorados quase arrancam a pinta que tens na boca.
Você me rouba o sono e a vida quando estamos separados
E me devolve a vitalidade e a paz quando estamos juntos
Sofro em abstinência quando está distante
E sou o ser mais completo e feliz quando está presente.
Me surpreendi, quando percebi
Que o rodo que estava passando quebro
no momento que sua boca beijo
me fodi...Kkkk
SUA BOCA
Essa boca desenhada por Deus
É o céu, o paraíso
Um verdadeiro encanto
Ela me tira do prumo
E me deixa totalmente sem rumo.
Nessa boca preciosa
Se guarda o sorriso mais lindo que já vi
É tão doce e meigo, que me faz flutuar
Me contagia, me envolve
Me faz perder o ar.
Sua boca tem curvas perfeitas,
Delicada é mais preciosa que diamante,
É o mar que eu me afogar,
Ficar longe é até pecado.
Labareda incandescente que desejo me queimar!
Quando estou lendo,
meus olhos transformam-se
em uma boca degustativa,
meu cérebro vira estômago,
meu coração é os meus rins,
filtrando as ideias como um bom amigo;
para depois favorecer uma boa reflexão.
Se proibirem o poeta
com a sua escrita
de desabafar
os versos
seus.
Seu pensamento
Vai escrever
Tudo no tecido do coração
E a boca em voz nobre fará uma declamação!
Pulas de galho em galho,
anadas de del em del,
Está sempre trocando de homem,
exibindo seu troféu.
Se não entrardes pela porta,
vais morar no beleléu.
Aponta os erreos dos outros,
para esconder os seus.
Pensa que Deus é menino e que
o povo é ateu.
Estão todos ligados,
nesta boca de trombone,
que fala mal da vida alheia,
e vive trocando de homem.
BOCA DA NOITE
(Bartolomeu Assis Souza)
A boca da noite e seus mistérios
Pudera ter o dom
De perscrutar o enigmático
De beber de seus segredos e beijar sua boca...
De conhecer muitos de seus motivos
Guardados em seus olhos de penumbra
Pois das trevas surgiu a luz...
E com a luz a claridade...
Trazendo e anunciando outro dia
Renascendo com o astro-rei em vestidos luminosos...
Esse senhor que é criador de todas as cores
Tingindo a vida num multifacetado dom.
ISBN:978-85-7893-519-1
Na estrada um grão de poeira
nas retinas a balançar,
qual pássaro voando rasteiro,
pronto para partir e cantar
As marcas dos passos na terra,
miúdos, sem rumo, cansados,
qual andante sem nenhuma quimera
em busca do que há sonhado
Na boca o sabor de fel e mel
nos beijos há muito guardados,
no coração uma mortalha de véu
cobrindo um amor rejeitado
Temos que ser mais para nós mesmos e não para os outros.
Só nós sabemos o que se passa dentro de nosso coração.
Ninguém sorrirá ou chorará por você, a não ser os seus olhos e sua boca.
Da casa
Morei numa casa,
Feita de cal, madeira e planta.
Tinha facho de velas,
E raios numa porta debruçados.
Minha mãe nos ensinava,
A fazer um pão chamado sonho.
Por vezes tínhamos que fermentar com mais vigor.
Mas por fervor ou insistência, crescia.
Nessa casa se contavam estórias.
Como a luz que ficou presa na sombra,
Até que o vento a libertasse.
Ou da lagoa que desaguava no mar,
Porque ele por ela estava encantado.
Tinha uma que ninguém entendia.
Revelar-se-ia mais tarde na travessia.
Era de uma voz que somente se ouvia,
No agudo silenciar, tomado na profundeza.
A casa inda lá continua.
Minha mãe ajuntou-se noutro tempo.
Só agora, enxertado de silenciamentos, aquela voz ecoa.
Abre-se na boca do menino que se avizinhou da saudade.
Carlos Daniel Dojja
In Poemas para Crianças Crescidas
"...Amanheço-me, de tua pele.
Anoiteço-me de tua boca.
Desperto-me, se me deixas o tempo.
E porque rasgamos o silêncio,
tua palavra ventre, me nasce..."
Carlos Daniel Dojja
In Fragmento Poema Amanhecimento.
Se me encontrares,
Na rua ou numa canção ao vento,
Deixa a semente de tua boca,
Tecida em mim num lampejo.
