Poemas Boca
Quem tem olhos tem o rosto, quem tem cabelo tem que ter cabeça, quem tem lábio tem boca, quem tem amor tem esperança, quem tem passado busca esquece-lo, quem tem futuro busca vive-lo, quem tem vida que a aproveite. E quem morreu que vá em paz.
Tente o quanto quiser me derrotar, mas eu nunca deixarei a palavra vitória, suar na sua boca pela minha derrota.
Aquela língua repartida entre nós - que não se fala com a boca, mas que por onde vai, se enxerga a sua voz (CODA, O Menino Astronauta, p. 60)
Servir Jesus não é algo apenas de boca ou de lábios ou aparência mas é uma entrega constante do corpo alma e espírito.
Não poucas das vezes, é a nossa boca a culpada maior de não subirmos mais um degrau na escada do sucesso em nossa vida, pois temos a mania de falarmos demais, e pior ainda, para as pessoas que acabam, conscientemente ou não, nos prejudicando.
perdeu mané, saindo da boca de um juiz do supremo, é tão sórdido quanto esfregar na nossa cara todes diariamente como palavra culta
Democracia em nossa boca é incoerência: na deles é o mais belo ideal. Nacionalismo, em nossa boca, é fascismo, é cópia de estrangeiros; na deles, é patriotismo. Brasilidade em nossa boca é jacobinismo; na deles é legítimo sentimento nacional.
Há quem diga que mentira possui pernas curtas, prefiro pensar que possui mesmo, é boca que sussurra convincente.
Nem sempre as palavras que saem da minha boca são as mesmas que chegam ao seu ouvido. Mas aí, isso já é um problema seu e não meu. Eu só me responsabilizo pelo que eu digo, não pelo que você ouve.
O seu rosto, ao tocar as minhas mãos, faz-me fechar os olhos. A minha boca se abre e os meus lábios se umidificam. Algo aconteceu quando senti o seu cheiro, ao abraçá-lo. Percebi que o meu coração acelerou quando senti o seu respirar sob os meus cabelos. Não consegui ver, mas sei que os seus olhos também se fecharam, e a sincronicidade de um sentimento surgiu quando nós nos beijamos. Exalas algo que aguça os meus sentidos, porque ocitocina você tem de sobra.
"Nem tudo que colocas em tua boca saciará a tua fome, mas aquilo que dela sai poderá devorar a tua alma."
Por muito tempo o silêncio foi a companhia mais leal à minha boca. Dela a palavra se perdeu. Engoli e com força o vômito, o suspiro, o choro, o rancor, a dor, a raiva. Às vezes, até mesmo a alegria. Esse medo bobo de desagradar que implantaram dentro de mim. E nesses movimentos caóticos me perdi dentro de mim mesma. Me afoguei no mar de palavras que permaneceram em tempestade, me puxando para dentro, não permitindo emergir. Esse mar que me tira a liberdade e que me faz muda diante, principalmente, daquilo que me fere a pele. E venho escolhendo todos os dias a desaprender o silêncio. A reencontrar a palavra, a não mais engoli o que me tira o sono. O que deixa na boca um sabor amargo.
