Poemas Anjos de Pijama Matilde Rosa Araujo
Gosto de palavra, de som e de palavra
O que sinto são verbos e harmonias que jamais conseguirei descrever, nem quero.
Não saber quem sou ou o que eu deveria ser é o meu alimento.
Não sinto, não pertenço, não lamento o que aconteceu e nem espero pelo que virá.
Não creio em vitórias e derrotas, fujo de conselhos e do ato de aconselhar.
Gélido. Invernal. não creio, não doutrino, não canso de querer não saber e não ver.
A noite chega, o silêncio, os pensamentos tomam conta. Que frio é esse? Está tão escuro, não consigo ver a luz, tento procurá-la, mas não a encontro.
Quando os pássaros começam a cantar, percebo que um novo dia está a chegar, mas a mente cansada de tanto pensar, já não consegue mais descansar, e tem q continuar a trabalhar . O corpo dói, os olhos pesam, o cansaço consome, mas é o cansaço físico ou mental? Acho que é os dois.
Quando o termina o dia, e a luz começa a se apagar, mais um vez a noite chega e tudo se repete, como um ciclo sem fim.
Tem dias que acordar cansa, de só em pensar que terei que levantar, mesmo com meu pesar, e meu desânimo, há um dia que tenho que enfrentar.
Tem dias que levanto, e já vejo o nascer do sol na janela, e me sinto a pessoa mais feliz e sortuda por poder existir, que consigo abraçar o mundo.
Existem dias que vem a tristeza, não vejo a luz na infinita escuridão que me rodeia. Fico a pensar no motivo de ainda existir, e nesse vazio sem fim, dá vontade de dar um fim. Fim a tudo, ou melhor dizendo, nada.
Tô de saco cheio dessa vida já. Não sinto mais ânimo para viver, está tudo preto e branco.
Levanto e muitas das vezes coloco uma máscara social para tentar melhorar desse desânimo, às vezes consigo, mas muitas das vezes não, e quando consigo ele volta novamente.
Estou exausta, não sinto nada, além de vazio, angústia e solidão.
Transbordo amor
Sou ternura, eu sou doçura, intensidade e paixão.
Não consigo gostar pouco, gosto muito ou não gosto nada. 8 ou 80.
Na alma procuro a beleza, e na essência de um ser eu me encanto.
Estou à procura de um sentido para a vida.
Nascemos sem pedir, e a única certeza que temos, é a nossa partida.
A vida é um mistério, e quanto mais tento desvendá-lo, mais complexo fica.
Transformar nossa dor, em um
aprendizado. E não permitir que
ela nos destrua, mas sim que
nos torne um ser
humano mais forte.
Joaninha
Decidi que devo parar.
Em meio a tanto pó,
Não há porquê.
Não há com que sonhar.
Mas, em tão pouco que me resta,
Por uma fresta na janela,
De um quartozinho de dormir,
Um jardim
Com folhagens orvalhadas,
Ua roseirinha, um jasmim,
E um jarrete de lilases.
À parte, ervas curativas.
E o mais, ua joaninha.
Ah, minha doce joaninha,
Estava pronto p’ra partir.
Pousa cá na minha face
E me conta se és feliz
Pois agora sou feliz.
Eu posso te perder,
mas jamais te esquecerei,
o teu sorriso,
as suas risadas,
o teu olhar brilhando como estrelas.
Sou pedra bruta e busco o vento para erodir.
Com suavidade e paciência
Minhas arestas esculpir.
Para toda eternidade, assim
seus feitos em mim perpetuar.
Cada dia vivido é moeda guardada no bolso da alma. Cada riso, cada olhar, cada respiração é soma que cresce, lucro que ninguém toma, um infinito resumido em soma."
✍️ @opoetatardio — Pedro Trajano
opoetatardio.blogspot.com
Fecho um ciclo, contemplo as lições. Entre risos e lágrimas, recrio paixões.
✍️ @opoetatardio — Pedro Trajano
opoetatardio.blogspot.com
Somando instantes, multiplicando sentidos — porque viver é mais sobre sentir do que contar.
✍️ @opoetatardio — Pedro Trajano
opoetatardio.blogspot.com
Não faz muito tempo,
senti saudades de alguma coisa.
Pensei em escrever a respeito.
Mas,não escrevi.
Mudaram os dias, e me esqueci da saudade.
E nunca mais lembrei.
Esse poema não é a respeito
da saudade (que esqueci)
mas sobre o poema que nunca
existiu (apesar da saudade).
Em não me desperdiçar narrando,
perdi uma memória.
Uma lembrança que chegou
a doer por um momento,
e inspirou um verso que nunca rimou.
Me perdi em não me desperdiçar.
Um dia a janela pisca;
Um sol nublado,
farol fazendo a curva.
Uma mensagem descuidada.
Um dia alguém lembra;
da risada desvelada,
do abraço que encaixa
no vazio umbilical.
Um dia ainda vale a pena.
Olhar o outro,
ao invés do espelho,
e ver.
Vagando em uma quarta-feira qualquer,
separada pelo abismo de outros dias de feira, que, desprezíveis, prefiro nem citar, vejo aquele ônibus que, aos domingos, me transporta por entre realidades,
onde embarcam sonhos e saudades que amadurecem durante a viagem e desembarcam como vontades.
Esse ânimo que me dá de largar tudo e pegar esse ônibus pra te amar. Seja nas quartas, ou em todos os outros dias que houver, serei sempre meio, partido, inteiro apenas quando nós.
Outrora você foi um sonho que,
com o passar do tempo, fez-se concreto. Vislumbrei-te como um pretexto para que eu pudesse ser feliz. Tornaste-te platônico, tornaste-te plausível. Tornaste-te real.
Outrora você foi um sonho do qual eu preferia não ter despertado,
para continuar idealizando um ser perfeito. Amei-te enquanto sonho e pretexto, mas, quando real, percebi que a minha felicidade estava bem longe dali.
E dá-se a partida, o motor ligado vibra.
E meu corpo, junto, se alegra:
parto agora dessa odiosa rotina e deixo pra trás esse lugar onde não há você.
Parto-me pra junto de ti, onde volto a me montar, dessa vez, feliz.
